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E continuamos a nossa viagem pelo país à boleia dos atletas olímpicos portugueses. Hoje, João Filipe Cruz, vamos até Leiria, código postal 2400. É daqui que vem o melhor marcador da seleção de andebol em Tóquio.

Vamos conhecer as origens do até agora melhor marcador nos Jogos Olímpicos. Tem 14 gols em três jogos. Falamos de Pedro Portela, um produto leiriense, mas atenção, porque parece que até tinha jeito pra bola, mas no pé.

Ele tinha jeito ao futebol, mas nós agarrávamos nos miúdos do ATL, que eram do clube, pagavam pra estar no ATL na altura, e tentávamos levá-los pro andebol.

Para convencê-los, não é?

O próprio andebol tem muita força em Leiria. Na altura, imagino, na segunda divisão nacional da zona norte, acho que era norte, havia duas ou três equipas na segunda divisão. Em Leiria, hoje temos uma.

Também ia dizer que também gostava que os meus tempos de ATL definissem tão cedo a minha carreira. Esta é a voz de André Lages, um dos primeiros treinadores, senão o primeiro, de Pedro Portela no Académico de Leiria, onde tudo começou. Que para além de ter tido a capacidade de persuasão necessária para atrair Portela para o andebol, conta como o agora internacional acabou por se dedicar por inteiro à modalidade.

Ele nunca chegou a ir com a bola no pé, porque ele, como é um miúdo emocional e afetivo, criou a ligação com os professores e com os colegas, os próprios colegas do ATL, que depois também eram colegas de equipa dele, e aquilo era muito normal. Eles entravam no ATL e iam pro andebol, era muito normal. Entravam no ATL e iam pro andebol, na grande maioria.

E se tivermos ainda dúvidas sobre o quanto acreditava André Lages no valor de Pedro Portela, o antigo treinador fazia questão de puxá-lo para todas as equipas que comandava.

Eu estava nos iniciados, o Pedro era infantil, jogava nos iniciados. O Pedro era iniciado, se estivesse nos juvenis ou nos juniores, eu lembro-me quando eu era treinador de juniores, o Pedro era iniciado, nós fizemos a subida de escalão pra ele ir pro júnior. Eu passei pra treinador de sénior, o Pedro era juvenil, fizemos a subida de escalão pra ele subir para os séniores, e teve seis meses nos séniores e posso dizer que foi o melhor marcador da segunda divisão. Neste caso, um encorajamento pra manutenção.

Eu estou a ouvir isto e só penso: que grande cunha!

Mas não tão grande como a cunha dos pais, porque eles eram dirigentes do clube, do Académico de Leiria. Mas pronto, brincadeiras à parte, o Pedro Portela tinha tudo para ter sucesso, talento e também um conjunto de pessoas que acreditava muito nele.

Bom, mas muito mimo pode dar maus resultados, não é?

É um risco, mas Pedro Portela-

Se bem que muito mimo é sempre tão bom.

Sim, também é verdade. Estava a lembrar-me disso.

Sim, acho que ninguém concorda com essa tua expressão.

Mas no desporto-

Eu própria não concordo.

No desporto-

Este Código Postal é só confissões. Ontem ficamos a saber, anteontem, que o João Filipe Cruz andou à boleia de elétricos sem pagar bilhete.

É verdade.

Estava com pressa, vocês não são justos.

Avança, João. Avança.

Há horas mais prolíferas a mimos, se calhar agora com o início da manhã não há muita vontade. Mas o mimo no desporto é um risco, mas Portela não tinha e continua a não ter defeitos gritantes na forma como se relaciona com os que o rodeiam, dentro e fora de campo.

É um miúdo doce e é um miúdo muito educado. De todos os miúdos que eu tive a trabalhar que foram à seleção nacional, era o miúdo mais humilde. E quando eu digo humildade, é uma paixão muito grande pelo jogo e um gosto muito grande pelo treino. E é um miúdo que tornava os companheiros realmente muito melhores. Eu não quero romantizar. Você não encontra no Pedro nada tóxico.

E mais, se o Pedro esticasse a corda, havia também quem o acalmasse.

Como ele acompanhava o irmão, que era alguns anos mais velho, ele sempre esteve com miúdos mais velhos. Portanto, ele amadureceu de facto mais cedo. E com ele, as próprias equipas dele, quer de infantis, quer de iniciados, eram miúdos mais maduros, porque como ele era o líder, acompanhavam um bocadinho o líder. Está a perceber? Se ele estivesse completamente adequado, se a própria equipa era adequada.

Treinador, pais, irmão mais velho, todos em cima de Pedro Portela.

Natural que não tivesse muito espaço então pra esticar a corda. Também ajudou, pelos vistos, a ser o jogador que é hoje, não?

Muito. E André Lages faz questão de eu dizê-lo, a forma carinhosa como o trata ainda por miúdo, ainda que Pedro Portela já tenha passado os 30 anos. O primeiro treinador de Portela está muito orgulhoso no percurso do antigo pupilo e não esquece também a família Portela.

Eu tenho muito orgulho nele, no irmão, que foi um atleta também muito tempo, e na família, quer a dona Rosa, quer o senhor João Portela, toda a família Portela. São pessoas que me dizem muito e a quem desejo o melhor. E o Pedro é um grandíssimo atleta e um grandíssimo senhor.

A mensagem de André Lages, um treinador que ajudou Pedro Portela a crescer e mais um que está a torcer pelo ponta direita e pela seleção portuguesa no jogo desta manhã frente à Dinamarca.

É um jogo que vai ter lugar às 11h30 da manhã, sensivelmente daqui a três horas. João Filipe Cruz, vais acompanhar esse encontro entre Portugal e a Dinamarca. João Filipe Cruz e o Código Postal Olímpicos.

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