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E começa agora mais uma temporada do "Código Postal", agora dedicado aos Jogos Olímpicos. Todos os dias vamos conhecer a origem de um atleta português que nos vai representar em Tóquio e hoje, como estreia, vamos até Roriz, no Conselho de Santo Tirso, no distrito do Porto. E vamos, claro, à boleia do jornalista André Maia. Bom dia, André.
Bom dia, Maria João. Já tinha saudades do Código Postal.
Também nós. E André, em Roriz não vamos conhecer um atleta qualquer, vamos conhecer uma comendadora, uma senhora comendadora.
É verdade, é preciso respeito porque estamos a falar de uma comendadora da Ordem de Mérito condecorada pelo Presidente da República. E mais, estamos a falar de uma atleta que foi campeã da Europa da meia maratona em 2016, campeã da Europa em pista coberta de 3000 metros, bronze na mítica maratona de Nova York. Só que mesmo assim não chega, porque há aqui uma espinha encravada. Há uma prova que a comendadora Sara Moreira, que é dela que estamos a falar, não conseguiu ganhar e que deita a perder toda a carreira.
Há uma coisa que ela não conseguiu, que deve estar trancada na casa de dentro, para ser campeã de corta-mato em juvenis.
Não, não é fácil. Não é para qualquer um. E aqui o José Luís Bessa que o diga, foi o primeiro treinador de sempre da carreira da Sara Moreira. Começou a treiná-la, tinha ela apenas oito aninhos no Núcleo de Atletismo de Roriz.
E vamos lá perceber, André, como é que tudo isto começou, como é que Sara Moreira entra tão nova também no atletismo.
Olha, João, foi precisamente por causa da tal espinha encravada na carreira da Sara, o corta-mato. Neste caso, a espinha era de juvenis, mas vocês são um bocadinho de nada mais velhos do que eu.
Muito bem, de nada.
Quase não se nota.
É por isso.
Sim, exatamente.
Isto tens que falar com o Vicente Figueira. Ele gosta sempre de mencionar que é muito mais novo que nós.
Eu tenho notado.
É isso, fala com o Vicente.
É um complexo dele. Mas eu não sei se vocês também faziam isso, mas na minha escola, além dos interturmas, os melhores de cada escola iam depois ao corta-mato no concelho.
Eu não fazia, os outros faziam. Eu não sou muito adepta.
Nem reparei que havia corta-mato.
Só o mato.
Eu adorava.
Eu era do basquete.
No meu caso, eu adorava e ainda fiquei em quinto lugar num corta-mato concelho. Mas na altura ninguém me ligou nenhuma. Não sei bem por quê.
Ainda estás a tempo, André Maia.
Acho que já não. Mas olha que no caso da Sara houve alguém que ligou.
Aquilo era aqueles corta-mato onde aparecia toda a gente. Claro que ela nessa altura destacou-se. Foi logo primeira. E nós começámos a ver: uma vez que estamos a fazer captação, temos que escolher os melhores.
E foi assim que o José Luís Bessa escolheu a melhor, que nunca mais parou. A Sara Moreira ficou no Núcleo de Atletismo de Roriz até aos 15 anos e depois partiu para outras paragens.
Mas conseguiste perceber se a Sara continua ligada à terra?
Sim, continua, Júlio. E pelo que me contou o José Luís Bessa, não esquece mesmo as origens, ajuda sempre no que pode, no Conselho de Santo Tirso. Até mereceu uma homenagem. Aliás, existe um parque urbano, Sara Moreira, que fica num dos locais onde a Sara treinava, precisamente.
E o parque é bem bonito e claro que ela continua ligada à terra, porque há jesuítas em Santo Tirso. Tendo ela um parque com o nome, passa lá os dias a treinar?
Eu também pensei nisso, Judite, mas pelo que nos diz o José Luís Bessa, o parque já não chega pra ela treinar.
Se ela utiliza muito o parque ou não. Claro, você tem que compreender. O tipo de treino que ela faz, neste momento está a fazer treino pra maratona, não ia treinar num parque. O parque é muito bonito, muito jeitoso, mas para se treinar para uma maratona, aquilo é muito monótono, porque fica lá muito às voltinhas.
E uma maratona tem 42 quilômetros, o parque também deve ser uma coisa pequenina, não?
João, o que tu foste dizer agora, o que tu foste fazer. Cometeste o mesmo erro que eu. O parque pequeno, não.
Pequenino, não. Aquilo tem um circuito de cerca de 100 km, já não é assim tão pequenino como isso.
Até achava que era uma coisa mais pequena.
Não. Temos o parque com o nome dela. Ela tem o parque e é dito com o nome dela. Aquilo bem aproveitado, faz-se um treininho ali com umas voltinhas pelo meio.
Não voltem a dizer ao José Luís Bessa que o Parque Urbano Sara Moreira é pequeno. E não duvidem das capacidades físicas da Sara Moreira, nem das valências arquitetônicas do parque.
É pequeno é pra nós.
É pra nós, exatamente. Mas aquilo tem mais de 92 mil metros quadrados, um campo de futebol, um campo de basquetebol, um campo de ténis e ainda um de voleibol.
Judite, basquetebol. Júlio, basquetebol.
Mas ficam as linhas à mão.
Exatamente.
Eu não sei se a Sara parte como a atleta com mais títulos ou com mais expectativas dos Jogos Olímpicos. Acredito que não, apesar de tudo, mas de certeza que parte como a atleta com o melhor parque urbano do mundo.
Tão bom. Jornalista André Maia, com o "Código Postal". Segunda-feira voltamos com mais histórias das origens dos atletas que nos vão representar, e bem, nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Bom fim de semana, André.
Bom fim de semana.
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