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E até o final dos Jogos Olímpicos percorremos o país à boleia dos códigos postais dos atletas portugueses. Não vamos de rickshaw, mas vamos guiados pelo André Maia. Uma vez mais, bom dia, André.
Bom dia, João.
André, hoje vamos até às Caldas da Rainha, mais precisamente até Nossa Senhora do Pópulo, a terra que viu nascer João Almeida.
Exatamente. Acho que conheces. Hoje trago-te um bocadinho de ciclismo. Sei que tu gostas muito e é uma homenagem. Até pensei em vir de bicicleta como tu, mas eu já não ando há tanto tempo que o mais provável era cair ou precisar de rodinhas. Agora, quem eu achava que nunca tinha precisado de rodinhas era o João Almeida. Ainda por cima, o João Almeida é da minha idade, tem 14 anos, mais ou menos. Tem 22 e já tem uma pedalada daquelas que eu tive que tirar a limpo se ele usou rodinhas ou não em pequeno, se este fenômeno precisou de rodinhas. E ninguém melhor do que a mãe para nos confirmar. E fica então a pergunta: o João Almeida precisou de rodinhas na bicicleta quando era pequeno?
Ele também começou com rodinhas, foi até se partir e depois começou a andar. A bicicleta fazia sempre parte. E ele até quando começou a ir pro 15, 16 anos, já me pedia pra ir pra escola de bicicleta. Ia de férias, levávamos uma bicicletazinha. Ia de férias com os avós, andava de bicicleta, ia pra casa dos outros avós, também tinha lá a bicicleta.
Sempre a bicicleta. Está confirmado, houve rodinhas para o João Almeida e diz-nos aqui a Ana Patrícia Gonçalves, a mãe do João, que houve também bicicletas por todo lado. Nós normalmente ouvimos aquelas histórias de infância dos futebolistas. Levavam a bola para todo lado, dormiam com ela. Pronto, neste caso não sei, mas espero que o João pelo menos a deixasse fora da cama.
Sim, pode entrar no quarto, mas não suba pra cama. André, a mãe do João contou qual foi o segredo para ele ser já tão bom ciclista, tão novinho?
Não contou, até provavelmente para não copiarmos o segredo, mas eu estive a ouvir bem a entrevista que fiz com ela. Acho que encontrei ali um pormenor que pode ter ajudado. Chama-se polivalência.
Ele também andou na natação. Andou aqui no Rancho de Adros Francos, que é onde nós vivemos. Tinha aí sensivelmente seis anos. Também jogou à bola no Clube Desportivo aqui de Adros Francos. Já não se identificava muito com jogar à bola, é que começou a querer fazer BTT e iniciou neste mundo das bicicletas.
Eu aposto que a chave foi o rancho, de certeza. Não sei se algum de vocês já praticou. Senão já se percebe por que não vimos aqui.
Foram os ferrinhos para depois se tornar um duro.
Sim, exatamente. Mas agora, fora de brincadeiras, pela conversa com a mãe, dá para perceber que de certeza que uma das chaves, essa é certa, foi mesmo o apoio dos pais, que pareceram mesmo incansáveis.
É isso mesmo. Aliás, a mãe do João Almeida até foi uma das estrelas do Giro ano passado por causa do apoio ao filho.
Exatamente, Júlio. Aliás, eu até trouxe aqui um excerto desse momento em que a mãe do João Almeida, por telefone, foi quase uma espécie de repórter de pista da Eurosport na altura, o canal que transmitiu os jogos. Vamos ouvir um bocadinho desse momento. Lá vêm os primeiros. Vocês estão por aí, nós já vos vamos ver.
Vão passar aos nossos mil.
Já estamos a ver a rosa e a bandeira portuguesa. Olá, Ana. Espetáculo. Vamos ver se a vemos outra vez. Já tivemos a ocasião.
Vai, João! Força!
Vai, João, força!
Tem que ir para outra subida agora.
Agora tem que ir a correr pra outra subida. Tem que lá chegar antes de eles chegarem.
Olha, eu acho que nem consigo chegar à chegada. Tanto que começava aí uns três quilômetros e vai talvez.
Este momento é delicioso da Patrícia aqui a descrever o que é que estava a ver. Eu acho que era bom de se pensar, de termos uma Patrícia aqui na Rádio Observador. Para além de repórter, a Patrícia Gonçalves ficou conhecida também por ter andado de balde às costas a pintar a estrada com o nome do João nesse Giro d'Itália. E também seguiu-o por todo lado, como ouvimos agora. Este momento é incrível.
É, não se esquece esta repórter Patrícia. E agora nos Jogos Olímpicos, vai repetir a façanha?
Repórter de pista já não pode ser porque não vai poder ir ao Japão.
Maldita pandemia.
Exatamente, por causa das restrições. Mas Ana Patrícia Gonçalves contou-nos como é que foi o episódio desse ano passado no Giro e o plano que tem para reportagem para este ano.
Vou ser uma repórter de sofá, vou estar de olhos na televisão e o coração sempre onde ele está. Isso aconteceu no Giro, dos vídeos e de eu aparecer, não foi nada pensado, foi uma coisa que por acaso surgiu, porque tanto eu como o pai do João sempre tentamos acompanhar e gostamos de o acompanhar e gostamos de o ver.
E de certeza que vão acompanhá-lo amanhã. Já agora deixo aqui a dica para os nossos ouvintes e para vocês também, para apontarem aí. Às 6:00, vamos estar já aqui na redação, no contrarrelógio, na companhia do Nelson Oliveira. Vamos ter o João Almeida então nessa última prestação nos Jogos Olímpicos de 2020. É para apoiar o João.
Olha, eu estava a ver aqui a Carla Jorge Carvalho que estava-
É uma conversa que estamos a ter na redação, André. Queremos medalhas, vai ser amanhã?
Poxa, vamos ver. O João é muito forte neste tipo de provas. Ele é forte em tudo.
Amanhã às 19:00 anunciamos a medalha. Combinado.
Esperamos que sim. Depois falamos com a Patrícia para fazer de repórter de pista.
André Maia com o código postal que nos levou até à terra do ciclista João Almeida.
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