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É? Ok, é que nunca se falou disso publicamente.
Impressionado com o modo como de facto apanhou os aspetos essenciais do meu livro.
Está convidado. Todos os dias, João Paulo Sacadura traz alguém diferente ao seu serão.
Vocês sabem tudo. Incrível.
Convidado Extra, de segunda a quinta, ao serão, na Rádio Observador, entre as 20:00 e as 21:00 e sempre em podcast.
Estudaste-lhe mesmo a vida.
Fui eu que revelei isso?
Digamos que nós investigámos.
Tenho que começar a ler O Observador com mais regularidade.
E acho que faz muitíssimo bem.
Convidado Extra no regresso a casa depois do jornal das 8 horas da noite. O João Paulo Sacadura vai estar à conversa hoje com a Mónica Ribeiro, a portuguesa que sobreviveu ao tsunami de 2004 na Tailândia, depois de praticamente ver os pais morrerem afogados atrás dela. 8 horas e 27 minutos, Código Postal, Jogos Olímpicos. Estamos a percorrer o país à boleia dos Jogos Olímpicos, ou seja, através das localidades dos atletas portugueses. O nosso guia turístico de serviço hoje é o André Maia. Uma vez mais, bom dia, André.
Bom dia, João Miguel. Bom dia.
Olha, e hoje vais guiar-nos até onde, André?
Hoje vamos até à freguesia de Gemeses, em Esposende, no distrito de Braga. Isto porque foi lá que começou a lenda que é a Teresa Portela da canoagem, que esteve esta madrugada, já agora, a disputar o apuramento. Não conseguiu, mas mantém-se uma lenda, porque, meus amigos, se eu quisesse, o Código Postal de hoje era só enunciar o palmarés, os títulos da Teresa. E se calhar, mesmo assim, só com isto ficávamos com o Código Postal mais longo de sempre.
Vamos lá.
E como eu gosto de vocês e dos nossos ouvintes, vou só enumerar os mais importantes, ou seja, os primeiros 137 títulos da Teresa.
Os primeiros.
Os primeiros, exato. Posso dizer que já foi 56 vezes campeã nacional, entre várias categorias da canoagem, 18 medalhas em Taças do Mundo, cinco medalhas em Campeonatos da Europa e o melhor de tudo, e vou pôr isto também no palmarés, uma licenciatura em fisioterapia e outra em osteopatia tirada em Madrid. Portanto, só para verem a dimensão da lenda da Teresa Portela, ela disse numa entrevista que já não vai a um fisioterapeuta há anos porque é ela própria que faz a consulta a si mesma, que é já outro nível de dedicação.
Isso é fantástico. E dedicação deve ser mesmo a palavra-chave no meio disto tudo, não é?
Sim, exatamente, João. E quem conhece a Teresa diz que a palavra-chave é dedicação, mas principalmente organização e já desde pequenina.
Totalmente sempre focada em objetivos desde o primeiro momento. Era uma menina que mal se via dentro do barco. Com nove anos de idade, é fácil perceber, mas sempre envinhada, sempre uma atleta exemplar em termos de organização. Basta ver o seu percurso como desportista e o percurso académico é exemplar.
Os meus pais bem me diziam para eu ser mais organizado. Eu nunca lhes liguei nenhuma. Quem ouvimos aqui foi o José Manuel Faria, o primeiro treinador de sempre da carreira da Teresa Portela, no Grupo Cultural Desportivo e Recreativo de Gemeses e cá está novamente a chave para o sucesso: a organização.
Claro, organização, mas também há aí uma dose de coragem que é preciso ter para sair assim de um meio pequeno. Imagino que essa freguesia de Gemeses seja pequena e crescer assim tão rapidamente. E evoluir. Já agora, curiosidade: essa freguesia de Gemeses, o que é que se passa lá tão especial? Quer dizer, é a água da torneira? O que é que se passa lá que forma-
É um bocadinho pela água
Exatamente.
É um bocadinho pela água.
Para ter uma atleta olímpica, é pela água, seguramente, na canoagem.
Tal e qual, sim. Mas é muito por aí. Essa também foi uma das dúvidas que tive, porque também há outro atleta olímpico de Gemeses, o João Ribeiro, que também está na equipa de canoagem em Tóquio, e surgiu-me esta dúvida: eu não conhecia Gemeses, o que é que haveria lá tão diferente? E aqui a resposta é muitas vezes mais simples do que pensamos e sinceramente pode ser um exemplo também para outras freguesias e terras do país. O que é que Gemeses tem de especial para se fazer canoagem? Tem água.
Somos uma população ribeirinha. Temos a canoagem, embora tenhamos outros desportos e Esposende tem muitas opções desportivas, embora seja um concelho pequeno em termos de dimensão, mas tem muitas opções desportivas, mas a canoagem tem sido e é a referência do concelho.
Até parece fácil, não é? Esposende tem mar, tem rio, tem o Parque Natural Litoral Norte e aproveita da melhor maneira dois atletas olímpicos de uma freguesia tão pequenina como Gemeses e depois muitos outros que praticam canoagem. Aliás, a própria Teresa Portela tem dois irmãos, a Silvia e o Carlos, que também fizeram canoagem no clube que fica mesmo à porta da casa onde eles moravam.
Já viram que sorte, não é? Ainda bem que a Teresa-
Sorte, Carla, desculpa, mas vou ter de te interromper. Usaste a palavra proibida. Perdeste, estás fora. Eu vou explicar.
Terminada.
És o elo mais fraco.
És o elo mais fraco, adeus. Eu vou explicar, é que pelos vistos a Teresa teve muitas coisas na carreira, mas sorte é que não teve, principalmente nos sorteios das competições.
Mais uma vez a Teresa não teve sorte. Foi desde júnior até hoje, Teresa nunca teve sorte nessas coisas, ainda por cima este sistema de apuramento dos Jogos Olímpicos é totalmente diferente dos Campeonatos da Europa e dos Campeonatos do Mundo. E mais uma vez a Teresa não tem sorte. Mais uma vez.
Nunca teve sorte. Percebeste, Carla? Nunca, e portanto acho que é melhor pormos mesmo de fora essa expressão.
Portanto, organização e trabalho.
Exatamente. Sorte, não. E para quem anda a fazer macumbas, deixem lá a Teresa sossegada, isto da sorte. Pode parecer também uma desculpa esfarrapada, mas não é. O José Manuel Faria tem razão. A Teresa tem mesmo azar nos sorteios. Aliás, basta olhar para a série onde a Teresa Portela caiu na meia-final de 200 metros em K1. Vocês sabem quem é que caiu na série da Teresa Portela?
Quem?
A Teresa Portela. Eu não estou a brincar. Na série onde a Teresa Portela competiu, havia outra Teresa Portela. Há uma atleta espanhola chamada Teresa Portela, que é só a atleta espanhola com mais participações da história dos Jogos Olímpicos, por Espanha, claro. E é uma probabilidade muito reduzida. E já agora, esta Teresa Portela apurou-se e a nossa Teresa Portela não. Mas a nossa acaba por ser melhor. Aliás, basta ir à Wikipédia. Se forem à página da Teresa Portela espanhola, vai aparecer um balãozinho lá em cima a perguntar: "Será que procura a Teresa Portela de Portugal?" E isto para mim já vale uma medalha.
Fantástico. André Maia e o Código Postal. Hoje fomos a Gemeses, freguesia junto ao Rio Cávado, no distrito de Braga. André, amanhã há mais histórias das origens dos atletas portugueses. Até amanhã.
Até amanhã.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.