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Uma empresa petrolífera pode ajudar a tornar as cidades mais sustentáveis? De que forma? Pedro Oliveira, presidente da BP Portugal, bem-vindo ao "Com Vista para o Futuro".
Muito obrigado pelo convite.
Pedro, como é que uma empresa cujo negócio é combustíveis fósseis pode ajudar a promover a sustentabilidade?
Pode inevitavelmente. Em primeiro lugar, porque estamos conscientes de que somos parte do problema e vamos ser parte da solução. Porque quando se diz que uma companhia como a BP é uma companhia de combustíveis fósseis, é verdade, que nós extraímos crude e comercializamos combustíveis fósseis, mas hoje já temos dentro do nosso portfólio um sem número de atividades na esfera das energias renováveis. Portanto, isto por um lado, estamos tendencialmente a diversificar o nosso portfólio. A BP já é um grande produtor de energia eólica a nível global, um grande produtor de biocombustíveis, dona da maior rede de carregamentos elétricos da Europa, tem 50% de participação no maior promotor de projetos de energia solar da Europa, hoje uma companhia chamada BP Lightsource. Portanto, temos uma plataforma flexível e diversificada que nos vai permitir fazer isso. Em paralelo, por força deste portfólio já muito diversificado que tem. Ao mesmo tempo que tem um músculo financeiro que lhe permite, por outro lado, continuar a investir nessa mesma diversificação com algum tempo, e com base naquilo que comunicámos há relativamente pouco tempo, no ano passado, e com dados muito claros, a BP disse que ia reduzir em 40% a exploração, a produção de petróleo e exploração nos próximos 10 anos, disse que ia multiplicar por 10 o investimento em renováveis. Nós hoje investimos cerca de 500 milhões de dólares por ano em renováveis e vamos passar a investir 10 vezes mais, portanto, nos próximos 10 anos atingiremos cerca de cinco mil milhões de dólares por ano. São dados muito concretos. Dissemos que íamos ser carbonicamente neutros até 2050 ou antes. Portanto, são tudo dados muito concretos relativamente àquilo que vai ser o nosso caminho e vamos fazê-lo, sem dúvida nenhuma.
Que programas tem a BP, já me falou de alguns, mas que projetos ou programas tem a BP em curso para neutralizar as emissões de carbono?
Estes objetivos foram claros e os recursos que vamos colocar atrás desses objetivos também são claros. Se se refere a projetos ligados ao nosso programa de compensação de emissões, a BP diretamente não tem projetos de compensação. Agora, a BP apoia projetos de compensação, que são de terceiros, totalmente auditados, totalmente acreditados e que naturalmente são maneiras muito pragmáticas de reduzir ou de compensar as emissões na área da mobilidade, enquanto não existe tecnologia com impacto relevante para o fazer. E o programa que lançámos, pioneiro em Portugal e no mundo, nunca nenhuma petrolífera no mundo tinha feito iniciativa destas. Isto resume-se basicamente ao seguinte: reconhecer que hoje não há tecnologia para reduzir de maneira material as emissões na área da mobilidade. Portanto, o que é que nós temos que fazer? Pegar nos recursos financeiros que conseguimos gerar na mobilidade e investir esses recursos financeiros em projetos de terceiros, incrementais, que não existiam em "pipeline" se não fossem estes investimentos da BP. São projetos que reduzem na mesma proporção as emissões que resultam do consumo na área da mobilidade.
Pode dar-nos alguns exemplos, Pedro Oliveira?
Claro que sim. Um projeto muito relevante no México, de substituição de fornos em centenas de milhares de famílias, um projeto de reflorestação na Zâmbia e outros também na Índia. Isto resulta na redução material de dois milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Isto equivale a retirar das estradas cerca de 400 a 500 mil viaturas. Alguém poderá dizer: "Bom, mas vocês continuam a emitir". É verdade, continuamos, mas se não fosse esta realocação de recursos, afeta a projetos em áreas onde é muito mais fácil reduzir com impacto, porque a tecnologia existe para essas áreas, do que na mobilidade, não estaríamos globalmente no mundo a reduzir as emissões. E portanto, do ponto de vista factual, estamos a reduzir emissões em áreas onde é mais fácil, com a tecnologia disponível, reduzir essas emissões nessa mesma proporção. É evidente que até lá, a tecnologia na área da mobilidade vai-se desenvolver e podemos reduzir também na área da mobilidade as emissões sem comprometer a qualidade de vida, porque hoje, podem dizer o que quiserem, mas na área da mobilidade só se consegue reduzir factualmente as emissões comprometendo a qualidade de vida das pessoas no curto prazo. Parando as viaturas, parando os aviões, parando os navios, parando os caminhões. Isso não é tecnicamente possível. E por isso a alternativa é esta, é reduzir noutras áreas com os recursos gerados na mobilidade. Por isso é que eu digo que isto é uma abordagem pragmática da transição energética.
A BP, Pedro Oliveira, sente que os consumidores penalizam as empresas que não têm uma chamada agenda verde?
Olhe, não sei se penalizam ou não, seria muita arrogância da minha parte antecipar isso. Agora, uma coisa é certa, nós fizemos um estudo de mercado antes de lançarmos esta iniciativa em Portugal, o Drive Carbon Neutral, que visa compensar as emissões dos produtos que vendemos em Portugal. E sim, verificámos que havia uma apetência crescente dos clientes e dos consumidores para aderirem a ofertas que tivessem um propósito e que estivessem ligadas a uma maior sustentabilidade desses mesmos produtos. E por isso é que desenhámos esta oferta, este produto, este programa, para tentar, numa categoria improvável, criar uma dimensão de sustentabilidade com alguma inovação, com esta engenharia, digamos assim, de compensação de emissões, e a reação tem sido muito positiva. Que as pessoas aderem quando se lhes cria este fator de diferenciação, sem dúvida. Agora, se penalizam aqueles que não têm já, sinceramente, não lhe sei dizer. Agora, as pessoas estão a aderir a este programa com muito entusiasmo. Isso é bom, confirmam os estudos de mercado que tínhamos feito.
Pedro Oliveira, presidente da BP Portugal, obrigado por ter estado conosco e "Com Vista para o Futuro".
Eu é que agradeço o convite, obrigadíssimo pela oportunidade.
Este programa tem o apoio de BP. Conduza carbono neutro.