Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o antigo líder do PSD, Luís Filipe Menezes. Bom dia, bem-vindo.

Muito bom dia.

Estávamos a ver se tinha esquecido de nós. Diga.

Como eu vou dizer muitas mentiras, vou começar pela primeira.

Então.

Não, vou dizer a verdade. Estava a dormir.

Também nós gostávamos.

E faz muito bem. Acho que todos estaríamos a dormir se pudéssemos. Como disse um grande filósofo: "De manhã é na caminha". Está bem.

Vai correr melhor assim. Vai ser a volta indireto.

Cheguei muito tarde de Lisboa.

Então vamos lá. São cinco perguntas, recebe cinco pontos por cada resposta certa ou então dois pontos se pedir ajuda e acertar. A primeira é muito fácil para si. Quem foi o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia que esteve mais tempo no cargo depois do 25 de Abril?

Foi um tipo chamado Menezes.

Menezes, não sei se posso considerar certo. Pode ser. Esteve, de facto, muito tempo, muitos mandatos. Há uns meses disse aqui na Rádio Observador que só numa situação limite concorria às autárquicas. O regresso está mesmo fora de hipótese? Não gostava de tentar devolver a Câmara de Gaia ao PSD?

Há uns meses atrás, tive de facto essa conversa com o presidente do PSD antes da crise política. Numa perspectiva que na altura fazia algum sentido, ou seja, com a instabilidade que existia, o PSD ia partir para autárquicas e tinha como objetivo, eventualmente, lutar pelas quatro maiores câmaras do país: Porto, Lisboa, Gaia e Sintra. Nessa altura, o doutor Montenegro quase que me conseguia comover.

Quase que conseguia.

Depois, a seguir, veio a crise, acho que deixou de se falar de autárquicas. Ele agora quer lanchar comigo, ele anda a fugir.

Mas vai sucumbir nesse lanche ou não?

Eu não quero sucumbir, sinceramente. Estou muito virado para outro tipo de atividades. Já agora conto-lhe um detalhe, parece quase um esquinho, mas que a maioria dos portugueses não conhecem, a maioria dos jornalistas não debate , mas que está inserido naquela lógica de que também os vencimentos são uma inibição para que algumas pessoas voltem à política ou se interessem por cargos políticos. Eu comecei a trabalhar com 18 anos, aos 58 anos reformei-me no topo de carreira da minha profissão, médico. Se eu lhe disser que a minha reforma é o dobro do vencimento de um presidente de câmara, acredita?

É claro que acredito, os presidentes de câmara, essencialmente eles são muito mal pagos.

Mas pior do que isso, se eu lhe disser que a lei não me permite optar pela reforma, sou obrigado a optar pela dádiva do ordenado do presidente da Câmara, é absolutamente ridículo. Tenho família.

É dissuasor.

Tenho, como qualquer pessoa, como toda a gente. Agora é realmente ridículo, absolutamente ridículo, ainda por cima sendo uma reforma que não é exuberante, não é uma reforma do Banco de Portugal.

Oi?

E portanto, é uma reforma modesta como um jornalista, mas teria que optar por uma ainda mais modesta que é o vencimento de presidente da Câmara.

Pois, isso de facto afasta muita gente. Luís Filipe Menezes, cinco pontos pra começar. Vamos agora mudar de margem para a segunda questão. Sabe quem foi o primeiro presidente da Câmara Municipal do Porto eleito após o 25 de Abril?

Eleito após o 25 de Abril, foi o Arlindo Pires Veloso.

Certíssimo. Arlindo Pires Veloso. É verdade acertou, portanto, 10 pontos. Em tempos, Luís Filipe Menezes também foi candidato à Câmara do Porto. Na altura venceu Rui Moreira, que está de saída. Acha que Pedro Duarte é o candidato certo, neste momento, do PSD para conseguir recuperar a Câmara do Porto?

Eu acho que é um bom candidato. Acho que o Pedro é um bom candidato. Era um dos meus meninos protegidos quando eu era presidente do PSD, ele era presidente da JSD do Porto. É um homem tranquilo, com aquela cara de menino, mas é um homem sério, que inclusivamente nos últimos anos assumiu um excelente lugar numa das multinacionais que agora quer tomar conta de tudo.

Na Microsoft.

Exatamente.

Portanto, alguém que vai ter uma reforma pequena.

Sim, acho que ele tem idade para fazer esse sacrifício. E vem com a sabedoria da inteligência artificial, portanto, pode fazer ali uns truques. Pode fazer desaparecer aquela voz um bocado rouca, do Pizarro, assim um bocado de quem tem as bolas na boca e fala um bocado grosso. E, portanto, talvez ele possa ganhar.

E agora fazendo o balanço de Rui Moreira, acha que ele foi um bom presidente?

Eu sou amigo do Rui Moreira há muitos anos, há muitos anos. E admiro-o em muitas coisas, acho que ele fez coisas positivas. Ele deu, porventura, visibilidade ao Porto Ele seguiu-se a um presidente da Câmara que estava fechado sempre nas catacumbas a contar as notas e veio para a rua e passou a ser um presidente de Câmara com exposição. É um homem com conhecimento do mundo, cosmopolita. Eu acho que ele deixa uma marca. Eu esperava dele um bocadinho mais, mas julgo que a marca dele é de homem positivo.

Portanto, um balanço positivo também para o presidente que está a acabar o mandato, o último dos mandatos. Luís Filipe Menezes, agora uma frase. Vamos dar-lhe uma frase e vamos perguntar quem a disse. É uma frase recente: "Há uma certa ideia de casta política que, por um lado, defende que o cidadão participe na democracia e na vida pública, mas só quem fez um curso de política." A ideia de uma casta política de quem defende que se deve participar na democracia e na vida pública, mas depois a ideia que só quem fez um curso de política é que pode participar na vida pública.

Eu acho que foi o almirante Gouveia e Melo.

Foi mesmo, na entrevista que deu esta semana na CNN. Como é que é? Um presidente da República deve ou não ter experiência política?

Não necessariamente. O general Ramalho Eanes não tinha experiência política, mas foi numa outra época. Foi numa época em que era preciso ter experiência militar, fundamentalmente, para nos defender dos totalitarismos que nos ameaçavam de um lado e de outro. O almirante vai bem lançado. Eu acho que ele pegou no toque que está na moda, que é um toque à Chega, mas suave, mais melodioso e mais cientista. Isto de ser antipolítico, antipolítica, com moderação, pega. Depois tem o mandatário, que também complementa, é uma espécie do Ouro Negro, quer dizer, é mais Chitãozinho e Xororó. Complementa o discurso e acho que estão na calha certa, é o que está a dar.

Está a falar do mandatário Rui Rio. Esta candidatura está a dividir o PSD.

Não necessariamente, porque eu penso que sim. Há pessoas do PSD, certamente, que estão neste momento inclinadas para o almirante. A campanha tem sido muito forte nesse sentido, é evidente, muito eleitoral do PSD, mas a esmagadora maioria do eleitorado do PSD não estará. E dos dirigentes também não. Eu, em relação à posição do doutor Rui Rio, tenho a minha posição muito clara. Eu acho que um cidadão, todo e qualquer cidadão, pode ter uma eleição presidencial, a sua opção livre. Eu penso é que, contudo, um presidente do PSD é uma instituição dentro do partido, nomeadamente quando está lá há muitos anos. Principalmente quem enche a boca com a palavra ética a todo momento. Portanto, eu não era capaz, todia não votar ou não apoiar, não ir pra rua com a bandeira de um partido, apoiar um candidato que me desagradasse, mas eu não ia afrontar um candidato, ainda para mais se tivesse sido legitimado oficialmente pelo meu partido. Ou então fazia uma coisa: pegava no cartão, entregava o cartão ao partido e ia por outro caminho. O doutor Rui Rio está muito treinado nisso, já fez isso comigo há 12 anos, portanto tem uma enorme experiência nessa matéria.

Luís Filipe Menezes, vamos à quarta pergunta e agora vamos virar aqui a agulha para os governos. Excetuando o governo de Pedro Passos Coelho em 2015, que foi o 20º governo constitucional, qual foi o governo mais breve da democracia portuguesa?

O governo mais breve da democracia portuguesa talvez tenha sido o do Nóbrega Costa.

Está certíssimo.

Certo.

Um governo de iniciativa presidencial.

E vai fazer o pleno.

Eu acho que vai fazer o pleno.

E saltar da caminha pra fazer 25 pontos, que maravilha. Isto de dormir bem dá fresco.

Mas olhe, eu não quero aquela viagem às Maldivas.

Não, deixamos isso para outra altura.

Agora, Luís Filipe Menezes, não lhe pergunto se este governo do Luís Montenegro vai durar mais, em princípio irá durar, mas se terá condições para durar quatro anos.

Em teoria, sim. Eu penso que não está a ser esse o hábito da democracia portuguesa. É um governo minoritário. Também já vimos que nem os majoritários em Portugal têm esse vício de durar quatro anos, esse vício da estabilidade. Há uma oposição socialista que vai ser moderada por agora, vai ter que ser. Mas eu penso que à direita o doutor André Ventura não perderá a oportunidade no momento que considerar certo para fazer as suas malandrices.

Então a solução para um governo duradouro, que durasse a legislatura, estaria no PS?

Eu julgo que neste momento, sim. Repare, por exemplo, olhando para a grande Alemanha, motor da Europa durante décadas, nos últimos 30 anos, a lógica foram grandes governos de coligação. Numa primeira fase, com um partido que até era muito radical No pós-Guerra Fria, que eram os Verdes, e que depois se moderou. Aliás, acontece normalmente isso. Eu penso que também até o Chega, um dia que entre pro governo, toda aquela rispidez se moderaria. Mas na Alemanha, a história de 30 anos tem sido inclusivamente de grandes coligações entre os dois grandes partidos, que depois, inclusivamente nos estados, Alemanha é um Estado federal, como todos sabemos, nos estados se digladiam de forma muito violenta. Nós não temos ainda essa mentalidade de conviver entre partidos diferentes, que abdicam de alguma coisa a bem do bem comum. Mas eu julgo que lá pra diante, se calhar, isso vai ter que ser uma inevitabilidade.

Muito bem, vamos aguardar. Luís Filipe Menezes, vamos pra última questão, que também estão aqui a dizer-me que é demasiado fácil e, portanto, acho que vai chegar aqui aos 25 pontos. Isto mistura cinema, mas também a sua profissão de médico. No filme "A Canção de Lisboa", lembra-se certamente, Vasco Santana desempenha aquele papel do jovem estudante de medicina que vai se perdendo meio nos prazeres das namoradas e da vida de Lisboa. Ele lá acaba por fazer o curso numa célebre prova oral. A pergunta é: qual é o nome do músculo do pescoço que lhe valeu aquela admiração do júri da prova?

Bem, eu sou anatomista, não podia falhar.

Ainda por cima.

É o esternocleidomastoideu.

Sem dúvida. Tinha aqui como hipótese o platisma ou o escaleno anterior, mas não.

Portanto, não é o Vasquinho da anatomia, mas é o médico da anatomia, Luís Filipe Menezes.

Exato. Já está reformado, disse há pouco, Luís Filipe Menezes é médico cirurgião de carreira, portanto, já não exerce. Como é que olhou pra esta polêmica recente do SIGIC?

Está-me a falar daqueles 400 médicos?

Exatamente, daquele pagamento.

Eu tenho sobre isso, ainda há poucos dias, dizia que tinha tido a oportunidade de falar com um dos bonzes do pensamento político na medicina portuguesa, que é o doutor Artur Osório. Outros que eu admiro muito também, dois deles já faleceram, Paulo Mendes há pouco tempo, mas admiro também muito o Adalberto, que foi ministro até há pouco tempo. Não há muita gente que saiba de política de saúde em Portugal, mas os que sabem de política de saúde e que tiveram, como eu tive a felicidade de trabalhar em aldeias, de trabalhar no Marão, de trabalhar no São João, no Santo Antônio, de trabalhar no maior hospital da Europa, no centro de Paris, eu conheço bem o funcionamento da medicina portuguesa. E isso acontece por um erro estrutural de base de gente que lidera muitas vezes a saúde com uma enorme ignorância. E a base é esta: é mentira que haja falta de médicos em Portugal. É mentira que haja falta de enfermeiros em Portugal. Portanto, como isto é mentira, à partida, esses bônus de trabalhar ao fim de semana por esses preços, não devia existir. Agora, não pode acontecer o que acontece agora, que é um bloco operatório começar a trabalhar às 10h30 e fechar às 14h30, quando tem que trabalhar numa média europeia 18, 19 horas por dia. Isto também está ligado aos vencimentos dos próprios profissionais de saúde. Portanto, é preciso pagar mais aos trabalhadores de saúde, é preciso exigir deles aquilo que se exige em toda a Europa, acabar com a lógica de um pluriemprego obsceno, muitas vezes, pagando bem. Porque esse método é um incentivo pra semana não fazer nada e trabalhar ao fim de semana.

E acaba por ser um complemento ordenado pra alguns, de alguma maneira, posso assegurar, não?

Um belíssimo complemento ordenado. Olhe que eu dizia ao doutor Montenegro que ele iria pra presidente da Câmara. Só trabalhava ao sábado e ao domingo.

Luís Filipe Menezes, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. Fez o pleno, 25 pontos, mas não vai às Maldivas. Mas vai tomar agora um bom pequeno-almoço, não vai?

Eu troco, eu sou modesto, troco as Maldivas pelas Berlengas, para mim já me dá muito orgulho.

Obrigada por ter aceitado o convite. Foi um gosto. Um bom dia pra si.

Obrigado!