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Assusta, não assusta este indicativo, Manuela Moura Guedes? Bom dia.

Bom dia. Estou meio atrasada.

Bem-vinda. Não, a entrada ainda-

Está ainda a respirar intensamente.

Estou.

Foi uma correria.

Muito trânsito hoje.

Muito trânsito.

Estou uma loucura.

As coisas que eu disse.

Então, não dá para dizer nada.

O que as pessoas dizem quando estão...?

Coisas fofinhas.

Sim, fofinhas.

É o que vamos fazer até às 10 da manhã, falar de coisas fofinhas. Vamos começar pelas regras. Já sabe como é que isto funciona? Cinco perguntas.

Só sei isso.

Pronto, vamos fazer cinco perguntas. Cada resposta certa pontua cinco.

Pode ser que seja eu que não acerte em nenhuma.

Outros tentaram e não conseguiram. Vou explicar rapidamente as regras. Portanto, vamos fazer cinco perguntas. Cada resposta certa recebe cinco pontos. Pode pedir ajuda.

Esta ajuda é quem?

A nós.

Três alternativas de resposta. Facilita.

Nós somos anjos e diabos deste jogo. Se receber ajuda e pontuar, recebe dois pontos.

E por que eu hei de confiar em vocês?

É uma boa questão.

Eu não confiaria também.

Olhos nos olhos.

Olhos nos olhos.

A gente confia nele. Será?

Eu acho que a Manuela não tem alternativa aqui.

É a única alternativa.

Eu sabia que a Manuela Moura Guedes vinha cá e vinha pôr isso tudo em causa.

É um belo princípio, não é?

Vamos começar, Manuela Moura Guedes. Primeira pergunta: José Sócrates está a ser julgado no âmbito do processo Marquês. Como se chama a juíza que está a julgar o antigo primeiro-ministro?

Ela tem um nome esquisito.

Esquisito?

Sim, o apelido...

Sêneca.

Anda muito perto.

Calma, pense. Já deixou o trânsito, Manuela Moura Guedes, respire. Chama-se...

Mas anda perto.

Não é.

Quer ajuda?

Espera lá. É um S.

É um S. São dois S.

Só estava ali uma consoante a mais, uma sílaba a mais.

É mais pequena a palavra. E Sêneca remete para uma coisa que nós em Portugal costumamos atribuir, uma característica às coisas que são aborrecidas.

Seca.

Seca, muito bem. É o apelido, chama-se Susana Seca.

Certíssimo.

Não é nada.

É, verdade.

Susana Seca.

Então foi o meu subconsciente que resolveu mudar.

Devia ter pedido ajuda. Se pedisse ajuda, chegava lá. Porque as opções que eu tinha escrito aqui era Susana Seca, Susana Regadora ou Susana Rega. Manuela Moura Guedes.

Olha o azar.

O azar, já viu? Mas pronto, ganhou cinco pontos, é ótimo, é bom para começo de jogo. Manuela Moura Guedes, José Sócrates tem apresentado expedientes para dilatar os prazos e até anular a estratégia do Ministério Público. O antigo primeiro-ministro está a fazer tudo para não ser julgado?

Parece-me óbvio.

É?

Sim.

E por quê?

Essa pergunta parece-me estranha. Porque ele não quer ser julgado.

Ai é?

É. Parece-me.

Parece óbvio, não é?

Parece óbvia. Ele diz-se inocente, mas quando se é inocente, as pessoas querem mesmo, e muito depressa, ser julgadas para ficarem com o nome limpo. Ele, contrariamente, não quer. O que nos deixa algumas dúvidas sobre tudo o resto. Porque tem feito todas as manobras dilatórias. Eu não percebo por que isto está a fazer tantos epítetos. E tem recorrido a tudo o que é recurso, a tudo o que é possível dentro do código processual, para não ser julgado, para dilatar, para tentativas de prescrição, para tudo. E agora, brinda-nos, durante o julgamento, com estas tentativas todas, desde o primeiro dia.

A tese de Sócrates tem sido de que ele está a ser julgado politicamente e não por algo de errado que tenha feito.

E quem é que está a tentar politicamente? É o país inteiro. Que de repente resolveu odiar Sócrates quando o adorava. Por quê? Não se percebe. Ele tem uma mania da perseguição, de cada vez que tem alguém que o contradiz, ele está a ser perseguido. Não sei se já repararam. Qualquer pessoa, qualquer classe profissional, quem quer que seja, que o contradiga, está a persegui-lo. Não está a contradizê-lo, não está a ter uma opinião, coisa nenhuma. Está a persegui-lo, pura e simplesmente. Portanto, é sempre essa a sua atitude. Não vale muito a pena. Isto faz-me rir, porque eu acho que ele tem um comportamento psicopata. Mas não é dito só por mim, é dito por técnicos, por pessoas que são entendidas na matéria. E, portanto, esta mania da perseguição tem a ver com isto. Eu acho que ele mente e está convencido que as pessoas acreditam piamente naquilo que ele diz E vai construindo aquelas coisas que são mirabolantes e depois fica indignado quando as pessoas não acreditam naquilo.

E é assim que está, pelo menos a correr para já, estes primeiros dias de julgamento. Vamos ver o desfecho. Percebemos que vai demorar ainda bastante tempo, como é evidente. Manuela Moura Guedes, vamos para a segunda pergunta. Os próximos cinco pontos vão ser mesmo fáceis. Fomos muito bonzinhos. Ficção.

Eu já tenho dois?

Não, cinco pontos. Consideramos generosamente que acertou na primeira resposta.

E a próxima também, porque tem a ver com a identidade secreta do Super-Homem. Sabemos que se chamava Clark Kent. Qual era a profissão do Clark Kent?

Era jornalista.

Exatamente.

Como é que está o jornalismo atual? Só serve para super-heróis. Agora a Manuela Moura Guedes vai tomar o seu café.

Vocês são de uma raia de amigos.

Nós?

Eu tenho esta opinião há bastante tempo.

Muito crítica em relação ao jornalismo. Não está a melhorar?

Tem.

Tem dias.

Sim, tem dias, tem focos, tem pontos, tem pessoas que ainda fazem alguma coisa, porque têm paixão pelo jornalismo. O jornalismo não é funcionalismo público, não é uma coisa que se possa ter das 9:00 às 17:00 e depois vai-se para casa. É uma coisa que ou se tem paixão ou não se tem, ou a pessoa está virada para aquilo e dá tudo, ou então é melhor ir para casa arrumar as botas e fazer outra coisa qualquer. Para já, é isto. E depois, porque as coisas não estão fáceis. Está difícil, o jornalismo é mal pago, as pessoas têm que sobreviver e então sujeitam-se a muita coisa dentro das empresas, as empresas estão mal e as próprias empresas sujeitam-se a muita coisa, as empresas de comunicação, que não se deviam sujeitar. E então entram para as empresas muitos estagiários, que são a mão de obra maior dessas empresas. Entram e saem. E eles entram sem aprenderem praticamente nada, porque começam a fazer o trabalho que devia ser feito por pessoas que já têm a experiência. Ninguém lhes ensina.

As redações estão muito jovens. As redações são muito jovens mesmo.

Podiam ser jovens, mas podiam ser boas. Só que os estagiários, em vez de serem acompanhados, não são acompanhados. Eu tenho experiência disso. São mandados às feras, muitas vezes. "Olha, vai aí fazer isto." E eles fazem à sua maneira, coitados, com a intuição que têm. Alguns têm uma intuição, mas são raros, são eleitos, com a intuição que têm e vão se safando. Outros precisavam mesmo de ser acompanhados e vão ganhando erros e erros sobre erros e ninguém os corrige. E depois vão-se embora. Porque acaba o tempo de estágio, vão para uma outra redação e vão assim.

Até desistirem da profissão.

Ou não, ou até ficarem numa redação qualquer e um dia vemo-los chefes.

Rapidamente.

Rapidamente.

Claro. Ligando aqui ao primeiro tema da primeira questão, como é que a Manuela Moura Guedes viu aquilo que aconteceu à porta do campo de justiça na semana passada, em que de facto jornalistas retiraram o microfone a José Sócrates depois de ele tirar?

Que atitude.

Parece que ele foi à atitude certa.

Acha que foi a atitude certa ou que aquela é a atitude certa?

Acho que sim, ao fim de tanto tempo, mas eu acho que antes deviam fazer perguntas.

Deviam ser jornalistas, é isso?

Exatamente, que é coisa que não se costuma fazer. Mas também tem a ver com aquilo que eu estava a dizer. Normalmente, quem vai fazer perguntas a tipos já calejados da política, que já sabem como dar a volta, são os jovens que até têm medo de quem está à frente, que às vezes, além de não terem experiência de jornalismo, não têm um grande estofo, ainda não têm muito passado.

E depois são precários, não é? O que é um problema.

São precários. Estão ali de passagem. E só por uma sorte daquelas do Euromilhões é que ficam lá na empresa. Portanto, andam ali a tentar a sua sorte. E por carga d'água é que hão de estar a chatear o seu doutor, o senhor político, seja quem for. Portanto, estendem o microfone.

Está completamente afastada a hipótese do regresso ao jornalismo?

Está. Nunca mais ninguém me convidou.

Não?

O que não deixa de ser curioso e engraçado, porque não fui só eu. Foi uma equipa que eu liderava, editava o jornal, etc. Eu pus a cabeça no cepo, porque eu disse: "Vamos pra frente e o que quer que aconteça, sou eu que estou aqui pra me responsabilizar pelas coisas". E sabia a fonte de toda a gente. Mas o que é certo é que nós pusemos em causa, pela primeira vez, com documentos, com tudo ali. E não era com cópias. Eu nunca me atrevi a pôr uma peça no ar, porque eu sabia que à primeira dúvida, nós acabávamos. Havia peças que me diziam: "Está pronta". E eu: "Está pronta como? Eu ia vê-la e dizia: "Não, não pode ir pro ar. Falta isto. Ainda não há uma segunda pessoa que possa dizer que isto é verdadeiro". "Mas as minhas fontes estão à espera que isto vá pro ar." "Explicas. Pode ir pra semana, se comprovar. Agora, hoje não vai, porque se eu tenho um direito de resposta, se eu tenho uma dúvida qualquer sobre isto, estamos acabados."

É a credibilidade toda. O ritmo.

Portanto, isto para explicar que nós dissemos, nem fomos nós, eu repeti aquilo que diziam as pessoas com gravações, com documentos, a dizer que o primeiro-ministro da altura era corrupto, recebia dinheiro a troca de favores. E mais tarde, cinco anos mais tarde, o Ministério Público acusa-o. E a jornalista que disse isto foi apontada a dedo. A ERC considerou que ela fez um trabalho inacreditável. A empresa que a contratava proibiu-a de ir pro ar, censurou o jornal e eu tive que me afastar. Entretanto, mais ninguém em Portugal, nenhuma empresa, me convidou pra fazer jornalismo. Eu nunca mais fiz jornalismo.

E já passaram muitos anos, entretanto.

16.

16 anos.

16. Terceira pergunta, não é?

Terceira pergunta. Vamos avançar agora, o tempo voa, para outra fase da Manuela Moura Guedes, brevemente deputada, 1995, eleita pelo CDS, quando o líder de então, Manuel Monteiro, duplicou o número de deputados. Quantos deputados é que foram eleitos nesse enorme grupo parlamentar de que Manuela Moura Guedes fez parte?

Espera lá.

95, não? 1995, não foi?

Éramos muitos, vários táxis. 17.

Muito perto.

Se calhar é melhor pedir ajuda.

Pois, quer pedir ajuda, Manuela Moura Guedes?

Três hipóteses.

Tem que ser?

Pois, 17.

É, porque 17, não.

15.

Muito bem.

Era 15.

Foram 15.

É, porque havia dois que valiam por dois.

Se calhar cai. O que aprendeu?

Posso dizer que eu...

Sim. O que aprendeu com essa experiência?

Aprendi muito. Não quero dizer que fossem coisas boas.

Então.

Aquilo é uma experiência. Sim, o outro lado. E o outro lado, aprende-se sobre a política e aprende-se sobre o jornalismo.

Então, o que é que se aprende sobre a política?

Aprende-se que o partido está sempre em primeiro. Nunca ouvi uma frase a dizer: "Isso é bom pro país". As reuniões parlamentares eram sempre: "Isso é bom pro partido". Eu era independente, atenção, mas tinha que assistir a todas as reuniões do grupo parlamentar, tinha que estar em todas as reuniões de interpelações, de tudo. E então, eu estava sempre à espera que se dissesse: "Um bom projeto pro país, uma coisa boa". Não, era sempre pro partido.

Tudo à luz dos eventuais ganhos eleitorais do partido, é isso?

Sempre. Pro partido crescer, pro partido ganhar visibilidade, popularidade, etc.

Não correu muito bem.

Não.

Porque depois o partido perdeu votos.

Perdeu. Depois foi um saco de gatos. Aliás, aquilo começou, pouco tempo depois, a ser um saco de gatos, em que eu tive muito conhecimento, porque eu era amiga do Paulo Portas e era muito amiga também, mais do Paulo Portas e menos do Manuel Monteiro, mas muito do Manuel Monteiro. E eles, por acharem que eu era um bocado outsider, o que era verdade, vinham os dois contar-me tudo e sempre na esperança de que eu contasse ao outro. Que eu fosse muito ingênua e contasse ao outro.

Portanto, queriam fazer da Manuela Moura Guedes uma espécie de leva e traz.

Exato.

Mensageira, claro.

Eu estou aqui a contar coisas, mas já não tem importância nenhuma. Lembro perfeitamente de uma reunião do grupo parlamentar na Madara, em que fomos lá, a Madara foi escolhida porque fazia anos, se não me engano, a sogra do Do Manuel Monteiro. Então dava jeito e lá foi tudo para a Madeira. Já andavam às turras o Paulo e o Manuel Monteiro. O Manuel Monteiro tinha dado uma entrevista ao "Independente" e estava tudo a falar: "O que é que ele terá dito?" Eu depois fui de avião com o Paulo Portas, estivemos os dois a falar e eu a aperceber-me que a conversa não era só de amigos, mas uma pequena conversa para eu ser mensageira. E eu fui ouvindo, fui conversando, etc. Quando chegamos lá, o Manuel Monteiro não apareceu nas jornadas do grupo parlamentar, o que era estranho, porque ele era o presidente do partido, e toda a gente estava admirada. Eu liguei-lhe e disse: "Manuel, você não está aqui?" "Não, tenho mais que fazer, estou a passear os meus cães." Eu disse: "Oiça, não pode ser, isto é uma vergonha." "Você veio no avião com o Paulo, então o que é que ele diz?" "Estivemos a conversar, mas oiça, era melhor você vir cá." E ele: "Não, venha cá você." E eu disse: "Estou tramada." Agora quem ficou tramada. "Venha cá tomar um café." E eu, para me livrar daquilo, disse: "Por que não convida todos?" Então lá foram todos convidados. Só que depois, quando ele foi, no final, a coisa dele contar para o estrilho. Mas eu estou com falta de tempo, não é?

É um bocadinho. Agora temos que acelerar e muito, mas vamos cumprir o código da estrada. Já tem 15 pontos, vamos para a quarta pergunta. Manuela Moura Guedes, em que ano foi para o ar o primeiro "Jornal das Nove" da RTP2, que a Manuela Moura Guedes chegou a apresentar? Quer ajuda já diretamente?

Chegou. Apresentei durante muitos anos. O melhor jornal que eu apresentei até hoje.

Então começou em que ano? O melhor jornal de todos os tempos. De Portugal e do universo. O "Jornal das Nove". O primeiro, porque depois houve um sucedâneo. Quer ajuda? Se calhar é melhor pedir ajuda.

Vai, não aceleres.

A eu apresentar?

Não. O primeiro "Jornal das Nove".

O primeiro que apresentou.

O primeiro que eu apresentei.

Então vá.

Oitenta e sete?

É isso, muito bem. Está certo. Oitenta e sete. Trabalhou muitos anos na RTP, depois trabalhou no setor privado. Há uma longa discussão sobre o que é o serviço público. Tem resposta a esta pergunta?

Tenho.

Numa frase.

Serviço público é entreter as pessoas, mas entretê-las inteligentemente, dando-lhes mais qualquer coisa do que aquilo que elas têm, cultivando-as também, mas sem ser chato. Não precisa de ser chato, não precisa de ser aquilo que eles muitas vezes na RTP2 acham que são os programas eruditos, que depois a pessoa comum não vê. É um programa inteligentemente de entretenimento.

Entretenimento. Há pouco respondeu aqui à Carla que não voltaria ao jornalismo e ao entretenimento. Voltaria?

Depende. Eu fiz alguns programas de informação e entretenimento, o "Risos e Riscos", por exemplo.

Infotainment.

Era. E que foi bem divertido. Lembro-me do Joaquim Furtado olhar para mim no dia seguinte e dizer: "Eu não sei quem tu és."

Fica ali no meio. Para terminar, Manuela Moura Guedes, a última questão. Entretenimento puro e duro. A música "Foram Cardos, Foram Rosas" conheceu depois uma versão que a Manuela Moura Guedes cantou, estreou.

Uma versão?

Conheceram depois uma versão dos Ritual Tejo. O original é seu. A pergunta é: quem era o vocalista dos Ritual Tejo, que cantava-

O "Foram Cardos, Foram Rosas".

"Foram Cardos, Foram Rosas". Agora é que isto se complica.

É uma música que faz parte do cancioneiro, não é?

Completamente, nacional.

Maravilhosa.

O vocalista.

O vocalista dos Ritual Tejo.

Quer ajuda?

Deve ser um golfinho qualquer.

Vou lhe dar a ajuda.

Vai.

Então vá. João Grande, Rui Reininho ou Paulo Costa?

Paulo Costa.

Paulo Costa. Muito bem. Dois pontos. Uau!

João Grande não era, o Rui Reininho eu toquei com eles.

Exclusão de partes.

Era.

Paulo Costa. Por que a sua carreira musical ficou por ali?

Oh!

Oh!

Porque eu seria tola se continuasse. Eu tenho jeitinho para cantar. Eu tive sorte, foi por me convidarem para cantar.

Mas correu muito bem.

Ficara conhecida. E então? Correu, esse correu.

A letra do Miguel Seabra Cardozo?

Sim, e a música do Ricardo Camacho.

Exatamente.

Porque tive sorte, porque nem toda a gente, como era conhecida, nós quando somos conhecidos, temos alguma sorte.

Acha que não tinha jeito suficiente para essa carreira?

Vou lhe contar uma coisa. Eu em pequena ganhei vários concursos de areia. Tenho jeito para desenhar e para pintar. Ganhei três bicicletas e dois segundos prêmios. E no Diário de Notícias, que era quem promovia e acho que ainda promove, veio uma coisa a dizer: "Quem modela assim a areia deve ir para Belas Artes e não sei o quê." Eu ainda não tinha escolhido Direito. E então, lembro-me de ficar embevecida com aquilo e a minha mãe dizer-me: "Pensa, porque quem tem talento, do talento faz-se vida. Do jeitinho brinca-se, tem-se um hobby." Eu nunca mais me esqueci disso. O jeito diverte-nos na vida, é um complemento. E eu, se tivesse estado a cantar, seria um: "Pronto, tinha jeitinho."

Era o jeitinho.

Era o jeitinho.

Mas tu eras boa.

Teria uns...

Mas deixou isso.

Deixou essa marca.

Essa grande música.

Seria mais um anjo por aí.

Manuela Moura Guedes, muito obrigado por ter vindo. Vinha para fazer zero pontos e sai daqui com 22. Nada mal.

Direito a mais outra bicicleta.

Nada mal. Muito bom.

As que encontrei pelo caminho, meu Deus.

Muito obrigado.

Muito obrigado, Manuela. Obrigado.