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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje, a nossa convidada, Raquel Lourenço, eleita presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço. Bom dia, bem-vinda, Raquel.

Bom dia.

Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Já sabemos que conhece e sutras para frente, portanto, não vale a pena estar aqui a explicar como é que funciona.

Sim, os cinco e os dois.

Os cinco e os dois. Vamos lá. Começamos com uma um bocadinho difícil. Só para aquecer, é para lhe dificultar a vida, na verdade. Que animal é um dos mais conhecidos por mudar de cor para se adaptar ao ambiente?

Camaleão.

Eu tinha aqui a ajuda e tudo, escolhi a múltipla.

Muito BBC Vida Selvagem, seguramente.

Raquel, como é que uma jovem de 28 anos muda o tom político de um conselho governado pela mesma cor, PCP, há dezenas de anos?

É verdade, pode ser um resultado surpreendente, porque o PSD e o CDS eram a terceira força política. Trata-se de um bastião comunista há 46 anos. Mas eu acho que fizemos, no cômputo geral, uma campanha bonita, feita com verdade, com muita proximidade. Passei por todas as freguesias, por todas as localidades. Entrei nas localidades talvez mais esquecidas pela autarquia. Não é preciso ter medo, é preciso mesmo confrontar-nos com esses problemas, saber que nos Milhados não há saneamento básico em pleno século XXI, mas entrar na mesma e falar com as pessoas sobre esse problema e confrontá-lo de frente. Entrar na Serreira e saber que não há limpeza urbana regular e, portanto, eu acho que encarei sempre esta campanha também com muita verdade e com muita proximidade. E acho que as pessoas quiseram também aqui dar um sinal de esperança e também de confiança numa nova geração. Alguém que nunca esteve no poder e que fez esta campanha com esta proximidade junto das pessoas, ouvindo as pessoas. Acho que nós, políticos, aliás, estou me a inserir já.

E deve, claro!

Justamente.

Toda a minha profissão foi em Direito, fui advogada, depois tive um desafio agora no governo. São duas coisas que eu amo muito, o Direito e a política. E acho que esta proximidade foi essencial, e voltei a fazer o básico: a ouvir as pessoas.

Sente que era isso que faltava, ouvir as pessoas?

Faltava ouvir as pessoas.

Isso foi uma surpresa ou não, na noite eleitoral? Imagino que não havia sondagens feitas para Sobral de Monte Agraço.

Sim.

Era um bocadinho a vossa sensibilidade, a sua e a dos adversários.

Exatamente. Foi uma vitória histórica. Claro que fizemos uma campanha sempre com dinâmica de vitória, mas tudo poderia acontecer. Foi ali um misto de emoções e a primeira coisa que pensei não foi em mim, foi no futuro do conselho e no sinal que os sobralenses quiseram dar a esta geração, a uma geração que eu sinto-me parte e que creio que é uma geração que quer devolver dignidade à política, com método, com ética e com resultados. E se esta eleição puder representar alguma coisa, eu gostaria que fosse uma liderança de proximidade, uma liderança de transparência. Eu falo muito no meu programa eleitoral de transparência na governação, principalmente nas autarquias, eu acho que é essencial.

É porque tinha a ideia que não havia.

Não havia. Acho que a autarquia tem que ser uma prestação constante de contas. O próprio site tem que ser funcional, tem que ser um serviço à comunidade, à população e às empresas. E o nosso site, por exemplo, ainda não é funcional a esse ponto. E explorei muito essa parte. E depois uma característica última que eu acho que é o ingrediente essencial é haver amor à nossa terra. E acho que é a melhor coisa que aconteceu.

Raquel Lourenço, há pouco dizia, e é verdade, que a sua força política passou do terceiro lugar nas últimas autárquicas para primeiro. E normalmente o que acontece em autarquias que são dominadas, governadas durante muito tempo pelo PCP, foi isso que aconteceu na maior parte dos casos, quando mudam, normalmente, geralmente mudam para o PS. O que explica esta subida tão significativa do PSD? Havia um trabalho de base já feito? O que contribuiu para essa mudança, que não costuma ser a habitual?

É verdade. O PS aqui ficou para a terceira força política e de facto era uma lógica gradual. Eu acho que aquilo que diferenciou, para já, foi o projeto em si, tocar nos pontos-chave dos problemas das pessoas, porque foi isso que nos propusemos a fazer desde o primeiro dia, a resolver os problemas concretos das pessoas. E depois foi aquilo que eu chamei durante a campanha, o facto da nossa candidatura ser uma força agregadora de várias vontades. Nós trouxemos para este projeto pessoas dos quatro partidos políticos que compõem a coligação, mas também trouxemos independentes. E aquilo que eu sempre defendi foi que os bons profissionais devem ser trazidos para a política, porque só assim se constroem as melhores políticas públicas. E acho que esta equipa multidisciplinar e também toda ela diferenciada uns dos outros, foi de facto aqui uma forma de mostrar à população que existe uma diversidade de equipa e que tem bons profissionais e pessoas de diversas áreas temáticas, áreas de prática e que foram trazidas para este projeto político.

Muito bem, são cinco pontos.

Também era difícil.

Depois disto, tudo é fácil. Já aqui falou da idade. A Raquel Lourenço é a presidente de câmara mais jovem eleita nestas eleições, 28 anos. A pergunta é: quem é o deputado mais jovem da atual composição da Assembleia da República? Também é uma mulher.

Eu creio que seja do Chega.

Já tem dois pontos e meio.

E deve ter 22, 23.

Para lá caminha.

Vinte e um?

Sim, mas quem é?

21, também está certo.

Precisamos dar-lhe os cinco pontos.

Já acertou em três, só falta o nome.

Já acertou. É deputada do Chega, tem 21 anos.

21 anos. Não sei se é Maria, Matilde. Começa com M, eu sei que começa com M.

Não, vamos cinco pontos.

Vamos dar. Madalena Cordais.

Madalena. Obrigada.

Sabia mesmo que fosse-

Estava debaixo da língua

É normal. Já que disse, os jovens trazem uma nova forma de olhar para a política, não estão afastados da política?

Os jovens trazem uma nova energia. Acho que podem ter uma visão de futuro e ter também um diferente contacto com a comunidade. Sabemos que a linguagem dos jovens é diferente, também é muito mais próxima, e creio que seja uma mais-valia. Se estão afastados, também acho que é da responsabilidade das autarquias promover essa participação cívica, com os Conselhos Municipais de Juventude, com as Assembleias Municipais de Jovens. Acho que deve haver sempre um trabalho também político a fazer em política de juventude, nomeadamente trazendo e incentivando a participação cívica dos nossos jovens.

O que é que poderá fazer então nessa qualidade? Trabalho com as escolas?

Trabalho com as escolas, Conselho Municipal de Juventude a funcionar, com reuniões regulares, para trazer também opiniões dos jovens em matéria urbanística, em matéria de habitação, em matérias de políticas de juventude transversais. E a Assembleia Municipal Jovem, que eu gostaria de trazer com as escolas para discutir diferentes temáticas do conselho.

As Jotas vão tendo um pouco de má fama, partilha dessa ideia?

Eu creio que não. As juventudes até são, no fundo, o primado de participação cívica e portanto acho que são um exemplo. A JSD Sobral de Monte Agraço é a maior juventude do conselho, da qual tenho muito orgulho e acho que fazemos mesmo um trabalho de terreno. A JSD sempre apresentou nas eleições autárquicas um caderno de propostas para os programas eleitorais do PSD e portanto teve sempre aqui uma iniciativa de contribuir com políticas de juventude. Eu acho que isso é uma mais-valia e é assim que eu olho para a JSD, como trabalho de terreno para contribuir para a política local também.

Muito bem. Vamos avançar para a terceira pergunta. Ainda é resultados eleitorais das autárquicas. Em Sobral de Monte Agraço, quantos votos teve o Chega?

589.

Tem dois algarismos certos, um deles está no sítio errado.

Ainda bem, assim ainda posso ajudar. 500 está bem.

Não, disse 89?

Vamos à ajuda.

Aparece lá um nove. Vamos à ajuda. Isto quase que merecia por aproximação, mas pronto, depois estamos a facilitar muito. Então pronto, vá. 312, 429 ou 597.

Como é que é? Pode repetir?

312, 429 ou 597.

Já lhe dissemos quase tudo depois disto.

597, 312 ou 429.

Eu ia para os 500. Ok. Não tinha mais nada a ver com isso mesmo.

Nos concelhos limites de Sobral de Monte Agraço, o Chega ficou quase sempre em terceiro ou segundo lugar. Em Mafra ficou também em quarto e em Sobral de Monte Agraço ficou também em quarto. Não lhe posso perguntar se ia instaurar as linhas vermelhas ou se vai, porque o Chega não conseguiu eleger um vereador, mas em tese, em princípio, como hipótese académica, é favorável a esse estabelecimento de linhas vermelhas para o Chega?

Em tese, eu concordo com o não é não do doutor Luís Montenegro e, portanto, aplicarei isso também em prática na política local. Há uma parte social do Partido Social-Democrata que nunca abdicaremos e, portanto, não prevejo que o Chega seja aqui um parceiro de negociação. Acho que tanto o Partido Socialista e a CDU poderão, sim, ser os partidos de diálogo e de oposição, que farão, quer na Câmara Municipal, quer na Assembleia Municipal.

E qual deles poderá ser o parceiro preferencial? A CDU elegeu dois vereadores municipais e o PS um. Aqui o que é que jogará mais? Negociar com a anterior autarquia da CDU ou com o PS?

O que eu garantia aos sobralenses é que irei conversar tanto com a CDU como com o Partido Socialista. Acho que ambos farão uma leitura dos resultados eleitorais e darão condições de governabilidade a quem venceu estas eleições respeitando o povo sobralenense. Portanto, irei dialogar com ambos. Acho que é assim que também se faz democracia. De forma que também o Sobral não fique paralisado perante essa maioria relativa. Temos dois, dois, um, como referiu, e portanto, para que o Sobral não fique paralisado, eu acho que tem de haver disponibilidade desses dois partidos, da CDU e do Partido Socialista, e sobretudo responsabilidade para que o Sobral não fique parado.

Porque se podem juntar os dois também para bloquear.

Certo.

Certo, exatamente. A tal coligação negativa. Que eu acho que é uma avaliação que depois também transparece para fora e acho que é condenável. Uma coligação negativa é sempre algo que é paralisante de uma governação e acho que, da opinião pública, é algo que é condenável.

Muito bem, vamos seguir em frente. 12 pontos. Raquel Lourenço foi atleta federada de natação. E a pergunta é: qual é o estilo de natação mais rápido?

Mais rápido

Mais rápido nos tempos que são feitos.

É o crawl.

Tem toda a razão. Por isso é que quando são livres, toda a gente vai para o crawl, onde é o estilo livre. Sobral de Monte Agraço fica a 45 km de Lisboa. O Google diz-nos que de transportes públicos demora uma hora e meia a chegar a Lisboa. Era mais rápido vir a nado?

À partida parece, porque os nossos autocarros, por vezes, fazem 14 paragens até chegar a Lisboa. A questão também de não termos uma variante da A8 perto de Sobral de Monte Agraço. Temos um acesso na Enxara dos Cavaleiros e Pedro Negro, portanto, ainda é um percurso que temos que fazer até à sede do Conselho e isso limita-nos muito. Parece que estamos perto, mas na verdade estamos muito longe de Lisboa. E de facto, aquilo que eu creio que é essencial para Sobral de Monte Agraço é a construção precisamente de uma variante que liga a A8 à A10.

Aliás, Sobral está no meio das duas autoestradas.

E com o nó de acesso à sede do Conselho, que é essencial hoje em dia para as pessoas que trabalham em Lisboa, mas que querem continuar a viver em Sobral de Monte Agraço, pelas particularidades que tem. É um conselho com muita identidade, é diferente de Lisboa nesse aspecto, tem proximidade, tem autenticidade, tem tranquilidade. Curiosidade que acabam as três em idade.

Mas muitas pessoas trabalham em Lisboa.

Exato. E estudam.

E estudam. Além dessa questão dos transportes e da mobilidade, qual é o seu grande projeto para este mandato?

A construção do pavilhão desportivo na Escola Básica e Secundária de Sobral Monte Agraço, que tem mais de 800 alunos e que hoje em dia é uma ambição antiga e legítima dos sobralenses. Os alunos ainda fazem um percurso longo ao pavilhão onde atualmente fazem as aulas de Educação Física, e sempre foi uma ambição legítima e antiga de ter um pavilhão dentro da escola.

Essa é a sua grande bandeira, então.

É uma das grandes bandeiras. São dois projetos estruturantes, tanto a variante à A8 como o pavilhão da escola, mas existem outras prioridades, obviamente transversais, na habitação, no investimento. E precisamente na habitação, deixe-me só perguntar se o Conselho de Sobral de Monte Agraço tem sentido essa pressão que se sente na questão da habitação, por estar também relativamente perto de Lisboa, tem sentido isso, tem se refletido até no aumento dos preços e na disponibilidade de habitação? Exato. Em termos de parque habitacional público, é inexistente. A oferta privada tem sido escassa e há também uma estratégia local de habitação que nunca foi executada, foi aprovada em março de 2023 e é preciso haver uma iniciativa pública em matéria de habitação. Que Sobral seja um conselho que dê oportunidade para todos, mas principalmente também para os mais jovens, aos filhos dos sobralenses, que lá vivem, que lá querem viver, construindo o seu projeto de felicidade, o seu projeto pessoal, familiar e até profissional. E daí também um dos outros projetos, o polo industrial junto à A8, que pode criar emprego, emprego qualificado, dar bons ordenados aos nossos jovens e à nossa população. Há aqui um projeto que é todo ele integrado. Uma área nunca está dissociada da outra. A habitação nunca está dissociada da parte económica, da parte das famílias, e foi isso que eu tentei trazer, um programa integrado. Estava aqui a dizer que Sobral de Monte Agraço tem identidade, tem tranquilidade, também tem um parque infantil, não tem? É a quinta pergunta. Isto é um anúncio. Bem do nosso tempo. Bem do nosso tempo.

Já não do tempo da Raquel Lourenço.

Pois não, por isso mesmo. Está aqui o recorte. Recorda-se. Quem era o ator? Vítor Sousa era o protagonista. Muito bem. Havia aqui uma competição para ver qual era a roupa que ficava mais branquinha. Exato. Sobral teve um aumento de população, tem crescido a população. Aliás, os dados que encontrei de 2019 para 2023, a comunidade imigrante também mais do que duplicou, 9,3% da população total. A comunidade está integrada ou há aqui um problema de integração? Não, a comunidade em Sobral de Monte Agraço está completamente integrada. As pessoas, sobretudo as empresas, daquilo que também foi a minha ronda, são pessoas que fazem muita falta às nossas empresas, que são pessoas trabalhadoras, honestas, e há uma boa integração da comunidade no nosso conselho. Aquela discussão a que temos assistido a nível nacional, em que se relaciona a imigração com criminalidade, com pressão dos serviços públicos, é uma questão que não afeta Sobral de Monte Agraço, na sua perspetiva. Não há essa sensação, de todo. Não há essa sensação e acho que a legislação que está a ser feita também é do maior interesse das comunidades que vêm para o nosso país, porque é uma legalização, trata-se de colocar tudo em ordem. Eu acho que é do maior interesse, acho que se sente que eles também querem que isto aconteça.

O mercado de trabalho de Sobral precisa dessas pessoas. Quais são os setores em que elas mais trabalham? Tem ideia disso?

São empresas de serviços, o terciário, sobretudo, que abrange muitas pessoas.

Resturação, imagino, comércio.

Resturação não tanto, é mais empresas, por exemplo, de feitura de produtos, também não são endógenos, são transversais, mas que realmente trazem e albergam muitas pessoas que trabalham e que são essenciais no trabalho e na vida das empresas. Como é que se segura aquela população que está a estudar em Lisboa e que quer continuar a viver em Sobral de Monte Agraço, como é que isto se faz? É também uma missão legítima e antiga dos sobralenses, ter os filhos dos sobralenses na nossa terra. Eu creio que seja, sobretudo, apostando na habitação, em serviços de proximidade, na saúde, ter uma autarquia aberta para todos, a própria relação com os cidadãos tem de mudar, tem de ser mais aberta. Mas, sobretudo, habitação e infraestruturas. Acho que se criando aqui um sentimento maior de comunidade e que os serviços funcionem bem, as pessoas vão querer continuar a viver em Sobral de Monte Agraço e é esse o objetivo. Há pouco perguntámos acerca da participação dos jovens. E em relação à participação do resto da população, sente que existe essa participação? Uma das críticas que se apontam normalmente ao país é o facto de as pessoas estarem pouco envolvidas nas coisas até que lhes dizem mais respeito, das questões de política de proximidade. Sentiu isso nesta campanha? O período de campanha também é sempre um pouco diferente, mas sente que as pessoas estão desligadas dos problemas que as afetam? Eu acho que o maior sinal que houve foi a reduzida abstenção que aconteceu nestas eleições. Houve muitas pessoas a querer votar neste projeto de mudança. É um trabalho que é contínuo e que eu, quando falei dos jovens, senti que é a faixa etária em que se começa a incentivar essa participação. Mas claro que, por exemplo, uma das medidas, como o orçamento participativo, implica também uma participação da comunidade no seu todo, dos movimentos associativos, a apresentar projetos à autarquia, numa verba que é associada ao orçamento municipal para concretizar projetos também da comunidade. E essa é uma das formas também de envolver a comunidade na política local.

Reika Lourenço sai daqui com 22 pontos, ficou a três da maioria absoluta.

Da maioria total, neste caso.

Foi um gosto, muito obrigada. Você tem uma voz muito bonita, podia fazer rádio. Obrigada, Reika Lourenço.

Muito obrigado.