Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

8h20, é hora de conhecermos o tema do Contracorrente. 91 002 41 85, se quiseres entrar em direto logo a seguir ao jornal das 10, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Carla. Greta Thunberg já não é a adolescente sueca de enorme trança que desafiava os líderes mundiais a propósito das alterações climáticas. Greta Thunberg é hoje uma jovem de 22 anos que sabe usar as redes sociais e organizar campanhas como aquela que voltou a fazer dela o centro das notícias ao associar-se à chamada Flotilha da Liberdade, que pretendia chegar a Gaza. O barco acabou interceptado pela Marinha de Israel. A jovem sueca foi depois colocada num avião e já estará de regresso ao país natal. No Contracorrente de hoje, vamos querer saber como aconteceu esta evolução, como é que uma ativista ambiental se transformou numa militante pró-Palestina e anti-Israel, e também perceber porque é que mesmo assim continua a merecer a atenção que lhe continua a ser dedicada. José Manuel, bom dia.

Bom dia.

Tu já criticaste Greta Thunberg no Contracorrente, mesmo quando ela era quase aquela figura intocável. Suponho que agora não tenhas mudado de opinião.

Não mudei. Eu acho que o que se passa com Greta Thunberg e com todo este processo devia merecer mais atenção e mais reflexão, porque uma coisa é uma adolescente que tem uma espécie de fixação na história das alterações climáticas, que para todos os efeitos nós podemos discutir os métodos e exigências dela, podemos discutir, como eu discuti, o tema da forma como ela se dirigia aos responsáveis de todo o mundo, uma forma muitas vezes arrogante, eu fiz crítica a isso. Mas a verdade é que logo nessa altura ficou com a percepção de que, por ela ou por outros, a agenda ia noutro sentido. E logo em 2019, já foi há bastante tempo, há seis anos, ela assinou na altura um texto de opinião, onde passou das questões ambientais para outros temas. Designadamente, e vou citar esse texto da altura, disse que a crise climática não era só sobre o ambiente, era de direitos humanos, justiça, vontade política, e depois acrescentava aquilo que era verdadeiramente mais crítico: foi criada e alimentada pelos sistemas coloniais, racistas e patriarcais, temos de os desmantelar a todos. Isto não é propriamente uma questão da agenda ambiental, isto é uma agenda política, e uma agenda política com uma componente extremista, sem dúvida nenhuma. E nós, muitas vezes, estou a falar da imprensa, da opinião pública, da forma como tudo isto é apresentado, é apresentado de uma forma demasiado benévola, como se tudo se perdoasse a uma adolescente. Ela já não é uma adolescente hoje e a sua agenda revolucionária, a sua agenda antissistema, a sua agenda anticapitalista tem vindo a tornar-se cada vez mais clara. Isso tornou-se claro em 2022, quando ela lançou um livro acompanhada por algumas das figuras destas causas, e também é clara nas pessoas que a acompanhavam nesta ida até Israel. Quer dizer, ela ia com aqueles que nós eufemisticamente chamamos de ativistas, na prática são extremistas, são pessoas que têm uma agenda revolucionária de destruição da nossa sociedade. Depois vamos ver se têm razão para isso ou não. Não têm razão nenhuma na minha perspectiva, senão os problemas que eles dizem que querem resolver ainda se agravariam mais. Mas repara, entre as pessoas que iam naquele barco, iam dois políticos. Uma eurodeputada chamada Rima Hassan, francesa, e que era eurodeputada por um partido de extrema-esquerda, sem dúvida nenhuma, a França Insubmissa. Um partido que, por exemplo, no Médio Oriente, fez-se representar no funeral de Nasrallah, o líder do Hezbollah, um assumido terrorista. Sobre isso, creio que todos sabemos qual era a prática do Hezbollah. O outro político que também lá ia era um brasileiro chamado Thiago Ávila, membro de um partido de extrema-esquerda brasileiro, também ele um homem que considerava Nasrallah uma figura inspiradora. Isto é uma agenda política, isto não é uma agenda ambientalista, isto não é uma agenda, mesmo relativamente a Israel e à Palestina, isto é a agenda daqueles que querem acabar com o Estado de Israel, haver apenas uma Palestina, essa ser a Palestina dita dos palestinianos, porque mesmo isto dos palestinianos não deixa de ter aspetos às vezes extraordinários. Quer dizer, já passou mais de ano e meio, vamos a caminho dos dois anos do 7 de outubro, e só ontem é que o líder da Autoridade Palestiniana achou que era chegada a altura de condenar o que se passou, os massacres daquele dia, a forma como pessoas que estavam pacatamente nas suas casas a dormir, e que alguns deles até eram militantes pela paz, e que iam buscar palestinianos para levar aos hospitais, por exemplo, foram assassinados, torturados, raptados. E como hoje estamos num conflito onde parece que só há guerra declarada num dos lados. Quer dizer, se o Hamas libertasse os reféns que ainda tem, ou devolvesse os corpos daqueles que já estão mortos, talvez isto fosse mais fácil de resolver, diria eu. Mas aparentemente nunca nenhum destes ativistas, tipo Greta, se lembra que há uma organização terrorista que ainda mantém pessoas absolutamente inocentes, algumas crianças, algumas pessoas que neste momento ainda alguma daquelas tinham mais de 70 anos, presas em túneis como reféns. É sobre isto que vamos voltar a falar, também tentar perceber o que é que se está a passar. Passou mais recentemente em Israel e no Médio Oriente, mas sobretudo distinguir aquilo que são, no fundo, máscaras. E neste momento, Greta Thunberg é apenas a máscara de uma causa extremista. Ponto final, parágrafo. E é disso que a gente tem que ter consciência.