Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vamos conhecer mais um tema do Contra-Corrente. O José Manuel Fernandes já está connosco. Se quiser entrar em directo para nos dar a sua opinião, só tem de ligar 91 002 41 85, é o número de sempre, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, 91 002 41 85. Carla. O turismo foi um dos principais motores, senão o principal motor da recuperação da economia portuguesa desde o período do ajustamento, tendo ganho peso na economia desde essa altura, com exceção dos anos de Covid. Mas os dados mais recentes, os dados de 2025 ontem divulgados pelo INE, indicam que o crescimento do turismo continuou, mas a um ritmo mais lento do que o resto da economia. Será que este motor do crescimento está a abrandar? E que outros motores nos restam, agora que os investimentos do PRR também estão a acabar? Vamos tentar responder a estas questões no Contra-Corrente de hoje. Bom dia, José Manuel.

Bom dia.

Creio que sempre defendeste a importância do turismo. Será que Portugal está a chegar àquele ponto de saturação?

Essa é uma boa pergunta, Carla, porque, como sabes, o turismo é muito apreciado quando somos nós os turistas e muito mal visto quando são os outros os turistas. Portugal transformou-se num destino turístico importante. Nós somos, na Europa, em termos de contributo para o PIB, o terceiro país europeu, a nossa frente só a Croácia e a Grécia. Isto aconteceu muito nos últimos 10, 12 anos e depois da crise, como tu referiste, com algumas ajudas. Há crise no leste da Europa, uma guerra no leste da Europa, há também instabilidade noutros destinos, como no Médio Oriente e, portanto, zonas tranquilas, como para todos os efeitos é Portugal, tendem a atrair mais turistas. Agora, o ritmo de crescimento dessa atividade é que está a abrandar. Para teres uma ideia, um indicador que o INE utiliza, que é uma coisa chamada consumo do turismo no território económico, cresceu 17,1% em 2023, 6,8% em 2024 e só 4,9% em 2025. Isto até fez com que o peso do turismo no PIB, na nossa riqueza, também no valor acrescentado bruto, tenha deixado de crescer ou mesmo diminuído marginalmente. O que é que isto pode querer dizer? Temos que ver isto mais em detalhe e verificamos que nem todas as regiões se estão a portar da mesma forma. Há regiões que continuam a crescer com algum vigor, como por exemplo a Madeira ou Alentejo, e outras que estão claramente a crescer mais devagar, como por exemplo a região de Lisboa, ou mesmo o Algarve. Isto talvez tenha alguma coisa a ver precisamente com isso, com regiões que já estão mais exploradas, mais saturadas e que porventura já não suportam mais. Agora, também como é muito típico em Portugal, uma boa parte desta explosão turística teve a ver com atividades onde o investimento inicial, por regra, nem sequer é muito elevado, designadamente a restauração. E aquilo que nós vemos neste setor, é um setor que se tem queixado imenso, tem dito que está muito em crise, que há inúmeros encerramentos, o que é ao mesmo tempo verdade e mentira. O que eu quero dizer com isto? Quer dizer que na restauração nós temos uma rotatividade absolutamente brutal. Os números mais recentes, dos primeiros cinco meses deste ano, são de 6500 empresas criadas, 9300 fechadas. É imenso, como deves imaginar, muitas são empresas muito pequeninas, cafés, coisas desse gênero, mas também é um reflexo do tecido económico que temos e do tipo de economia que temos, porque olhando também para os números, aquilo que nós vemos é que nós temos uma densidade de restaurantes por habitante que é o dobro da espanhola, por exemplo. Temos muitíssimos mais estabelecimentos desse gênero, muito acima da média europeia. Só há dois países na Europa que têm uma densidade maior, a Chéquia e a Grécia, o que também é um sinal de alguma debilidade. O que nos leva a um outro ponto, que também não pode ser esquecido, e são dados também do INE, divulgados ontem. Quando o INE olha para os vários setores da economia e os salários praticados, o setor que está pior em termos de relação com a média nacional é precisamente o setor do turismo. Isto é, nós temos um setor que para todos os efeitos evoluiu muito, contribuiu muito para a nossa economia, mas que está muito assente em trabalho, nalguns casos não muito qualificado e, sobretudo, bastante mal pago. Eu não sei como é que estas contas são feitas, não sei se inclui, por exemplo, todos aqueles enxames de servidores de comida ao domicílio. Talvez inclua, talvez não inclua, não sei como é que o INE faz, não consigo descobrir na metodologia se isso está lá, se não está lá, porque isso fará seguramente descer a média dos salários pagos. Mas nós sabemos que é uma área onde não se paga muito, não há muita qualificação, o que também tem a ver com outro tema que falamos com muita frequência, que é o tema da produtividade. Ora bem, tudo isto não é muito inquietante, até porque nós notamos que é apenas um sinal. Quer dizer, porventura não podemos contar só com este setor para continuar a fazer crescer a economia. É preciso diversificar. Aquilo que alguns especialistas dizem é que ao mesmo tempo que isto está a acontecer, há sinais de que o turismo mais diferenciado está a subir mais depressa, sobretudo nos destinos mais consolidados, como por exemplo Lisboa e o Algarve, o que permitirá ter mais economia com menos pessoas, digamos assim, o que ajuda a resolver um dos outros problemas do excesso de turismo, que é a massificação e a sobrecarga sobre as áreas mais visitadas, como são as grandes cidades e como é também o litoral. Mas para Portugal, o momento não é o melhor para fazer essa transição, porque nós também estamos a ficar sem PRR. Como é que nós damos esta volta? Nós também vamos ter no programa convidados que vêm da área da economia, que nos vão tentar ajudar a perceber como é que, até com aqueles estudos que foram apresentados na semana passada, podemos fazer alguma coisa para não ficarmos tão dependentes de uma área que nos ajudou muito, mas até pelos salários que pratica, não nos puxou muito para cima ou não nos puxou suficientemente para cima. Vamos falar um pouco disso depois das 10:00.

Fica combinado então para depois das 10:00. Até já, José Manuel. 91 002 41 85 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.