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E nesta tarde, em direto, estamos à conversa com a realizadora Ana Rocha de Sousa, premiada recentemente em Veneza pela primeira longa-metragem "Listen", que chega aos cinemas portugueses esta semana. Já na quinta-feira, dia 22. Está conosco também uma das protagonistas deste filme, Lúcia Moniz. Bem-vindas!

Olá, obrigada.

Bem-vindos.

Obrigada.

Muito bem ensaiadas também. Ana, este filme, e aqui de forma muito resumida, retrata o drama de uma família portuguesa que vive no Reino Unido em grandes dificuldades e que depois vai tentando recuperar a guarda dos filhos, que lhe foram injustamente retirados pelos serviços sociais por suspeitas de maus-tratos. Portanto, é um filme muito forte. Tu que és uma força da natureza, uma mulher de causas, não podias, de forma nenhuma, ignorar esta realidade, que é vivida, na verdade, por muitas famílias portuguesas que estão no Reino Unido.

Precisamente, eu assim fico sem nada pra dizer. Porque foi tudo absolutamente certíssimo, no sentido de ter sido efetivamente um tema que me provocou uma grande indignação, assim que me percebi, efetivamente, do que acontece. A um ponto em que eu tive que dosear a verdade que passo, ou seja, a verdade é ainda pior do que está no filme.

Era isso que te ia perguntar, porque a realidade é tão dura. Como é que foste filtrando tudo isto pra não ser depois um conjunto de emoções muito grandes? Como é que tornaste claro esse pensamento para traduzir no filme?

É um conjunto de emoções muito grande, e continua a ser, e o filme passa isso. E a partir de um determinado ponto, a ficção é muito mais soft do que a dura realidade. E se eu tivesse ido atrás da absoluta verdade, as pessoas sairiam do filme a dizer que eu era maluca e que não era possível aquilo estar a acontecer e existir.

Mas ao longo do processo de pesquisa para todo este filme, foste-te sentindo muito esmagada por essa realidade também?

Fui. Foi um processo de tal forma chocante, que eu mergulhei, e foi quase sem parar. Ia descobrindo cada vez mais coisas que me indignavam. E todo o processo foi bastante doloroso, ainda por cima eu tinha sido mãe recentemente. E portanto, tudo isso agravou. Acho que fez todo o sentido, na medida em que é por isso que eu acabo por fazer este filme. Por percebê-lo naquela altura, daquela maneira, sentir desta forma o tema. Se eu não tivesse sido mãe, não. Mas em que medida é que esse trabalho de campo acabou por influenciar aquilo que foi depois o resultado final do trabalho?

Influenciou em tudo, porque foi uma responsabilidade.

Houve muito daquilo que se pensava de início, acabou por ser alterado depois com todo esse trabalho, ou não havia nada mais do que um esqueleto? Havia já aqui uma visão final do filme ou foi tudo acontecendo à medida que foi trabalhado?

A visão do filme surge absolutamente sobre os casos verídicos. E, portanto, a partir daí, o meu ficcionar acaba por ser limar, juntar, colar. E portanto, eu quando chego à primeira versão do guião, candidato-me sim ao subsídio, e fica assim durante um tempo. Porque eu quis, mais tarde, juntar duas fontes de lá, para ter a certeza que blindávamos o guião e que não havia o menor equívoco em relação a dados e a factos. E portanto foi esse o processo. Mas tudo isso depois com os atores, e a Lúcia pode falar melhor sobre isso. Com eles, nós também fomos muito por aí. Houve coisas que eles tiveram que ver e que tiveram de mergulhar nessa realidade. E certamente que esse processo pra eles terá sido aquilo que eu passei ao longo do guião e da escrita do guião, eles passaram depois na construção da personagem e depois para passar pra tela. Lúcia, vamos falar da construção dessa personagem, mas é verdade que não falavas com a Ana há 20 anos, antes dela te ligar?

É verdade, não nos falávamos.

É verdade.

Foi a vida.

Foi um acaso da vida.

Foi um acaso da vida. Foram caminhos que de repente divergiram.

É verdade. Como é que foi esse telefonema?

Primeiro foi uma troca de mensagem, partindo dela, uma mensagem no Instagram, que eu recebo dela. E olha, Ana, foi uma sorte, porque eu sou tão coisa que podia ter recebido a mensagem e nem ver a mensagem, mas ainda bem que vi. Eu tinha que ver. O que tem que ser, tem muita força. E então recebi a mensagem da Ana assim, a dizer: "Olá, lembras de mim?" Um bocadinho por aí, mas também com sentido de humor, claro, porque obviamente que eu me lembraria dela. "Gostava de falar contigo. Se puderes, liga-me. Não sei se este ainda é o teu número", qualquer coisa assim. Deixou o número dela e eu liguei-lhe.

E, portanto, a partir daí a coisa aconteceu.

Perfeito.

Mas também és mãe, portanto, imagino que a construção desta personagem foi muito dura também pra ti.

Claro que sim. Eu acho que faz alguma diferença o fato da minha filha já ser uma adolescente, já mais autônoma, mais independente, e isso poderá fazer alguma diferença no

Na forma como abalou a Ana, bem recente. Mas claro, um filho é um filho e abalou-me bastante tomar conhecimento do que fazem às famílias, retirar os filhos é uma coisa completamente impensável e inconcebível. E como a Ana estava a dizer, o que ela já sabia, ela passou muita informação, muitos links e muitas coisas da pesquisa dela. E depois, obviamente, eu fui canalizando para aquilo que eu precisava para construir e para tornar esta bela, que estava só na escrita, dar a voz e o corpo.

A verdade é que volta e meia surgem algumas reportagens sobre este caso, mas é uma realidade que é muito desconhecida da população portuguesa, por exemplo. Têm essa noção? Ficaram com essa noção quando fizeram o trabalho?

Eu acho que, entretanto, já há algumas reportagens que vão surgindo. Acho que depois, no meio disto, também é preciso nós sabermos distinguir muito bem as fontes. E é preciso também perceber que não há só vítimas aqui no meio. Às vezes os pais nem sempre são vítimas de um sistema. É preciso perceber isso. Mas eu decidi fazer o filme por perceber que a forma como a lei está escrita é, de facto, muito questionável, porque permite interpretações muito subjetivas. E, acima de tudo, quando percebo que quando ocorrem erros, que não é possível reverter processos. E quando percebo, inclusivamente, que há dinheiro envolvido e que se levantam muitas questões em relação a isso, sobre a seriedade das pessoas envolvidas nos processos. E acho que não é preciso saber muito mais para efetivamente percebermos que isto começa a ter contornos que se tornam muito complicados de compreender e de aceitar. E, portanto, quando começamos a ver que há famílias a passarem por isto e que não há provas suficientes, que é com base em relatórios apenas de assistentes sociais, que fazem relatórios com uma base muito subjetiva de avaliação. Esses indícios, às vezes, podem ser só isso. Nós estamos habituados, eu falo pelo pouco que fui aprendendo através do meu pai, enquanto juiz de crime, nós estamos habituados a que as pessoas sejam julgadas por crimes que cometeram. E não com base em possibilidades futuras. E a lei lá assenta em possibilidades futuras. Portanto, procedem à retirada com base em indícios futuros de possíveis danos físicos ou emocionais. E a partir daqui é quando tudo fica subjetivo. E, portanto, assistentes sociais a escreverem relatórios que podem muitas vezes estar a fazê-lo da forma mais genuína, sincera e honesta.

Mas acaba por deixar a porta aberta para situações de maior injustiça.

Precisamente.

Eu sei que uma das tuas motivações também era tentar aqui chamar a atenção de tudo isto e mudar, se fosse possível, também aqui o quadro legal no Reino Unido. Já tiveste alguma reação nesse sentido ou ainda não?

Não, nesse sentido, aquilo que nós vamos recebendo, às vezes, são contactos de famílias.

Sim, também já recebi.

E é uma coisa que eu tenho tentado evitar, porque eu decidi não o fazer numa fase anterior e, portanto, creio que não faz sentido. Eu explico: porque facilmente este filme tornar-se-ia um filme panfletário e nunca foi esse o objetivo. Aqui a minha visão é efetivamente uma visão que tenta ser bastante equilibrada. É óbvio que eu tomo uma posição. Eu tomo uma posição porque há coisas na lei que eu não concordo. E enquanto cineasta, artista, mãe, mulher, pessoa, sei lá, posso tomar essa posição. Enquanto jornalista, não. Mas não sou jornalista e, portanto, a minha posição ali. E por isso é que eu me quis posicionar na ficção e não no documentário, porque dificilmente eu conseguiria fazer um documentário sem seguir com toda a minha-

Com o teu ponto de vista sobre isso também.

Exatamente. E claro que um documentário também pode ter um ponto de vista, como é óbvio, mas para todos os efeitos, a razão também para isto não ser um documentário está relacionada com isto que eu estava a dizer de não querer envolver famílias efetivamente reais, ou seja, juntar ao projeto um rosto físico de uma família específica. Por que eu não quis fazer isso? Porque isto mexe verdadeiramente com as pessoas, com a vida daquelas pessoas. E se eu o fizesse, ia sentir uma espécie de vampirismo, que não quero sentir. O que está mal é de uma forma geral. Não quero retratar um caso específico, que depois se venha dizer: "Ah, não, mas afinal havia não sei o quê, acontecia aquilo".

E pode levar também a uma espécie de levantamento da sociedade contra esse caso específico.

Exatamente. E porque não há um caso específico, são tantos. Que é efetivamente importante chamar a atenção para isto. Basicamente decidi com base nisso e acho que o trabalho deles foi fabuloso. Acho que tanto o Ruben como a Lúcia se dedicaram ao filme e mergulham nisto e vê-se essa verdade documental que era pretendida, não sendo, sendo ficcionado.

Lúcia, é verdade que tu viste documentários sobre vida selvagem para preparar esta personagem?

Pode parecer ridículo.

Explica-me isto.

Eu vou tentar explicar. Eu até tive receio: "Será que eu digo isto?" Porque pode ser interpretado assim: "Esta é maluca." Eu vou dizer porque é que eu tive essa curiosidade. Porque para já acho que esta personagem, a Bella, é muito mãe leoa, é muito impulsiva. Muitas vezes é pouco racional, ou seja, fala antes de pensar, age antes de pensar. E depois, em relação ao momento em que há esta retirada das crianças, eu acho que aí o instinto animal sobrepõe-se a qualquer coisa racional, porque não há tempo sequer para isso. E então eu fui, com curiosidade, ver esses vídeos de vida selvagem de leoas a protegerem as crias de ataques de hienas. E foi muito curioso, porque obviamente que eu não estava ali a querer imitar uma leoa. Não é isso, mas o comportamento animal.

Que seria?

Que seria. A Ana dizer assim: "Ai, meu Deus, se esta aparecesse no platô. Eu tenho aqui uma ideia."

Não te ligava mais durante 20 anos, possivelmente, nunca mais ias ouvir falar dela.

Ai, meu Deus. Mas foi até emocionante ver como é que a leoa defende as crias. Eu vi um dos momentos em que uma hiena, de facto, retira uma das crias e ver aquela leoa a chorar marcou-me, e eu acho que foi interessante ver esse lado animal, só o lado animal.

Lúcia, quase todos os filmes terão uma boa dose de verdade ou de realidade, uns mais, outros menos, mas este tem muito. Foi um dos maiores desafios da carreira, também por essa grande dose de realidade.

Sem dúvida nenhuma. Eu acho que foi um dos grandes desafios em fazer este filme, e eu acho que até chegámos a conversar sobre isso, que é qualquer tempo, ou gesto, ou posição, ou olhar, ou piscar do olho mais poético, que às vezes até acaba por ser um vício, tirava tudo da cena, estragava. E o desafio foi limpar. E isso foi muito bom, porque não era só isso, era ter esta crueza e verdade na representação, porque depois a plasticidade e a forma como é filmado dá outra coisa.

Não ser o próprio ator a cair numa teatralidade que não era necessária.

Isso, para mim, foi desafiante, porque eu, sem me aperceber e sem querer, porque até nem sou a favor disso, tinha coisinhas que: "Não". Isto não era eu a dizer.

Não.

Ok, é verdade, não era eu.

Estou a brincar. Poderias aproveitar agora a oportunidade para...

Mas houve algumas coisas. Foi engraçado que a Ana disse-me uma coisa antes de eu ver o filme. Ela disse-me assim: "Tu não vais gostar de te ver." E eu: "É pá, eu normalmente não gosto."

Não digas isso assim.

Eu não gosto. Espera.

Parece que estava a dizer...

Eu vou explicar. Espero explicar bem. E se eu não explicar bem, explicas tu, que é para ficar esclarecido. Eu normalmente não gosto de me ver, mas isso é outro assunto. Mas eu quando vi, percebi o que é que ela quis dizer, porque foi a tal procura da verdade sem ser o chorar de uma forma, ou o andar de uma forma, ou saltar de uma forma. Era tão nosso. É quase como alguém nos filmar a chorar porque me magoei no pé e depois mostram-me o vídeo. Eu digo assim: "Eu choro assim? Eu agarro-me ao pé assim?" Mas se fosse ficcionado, se calhar pensava: "Ok, o plano, ok, o pé fica melhor aqui." Coisas. E é isso. Está bem explicado ou não?

Está.

É a crueza da coisa, ou seja, não é para ser bonito, é para ser verdade.

Está. É isto, Ana? Confirmas.

Não é para ser bonito.

Estão lá a chorar. Tu chegas a Veneza.

Ui!

E tudo aquilo, todos os prêmios, como é que foi?

Bem, eu acho que-

Foi muito melhor do que tinhas imaginado, não? Claro.

Eu não sei, porque eu tenho uma grande capacidade de imaginação.

Sonhavas com aquilo?

Sonhava. Eu sonho com tanta coisa. É melhor não falarmos sobre os sonhos. Acho que é melhor pensarmos. O que aconteceu, o primeiro embate, eu acho que foi logo ali na estreia. Eu falo por mim, ainda hoje estive a ver um vídeo que eu gravei minutos antes de sair do quarto e que enviei para o Pedro. Enfim, enviei para casa. Eu falo às vezes como se as pessoas só vêssem, enfim. Peço desculpa. Enfim, enviei para casa, porque ia sair do quarto naquele momento e eu sabia que era verdadeiramente importante aquele momento. Era o dia da estreia, mas estávamos a sair ainda para as conferências de imprensa e para fazer as primeiras entrevistas, e aquilo é uma loucura. Portanto, a partir do momento em que sai, entras numa porta, sais, entras na outra e passa-se muito tempo nisto.

Absorve muito, não é?

É. E ouvir falar aqui, por exemplo, é totalmente diferente nesta medida, em que nós estamos aqui, é a nossa língua, é a nossa casa. E quando temos de o fazer em inglês, há sempre outro patamar que se mete no caminho a meio de uma frase. Bem, nós às vezes também ficamos em português.

Eu, então.

Não, eu fico imenso.

Nesse momento também é normal.

Mas ali não se pode. É aquela sensação de

Não dá para ficar a meio de uma frase e tentar voltar para trás. Portanto, eu ia nessa tensão. Isto tudo para dizer que vi esse vídeo, e é muito engraçado ver esse vídeo hoje, saber como tudo se desenrolou e olhar para aquele momento. Porque eu estava aterrorizada, é óbvio, pelo vídeo é óbvio que eu estava aterrorizada, mas tinha que ir. Não havia solução, tinha que ir. E quando o filme estreia, nós íamos nesta medida do não saber o que vai acontecer. E quando o filme acaba, e há ali um silêncio grande, que eu tenho tempo para questionar o que é que se passa, o que é que não se passa, mas porque as pessoas não estão a reagir. E fiquei assustada. Tive tempo, inclusivamente, para ficar assustada.

Assustada com uma eventual má recepção do filme?

Pois, porque eu não estava a perceber.

Foi um silêncio em sinal de aprovação. Foi isso que aconteceu lá?

Eu acho que foi um silêncio.

E de alguma incredulidade por parte das pessoas que estavam a ver o trabalho também.

Eu acho que foi o resultado de um soco e que de repente a pessoa demora para perceber o que é que aconteceu. "Espera, o filme acabou. Isto acabou." E eu a pensar: "Sim, o filme acabou. Porque é que estão a olhar e não reagem?" E depois, quando surge aquela salva de palmas, que não parava.

Isso denunciou depois a questão dos prêmios? Ou não houve logo essa sensação?

Não denunciou.

Diz.

Eu acho que não denunciou, mas o que nós sentimos, e digo nós porque partilhámos depois, foi: isto significa alguma coisa. Isto chegou às pessoas, isto significa alguma coisa. Agora, o quê?

Até porque estávamos em Veneza. Veneza é sala sim, sala sim, com filmes muito bons. E, portanto, eu até achei que aquilo podia ser uma espécie de protocolo que acontece nas estreias, quando as pessoas batem palmas.

Até um minuto e tal, eu acho.

Era normal.

Eu ainda perguntei assim: "Mas isto foi mais de um minuto, não foi?" E disseram assim: "Foram cinco minutos de aplausos."

Foram cinco minutos contados.

Foi algo inacreditável.

Foram cinco minutos. Chegou ao ponto de eu me virar para a Lúcia, e chorávamos e ríamos, porque eu viro-me para a Lúcia e digo só assim: "Eles têm que parar. Eles têm que parar."

Não paravam de aplaudir.

"Por favor, parem." Temos de ir à nossa vida, não é? Exato. E nós começamos a rir e a chorar ao mesmo tempo. E ela só dizia: "Não me peças para parar, mas estás toda, agora estás a pedir para parar de baterem palmas." Isto tudo natural, naquela altura. Ana e Lúcia, estamos a ficar sem tempo, mas Ana, tu já estás a trabalhar noutras coisas também, não é? Podes contar alguma coisa, não?

Não posso. A única coisa que posso referir é que vou continuar com este interesse por temas que são sensíveis e que têm uma perspectiva social, na tentativa de descobrir histórias e contar histórias que são importantes, não apenas para mim.

Exatamente. Eu estava a ouvir-te falar desse silêncio, eu estava a ficar arrepiada. Eu acho que é o que as pessoas vão sentir também. O "Listen" vai chegar aos cinemas portugueses esta semana, no dia 22. Estivemos hoje à conversa com a realizadora Ana Rocha de Sousa e também com a atriz Lúcia Moniz. Obrigada. E não se deixem de falar durante 20 anos.

Não, isso é impossível.

Agora não, agora não. E voltem à Rádio Observador. Obrigada. Até à próxima. Obrigado.

Obrigada.

Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM. Na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada