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Como estamos muito mais dispersos com os dispositivos móveis, acho que é mesmo importante ir à sala de cinema ou em casa, mas sem distrações, e mergulharmos naquilo que o autor nos propõe.

Na Primeira Guerra Mundial, uma das guerras mais mortíferas do século XX, um grupo de quase 100 portuguesas participaram na guerra. De onde vieram? Que família deixaram para trás? Por que foram e que sonhos e desejos tinham? O filme "Damas", já em exibição, resgata a história pouco conhecida das damas enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa. Mulheres da alta sociedade que, em plena Primeira Guerra, departiram para a França com a missão de construir um hospital para apoiar o corpo expedicionário português. A dona deste olhar sensível e contemporâneo sobre um episódio praticamente desconhecido da participação feminina portuguesa na Primeira Guerra, é a realizadora Cláudia Alves, que se formou em cinema em Cuba e que trabalhou como realizadora e diretora de fotografia em vários documentários em Portugal, em Cuba e na Índia. Olá, Cláudia, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vinda à Rádio Observador. É um grande prazer estar a falar contigo.

Obrigada. Estou muito contente de estar aqui.

Há uma coisa muito curiosa, porque tu és da zona de Carnide, de Benfica, onde tu nasceste. Agora moras em Paris. Já há cinco anos foste para lá.

Exato.

É melhor viver lá para fazer cinema? Ou tens mais meios, ou é porque está lá a tua família? Por que preferes morar lá?

Vai ser melhor.

Ok.

Eu mudei-me porque a minha cara-metade teve uma proposta de trabalho lá.

Ah, ok. Foi para longe.

E eu acabei por acompanhar e estou muito feliz de viver em Paris. Acabei por ter também mais tempo para escrever, para pensar nos meus filmes, porque aqui acabava por me dispersar com outras atividades.

Muito bem. É muito engraçado, eu tenho que falar nisto, tu quando eras mais nova, estiveste neste MCE, Movimento Católico de Estudantes, tiveste catequese na tua paróquia e tu dizes sempre: "Isso foi muito importante para a formação dos meus ideais". De facto, os valores cristãos são cada vez mais importantes na vida de hoje em dia. Achas que o mundo precisa muito destes valores cristãos? És uma cuidadora nata, que é engraçado, é uma coisa que tu dizes: "Eu gosto de cuidar das pessoas". E isso nota-se muito na tua maneira de ser e muito na tua maneira de fazer este filme. Por isso é que eu pergunto: os valores cristãos são, de facto, uma coluna dorsal na tua vida?

Acho que sim. E eu digo assim, sem dizer com mais certeza, só porque não sou uma católica praticante neste momento, mas acho que vivo os valores cristãos de uma maneira prática no dia a dia. Tento não trair aquilo que foi tradição da minha família, não por isso, mas porque acredito e tenho fé.

Muito giro a tua parte de Arouca. A família do teu pai é de Arouca, não é?

Exatamente.

É uma terra linda de morrer. Eu gosto imenso de Arouca. Tem lá um amigo meus, o Vasco Pinto, que a gente ia lá passar muitos fins de semana e de facto tem um mosteiro lindo, um convento lindo, tudo aquilo é extraordinário.

O rio.

O rio é muito bonito e aquelas quedas d'água e aquilo tudo, aquela serra, tudo aquilo é muito bonito, as morcelas doces e aquelas coisas.

Os doces conventuais.

Doces conventuais, o anho assado. E eu lembro-me de ver festivais de doces conventuais, uma vez fui lá ver um festival de doces conventuais e estavam as cozinheiras mascaradas de freiras nas cozinhas a fazer os doces. Achei aquilo fantástico.

No próprio convento.

Aprecio imenso aquilo tudo. Muito bem. E da parte também do Porto. A praia do Malhão, ali na zona extraordinária, Costa Vicentina, era onde passavas as férias, por quê? Ia a tua família para lá de férias?

Íamos quando ainda nem sequer havia o parque de campismo do Sitava. Íamos assim tipo acampamento cigano.

Selvagem.

E isso foi muito importante para mim. Foi até aos nove anos, íamos anualmente. Eu acho que não devo ter ido no primeiro ano, que fiquei com a minha avó. E depois interrompemos porque houve uma situação trágica na família. Morreu um irmão do meu pai, a esposa, os meus primos.

Ai, bolas.

Portanto, na vinda do Malhão. Para nós, o Malhão ficou marcado pela positiva e também pela negativa, mas foram anos fantásticos, em que até tínhamos o jornal feito pelo meu tio.

Ai, que giro.

Com a ajuda dos sobrinhos, que era o Malhinho.

Ai, que giro. Com as novidades, as notícias.

Sim, e na altura não havia sequer... Nós tomávamos banho numa fonte de água doce, na praia, portanto, era o mais próximo que eu posso imaginar de um acampamento selvagem.

E é lindo, porque são, para mim, as praias mais bonitas do país. É uma zona ainda muito, muito salvaguardada. E dessas praias, Praia da Moreira, dos Mil Homens, todas aquelas praias, até à Rifana, a começar ali em Odeceixe, é extraordinário de beleza, de coisa ainda muito selvagem. Só há pouco tempo fizeram passadiços, assim tiveram que fazer, mas havia muitas que são quase inacessíveis ainda. É muito selvagem.

Nós éramos os primeiros a entrar na praia e víamos os pescadores.

Umas boas memórias.

Sim, foi incrível.

Muito bem. No teu secundário, fizeste ciências e artes, porque não querias limitar. Tu és muito talentosa e muito versátil, porque eras boa às ciências, adoravas matemática, adoravas física, mas também acabaste por ir estudar pintura e licenciaste em pintura, o que é curioso.

Eu gostei sempre de muitas coisas e de fazer muitas coisas. Ou melhor, ia fazendo bem e, portanto, as pessoas acham à partida que gostava de tudo da mesma maneira. E não é verdade.

Sim, claro.

Portanto, eu sempre gostei mais das ciências do que, por exemplo, da literatura.

Das humanidades.

Das humanidades.

Ok.

Mas agora vejo que adoro história.

E, por exemplo, pintura, foste para pintura e licenciaste em pintura. Aqui em Lisboa, ainda usas isso na tua visão estética de um filme, por exemplo? São conceitos que ficaram. Ficaste com alguma coisa desse curso?

Ai, sim, com certeza.

A estética, a cor.

Isso era mais evidente. Cada plano parecia um quadro, não no sentido tanto estético, mas mais de um momento decisivo na história. Cada plano era um quadro, portanto, não havia tanta aquela ligação narrativa. Hoje em dia sou mais atenta à parte narrativa.

Ok.

Mas tento conjugar os dois, naturalmente. Acho que no filme, talvez, se veja um bocadinho também dessa pintura.

É engraçado essa tua estética, nota-se muito. É muito bonito o filme, muito bonito de imagem e aquele esfumado que tu fazes quando é as coisas antigas, aquilo está muito bem conseguido. Esteticamente, é um filme lindo de morrer. Fizeste Erasmus também em Milão, ali estiveste na Academia das Belas Artes, Belle Arti de Brera, em Milão. Passaste por Barcelona uns meses, tinhas 24 anos. E aí havia outro programa, que não era o Erasmus, era o Leonardo da Vinci. Acabaste por ir muito a festivais, conferências. Isso é que te aproximou um pouquinho do documentário e do cinema, não foi?

Foi. Não foi tanto na minha estadia em Milão, que é aí que estava mais próxima ainda das artes plásticas e da gravura. A gravura pra mim foi algo muito importante, porque eu achava que era uma forma de democratizar a arte. Eu já sabia que não queria ficar ali na pintura de cavalete.

Ok.

Portanto, a gravura seria uma dessas formas de fugir. Depois, começo a ir mais pra arte pública, como é que nós podemos intervir no espaço público, e no espaço público, tendo em conta a opinião dos moradores. Acabei por participar num projeto comunitário no bairro de La Mina, que é ao pé de Besòs, ou seja, em Barcelona, mas já muito perto do rio Besòs, quando estava a ser feita a transformação de Barcelona por causa do Fórum 2004. E nessa altura fui filmar. A câmera era só uma ferramenta, nem tinha ideia de fazer documentário, mas já era um meio que eu estava a usar pra ouvir aquelas mulheres, até porque eu não sabia catalão e ficava à escuta atrás da câmera. E aí comecei a desenvolver um bocadinho pelo gosto de estar presente na vida dos outros.

Contar as histórias deles.

Exato.

E aí nasceu teu gosto mais do documentário do que propriamente da ficção.

Sim. Nem tinha ideia nenhuma da ficção.

Adoraste isso, ouvir pessoas, ir com o microfone.

Exatamente.

Isso é muito curioso, como te veio essa vertente do documentário?

Eu não me esqueço que até hoje uma série de exposições, eu ia muito à CaixaForum, que é no centro de Barcelona, ver exposições, tinha uma grande mediateca. Na altura, a internet não chegava tudo à casa. Então eu ia pra lá, via filmes. Até aí, eu penso que na faculdade sentia-me um bocado assoberbada com muitas coisas. Também pertencia ao movimento católico de estudantes. Tinha sempre fim de semanas ocupados. Quando estive em Barcelona, era assim uma espécie de residência artística.

Residência artística, exato.

E vi uma exposição incrível, que esteve lá na CaixaForum, que se chamava " Ficciones Documentales", e tinha artistas de todo o mundo que, de uma maneira ou de outra, pegando no documental, apresentavam as suas obras.

E aí também aquele documentário do Abbas Kiarostami, aliás, com quem fizeste depois-

Ah, fiz um workshop. É verdade

Eu vi-se nesta altura essas exposições. Engraçado, as tuas primeiras referências não são filmes, porque de facto tu nunca foste cinéfila. Tu tens a maneira de dizer: "Não, nunca fui cinéfila". Eu descobri o cinema tarde, aos 28 anos é que eu decidi que ia trabalhar nisso. Essa vocação tardia.

Não sei se isso também se deve ao facto de, por exemplo, em casa não havia leitor de VHS. As minhas amigas tinham, o meu pai só tinha daquelas cassetes mais pequeninas, porque o meu pai filmava nas férias.

Minidisc.

Portanto, não tinha o outro formato. Mas podia não ter e ter ido procurar de outra maneira.

Claro. Não era impeditivo.

Não era impeditivo, mas de facto, não. E ainda hoje em dia, não sou uma devoradora de filmes.

Ok.

Gosto de ir ver um bom filme e seleciono, mas nem vejo séries na Netflix.

Não vês?

Não.

Engraçado.

Praticamente não vejo. Só se me chamarem muito a atenção, se é imperdível.

Ou o tema que não podes perder, exatamente. O que te serve, ou até tu podes usar pra outras coisas, à tua pesquisa, como gostaste de usar. Afinal, existe uma forma de arte onde eu me sinto inteira. Quando começaste a fazer os documentários, é muito bonita esta frase: "A satisfação era imensa e a partir daí nunca mais quis deixar de trabalhar em cinema". Por que o cinema tem assim de tão importante como arte? O que tu dirias? Por que é tão importante? Agora estou a pensar, é a sétima arte, estou a pensar em relação às outras artes. O que torna o cinema tão especial? Em relação à música, à literatura.

Eu acho que o facto-

O documentário, neste caso.

Sim, o cinema eu acho que me referia mais ao documentário, porque eu percebi que consigo estar com as pessoas, com quem quero, e ter um pretexto, no fundo, é ter um pretexto pra ir ao encontro destas pessoas que estão a viver uma realidade que eu não conheço. Eu entro de cabeça, não é ler nos livros. Interessa-me um tema, vamos ter com as pessoas.

Exatamente.

Pronto, não quer dizer que não haja uma investigação prévia, naturalmente.

Importante esta curiosidade pelo outro.

Exato.

As experiências em contextos diferentes, como tu viveste.

Sim, também.

E pensar isso.

Sim, eu acho que sim. Agora já tenho essa consciência, porque já passaram alguns anos, mas quando a pessoa está a viver pela primeira vez. Nunca tinha viajado assim muito. Só começo a viajar mais quando vou pra Barcelona. Milão foi a minha primeira experiência fora de casa, digamos assim. Foi importantíssima. Aí nós percebemos que a escola não é tudo.

Claro. Nem tudo se aprende nas escolas, nas faculdades.

Mas eu acho que o facto de unir o somA imagem e nós termos ali 50 minutos, uma hora e meia pra falar ao espectador. Não estou a dizer que se faz os filmes só a pensar no espectador, mas sim. Eu também estou a pensar como espectadora. Tenho ali 50 minutos em que eu estou só a ver aquilo, de fato, estou numa espécie de cápsula do tempo.

De bolha, exato. E as pessoas estão captadas, estão agarradas a beber aquela história que se está a contar.

Sim, e cada vez é mais importante, porque como estamos muito mais dispersos com os dispositivos móveis, acho que é mesmo importante esta coisa de ir à sala de cinema ou em casa, mas sem distrações, e mergulharmos naquilo que o autor nos propõe. Acho que é mesmo muito diferente nas artes plásticas, eu fui percebendo indo ver exposições. Eu dispersava muito mais. Um filme, pra mim, acaba por ser muito mais redondo. Falemos que cada obra é uma obra e não dá pra comparar. Mas eu digo como autora.

Tu tiveste algum filme ou filmes, ou documentários, então, neste caso, que te tivessem marcado pra vida? Que tu disseste: "Olha, uma coisa que eu vi maravilhosa, que nunca mais me esqueci".

Eu lembro-me, por exemplo, o Doc Lisboa e o Indie Lisboa foram grandes escolas pra mim.

Festivais.

Festivais. Porque os filmes eram filmes de autor. E lembro, por exemplo, o Santiago, do Moreira Salles. Outros filmes, pensando na ficção, Lucrécia Martel. Já pra não falar dos clássicos, a Agnès Varda. A Agnès Varda é mesmo importante, porque "Eu e os Respigadores" são mesmo filmes em que nós percebemos. É pegar uma câmera. O Alain Cavalier. Até podiam ter sido filmes que eu já tivesse visto em casa, mas no grande ecrã é completamente diferente.

É outra escala.

Mas muitos deles eu descobri no Doc Lisboa e no Indie, posso mesmo dizer que é importante. E também na Mostra do Panorama. Aí mais filmes nacionais.

De regresso a Lisboa, depois de Barcelona, frequentaste então um curso de documentário na Videoteca de Lisboa, com a Margarida Cardoso, que ainda hoje é tua amiga. E daí, até decidir ir pra Cuba, pra estudar cinema à séria, foi um pulo, como tu dizes. E então fizeste este curso entre 2008 e 2011, estes três anos de realização de documentários na Escuela Internacional de Cinema y Televisión de San Antonio de los Baños. Estamos em Cuba, uma escola extraordinária. Tu dizes: "A minha vida divide-se em AC e DC, antes de Cuba e depois de Cuba". Porque de fato foi uma escola que te marcou. Uma escola que primeiro tem uma história fabulosa. Fundada pelo Birri, pelo García Márquez e por tantos artistas ibero-americanos de renome e de grande inspiração. E ali estavas com colegas de todo o mundo.

Sim, eu queria estudar pra fora. Eu queria estudar cinema. E queria uma escola prática, essencialmente prática. Podia ter ido pra um mestrado, mas na Europa era caríssimo. Começo a procura de cursos, falam-me deste curso em Cuba, e eu pensei: "Em Cuba? Um curso de cinema?" Desconhecia, lá está, nunca tinha ido procurar escolas de cinema. E depois, quando entro na escola e vejo a ata de nascimento da escola, a ata de nascimento diz que aquele é o lugar da utopia.

Exatamente.

Que a utopia não está em lado nenhum, mas está nalguma parte.

Para que o lugar da utopia, que por definição não está em nenhuma parte, esteja em alguma parte. Está numa pedra lá escrita por Fernando Birri.

Exatamente.

É extraordinário.

E só isso, juntando ao fato de eu ter conhecido, entretanto, um realizador que tinha estudado lá, que é o Eloy Enciso, e que me mostrou um filme que eu adorei também num festival. Para mim, agora tomando consciência, os festivais também foram muito importantes para conhecer pessoas.

E que tu estás muito presente em muitos dos teus filmes também, e vais e frequentas. Mas do Uruguai, da Índia, dos Estados Unidos, do Irão, da Argentina, da Alemanha. Extraordinário.

No início, sim. Agora, tive um período um bocadinho parada. Parada, trabalhar também com outros autores.

Mas mais se calhar em júris ou em consultoria, ou assistência disso tudo.

Sim, é crescer, no fundo, também.

Mas se aprende imenso com colaborar com outros e aprender pra depois fazeres este trabalho extraordinário que fizeste.

E no início também eu nem sempre tinha dinheiro pra ir pra todo lado.

Então tua vida passa por isto, e aqui aprendeste à séria. Quando foste, já tinhas dois ou três documentários feitos.

Sim, eu digo à séria. Também foi sério o trabalho que eu fiz antes. Eu tive disciplinas do cinema. Antes eu tinha estudado documentário. Tinha aprendido som, direção de fotografia, mas aqui fui aprender mesmo cinema latino-americano, a história.

O guionismo.

Sim, o guionismo.

A montagem.

Aprendi também o som, como é que a onda se propaga, como é que tinha que andar com pesos. Eu não fui só aprender realização. No primeiro ano aprendíamos tudo.

Passaste por todas as funções.

E íamos rodando posições. Filmámos em película também. Isso também era muito importante. Tive acesso a laboratórios. Era uma primeira experiência. Já estavam a explodir tudo que era telemóveis. Lá vivi três anos longe dessas tecnologias, o que pode parecer agora um bocado absurdo.

Sim, agora é impensável.

Impensável, mas lá era isso e quase sem internet. A ligação Skype caía constantemente quando eu ligava à família. Mas isso permitiu-me estar ali numa espécie de residência mesmo. Não vou dizer colégio interno.

Intensa e prática. Tu és uma mulher pragmática, portanto aprendias à séria. Mas é giro, porque aí a forma como a construção sonora de um filme, treinaste na fotografia, as estratégias narrativas por trás da montagem, os fundamentos da escrita de guião, foi uma série de disciplinas e de técnicas que foste dominando.

Eu ia fazendo um bocadinho de forma intuitiva, mesmo tendo aprendido algumas coisas antesFoi fundamental. Aliás, eu comecei a trabalhar em formatos muito mais curtos, no guião de uma curta-metragem de 14 minutos, como é que os pontos de viragem. Não quer dizer que existam fórmulas.

Sim.

Mas no fundo organizei um bocadinho as minhas ideias e depois cá fora já fiz o que eu quis.

Estamos indo falar dessa tua formação, deste teu trabalho importantíssimo, dessa tua passagem por Cuba, que de facto abre portas. Quando a pessoa vem, tendo aquele curso, já eras mais bem acolhida nos festivais e nas encomendas, o que é muito curioso.

Sim, e talvez também mudou um bocadinho a procura de documentário em Portugal. Eu acho que passou a haver muito mais gente a fazer documentário e isso nota-se. E estávamos em plena crise. Quando eu regresso é 2011. Plena, não. Estávamos ainda num período de crise.

Sim.

E a verdade é que eu tive mais encomendas antes de ir, ou seja-

Do que logo assim que voltaste

...do que quando voltei.

O Doclisboa também tem importância, eu acho. O Doclisboa sempre me impulsionou muito.

Sempre. Criava laboratórios.

Exatamente.

Sim, eu participei também nos laboratórios que eles fizeram, mas o que é para mim decisivo é a confiança que isso me dá para dizer: "Não, eu posso fazer disto mesmo a minha profissão principal", porque eu dava aulas antes de ir para Cuba. Era professora do ensino secundário, básico.

Exatamente. Educação visual.

Educação visual, geometria descritiva, e gostava muito, mas não me via todo o tempo a fazer isso. Então, decidi não regressar à escola. Isso fez com que eu tivesse que regressar também à casa dos meus pais e antes de ter ido para Cuba já tinham apartado um quarto.

Como tu dizes, aos grandes desafios: a distribuição dos meus filmes e depois pagar as contas, porque de facto a vida de freelancer também não é fácil, eu sei. Foi uma luta, uns desafios que tu tiveste sempre que enfrentar, obviamente.

Exato. Mas a confiança que me foi dada foi: eu conheço um montador em Espanha, um sonidista em Madrid. E acabei por começar a trabalhar com pessoas como um amigo cubano que estava em Madrid, que acabou por emigrar. Outro amigo que está no País Basco, aliás, é o meu montador atualmente, o montador deste filme é o Raul Barreras, que é vasco. Também formei equipa com os meus parceiros aqui em Portugal, mas essa confiança de que tenho um amigo ali ao virar da esquina.

É boa, ajuda. E é engraçado, porque tu és uma mulher de armas e gosto muito. Também de formadora. Vou fazer estas coisas e tenho que o fazer bem e tenho que saber fazer bem. Tens esta noção. E portanto, a tua formação complementar nunca mais acaba. Imaginando Realidades: La autoría en el cine documental. Tiraste também estes cursos com a Universidade de Barcelona.

Ainda estou a fazer o segundo módulo.

Está a decorrer ainda. Imagens em movimento no espaço, aquele workshop com o Abbas Kiarostami, que nós falámos. Video jamming, um curso. Ilustração, outro curso. É muito engraçado, tu fizeste várias formações, curso de documentário, conceção e organização de exposições e catálogos, é outro curso que tu fizeste, mas sobretudo a docência é muito importante para ti. Deves gostar de dar aulas, certeza.

Sim.

Porque dás aulas há muitos anos. Hoje em dia, mais formação a professores de educação para o cinema. Eu estou a ver estes cursos giríssimos que tu fazes, o workshop da Câmara como extensão do olhar, na República Dominicana.

Esse aí foi em Super 8.

Aliás, que usaste neste filme. Tu tens neste filme imagens.

Sim, a câmera que eu uso.

Parecem aquelas antigas que o pai fazia em casa, com aquelas camerazinhas pequenas, aos miúdos, aos seus filhos. E eu lembro-me de pensar: isto é super 8, isto tem imagens que são daquelas máquinas antigas.

Exato. No início pareceu-nos um bocadinho absurdo, porque o Super 8 não é nada uma imagem do início do século, mas era a câmera que eu tinha. Eu tinha uma câmera Super 8, penso: "Vou filmar a preto e branco, vai-nos trazer uma pátina do tempo", digamos assim.

Dá. Não saberia distinguir se era de 1914, 18, 20, por aí. Mas lembro-me de uns filmes do meu pai dos anos 60, onde eu já estou, e de facto é aquela imagem esbateída e os fios a passar, aquelas coisas.

E depois foi revelada em laboratório.

Sim, essa antiguidade, digamos assim, essa pátina.

E até uma certa sujidade. Sim. Foi uma ideia que eu tive para fazer a ponte entre o arquivo e as recriações.

Muito gira esta formação de professores que tu fazes, estes cursos de educação para o cinema e o cinema na infância.

Para o Plano Nacional das Artes.

E o cinema na infância.

Sim, estou a dar esse curso para a Associação Cine infância.

E depois os workshops que tu lecionas, nem mais nem menos, o stop motion, outros que fizeste em Aljezur. Filmar quem temos à mão, o que temos à mão, oficinas de animação. Eu adoro isto. Som, telemóvel, ação, operador de câmera por um dia. Este género de cursos que tu fazes. Um dia na aldeia, que também há a ver com os índios do Brasil, os alfaiates das histórias. É muito importante, preocupas-te com isso. Formar também a infância para sair novos públicos e terem apetência por este meio, não é?

Sem dúvida, a educação artística é fundamental.

Mas tem a idade, seis anos, tens workshops para seis anos.

E deveria estar mais integrada nas escolas, mas não podendo de outra forma estar presente, que esteja de uma forma transversal. Que é aquilo que tem tentado agora o Plano Nacional das Artes.

Isso é muito giro.

E portanto, essa formação que eu dou a professores é no âmbito do Plano Nacional das Artes, é uma espécie de catálogo que eles têm de ações e os professores para progredirem na carreira precisam de créditos.

Ok. Podem contratar isso.

No início eu pergunto sempre qual é a motivação para estarem aqui. Não sei se é simplesmente os créditos, que está muito bem. Eles dizem: "Já que temos que fazer créditos".

Por as piores razões, mas ao menos que me chamem.

E normalmente, como querem créditos e dizem: "Já agora vamos para um que possa ser divertido". E então o que eu tento é que os cursos sejam também muito prazentosos, ou seja, ao fim de um dia de trabalho, os professores vêm estourados.

Claro.

Portanto, vemos filmes, tento que não sejam longas para não ocupar logo as três horas, mas são cursos três horas ao final do dia.

Então e como é que as pessoas podem saber isso? Várias escolas que nos estejam a ouvir, querem chamar-te para isso. Onde é que vão?

Vão aos centros de formação da sua região.

Ok. Está lá esse link.

Ou então contactam diretamente o Plano Nacional das Artes, porque são centros de formação que escolhem oDentro do catálogo do Planador Lázaro.

O formador, o curso.

Exatamente. E depois abrem inscrições.

E de facto, no cinema fizeste tudo e mais alguma coisa. Hoje em dia mais realizadora, diretora de fotografia também, assistente de realização, mas tu foste assessoria de guião, consultora, diretora de produção, pesquisa e produção local, coguionista, produtora executiva, câmera, edição. Eu estive a ver nos seus filmes onde tu entraste, nunca mais acaba. Cá está, as várias funções que tu fizeste. Só falta estares com os perches e aquelas coisas.

Também já fiz. No meu filme da Índia, eu sou a pessoa que faz o som.

Que giro, não sabia.

Porque eu queria muito fazer o filme com uma amiga que é diretora de fotografia brasileira, que é a Thais Taverna. E então eu disse: "Eu nunca ocupei esta posição de gravar o som." É verdade que foi bom, mas a pessoa que está a ser filmada olha muito para a câmera e esquece. A função da pessoa do som é um bocadinho desaparecer.

Sim.

E eu, como realizadora, eu tinha é classe de: "Estou aqui!"

Exato. Para o som ser captado como deve ser.

Exato.

"Tales of Blindness" foi este, não foi? Há 12 anos.

"Conto sobre a Cegueira". Sim, exatamente.

"Conto sobre a Cegueira". E por que este título? Em duas frases, porque a gente tem é que falar do "Damas".

Porque eu penso que o colonialismo ainda é uma cegueira para muita gente.

Ok. Isso é um documentário de ensaio sobre o contexto da presença portuguesa na Índia.

Exatamente.

Já há 12 anos.

E eu percebi que daquilo eu percebia muito pouco e nós, estando tão longe.

Ok, não temos muito essa noção.

Não temos muito essa noção. É um filme que tem uma abertura que eu gosto muito, que é com um elefante, e conto a história, o mito dos cegos que ao tocarem no elefante. Não sei se sabes essa história.

O sultão que diz: "O que é o elefante?" E um apalpa a barriga, outro apalpa a cauda, as orelhas, a tromba.

O filme começa assim.

É muito bonito isso, para dizer que a verdade é múltipla, tem muitas camadas.

Para mim, a Índia é esse elefante.

Que giro, eu adoro essa parábola. Digo muitas vezes às pessoas. Gostava imenso de ver.

Vou te mandar.

Porque há muitas pessoas que têm a mania que: "Não, a minha verdade é que é, e não há mais verdade nenhuma, não há só uma maneira de ver as coisas". E não há! Os vários cegos, todos estavam com a razão, mas ninguém tinha a verdade toda.

E eu senti muito isso na Índia.

É muito bonito isso, essa história.

A minha grande amiga Shreya, que é da Índia, de Calcutá. Por exemplo, ela veio apresentar um filme aqui, digo isto muito rápido, ao País Basco, e eu fiquei num quarto muito silencioso e estava: "Ai, que contente!" Não saí para a rua e ela veio ter comigo: "Eu não consigo dormir. Este silêncio é ensurdecedor." E eu pensei, realmente, a cultura é completamente diferente. E eu na Índia estive constantemente a viver esses mal-entendidos, entre aspas, à conta de eu perceber que nós não estamos preparados para isso.

É completamente diferente. Muito bonito falares disso, e tão importante esse contexto, essa parábola que eu sabia do sultão. Vamos aqui falar agora então deste "Damas". Depois disso, em 2018, fizeste a "A Vida nas Trincheiras" para a RTP. Era o centenário do armistício da Primeira Guerra, este documentário de 50 minutos, e então filmaste. Foi aí que isso te fez descobrir esta história do grupo de senhoras da alta sociedade, que de facto partiu para França durante a guerra. Aí foi a primeira coisa que tu disseste: "Esta história é importante."

Esse documentário foi lançado em capítulos separados.

Sim.

Um era sobre a alimentação do soldado, a gente chamou-lhe a marmita do soldado, a roupa, a saúde, a fé do soldado, mas sempre do ponto de vista um bocadinho do homem. E eu decidi: "Vamos pôr aqui um capítulo sobre a participação feminina, a mulher na guerra."

Mas já sabias que elas estavam envolvidas?

Não, mas nas coisas que eu comecei a ler, quando se começa a ler as coisas da saúde, começa-se a ler.

Enfermeiras presentes.

Enfermeiras. O quê? Mas tiveram enfermeiras na guerra. E tinha saído um artigo na Visão ou na Sábado, sobre estas enfermeiras.

As damas enfermeiras.

As damas enfermeiras. Isto não era um tema, já tinha sido tratado pelos historiadores. E eu fico tão curiosa. Vou à Cruz Vermelha Portuguesa e estava lá as pastas com isso e com muito material por explorar.

Foste no sótão da Cruz Vermelha, ali nas Janelas Verdes, no Paço da Rocha de Condóvis, e então descobriste estas caixas com telegramas, plantas do edifício, fotografias, registos, folhas de serviço, rulamentos, dentro de uma pasta que nem sequer estava catalogada, e disseste: "Olha que curioso." E aliás, há uma cena do filme, tu entras duas ou três vezes. Eu vi no filme. A ir à procura dos registos e não sei o quê. Eu acho que isso é invencível. Eu expliquei: "Olha, deve ser ela". Não estás de frente sequer, mas vê-se que é uma pessoa de fora, que não é daquele tempo. A guerra do feminino, de facto, quase tudo que sabemos sobre a guerra chega-nos sempre através da voz masculina. Por isso foi tão importante resgatar as vozes destas mulheres. Os relatos femininos da guerra são diferentes dos relatos dos homens, não são, Cláudia?

Eu descobri que sim. Estas mulheres têm cartas escritas.

E crónicas.

Não são todas. As cartas que lá estão são sobretudo, na Cruz Vermelha, da dama chefe, da dama enfermeira, que foi a chefe. Madame Ferreira Pinto. E ela escrevia com uma letria muito bonita.

Outra mulher de armas.

Sim, uma mulher de armas.

Que convenceu aquelas todas no Chá das Cinco, em Cascais.

Foi ela que convenceu no Chá das Cinco.

Adorei estas cenas do início, e lembro das minhas avós, que era isto, jogar o ténis, como elas diziam, o hipódromo, saltos a cavalo, aquela vida daquelas pessoas, que é exatamente aquilo como tu retrataste com a imagem antiga. Eu revi-me naquelas coisas. Já vi filmes destes, quer dizer, isto é deste tempo, completamente, Downton Abbey, quase, à portuguesa e em Cascais.

Sim, estas mulheres eram ricas, da alta sociedade, tinham criadas, tinham quem lhes cuidasse das coisas. Eu imagino o tédio que seria. Estou a brincar.

Sim, só viviam com estes passeios, os piqueniques, os chás.

Sim, mas o que eu mais admirei nelas foi a sua capacidade de se entregarem a uma causa.

Sim.Esse compromisso.

E deixarem, porque podíamos dizer que estão acomodadas e não vão sair do país.

Madame Ferreira Pinto era monárquica. Estamos na primeira república, nem sequer era muito bem vista. Mas acho que tinha muito jeito para línguas, tu dizes isso. E ela tinha muito jeito para línguas e por isso conseguia negociar.

Muitas delas. Falava fluentemente inglês e francês.

Estavam a meter-se em assuntos de homens. Isto era muito mal visto na altura.

Era. Por ser mulher e por ser uma mulher monárquica. Portanto, no Ministério da Guerra.

Com a Beatriz Ângelo, conversas assim famosas na altura.

Exatamente.

Estufadistas.

Nós tínhamos o movimento das mulheres republicanas. A mulher do Bernardino Machado era republicana e ela estava a fazer outro tipo de trabalho na retaguarda. Elas é que insistem, passam este nível nacional e vão diretamente ter consigo a Cruz Vermelha britânica e conseguiram, ela, concretamente a Madame Ferreira Pinto, isso está nas cartas, como ela convenceu o general inglês de que era mesmo essencial terem um terreno para poderem construir o hospital. E depois o modelo é o modelo canadiano, porque já havia outros modelos de hospital. Portanto, são os barracões em madeira. E depois o recheio já veio também da Cruz Vermelha canadense. Canadense?

Ou canadiana, não sei.

Canadiana. Agora com as várias línguas já se perde.

E tudo isso existiu e foi construído e depois foi inaugurado logo por azar, no dia em que foi o grande ataque alemão que dizimou.

Eu diria por sorte.

Aquele 9 de abril.

Exato. A sorte é porque ele só foi inaugurado porque houve a batalha, ou seja, havia ainda que fazer uns retoques. Faltava sempre uma coisa, à boa maneira portuguesa. Falta mais qualquer coisa, mas está. Portanto, quando há este grande número de baixas, o que é que acontece? Os hospitais da região, porque já havia hospitais, havia também o hospital militar português, havia outros hospitais, e então ficam cheios e elas são obrigadas. Portanto, no fundo é uma abertura forçada.

Sim, incrível. E entretanto aquilo foi desmantelado nos finais de 1919. Hoje está lá o monumento com a memória dos soldados. E também neste lugar foi construído pela Cruz Vermelha Portuguesa um hospital de guerra. Este filme é um formato híbrido, que é engraçado, é um bocadinho de documentário, é muito documentário, mas também tem ficção aqui, falas um bocadinho das inspirações, da vida, é uma metáfora para esta luta pela igualdade de género. É também um coming of age desta enfermeira que se apaixona por uma delas e como é que elas viviam naquele tempo, naquela altura, tudo o que elas largaram para estar ali. Esta luta interior extraordinária, até ela convencer-se a ir. É muito bom este casting que fizeste com estas atrizes espetaculares. Viravam-se umas às outras.

Eu também gosto muito delas, muito talentosas.

Muito bom.

Todas elas. Tenho contado isto porque acho mesmo extraordinário. Eu andava à procura de uma que cantasse, porque eu precisava de uma que cantasse, que era a Beijinha, a Maria da Câmara Lemes, que cantava.

Que na vida real cantava e lá cantou. Está muito giro essas músicas. Que tu fizeste, aliás, eu sei que tu fizeste estas letras das músicas.

Sim, sou eu que escrevo.

Comovente. A despedida da inglesa é muito comovente, é muito bonito.

Começo à procura uma que cante, mas afinal todas as atrizes que fizemos o casting cantavam. E muito bem.

Então pronto, houve ali um coro.

Houve um coro. Tu vês isso na cena da despedida da Miss Fields. Eu emocionei-me quando estávamos a gravar naquele décor, porque eu não sabia que elas cantavam todas tão bem. E não só, temos também a cena da Angélica que vai tocar piano. Eu não podia obrigar a ninguém a ter feito o conservatório. Ela tinha feito a Academia de Música de Santa Cecília.

Onde tu deste aulas, aliás.

Onde eu dei aulas, portanto acabamos logo por ter ali uma conversa de ex-professores, ex-alunos.

Engraçado que a pesquisa insana que tu fizeste, foste às famílias delas, porque havia estes nomes, tu tinhas. Foste às famílias delas. Aliás, tinhas este dinheiro para fazer isto. Tu disseste: "foi o meu primeiro filme apoiado pelo ICA" e também com o apoio da RTP. E portanto, havia este dinheiro para poderes fazer estas consultas todas que tu precisaste. A Cruz Vermelha Belga, o Museu Albert Kahn em França, o Bundesarchiv da Alemanha, o British Pathé no Reino Unido. Tudo isto tu tiveste que investigar. Há muita investigação aqui. Eu adorei as imagens de arquivo, lindíssimas e as fotografias.

Sim, houve muito tempo investido no projeto e como eu dizia há pouco, quando eu vou para França, estamos em plena pandemia, deixo um bocadinho estes workshops que eu dou na Cinemateca Júnior, em Aljezur. Interrompe. E o facto de ter interrompido permitiu-me um maior foco. E quando eu me deparo com a falta de emoção, quer dizer, são muitos documentos, mas como é que damos brilho a isto? Eu pelo menos não estava a ser capaz e pensei: vou criar talvez aqui uma voz que una as várias histórias que eu encontrei. E para isso começo a ler também a autobiografia da Agatha Christie, é super importante para mim, porque ela esteve na guerra. E então ela passou peripécias, porque estas mulheres também passaram, roubo-lhe uma ou outra peripécia. Quem tenha lido a autobiografia talvez se lembre. Porque estas coisas, condescendência masculina, isso está presente também na Virginia Woolf, portanto, autoras que eu admiro e que também vou me inspirar. E obviamente os diários das enfermeiras inglesas, que estão todas online no Imperial War Museum, quem quiser consultar, que são inspiradores.

Muito bem. É de fato um filme extraordinário. Vale muito a pena ver este Damas, tiraste este título Damas Enfermeiras, obviamente, usado neste filme. Para a gente seguir, Cláudia, já aqui no Cinema City Alvalade está o filme, já em exibição.

Sim, começa amanhã.

Pronto. Está em exibição. Portanto, podemos também seguir-te nas tuas redes, Vimeo, Instagram, Facebook, LinkedIn. E estes teus cursos, como é que se chama? No Plano Nacional das Artes, no PNA.

Educação para o Cinema, ou então através da APAE, o Cinema na Infância.

Muito importante estes cursos. Muito obrigado por teres vindo, Cláudia, e tudo de bom para os festivais todos onde tu passas e que mereces. Bem-hajas, obrigado por ter vindo.

Obrigada eu.