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Three, two, one, zero. Houston, we have a problem.
Uma equipa de cientistas detetou, com a ajuda do telescópio VLT, seis galáxias perto de um buraco negro supermaciço, quando o universo tinha menos de mil milhões de anos. É a primeira vez que tão cedo depois do Big Bang, os cientistas observaram um grupo de galáxias perto de um buraco negro supermaciço.
E junta-se agora a nós aqui na Rádio Observador, Ciro Pappalardo, é investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Muito boa tarde. Começo por lhe perguntar qual o significado desta descoberta e uma pequena explicação sobre esta questão deste buraco negro supermaciço e destas várias galáxias.
Boa tarde a todos. Dizemos que a coisa mais importante, mais relevante dessa descoberta é que a existência do buraco negro supermassivo no nosso universo perto, já foi descoberta há bastante anos. Mas o problema é que era de perceber quando é que na história do universo esse buraco negro supermassivo se formou. Esse era um desafio no nível teórico por muitos anos. Havia um limite temporal, que o buraco negro precisa de gás para crescer e no universo primitivo ainda a estrutura estava a formar-se e por isso demorava mais tempo. Mas agora com essa descoberta, eles descobriram que mesmo depois de mil milhões de anos, é já possível formar buraco negro supermassivo no centro de sistema complexo onde estavam outras galáxias.
Portanto, foi surpreendente demorar tão pouco tempo. Isto até parece mal dizer. Mas estamos a falar de mil milhões de anos. Portanto, ser tão cedo.
Sim, porque o buraco negro é um sistema dinâmico que precisa de crescer gás e com esse gás. No universo primitivo ainda a estrutura está a formar-se, as galáxias estão mesmo em fase de formação. Então, é verdadeiramente uma descoberta que é surpreendente sob muito ponto de vista.
E é comum serem tantas? Neste caso, são seis galáxias. É comum serem assim neste número, não?
No estudo, parece que é mais comum daquilo que se pensava. Na realidade, o grande resultado final desse estudo, é o grande desafio que lá há, é que nós não temos conhecimento desse sistema só porque temos limite dos instrumentos que estamos a utilizar.
Certo. E quando falamos destes instrumentos, este telescópio VLT, disse bem, é importantíssimo pra que isto seja possível.
Sim, eles utilizaram diferentes instrumentos que são montados nesse telescópio. Esse telescópio tem vários espelhos de oito, 10 metros de diâmetro e há diferentes instrumentos. Então eles utilizaram dois diferentes instrumentos e também utilizaram dados de outro telescópio e confirmaram depois com o espectrógrafo que se chama FORS, o fato que esta galáxia estava verdadeiramente perto deste buraco negro.
Muito bem, Cícero Pappalardo, obrigada por se ter juntado a nós, por nos ter explicado tudo isto. É investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Ajudou-nos aqui a compreender esta descoberta. Com este telescópio, seis galáxias perto de um buraco negro supermaciço. E foi a primeira vez que tão cedo depois do Big Bang, os cientistas observaram um grupo de galáxias perto de um buraco negro deste tipo. Voltaremos a falar de ciência amanhã, na Tarde em Direto.
Three, two, one, zero. Houston, we have a problem.
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