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No mundo há cerca de 600 focas-monge do Mediterrâneo. É uma das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo. Uma equipa internacional de cientistas estudou a diversidade genética desta espécie e após análise a amostras deste mamífero, percebeu-se que este tem vindo a perder diversidade genética de forma dramática nos últimos 200 anos.

E para nos falar sobre isso, junta-se agora a nós Gonçalo Temudo. Ele é coautor deste artigo e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto. Vamos falar sobre focas-monge. É uma espécie em perigo. O que significa esta perda de diversidade?

Boa tarde.

Antes de mais, boa tarde.

Significa que elas ficam mais suscetíveis a doenças. Houve já vários casos de populações de focas-monge e de outras focas que são atacadas por surtos de vírus, morbilivírus, em particular, que arrasa completamente as populações. Também pode haver marés vermelhas de algas tóxicas, que também as exterminam e tendo pouca diversidade, têm menos capacidade para lutar contra estes patogéneos.

Ou seja, não há uma ligação entre as várias colônias e por isso não há essa mistura genética que possa ajudar à sobrevivência da espécie. É isso que se pode entender. E o que está a ser feito para se conseguir mixar, digamos assim, utilizando esta palavra, as diversas colônias? Consegue-se fazer isso? Os investigadores conseguem fazer isso? É possível fazê-lo, antes de mais?

Sim, seria possível, mas acho que o foco neste momento é aumentar o número de indivíduos de cada população. Ou seja, salvaguardar o habitat de cada população, tentar criar espaços para que elas se possam reproduzir por si próprias e manter esse habitat livre de ameaças e de lixo e tentar com que a diversidade aumente dentro de cada população.

Só para contexto dos nossos ouvintes, Gonçalo Temudo, chamam-se focas-monge do Mediterrâneo, mas também existem no Atlântico, nomeadamente no Arquipélago da Madeira.

Sim.

Onde há, de resto, uma colônia de 25 exemplares, não é?

Exatamente. E tem havido um esforço grande de conservação dessa população, que nos últimos anos tem aumentado pouquíssimo, mas tem aumentado. E espera-se que consigam aumentar ainda mais para bem da espécie.

Quais os fatores que levaram a esta perda de diversidade genética da foca-monge do Mediterrâneo?

Pensamos que é fruto da atividade humana. Elas eram caçadas desde os tempos dos romanos, que há caça à foca-monge. A poluição nas águas também prejudica a sua sobrevivência, a ocupação das áreas costeiras por turismo, pela criação de hotéis, a presença de humanos nas praias onde elas habitavam. Tudo isso leva que haja uma diminuição grande do número de indivíduos.

Há nesta altura 600 exemplares destas focas. Pode estar em risco a sobrevivência desta espécie?

Sim, em último caso, não havendo aumento do número de indivíduos e havendo um evento de mortalidade em massa, pode perfeitamente desaparecer a população da Madeira, pode desaparecer a população na costa africana e penso que a população no Mar Egeu entre a Grécia e a Turquia será um pouco maior, mas também tem pouca diversidade, poderá também desaparecer.

Estas foram animais que foram muito perseguidos em termos de caça. Hoje são animais que estão protegidos. No entanto, continua a haver casos de serem apanhados, por exemplo, em redes de pesca, é um dos fatores que pode levar à extinção destes animais.

Sim, e penso que há alguns casos em que pescadores as encontram presas nas redes. E infelizmente, em vez de as libertarem, matam-nas porque elas causam danos nas redes.

Muito bem, Gonçalo Temudo, muito obrigado. Investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto. Muito obrigado por se ter juntado a nós nesta tarde em direto neste espaço de ciência.

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