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Juntou-se à Associação Portuguesa de Osteoporose para falar sobre saúde óssea em quatro webinars. O primeiro é já hoje, mais logo, a partir das 19h, com o professor doutor Pedro Cantista. Ele é presidente do Colégio de Medicina Física e de Reabilitação da Ordem dos Médicos, é também presidente da Associação Portuguesa de Osteoporose. Assista, por isso, em direto hoje, a partir das 19h, ao webinar "Ame os seus ossos". É no site e também no Facebook do Observador. Agora estamos com 35 minutos depois das 17h, está aí a rubrica de ciência do Observador, E=mc². E hoje, na rubrica de ciência, vamos olhar a Amyris e o Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica do Porto. Eles criaram um desinfetante à base de álcool com um ingrediente natural que é extraído da cana de açúcar. O projeto chama-se Hand Care Covid-19, deu origem ao sistema eficaz contra o vírus, mas também contra agentes patogênicos e bactérias multirresistentes. O Hand Sanitizer evita, por isso, alergias, secura e desidratação, protege e cuida da pele.

E para nos falar sobre tudo isto, junta-se a nós, em direto, a investigadora Raquel Madureira, faz parte do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica do Porto. Também o engenheiro Miguel Barbosa, é o presidente da Amyris Portugal. Muito boa tarde, Miguel, começamos por si. Cada vez mais vão chegando ao mercado novos desinfetantes, alguns também com estas características. Qual é a grande vantagem deste desinfetante em relação e comparando com os restantes que vão existindo?

Olá, viva, muito boa tarde. Obrigado pelo convite para esta conversa. O principal diferenciador do nosso produto é a forma superior como cuida a pele das mãos das pessoas. Nós introduzimos no produto um ingrediente produzido pela Amyris de forma natural e sustentável a partir da cana de açúcar no Brasil. Este ingrediente chama-se esqualano, é um ingrediente premium da indústria cosmética, que nós encontramos nos melhores produtos da cosmética internacional, das grandes casas internacionais de cosmética, e que nós nos lembramos, para além de vender a esses grandes fabricantes o ingrediente, incorporá-lo em alguns produtos, um deles este desinfetante de mãos. Qual é a grande vantagem disso? É que nós sabemos que temos um desinfetante de mãos que é eficaz, mas que cuida superiormente a pele. Portanto, a utilização intensiva deste tipo de produtos não vai estragar a pele das mãos das pessoas. Deixa uma sensação macia e suave nas mãos. É muito agradável na utilização, não deixa uma sensação pegajosa nas mãos, podemos dizer assim. Aquela sensação que nós vemos as pessoas fazerem uma cara estranha quando as vemos usar alguns desinfetantes que vamos encontrando por aí, sobretudo em espaços públicos, não existe com a utilização do nosso produto e garante uma saúde das mãos que é essencial. Repare que nós estamos numa altura de um recrudescimento da pandemia. Os nossos filhos estão a regressar às escolas, usam estes produtos com uma grande frequência. E sim, é verdade que a principal preocupação é que os produtos desinfetem e sejam eficazes, mas há também uma preocupação muito grande com a qualidade dos produtos que estamos a utilizar e com o tipo de recursos e de ingredientes que eles usam. E a verdade é que a maior parte dos ingredientes que encontramos no mercado têm ingredientes que vêm da indústria petroquímica, são derivados da indústria petroquímica, com uma química muito pesada, que geram muitos resíduos, e nós estamos a falar no domínio da cosmética limpa e, portanto, com resíduos muito reduzidos.

Miguel, perguntava-lhe mesmo isso. Há, pelo que percebi, uma preocupação com a sustentabilidade deste produto e da sua produção.

Sim, este produto é, passe aí a modéstia, o produto mais sustentável que podemos encontrar no mercado. Não só o álcool que nós usamos é obtido a partir de óleos vegetais, como o principal ingrediente, que é o esqualano, é obtido através de processos de fermentação alimentados por xarope de cana de açúcar. Portanto, um ingrediente natural que depende de uma matéria-prima renovável, que não compete com a cadeia alimentar dos humanos. E, portanto, dessa perspectiva, temos todo um processo que é autossuficiente do ponto de vista energético e é altamente sustentável. Se nós compararmos com outros ingredientes de menor valor acrescentado que encontramos neste tipo de formulações, eles vêm quase todos da petroquímica e da química muito pesada.

Miguel Barbosa, deixe-me só passar aqui a palavra agora também à Raquel Madureira, à investigadora Raquel Madureira. Boa tarde, Raquel. Queria lhe perguntar como é que podemos aliar a capacidade de desinfecção à hidratação da pele? Isto porque há essa ideia generalizada de que o volume de álcool que está presente em cada gel desinfetante acaba por condicionar a eficácia do combate ao vírus.

A quantidade de álcool utilizada nas formulações que estamos a desenvolver é a mesma que é utilizada nas formulações que existem no mercado. Aqui a diferença realmente é a presença do esqualano. O que é certo é que este esqualano que é usado, é por alguma razão, é porque é um componente que nós temos na nossa camada, na epiderme da pele, ou seja, faz parte do sebo da pele. E nós com as infecções constantes que fazemos ao longo do dia, vamos degradando essa camada lipídica de proteção da pele. E ao usarmos um produto que tenha um lípido semelhante ao que existe na nossa pele, vamos ter o restauro desta camada lipídica da pele e essa hidratação que fala. Ou seja, ao mesmo tempo temos a eficácia antimicrobiana e antiviral que pretendemos, e que vamos provar agora com os testes que vamos realizar neste projeto, e depois temos a contribuição do esqualano para manter a hidratação necessária que pretendemos e que precisamos também. Porque o que é certo é que nós temos muitos produtos que não têm umidiantes presentes nas suas formulações e o seu uso regular realmente degrada a camada lipídica da pele e provoca, muitas vezes, aquele ressecamento que nós sentimos na pele, também tem sido demonstrado o desenvolvimento de alergias, dermatites alérgicas. Por isso, com a utilização do esqualano na formulação, nós pretendemos realmente alcançar a eficácia antimicrobiana e a hidratação.

Raquel ou Miguel, estou curioso para perceber se este é um produto que está já no mercado ou em fase de testes, em que ponto da evolução é que está?

Nós temos uma primeira versão do produto já no mercado, a ser comercializada desde março, abril, essencialmente no canal business to business. Temos vendido a alguns negócios, algumas unidades de saúde. Nesta fase, estamos a lançar uma nova linha de produto que estará disponível ao consumidor em prateleira ao longo do próximo mês de outubro, início de novembro.

Ficamos esclarecidos sobre este novo produto. Agradeço à Raquel Madureira, do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica do Porto, também ao Miguel Barbosa, presidente da AMIRIS Portugal. Olhamos aqui um novo desinfetante, mais sustentável e também com maior nível de proteção e cuidado com a própria pele. Muito obrigado aos dois e boa tarde.

Muito obrigada, boa tarde.

Muito obrigado, boa tarde.

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