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"E o Campeão É" está de volta à Rádio Observador todos os dias. Já sabe que damos notas de 0 a 20 aos protagonistas do mundo do desporto. Hoje, para escolher os campeões, as campeãs e para dar notas, juntam-se a mim aqui em estúdio a Mariana Fernandes e à distância o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e também o Augusto Inácio. Bom dia, como é que estão?

Bom dia.

Como é que estão aí em estúdio, o André e a Mariana?

Eu estou bem, Mariana. Tu estás bem?

Muito bem, sempre em forma.

Sim, estamos bem.

Se calhar se vê encantada com o jogo de ontem, a Mariana.

Estamos todos.

Efetivamente.

Estamos todos.

Mas ela expressou-se logo.

Mas Gabriel, eu tenho a impressão que há uma pessoa que não está propriamente encantada e é preciso recuarmos aqui até ao dia 1 de maio e eu quero recuperar aqui, mais uma vez.

Dá para rir.

Já começa a ser tradição. Eu gostava de recuperarmos aqui um momento de uma previsão do nosso Pedro Henriques. Vamos ouvir no dia 1 de maio.

O Paris Saint-Germain vai ser campeão europeu.

Calma. Vamos ouvir primeiro.

Bom dia. Barcelona para Paris Saint-Germain na final. Tottenham, Manchester.

Olha a pesada, Pedro Henriques. Estás quieto, vê lá se montas uma pizzaria.

Escrevam. Para os nossos observadores, escrevam aí, faz favor.

Tu costumas acertar, Pedro. Vamos ver nos 11.

Dia 1 de maio, o nosso dia, Dia dos Trabalhadores. Vamos lá então. Barcelona para Paris Saint-Germain, uma final, a outra Tottenham, Manchester United e a outra Chelsea e Betis. Portanto, ponham aí, faz favor, as três finais que vamos assistir.

É assim, o Manchester United contra o Tottenham. Até podes acertar, Pedro. O Betis com o Chelsea também. Agora esta da Liga dos Campeões já não dá.

Não, mas repare uma coisa, eu percebo que estamos em campanha eleitoral e o que eu fiz é tipicamente os nossos políticos, que é cortar o bocadinho que interessa cortar. Vamos lá ao que nos interessa. Eu disse que o Paris Saint-Germain ia ser campeão europeu.

Mas também disseste que o Barcelona estava na final.

Certo, mas repare, agora está mais fácil, porque passou à final a pior equipa. Acho que lá a memória de dois jogos com esta qualidade. O Rádio Observador, acho que é difícil recuar no tempo. Há sempre um grande jogo, mas dois grandes jogos como este. Com todo o respeito que tenho pelo futebol do Inter de Milão, obviamente que o Barcelona é muito melhor. Acho que houve muito mais demérito do Barcelona do que demérito do Inter, com todo o respeito que tenho pelo Inter, e acho que se tornou mais fácil para mim. E agora que o Paris Saint-Germain vai ser claramente campeão europeu, que é muito melhor que este Inter.

Muito bem.

André, deixa-me só fazer aqui uma pergunta.

E é bom que o futebol tenha o Paris Saint-Germain campeão, porque senão voltamos ao tempo em que a Itália uma vez ganhou um Campeonato do Mundo com 0 a 0. Não foi o caso, aqui houve muitos gols.

Nós também já ganhamos o Euro assim meio aos pulseiros, de empate em empate até ao empate final. Gabriel, querias perguntar qualquer coisa, não era? Não sei se era a mim ou ao Pedro Henriques. Acredito que seja ao Pedro Henriques. Não estamos a ouvir o Gabriel Alves. Gabriel, não sei se ainda estás aí. Já não. O Gabriel acho que se fartou. O Gabriel está a pensar na pergunta que te vai fazer.

Estou a trabalhar com o Pedro Henriques.

Mas sexta-feira estamos juntos, todos aí na Rádio Observador.

Claro, vamos estar aqui no "Campeão É" com o troféu. Então vamos primeiro à Mariana Fernandes. Mariana, é realmente uma eliminatória histórica, de sonho. Temos um duplo jogo de loucos. Com ontem um pormenor que eu acho sempre interessantíssimo, que é os adeptos do Inter já estavam a sair do estádio quando o Barcelona marcou o 3 a 2 e depois alguns tentaram voltar e já não conseguiram e perderam. Eu acho que isto criminou, sinceramente. Perderam uma das melhores eliminatórias e uma das melhores segundas mãos de meia final.

Ninguém os mandou ir embora. É aquela maldição da malta do minuto 88 ou 89, neste caso um bocadinho mais do que isso. Às vezes corre mal para quem decide sair mais cedo e não ficar até ao fim para não apanhar trânsito. Foi uma eliminatória histórica, obviamente extraordinária. Acho que ninguém se atreve a ter aquela discussão do: "Mas é a prova de que ninguém defende bem. Na verdade, isto quer dizer que as duas equipes não estão." Não tem nada a ver com isso. Chega ali a um ponto, e chegou ali a um ponto, principalmente nos últimos 10 minutos do tempo regulamentar antes do prolongamento, em que não teve nada a ver com isso. O jogo estava obviamente partido e poderia ter caído para qualquer lado e, neste caso, caiu para o Inter, que acabou por conseguir ter um prolongamento tranquilo, ou seja, marca muito cedo. No prolongamento, consegue gerir a partir daí, portanto não cria grande ansiedade e depois sofre. É verdade que obviamente sofre muito. O Barça a dada altura limitou-se a asfixiar e a colocar toda a gente na grande área, praticamente, mas acaba por não conseguir marcar. Extraordinária a exibição do Yann Sommer, é preciso dizer.

Sem dúvida. Aquela defesa ao remate do Lamina Yamal no prolongamento.

Sim. Foi um guarda-redes que durante muito tempo passou um bocadinho despercebido enquanto grande guarda-redes. Parece que era daqueles guarda-redes tipo Ochoa, ou seja, parecia que só o víamos em Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo.

Até um bocadinho desprezado para esta final, o Yann Sommer.

E principalmente desde que passou pelo Bayern de Munique, não teve grande sucesso por lá. Eu creio que foram retirados alguns créditos que agora está a recuperá-los.

Sim, foi uma aposta do Inter na sequência da saída do André Onana. Eu digo nesta altura, já dizia na altura, acho que o Inter ficou melhor com o guarda-redes que contratou do que com o guarda-redes que saiu e acho que o que veio a acontecer acabou por dar-me razão. É uma eliminatória muito boa. Obviamente, eu não sei até que ponto passa a melhor equipa. Claro que isto é muito relativo. Claro que o Inter joga muito bem, claro que o Inter se organiza muito bem, claro que defende muito bem, isso ficou também claro ontem. Não sei até que ponto passa a melhor equipa, a equipa que joga melhor e a equipa que melhor futebol pratica ou pelo menos aquele futebol que nós gostamos mais de ver. Ou seja, não sei até que ponto uma final, e partindo do princípio que eu também acho que vai acontecer, que o PSG elimina o Arsenal e que é de facto o PSG que passa à final, não sei até que ponto uma final de PSG e Barcelona não seria uma final muito mais espetacular do que será eventualmente uma final PSG e Inter. Não interessa isto para nada, o que interessa é que passou o Inter de Milão. É a segunda final em muito pouco tempo. O Inter não é campeão da Europa há 15 anos, desde a última vez, em 2010, com o José Mourinho. Mas esta segunda final em tão pouco tempo, eu acho que cimenta o Inter como uma das melhores equipas dos últimos cinco, seis, sete anos. E acho que isso é dizer muito quando tivemos também tantos anos em que as equipes italianas andaram afastadas destas andanças.

Gabriel Alves Sabemos que o Barcelona tem realmente um ataque poderosíssimo e tem mostrado isso ao longo de toda a temporada, mas também tem mostrado muitas vezes algumas fragilidades defensivas. O Inter, pelo contrário, este é um dado absolutamente espetacular. O Inter chega a esta final numa Liga dos Campeões em que só esteve em desvantagem, a perder, durante 16 minutos. É impressionante. Foi realmente a defesa e esta solidez defensiva que deu o apuramento ao Inter? E a falta de solidez defensiva do Barcelona que fez a diferença.

Claro, o que se tem aqui a nota é que normalmente o futebol italiano é um futebol de grande consistência defensiva. Hoje em dia, e aquilo que nós temos estado a observar, até no próprio calcio, Série A, aquilo que se nota é que essa predominância defensiva está se adaptando. Há um equilíbrio muito maior, isto é, não perdendo capacidade defensiva, ser o futebol mais atacante, mais envolvente, mais atrativo, com mais gols e muito discutido, numa intensidade atroz. As equipes entram numa luta completamente, eu diria mesmo, desenfreada, passe a expressão, através de projetos que são lançados pelos seus treinadores aos jogos. Quanto a este jogo, eu digo isto e em função da tua questão. É nas áreas que se ganham os jogos.

Perdemos aqui o Gabriel Alves temporariamente. Vamos tentar recuperar novamente o sinal do Gabriel. Vamos ao Augusto Inácio enquanto esperamos pelo Gabriel Alves. Augusto, tenho aqui uma pergunta pra te fazer, que se calhar não vais gostar muito, mas que é o seguinte: sempre que o Inter chegou à final da Taça dos Campeões Europeus ou da Liga dos Campeões, quer em 63/64, 64/65, 66/67, 71/72, 2009/2010 e 22/23, o Benfica foi campeão. Isto querá dizer alguma coisa pro próximo sábado? Estás assustado com isto?

Isso é letra. É tudo canções pro bandido, para amenizar o valor dos outros. Essas coisas, esses mitos têm que acabar. Isso são coisas que acontecem e de certeza absoluta que isso não vai ter efeito.

Mas preferias que o Barcelona tivesse passado só por causa desta?

Não, eu vou te dizer uma coisa. Claramente, todos estamos de acordo que foram dois grandíssimos jogos, daqueles que não apetece que o jogo acabe, que continue e que não acabe, como já disse quando foi o jogo da primeira mão. Mas aquilo que eu mais destaco, sinceramente, é que quando eu vi 2x0 pro Inter e o Barcelona dá a volta pra 3x2, é para uma equipe que está a jogar em casa e que depois está a perder a final, ter a capacidade e a mentalidade de ainda ir à procura de chegar lá, isto não é pra qualquer equipe. É uma equipe que mentalmente tem que ser muito forte. Agora, em termos táticos, em termos de jogo, em termos de futebol, claramente que o Barcelona é melhor nesse sentido. E se calhar a final com o Barcelona, acho que deve ser com o PSG, seria uma final fantástica. E o Inter é uma equipe mais cínica, mais defensiva, mais matreira, não tem o futebol tão atrativo, mas eu acho que a mentalidade marcou a diferença e foi isso que fez com que o Inter ainda tivesse forças para realmente empatar e depois no prolongamento ainda ganhar. Por isso, ganhou aquela equipe mais pragmática, mas mentalmente mais forte, digo eu.

Vamos avançar, vamos até ao próximo tema. Vamos falar do editorial que André Villas-Boas publicou na revista Dragões deste mês, mês de maio, em que fez um balanço sobre este primeiro ano de mandato como presidente do Futebol Clube do Porto. E há aqui algumas frases fortes. Falamos, por exemplo, de Villas-Boas escrever que os factos são violentos e admite mesmo que a época desportiva ficou aquém das expectativas. Diz também: "Cabe-me assumir as responsabilidades, mas garanto que o Futebol Clube do Porto já não volta para trás." Mariana Fernandes, são aqui algumas palavras duras que o próprio presidente do Futebol Clube do Porto tece sobre aquele que foi o rendimento da equipe e do clube na época. Esperavas, no fundo, uma admissão de culpa, de certa forma, ou uma admissão dos erros tão clara com estes factos tão violentos que diz Villas-Boas?

Eu acho que não necessariamente a admissão de culpa, mas acho que este discurso peca por tardio. Não foi o único problema, obviamente, mas aquilo que está a chocar tanto os adeptos do Futebol Clube do Porto e aquilo que deixa André Villas-Boas usar adjetivos como violento pra falar daquilo que se passou esta temporada, foi a forma como esta temporada foi encarada. Ou seja, a ideia de que não havia ano zero, a ideia de que a partir de agora o Futebol Clube do Porto se tinha livrado, aqui com muitas aspas, de uma liderança que durava há muito tempo, tinha renovado os seus órgãos sociais, era uma equipe renovada, tinha mudado de treinador e, portanto, a partir de agora era sempre a subir e sempre a crescer, ia voltar aquele Futebol Clube do Porto a que estávamos habituados a lutar por todas as competições em que estava inserido. E até aquela ideia, logo no início da temporada, muito alimentada por André Villas-Boas e por Vítor Bruno, à dada altura, de que o Futebol Clube do Porto era candidato a uma presença na final da Liga Europa, deixou o próprio Futebol Clube do Porto muito refém de tudo aquilo que acabou por acontecer, incluindo uma derrota logo na primeira jornada com o Bodø/Glimt. Portanto, eu acho que este discurso um bocadinho mais humilde, esta ideia de que, de facto, é preciso se calhar esperar pra que as coisas se reconstruam, deveria ter sido tida e adotada no início da temporada e deveria ter sido feita uma gestão de expectativas que não foi feita. E foi completamente ao contrário, ou seja, aquilo que foi veiculado e aquilo que foi transmitido aos adeptos foi a ideia de que ia tudo continuar como eles estavam habituados ou melhor. E isso, obviamente, não poderia acontecer, nunca poderia acontecer. Estivemos numa entrevista há pouco tempo de André Villas-Boas a dizer que em novembro não tinha dinheiro pra pagar salários. Portanto, é óbvio que um clube nestas condições, a não ser que exista um contexto extraordinário, não tem condições pra ser competitivo desportivamente, como pelo menos tinha sido nos últimos anos. Isto parece-me evidente. É óbvio que este foi o ano zero ou menos um de André Villas-Boas e que tudo que vier a partir daqui será ou serão baby steps e passos muito pequeninos pra o Porto voltar a ser aquilo, pelo menos ser aquilo que André Villas-Boas quer que o Futebol Clube do Porto seja. Acho que isso não passa por Martinuccelli, me isso parece claro. O Futebol Clube do Porto é um clube dividido internamente em termos de adeptos, em termos até de estrutura. Eu acho que as coisas têm de ser sanadas ao longo do verão e têm de ser tranquilizadas. Agora, não é com paninhos quentes e não é dizer que foram fatores externos, de facto, que afetaram o Futebol Clube do Porto que ia resolver alguma coisa. Acho que é um discurso, neste caso, um texto muito direto e muito honesto por parte de André Villas-Boas.

Gabriel Alves, há pouco deixamos de te ouvir. Estávamos ainda a falar sobre este Barcelona e Inter e ia pedir que concluísse, obviamente, esse raciocínio.

Eu vou na minha nota. Eu concluo na minha nota.

Sim, e depois quanto a esta questão de André Villas-Boas, se realmente pôs a fasquia demasiado alta no início da época e agora está a pagar também um pouco por isso

Já tínhamos falado sobre isso. Compreende-se, de alguma maneira, pela fasquia alta, dado que os adeptos pedem coisas muito altas. Não é só no Porto, é em todos os clubes e em todo lado. Não é só em Portugal, é por aí. A verdade é esta: há coisas que têm que ser tratadas. Houve uma mudança, havia questões de crise financeira, de crise econômica, houve rupturas com determinado tipo de situações do passado e é preciso não esquecer. Isto é preciso ter em atenção. Nada se faz para criar uma nova dinâmica, quer ao nível político, empresarial, pessoal, desportivo, econômico, financeiro. As transformações fazem-se planeando e no planear com balizas, portanto, colocadas em que se exige a quem as põe que as cumpra dentro daquilo que é o espectro normal. É no espaço e no tempo que as coisas fazem a sua evolução, de modo a não se ter depois que se ser assim como um deus e dizer: "É preciso reformar". Não, as reformas têm que ser feitas. E é o que me parece que agora Villas-Boas chegou a essa conclusão. Portanto, penso que o Futebol Clube do Porto, aí, sendo estabilizado de forma concreta, sustentada, obviamente também cresce naquilo que é o âmbito desportivo e obviamente que depois uma alimenta-se a outra. Portanto, as duas coisas são complementares. É para o Futebol Clube do Porto e é para todos os clubes. Não podem adormecer à sombra de. Têm, de facto, que estar sempre numa evolução. Eu continuo a dizer: política, empresarial, pessoal, etc.

Vamos ao Augusto Inácio. Augusto, olhando para o tal discurso que teve no início André Villas-Boas e, como dizia a Mariana também, mesmo a admissão de alguns objetivos relacionados com conquistas, até conquistas europeias, fez de certa forma mal o Futebol Clube do Porto em colocar a fasquia tão alta?

O André Villas-Boas, no princípio, é verdade que disse isso, mas tinha que ter alguma contenção, não retirando a ambição do Futebol Clube do Porto para esta temporada, mas não colocando logo, acima de tudo, Ligas Europas e ganhar os campeonatos. Claro que o adepto olha para os títulos, não olha muito para a vertente financeira, mas cabe ao presidente e aos outros responsáveis olhar pelas duas vertentes. A grande verdade é que nem André Villas-Boas, nem eu, nem se calhar ninguém pensava que o Porto descesse tão baixo como foi esta temporada.

Sim, até porque recordo no início, o mercado de verão do Futebol Clube do Porto foi tremendamente elogiado com alguns negócios até para o futuro.

E até eu disse que grandes contratações que o Porto fez. O Diogo Jalo, o João Pedro, eu digo assim: "O Porto vai ter uma defesa muito bem estruturada. O Samu ponta de lança, o Fábio Vieira. E o Fábio Vieira vai ser o mágico daquilo." O que é certo é que aquilo não funcionou, nem individualmente, nem coletivamente. E acho que algumas dessas contratações foram realmente autênticos falhanços. E eu também gostei das contratações que o Porto fez. Mas isto para dizer que a nível desportivo, realmente as coisas foram péssimas e lá Villas-Boas está a dar uma palmatória, porque tem que ser assim. Agora, é preciso equilíbrios financeiros e equilíbrios competitivos, porque tu não tens sucesso financeiro se não tiveres também sucesso desportivo. Esqueçam lá isso, porque o adepto vai ao estádio é quando a equipa também está a ganhar e ganha títulos. Agora, a parte financeira já está mais ou menos estancada, falta a parte desportiva, e a parte desportiva é realmente uma área que o presidente domina, porque foi treinador, porque sabe avaliar jogadores. O Porto tem que arranjar, na minha opinião, três, quatro, cinco jogadores que marquem a diferença para que realmente o Porto possa ombrear com o Benfica e com o Porto na próxima temporada.

Pedro Henriques, estas frases fortes de André Villas-Boas são lidas, neste caso, na Revista Dragões, no editorial da Revista Dragões deste mês de maio. Tendo em conta a importância destas declarações e também a força que elas têm, terá sido o melhor local para que André Villas-Boas comunicasse? Ou achas que acaba por ficar aqui de certa forma algo escondido também, de certa forma, sendo uma revista, podia ter dado uma entrevista, podia ter falado aos portistas mais diretamente?

Eu acho que acima de tudo, independentemente dessa constatação que estás a fazer de ter aí, ser num órgão de imprensa social neutro, o que quer que seja, é a constatação de um fato que é real. O Futebol Clube do Porto não foi competitivo dentro do campo, muito por culpa própria e muito por culpa daquilo que eu acho que é o maior problema do Futebol Clube do Porto, que independentemente de todos os outros fatores que contribuem, é a falta de qualidade deste plantel. Tu tens três ou quatro jogadores que retiras dali individualmente, mas tens ali uma falta de qualidade quando vais comparar, por exemplo, posição a posição, jogador a jogador, com, neste caso, os rivais mais diretos, como é o caso do Benfica e do Sporting. Acho que esse é o grande problema do Futebol Clube do Porto. Fez-se a constatação de um fato e independentemente das questões financeiras, como disse o Augusto Inácio muito bem, que isso depois tem reflexo, obviamente, no resto do clube, toda essa organização, muitas vezes para o adepto, o que conta é, não interessa se há dinheiro no cofre ou não, o que importa é ganhas ou perdes. E resumindo e concluindo, depois destas palavras, o André Villas-Boas tem que mostrar, em termos de prática, de terreno, vai ter que fazer alterações. E as alterações têm que passar claramente por alguns jogadores que estão ali que não têm qualidade e que não podem continuar no Futebol Clube do Porto e fazer as contratações de jogadores que têm que ser cirurgicamente contratados no sentido de ter qualidade ou potencial, mas não é só ir com jovens, que isso não chega para ser campeão, tens que ter ali experiência e tens que investir. Não sei se depois há dinheiro para isso. E portanto, o André Villas-Boas tem que dar exatamente esse sinal através de outras contratações. E termino com isto O problema maior do Futebol Clube do Porto não é só a questão financeira, a ruptura com o passado, as divisões internas. Tudo isso conta, mas o plantel do Futebol Clube do Porto não tem qualidade e tem que haver alterações. Quando tu comparas este plantel com tantos outros plantéis, até mesmo menos difíceis, é comparar a noite com o dia. Tens ali três ou quatro jogadores que sobressaem, ponto, não tens mais nada. Portanto, agora vamos ver como é que o André Villas-Boas vai materializar no terreno aquilo que é a alteração para, como eu disse, já não voltar atrás. E só há uma forma de o fazer: é ter jogadores com mais qualidade. Isso custa dinheiro.

Lembro que no próximo dia 10 vamos ter emissão especial de desporto a acompanhar o derby a partir das 16h, duas horas antes, com muitas surpresas, entrevistas também a algumas lendas que passaram por este derby eterno e com reportagem nos vários pontos de Lisboa e do país para acompanhar tudo aquilo que vai acontecendo. Vamos às notas de campeão. Mariana Fernandes, começo por ti. Quem é o teu campeão do dia e que nota dás?

Olha, dou um 18 acho que para o Inter no seu todo, mas para o Acerbi, em particular. É um jogador que já não vai para novo, para fazer aqui um eufemismo. Ele só teve para acabar a carreira muitas vezes. Na altura, no Milan, quando se divorcia e depois acaba por confessar uns anos mais tarde que passou por uma depressão, também por problemas de alcoolismo. Teve um problema oncológico a dada altura também, teve que ser operado, voltar aos treinos. Portanto, passou por muito na vida dele. Já várias vezes se vaticinou o fim da carreira do Acerbi sem que ele próprio tivesse dito e acaba por ter ali aquele momento extraordinário em marcar o gol do empate, o gol que força o prolongamento e a forma como ele festeja, e acho que como os adeptos também festejam com ele, também dá muito a entender aquilo que ele significa para o próprio Inter. Portanto, vai um 18 muito particular para o Acerbi.

Pedro Henriques, nota e campeão.

A minha nota é um oito e um 18. Começando pelo 18, pela atitude e crença do Inter de Milão. Está tudo dito. E o oito para o central Éder Militao e para o Ancelotti, treinador, por uma razão muito simples. Não é pelas coisas que fizeram ou pela maneira como jogaram. É por, no final do jogo, colocar o ónus na arbitragem como sendo o motivo que fez com que o Barcelona não tenha ganho, quer esteja em eliminatórias, especificamente o jogo de ontem, nem sei como é que hei de caracterizar, mas vou dizer uma palavra simpática: é só estúpido. E dizer aqui aos nossos observadores que na sexta-feira vamos ter uma emissão, como é normal, em estúdio. Neste caso concreto, vamos ter o troféu da liga, certo? Tudo bem?

Tal e qual. Estás a dizer muito bem.

Portanto, os nossos comentadores, onde eu também estou inserido, vamos estar todos fisicamente presentes, certo?

Certíssimo. Espero bem que sim.

Vamos estar. E só para dizer uma coisa aos nossos colegas que vão estar presentes, não tomem o pequeno-almoço, porque vamos servir pão com chouriço de Mafra.

Muito bem.

E de Maia vem as famosas trouxas. Portanto, não tomem o pequeno-almoço.

Era mesmo isso que queríamos ouvir. Devíamos ter deixado para último, Pedro, que era para acabarmos em beleza este episódio. Vamos ao Augusto Inácio. Augusto, quem é o teu campeão do dia e que nota dás?

Olha, nenhuma equipa, neste caso vencedora, nenhuma equipa ou uma grande equipa não pode deixar de ter um grande guarda-redes. O PSG já no jogo com o Real Madrid, mesmo com o Arsenal, o Donnarumma que foi realmente uma grande figura e agora o Yann Sommer. Acho que foi fantástico nesta grande vitória do Inter e que ele teve ali duas, três defesas daquelas impossíveis e só um guarda-redes é que pode fazer isso. Por isso, para o Inter é verdade, mas para o Sommer, nota 18. Não dou a nota 20 porque não foram campeões europeus.

Ainda. Gabriel Alves, quem é o teu campeão do dia e que nota dás?

Olha, ia dizendo, nas áreas ganham-se os jogos, o Inter foi implacável. Sommer, um fortim. Do jogo, o jogo da emoção, o brilhantismo dos artistas, a tática engendrada pelos treinadores, a verdade de Pedri, a estrela Lamine, a valência de Lautaro, a força Thuram, o saber dos guarda-redes com Sommer na revolta. Acerbi, querer. A qualidade tática do Iñigo Martínez, saiu magoado e o Bartz esburacou e aquela emoção louca, maravilhosa de Frattesi. Enfim, award ao futebol. 20.

E que hoje tenhamos mais uma, porque relembro, hoje vamos ter a segunda mão da outra meia-final. Vamos ter frente a frente Paris Saint-Germain e Arsenal em Paris, a partir das 20h. Amanhã cá estaremos ao 12h30 para mais uma edição de "E o Campeão É". Até amanhã.