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Edição de sexta-feira de "O Campeão É" na Rádio Observador, com destaque para a surpresa das surpresas: o Benfica perdeu na Suíça frente ao St. Gallen, segunda pré-eliminatória da Liga Europa de futebol. Vamos analisar tudo isso, essa derrota com o Gabriel Alves, o Luís Pinto Coelho, o João Castro e também o Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Começo por ti, João Castro, até porque este St. Gallen vestia de verde. Não sei se isto é um presságio para ti ou não.
Era bom que fosse.
É o primeiro jogo oficial de Marco Silva à frente do Benfica, é também a primeira derrota. O Benfica foi insuficiente, apesar de ter aqui algumas ausências, e ontem falávamos disso também nessa edição de "O Campeão É", não conseguiu reforçar o seu favoritismo e contornar este St. Gallen.
Bom dia a todos. Não, o Benfica foi claramente insuficiente, quer coletivamente, quer a nível individual. Obviamente que nós sabemos aqui, e há esse ponto, que faltam muitos jogadores. Basta lembrar Aouar, Rios, Barreiro, Lukebakio, Prestianni, Gedson. Só estes tornariam o jogo completamente diferente. Isto porque o Benfica tinha realmente alguns jogadores com algumas dificuldades, sobretudo na construção, quando apanhas uma equipa mais intensa e que pressiona mais alto e ontem viu-se bem a dificuldade do Benfica a sair. Falta de personalidade ao Benfica para ter a bola, para sair desses momentos. Bah com muita dificuldade quando é pressionado, o António Silva também não é propriamente o central com mais capacidade, a ruja é bastante mais o Rangel. Eu, por exemplo, se fosse o treinador a jogar contra este Benfica, obrigava o Benfica sempre a sair pelo lado direito, por António Silva e por Bah, com essas dificuldades. Depois, obviamente, no meio-campo, repara, jogou o Manu e o miúdo, o Figueiredo. Portanto, é difícil o Sudakov.
Alguma nota especial para esse miúdo que se estreou ontem também?
Lá está, não foi por aí que o Benfica perdeu, não foi por aí que o Benfica foi insuficiente. Falta ali realmente mais qualidade no todo e também com bola, ter mais personalidade, impor o jogo. O Benfica perde muitas bolas. Sudakov está longe do que prometeu. O reforço deixa muitas dúvidas. Já tinha dito que era um jogador mais físico, mais potente, mas tecnicamente com muitas dificuldades, pelo menos para já, o Kaminski. Depois, obviamente, o Benfica também não tinha banco para mudar muito o jogo. Entrou o Thiago Aveiro, Ivanovic, João Rêgo, não tinha assim um grande banco. Portanto, muitas dificuldades coletivas e individuais, nota-se. Repara, nós estamos aqui a analisar o jogo no momento, mas isto, e para os adeptos do Benfica, vem de uma má preparação de época. Enquanto, por exemplo, o Sporting atempadamente fez a sua renovação, bem ou mal, depois iremos ver, mas atempadamente conseguiu, o Porto não precisa dessa renovação, o ano passado já fez a revolução necessária e este ano vai com pinças contratando, o Benfica que precisava, porque era o primeiro a jogar, a verdade é que em termos de reforços, eu estou a olhar aqui para o 11, só vês lá o Kaminski. O João Durão chegou há pouco tempo. Portanto, em termos de direção desportiva, falta aqui planeamento e depois, obviamente, chegas aqui, apanhas uma equipa que estava bem preparada, tinha mais dias, poucos dias, não era assim muita diferença de preparação, mas tinha mais preparação que o em cima do Benfica e o Benfica andou ali à nora. Portanto, claramente que os adeptos do Benfica têm que ficar preocupados. Pés embora, conforme eu disse, Aouar, Rios, Barreiro, Lukebakio, Prestianni, Gedson e Schjelderup, por exemplo, todos podiam entrar rapidamente no 11 e o jogo seria diferente. Mas a verdade é que a competição oficial começou agora e eles não estavam e o Benfica teve nota negativa.
Gabriel Alves, este Benfica fez uma exibição muito pobre na Suíça. Sabemos que o ambiente na próxima semana no Estádio da Luz é ligeiramente diferente. Ainda assim, notas dessa derrota, é a primeira da temporada no primeiro jogo oficial.
Boa tarde. Eu subscrevo tudo que o João acabou de frisar. Não vou adiantar nem mais nem menos. Só vou pegar numa nota dele que acho que é importante pegar a má preparação da época. Tudo o que ele disse é importante, mas eu pego nisto. Face a isto, eu deixo aqui algumas perguntas. A quanto é que estão as ações do Benfica hoje? O Benfica é passado. Como é que estão os patrocinadores? Qual é o estado de espírito que patrocina? Como é que estão os acionistas? Como é que eles se sentem? E os sócios? Como é que está a sua utopia? E os adeptos? Como é que também têm a sua utopia? Que Benfica, marca de eleição desportiva nacional, bandeira naquilo que é o futebol nacional em termos UEFA e FIFA, qual o caminho que trilha, tendo o futebol como motor de grande empresa que é, face àquela mediocridade ontem mostrada à Europa e ao mundo? Que futuro para este Benfica? Falam-se em 400 milhões de euros gastos ultimamente, portanto nas últimas épocas, nos últimos anos. Pergunta-se: qual foi o rendimento desportivo desses 400 milhões? E já pegando naquela frase, naquela dica do professor Carlos Carvalhal no Money Ball, qual foi o rendimento financeiro? E aqui deixa-se uma questão, independentemente da falta dos jogadores, e muito bem mencionada também por João, mas qual é o objetivo do Benfica para esta época? Qual é, com a preparação que fez para ela
Fica a questão no ar, Gabriel. Vamos passar para a análise também do Luís Pinto Coelho. Luís, o que salta a vista deste Benfica é alguns reforços, é certo, a jogar, mas uma exibição pouco convincente. Ou seja, o Benfica quase nunca conseguiu ligar o jogo e criar real perigo a este St. Gallen e quando o fez, não houve grandes ocasiões de perigo. Fica aqui também um forte aviso para esta segunda mão ou não acreditas que o Benfica possa ser surpreendido em casa por esta equipa suíça?
Olá, boa tarde.
Boa tarde.
Eu continuo a achar, obviamente, que o Benfica é favorito e mal seria se em casa não conseguia reverter este resultado. Mas ontem foi um aviso. A equipa suíça pareceu-me muito mais intensa, muito melhor fisicamente. É verdade que para Marco Silva é ingrata esta fase da época, porque tem muitos jogadores ausentes, chegou recentemente ao clube, jogadores que vão sair, mas têm que ser titulares. Isso também não é muito interessante. António Silva, Tiago Veiga ontem também entrou, já se sabe que também vai para o México. Por isso há muitas mudanças. O Benfica de final de agosto, início de setembro, acredito que vai ser muito diferente, mas corre o risco de passar por muitas dificuldades nestas eliminatórias. Mas há que tirar algumas ilações, principalmente na entrega, na intensidade, que ontem foi muito pobre e houve momentos da partida, principalmente na primeira parte, que o Benfica não conseguia fazer três passes seguidos. Foi muito mau. Agora, continuo a achar que o Benfica vai passar a eliminatória, mas convém ter algum cuidado, porque os suíços, pelo menos, intensidade, agressividade, capacidade física mostraram ter e vão jogar assim outra vez a pressionar homem a homem aqui no Estádio da Luz.
Pedro Henriques, uma exibição pobre, como já fomos adiantando também aqui com o Luís, com o João e com o Gabriel. Que ilações é que tiras deste primeiro teste a sério com Marco Silva, sabendo das limitações todas que existem, mas é o primeiro teste em que se pode realmente tirar ilações desta partida, não é?
Vou começar pelo lado positivo, que também há. É que finalmente o Benfica tem um treinador que viu o mesmo que os outros viram. Ou seja, viu que o Benfica fez pouco, fez nada, jogou mal. Coisa que o ex-selecionador português não via, e o Mourinho não via, e outros treinadores que o Benfica também teve, neste caso, também não viam. E isso é um bom sinal, que é sinal que não viu tudo positivo e que está tudo OK. Não, ele ficou bastante decepcionado e refletiu isso na maneira como falou. A espaços, o Rafa, talvez o melhor jogador do Benfica, o Sudakov com bola faz coisas, sem bola desaparece completamente, e o Langlet, que era um dos reforços que estava um bocadinho na mira, porque o objetivo é ser alguém ou que seja rápido ou que dê poderio físico, foi exatamente o que não deu. Lento e sem poder físico e, portanto, sem impacto físico. Não vou dizer sem poder físico, sem impacto físico. E portanto, há um Benfica que não é eliminatório, porque eu vou dessumir dos meus prognósticos. Já sei que o Luís Pinto Coelho vai dizer que vai ser ao contrário, o Benfica vai passar esta eliminatória. A questão é os sinais que foram dados aqui, são sinais que acho que devem preocupar. É certo que há aqui meia equipa que pode sair e meia equipa que pode entrar com jogadores que o Benfica, neste momento, por razões diversas, não tinha disponível, e isso muda o jogo, mas deixa alguma preocupação naquilo que o João e o Gabriel também sublinharam, que é a questão do planeamento da época, que no meu ponto de vista continua a ser uma preocupação. Mas o Benfica quis dar 70, 80% de votos a quem deu e, portanto, se calhar, não posso dizer. Ia dizer como é que é, muda-se a carroça, mas não importa. De qualquer maneira, o Benfica tem aqui uma preocupação que tem a ver, sobretudo, com aquilo que é o planeamento uma vez mais. E isso pode deixar dúvidas em relação àquilo que possa ser um próximo mercado de inverno e outras coisas que se não são bem pensadas, bem planeadas e bem organizadas, deixa a ideia que a cabeça não está a funcionar. E quando eu digo a cabeça, é a cabeça de quem organiza e planeia. Foi um mau jogo? Foi. O Benfica esteve mal? Esteve. Os suíços mereceram ganhar? Claro que sim. Acho que o Benfica vai dar a volta, até porque para a semana, se calhar, outros jogadores estarão também disponíveis.
Ia falar disso mesmo, ou seja, uma semana aqui, tendo em conta que também tivemos a questão do mundial, pode fazer a diferença nesse sentido. O Benfica que perde neste primeiro teste oficial, contrariando aqui todas as expectativas, quando também falávamos nesta edição de "O Campeão é". É um adversário acessível, é certo, mas o Benfica caiu na Suíça e tem essa oportunidade de na próxima semana, já na quinta-feira, tentar contornar esse resultado e essa desvantagem. Vamos olhar aqui para outro tema, nomeadamente uma saída do Sporting. João Castro, Ricardo Mangas, um jogador até bem conhecido de Rui Borges, está de saída, é reforço do Monza. É um jogador que nunca conseguiu impor-se com o brilho que se calhar tinha demonstrado no Vitória de Guimarães.
Olha, é uma saída expectável quanto a mim. Pelo valor que foi o ingresso no Sporting, obviamente para ajudar, eu acho que cumpriu o seu papel, não se esperava muito mais. No Vitória teve mais impacto muitas vezes até porque jogou mais extremo, mais adiantado. No Sporting, tendo o uruguaio, o Maxi ali, era quase impossível a titularidade, embora tenha feito alguns jogos e alguns interessantes, obviamente. Pese embora algumas dificuldades do próprio jogador, sobretudo a defender um para um, por exemplo, mas esteve no 11 titular que venceu o Paris Saint-Germain, por exemplo. Agora, o Sporting, eu acho que Rui Borges, eu já tinha comentado isso quando estava a ver o jogo Percebeu que o Sporting precisa de outro lateral para concorrer com o Maxi. Até porque eu não sei o estado físico do Nuno Santos, não me parece que esteja pronto rapidamente. E portanto, eu acho que o Sporting precisa, porque caso o Maxi não possa jogar, obviamente, o Sporting precisa de um upgrade para a rotação do plantel, para não cairmos no mesmo erro à Champions. E portanto, acho que era preferível agora ir buscar alguém com potencial que pudesse lutar depois com o Maxi e preparar já a saída do Maxi para o ano, porque é quase certo. E portanto, ter um jogador com esse talento e esse potencial e desejar obviamente tudo de bom ao Mangas, cumpriu. Ainda vai dar um pequeno lucro, mas a verdade é que o Sporting precisava de um upgrade na luta com o Maxi.
É um jogador que sai aos 28 anos e que possivelmente não vai deixar grandes saudades de Alvalade. Meus caros, não temos muito mais tempo, infelizmente, para ir a mais temas, mas deixo-vos mais tempo também para as vossas notas, começando por ti, Gabriel Alves.
Olha, vão para dois treinadores estrangeiros. O primeiro é para o senhor Jürgen Klopp, que se apresentou como selecionador da Alemanha.
Já é oficial.
É oficial, portanto, eu vou citar: "Não estou a aceitar este trabalho por mim, estou a fazê-lo por vocês. Estou a aceitar este trabalho apesar de ter visto a forma como trataram Julian Nagelsmann. Estou a aceitá-lo apesar de ter visto a forma como trataram Thomas Tuchel. Se meterem com a minha família, vou-me embora. Se acharem que não valho nada, digam-me na cara e saio imediatamente sem pedir qualquer indemnização". Jürgen Klopp, 20. Ainda há pessoas neste mundo do futebol. E vou deixar outros 20 para Guardiola, muito instado para selecionador da Itália, já respondeu: "Obrigado, estou honrado, mas não me sinto à vontade." Guardiola, a razão a prevalecer à emoção. Vinte para ele. Há pessoas, há treinadores, há técnicos, há pessoas no mundo atual do futebol, ainda, felizmente.
Notas positivas deixadas aqui pelo Gabriel. Pedro, vamos às tuas notas também. Pedro Henriques.
Sim, a minha nota é uma nota negativa para aquilo que foi a exibição do Benfica. Não tenho dúvidas que o Benfica vai passar a eliminatória, mas há uma deceção também muito grande daquilo que se viu das reações dos seus próprios adeptos, porque independentemente de não haver nota artística, nem era isso que era expectável, parece que há processos que não existem. Portanto, nota oito para o resultado que o Benfica obteve. Em contramão ou em contrapartida, nota 16 para a lucidez com que o Marco Silva olhou para o jogo, leu o jogo e viu aquilo que normalmente as pessoas veem num Benfica que jogou mal. E eu acho que isso é o melhor que o Benfica neste momento pode ter. É um treinador lúcido, que não arranja desculpas à semelhança do que estava a acontecer num passado recente e que talvez isso seja o caminho certo e meio caminhado para que o Benfica possa rapidamente dar a volta aos processos e à técnico-tática e a tudo que não correu nada bem ontem.
Vamos às tuas notas, Luís.
Oito para o Benfica, vou dar aqui um oito que ainda pode ir à prova oral na próxima semana e tentar salvar aqui um bocadinho a honra do convento. E depois vou ao ténis, um 18 para o Jaime Faria, que hoje vai jogar os quartos-final do Estoril Open. E porque eu acho que é um grande talento e se tiver sorte com as lesões, se não tiver problemas físicos, eu acho que pode ser um tenista a atingir o top 20 mundial, por isso um 18 para ele em jeito de incentivo para os quartos-final de hoje.
E estamos todos a torcer por ele. João Castro, não temos muito tempo, vamos às tuas notas.
Não, vou ser rápido. Klopp 20 também, por ter um treinador deste nível numa seleção acho que é de salientar, se calhar mais virão. Nota negativa, não para o Benfica, mas para a preparação do Benfica para este início oficial da competição, neste caso da Liga Europa. Acho que já há 17 anos que não ia às eliminatórias da Liga Europa. E depois queria obviamente também aqui dar uma nota que eu acho que é importante para a rapidez com que o Sporting tem ido ao mercado com esta substituição do Diomando pelo Bar muito rápido e, portanto, nota 16 para essa antecipação que o Sporting tem feito.
Ficamos por aqui nesta edição de "O Campeão É". Amanhã há mais, depois das 11h30. Um bom fim de semana a todos.