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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador, é mais uma edição de "E o Campeão É". No rescaldo do primeiro teste do Sporting de pré-temporada, uma derrota frente ao Celtic por 2 x 0. Tema principal, mas não único neste programa. Como tal, contamos com os comentários de Gabriel Alves, do Augusto Inácio, do Pedro Henriques e também da Mariana Fernandes. Sejam todos bem-vindos. Bem-dispostos hoje ou nem por isso?

Bom dia.

Bem dispostos.

Sempre bem-dispostos.

Fantástico. Ainda bem. Vamos começar por falar deste teste do Sporting com o Celtic, uma derrota por 2 x 0. Mariana Fernandes, vou começar por ti. Fizeste a crônica do encontro aqui para o Observador. Com um central a menos, com poder de fogo a menos, com uma segunda parte a menos. É o teu título. Posso depreender que foi um Sporting a menos, mas há algo de bom a retirar deste encontro?

É sempre muito relativo tirar algo de bom e também tirar algo de mau. Eu acho que todas as ilações que podemos tirar destes jogos de pré-temporada, ainda por cima uma temporada que terminou há tão pouco tempo, ainda que o Sporting obviamente tenha aqui uma margem maior do que os clubes que tiveram o Mundial de Clubes. Mas uma temporada que terminou há tão pouco tempo, ainda com tão pouco tempo de trabalho, é sempre complicado tirar aqui algumas ilações. Agora, de facto, confirma-se uma data de ideias, confirma-se a ideia que Rui Borges, à partida, vai mesmo deixar os três centrais na temporada passada. Portanto, aquele regresso ao conforto que a dada altura decidiu fazer, e que correu bem, porque a partir daí o Sporting encarreirou até se sagrar bicampeão nacional, à partida, ficou mesmo no passado e Rui Borges quer implementar o seu sistema. Portanto, não necessariamente um 4-3-3, mas um 4-2-3-1, foi um pouquinho mais parecido com isso. A ideia de que, pelo menos por agora, Rodrigo Ribeiro está integrado no plantel. Portanto, quando toda a gente esperava com o Rader como titular enquanto referência ofensiva, aparece Rodrigo Ribeiro, com o Rader a entrar ao intervalo, e faz depois toda a segunda parte. A ideia também de que João Simões, à partida, estará bem, estará apto para começar a temporada depois de se lesionar gravemente. Portanto, surge aqui uma data de ideias. Agora, surge também uma segunda parte muito abaixo daquilo que era esperado, daquilo que era exigido ao Sporting. É um Sporting que começa pior, digamos assim, ou pelo menos um bocadinho por baixo, que consegue melhorar ao longo da primeira parte. Tem aquela oportunidade de gol também do Hjenrik Katome, tem um lance importante também do Rodrigo Ribeiro. Vai num jogo sem gols para o intervalo, mas depois cai muito claramente na segunda parte. Tem aquele lance também do remate do Rader ao poste, mas é claramente inferior ao Celtic na segunda parte e acaba por perder. Acho que não existem aqui grandes ilações a tirar. Acho que aquela ideia de que não há Jokeres, por isso não há gols, é obviamente mentira. Não dá para tirar essas ilações e não dá para tirar essas consequências.

Mas o sueco não foi esquecido, nem que seja pelas tarjas que pus na bancada.

Era aí que eu ia chegar. Eu acho que a grande ilação que se tira deste jogo, mais do que aquilo que aconteceu em campo, é Frederico Varandas ter o clube do seu lado. Isso parece-me absolutamente evidente. Se alguém ganhou ontem, foi Frederico Varandas, mesmo que o Sporting tenha perdido. Ou seja, os adeptos do Sporting, pelo menos aqueles que estavam no Estádio do Algarve a assistir àquele jogo, estão completamente do lado do Sporting e do lado de Frederico Varandas. Não existe aqui grande dívida de gratidão a Jokeres, por muito que toda a gente saiba tudo aquilo que ele fez pelo clube. Portanto, acho que o grande vencedor de ontem, mesmo com o 0 x 2 a favor do Celtic, foi Frederico Varandas.

Gabriel Alves, quero também escutar-te sobre este jogo do Sporting. A equipa leonina mostrou que há muito trabalho a ser feito, sobretudo ali no setor defensivo?

Olha, boa tarde. Ouvi com atenção a Mariana, mais que ela sublinhou aquilo que são os dados concretos. Mas eu queria deixar aqui uma nota. Estamos em jogos de pré-época, estamos em jogos de preparação. Há na mente e é visível do treinador leonino, um novo modelo, um novo figurino. A Mariana focou aí uma palavra que me parece que é importante: não há grandes ilações. Eu vou lembrar o seguinte: o ano passado, na pré-época, o Sporting fez um jogo de caráter particular com o Athletic de Bilbao, aqui no Estádio de Alvalade, e venceu, demoliu autenticamente o Athletic de Bilbao. O Athletic de Bilbao foi, de facto, uma sombra. Era um jogo de preparação. O Athletic de Bilbao terminou em Espanha em quarto lugar a discutir o terceiro. Terminou finalista de Liga Europa e conquistou o acesso à Champions League 25/26. Portanto, uma coisa são os jogos de preparação. Eu sei que os resultados são importantes, a parte emocional, mas aquilo que é mais importante é o trabalho que se está a efetuar, que se está a desenvolver e que tem alta competição, mesmo que seja em jogos-treino, porque isso não passa de jogos-treino para todas as equipes, para as intervenientes, para a equipe do Celtic e para a do Sporting. Foi trabalho, acima de tudo. Depois, o resultado é sempre animador, é sempre algo positivo, mas acima de tudo, trabalho. E o Rui Silva, em declarações prestadas no final da partida, bem o focou, e muito bem. Rui Silva, que já tem uma maturidade futebolística importante, até porque já andou por vários clubes.

Augusto Inácio, mais do que olhar para o resultado e para as ilações, o que é que retiras deste encontro?

Olá, boa tarde a todos. Deixa-me dizer que, em primeiro lugar, que o Celtic, para já, tem uma preparação muito mais adiantada que o Sporting. E depois, o Sporting teve praticamente seis anos a jogar no sistema 3-4-3. É evidente que os jogadores estão muito mais rotinados, sabem os terrenos que têm que pisar, a mecanização está lá. Agora, quando tu mudas de sistema, como é aquele que parece que o Rui Borges quer implementar, o 4-2-3-1 Ainda por cima, não integrados dos melhores jogadores, aqueles que eu penso que podem ser titulares e que estiveram no banco. Ou seja, foi uma mistura de alguns titulares, daqueles que podem não ser titulares e que jogaram. O Sporting está a 15 dias da final da Supertaça. É evidente que está tudo na expectativa de tentar perceber as ideias de jogo do Rui Borges e claramente que as rotinas não estão lá e o Sporting tem dificuldade. Mas atenção, o Sporting tem que preparar uma equipa para a final da Supertaça, que é no dia 31. Eu achava que era melhor jogar a equipa mais próxima daquela que vai ser a final da Supertaça com o Benfica, e ficavam pelo menos já que se conhecessem uns aos outros. Neste tipo de jogos, em que há uma mistura de jogadores, o sistema está lá, o modelo de jogo está lá, mas os jogadores provavelmente podem ser diferentes na final da Supertaça. Eu creio que o Sporting não deu uma boa imagem, como é evidente. Um sistema novo requer tempo, requer rotinas e requer, acima de tudo, que os jogadores também fiquem a conhecer como é que é esta nova forma de jogar, porque quem trabalha seis anos seguidos no 343 e passa ao 4231, não é de um momento para o outro que as coisas começam a funcionar. Por isso, isto vale o que vale. A ideia que eu tiro: parece que o Rui Borges quer jogar no 4231. Vamos ver se vai ser assim ou não. É a grande nota que eu tiro. O resto é para dar ritmo competitivo, é para os jogadores saberem o que é competição, dar oportunidades aos jogadores que provavelmente, a priori, à partida, parece que não têm hipótese. E eu acho que o João Simões fez um grande jogo ontem, depois da grande lesão que teve. Morita, por exemplo, não jogou. O Barda não jogou de início. O Karasjville parece que deu umas ideias interessantes.

Isso vai ser um trava-línguas esta temporada, não vai ser, Augusto? Este médio georgiano.

Sim, mas aquela luta do meio-campo vai ser interessante. Tens Hjulmand, tens Morita, tens Karasjville, tens o João Simões, que parecia que estava fora deste contexto, mas está dentro. Eu acho que o Sporting tem um meio-campo bom. Agora, claramente que vamos ver, o Gyökeres era a meia equipa do Sporting, era a colina da equipa. O Sporting de certeza que vai fazer gols. Agora, de certeza que não vai fazer tantos gols como faria quando o Gyökeres era o ponta de lança do Sporting. Isto vai requerer o seu tempo, vai requerer realmente alguma paciência, mas vamos ver, porque às vezes os treinadores têm uma ideia de jogo e depois podem alterar de um momento pro outro, porque podem entender que as coisas não estão a resultar. Mas é o primeiro jogo, não há grandes ilações a tirar em relação a isso. Agora vamos ver se no próximo jogo, que é na segunda-feira com o Sunderland, se o Sporting vai manter o 4231 e com que jogadores vai iniciar essa partida.

E sem esquecer que a Supertaça é no dia 31, como referias, e bem, Augusto. Pedro Henriques, quero também ouvir-te sobre este tema, a derrota do Sporting por 2 x 0.

Tenho uma coisa para dizer que já não digo aqui na Rádio Observador há mais de dois anos. Portanto, é um momento importante da rádio para mim, pelo menos em termos pessoais. Então vou dizer: o Sporting precisa de um ponta de lança. Já não dizia isto há dois anos, desde a saída do Rúben Amorim. Que ele dizia que não precisava de ponta de lança. O Sporting precisa de ponta de lança e vai ficar, e está completamente órfão. Acreditem naquilo que eu estou a dizer, daquilo que o Gyökeres fazia em termos de equipa. Depois vou dizer uma segunda coisa, que é diferente. A segunda coisa é para dizer que o Sporting em 4231, ai, ai, ai, ai. Ai, ai, ai, ai era a segunda coisa que eu queria ter dito. Eu vou dizer uma terceira coisa ainda, que é: o Sporting sem três centrais, ui, ui, ui, ui. Eu estou a brincar, mas estou a dizer uma coisa que é muito importante e o Augusto Inácio aqui falou. É que mesmo com outros jogadores que eventualmente possam surgir e aparecer, mudar aquilo que é a lógica do Sporting e resultou em títulos de dois anos, aliás, mais de dois anos, com essa questão dos três centrais e com os alas projetados e de repente implementar um sistema que parece que é parecido, não é nada. 4231 ou mesmo seja em 46, o que quer que seja, é totalmente diferente, vai obrigar a coisas totalmente diferentes. E isto não é nada fácil fazer a readaptação, na construção, mas sobretudo e acima de tudo a defender. E portanto, há aqui um trabalho muito fundo que vai ser muito grande e importante a fazer, que é mudar este chip dos três centrais com os alas projetados para um modelo, vamos dizer, de defesa em linha de quatro. A partir daí, há uma coisa que estamos todos de acordo e termino com isto, que é o Silvio falou nisso e percebemos que o Sporting fez um jogo de manhã contra o Portimonense. Ou seja, estamos numa fase de grandes cargas em que a parte física é muito intensificada, mesmo que seja só em trabalho com bola. E, portanto, por muito que tu queiras colocar, seja o 4231, o que quer que seja, e por muito que queiras disputar lances e correr e treinar, as cargas físicas neste momento têm um efeito naquilo que é o teu rendimento físico, que se vai inibir por aquilo que é o aspeto técnico-tático. Por quê? Porque não tens pernas, como foi dito, e essa expressão acho que é muito isso. É mais do que pernas para fazeres isso, até inclusivamente para pensares e para executares. E, portanto, temos que dar este devido desconto. São jogos de preparação que servem exatamente para isso mesmo, experimentar jogadores, experimentar modelos diferentes, experimentar combinações dentro de campo de jogo e, portanto, também não sou daqueles que pedem ilações com vitórias ou derrotas de pré-época. Ninguém é campeão na pré-época.

Vamos avançar. O Sporting foi derrotado por 2 x 0 pelo Celtic, jogo de pré-temporada no Estádio Leonino no Algarve, ainda numa fase precoce da preparação, mas fica esse resultado, embora ainda com poucas ilações a retirar. Meus senhores, vamos falar sobre o mercado de transferências. Em Itália falam na possibilidade de Hjulmand sair para a Juventus e temos de acelerar porque ainda quero também falar de Francisco Conceição. Ao que tudo indica, o médio do Sporting já terá dado o sim à Juventus, é o que avança a imprensa italiana. Mariana Fernandes, parece-te que este negócio tem pernas para andar?

Para bem do Sporting, espero que não. Eu tenho uma opinião, não sei se é impopular, sobre este assunto da saída do Uhmanned. Eu acho que Uhmanned poderá fazer mais falta ao Sporting do que Viktor Gyökeres. Não que Gyökeres, obviamente, não tenha sido o melhor jogador do Sporting nos últimos dois anos, o melhor jogador do campeonato. Claro que estou a olhar para lado os gols. Gyökeres marcou muitos gols, é verdade. Fazia muito mais do que isso. Trabalhava imenso para a equipa e acabou por ter uma equipa construída à volta dele também devido às suas características, ou seja, porque ele procura sempre pela profundidade e tudo isso. Sabemos todos disso. Agora, se o Sporting arranja, de facto, um avançado que marca metade dos gols que Viktor Gyökeres marcou, mas distribui esses gols pelos restantes jogadores. O Sporting foi campeão sem Viktor Gyökeres, é preciso recordar. Distribui esses gols pelos outros jogadores, precisa de manter a sua espinha dorsal. E a sua espinha dorsal assenta em Morten Hjulmand, assenta naquele jogador do meio-campo. Morten Hjulmand não foi o melhor jogador do campeonato nestes últimos dois anos ou não é o melhor jogador do Sporting porque existia Gyökeres, porque senão eu acho que a diferença para todos os outros é tão grande que não existia sequer discussão. E se calhar, se não existisse Viktor Gyökeres a jogar no Sporting, estaríamos a falar de uma transferência de 70 e tal ou 80 milhões de Morten Hjulmand para outro sítio qualquer, e não de um valor se calhar abaixo disso, e não se calhar para a Juventus também. Acho que é um extraordinário jogador de futebol, acho que é o melhor jogador do Sporting neste momento, sendo que não está lá Viktor Gyökeres, e acho que o Sporting perder os dois, se se realizar esse cenário, é destruir a coluna vertebral de uma equipa inteira. Eu recordo sempre aquele jogo contra o Gil Vicente, que o Sporting ganha nos descontos com aquele gol do Eduardo Quaresma, não estava o Uhmanned, ou seja, percebeu-se claramente a diferença que fez a partir do momento em que entrou na segunda parte. Sempre que não esteve, fez diferença. Sempre que não esteve a 100% também fez diferença. Era o único jogador do Sporting que nunca poderia ser poupado, ou nunca podia e nunca devia ser poupado, porque fazia sempre diferença. Acho que o Sporting vender Gyökeres e vender Uhmanned é dar o ouro ao bandido.

Augusto Inácio, seria uma perda semelhante à perda de Gyökeres pela importância que Uhmanned tem enquanto líder?

Estou completamente de acordo com a Mariana. Claramente, o Sporting se perder Gyökeres, parece que vai perder. Agora, se perder Uhmanned também, eu diria que é quase 70% da equipa do Sporting que fica realmente com menos capacidade. E isto com todo o respeito que eu tenho pelos outros jogadores. Agora, eu lembro-me que o Frederico Varandas disse que com a saída de Gyökeres, qualquer um outro jogador a sair, só sairia pela cláusula. Ora, a cláusula que ele tem, salvo erro, é 80 milhões. Não sei se estou enganado, mas acho que é 80 milhões. Não sei se alguém vai dar 80 milhões por Uhmanned, mas aí, lá está. Depois também tens a vontade do jogador. O jogador parece que gostaria de ir para Itália. Parece. Sendo assim, temos ali um jogador que também vai querer falar provavelmente com o presidente para o deixar sair, mas claramente que o presidente está ali para defender o interesse do Sporting e vai tentar dizer ao jogador, provavelmente: "Olha, já saiu o Gyökeres, não sais este ano, mas tem calma, para o ano vais sair" e tenta daquilo que é a perspectiva daquilo que o jogador também pretende. Por isso, e sinceramente, o Sporting perder o Gyökeres já é complicado. Agora perder Uhmanned também. Deus do céu, como se costuma dizer, não é que o Sporting não tenha lá jogadores, mas com aquela importância que os dois têm, realmente seria um golpe muito grande para aquilo que o Sporting pensa que é ganhar o tricampeonato.

Preciso mesmo de acelerar um pouco. Gabriel Alves, a equipa que perde um líder, perde mais do que um jogador, ou não?

Sim, obviamente que é um jogador extremamente importante no Sporting, um excelente futebolista e de acordo com a Mariana, com o Inácio. Mas olha, com o livro Gyökeres do Prelo, com a novela Félix interrompida desde a festa de Lamine Yamal, que agora aqui é número 10, ainda vamos ter aí uma novela Uhmanned, se calhar, vamos ver. Isto tem que continuar a ter bastante cor, digamos, no mercado de transferências português.

Pedro Henriques, de forma breve, quero também ouvir sobre este tema.

É uma frase: a Juventus não tem 80 milhões para dar por Uhmanned, o Sporting não vende abaixo da cláusula rescisão. E pronto, final, é só isso.

Nesta edição falamos então também, antes de irmos às notas de campeão do dia, de Francisco Conceição. O extremo enviou os documentos para revogar o direito de receber 20% no negócio de 32 milhões de euros entre os Dragões e os italianos, aqui também da Juventus. A transferência rende, por isso, 32 milhões de euros aos cofres da SAD portista. Mariana Fernandes, este é um bom negócio de Vilas-Boas?

Não sei se é um bom negócio de Vilas-Boas. Acho que Francisco Conceição podia valer mais, não necessariamente este verão, mas podia eventualmente valer mais. Acho que é um negócio importantíssimo para o Futebol Clube do Porto nesta altura. Existia esta particularidade de Francisco Conceição poder basicamente bloquear a sua vida por ter 20% do seu próprio passe, portanto, abdicando disso facilitava obviamente aqui as coisas. Ele acabou por tomar essa decisão. Portanto, acho que ficou claro para todos qual é que era a intenção de Francisco Conceição, era obviamente ficar na Juventus e continuar a fazer esse percurso que tem feito no futebol italiano. Acho que para o Futebol Clube do Porto é um encaixe financeiro importantíssimo, não só pelas contas muito complicadas que o Porto vai tendo de fazer, mas por este melhor mercado de sempre, que André Vilas-Boas continua a apregoar e continua a tentar fazer. Por agora ainda não se viu grande coisa, à exceção, e é verdade, do Gabri Veiga, que eu acho que a não ser que ele corra muito mal, vai ser dos melhores jogadores do campeonato na próxima temporada. Mas até ver, ainda não chegou grande coisa. Vamos ver o que é que vai acontecer daqui para a frente. Agora, que era muito importante para o Porto desbloquear este negócio e desbloquear esta quantia, digamos assim, de Francisco Conceição, isso parece-me evidente.

Gabriel Alves, vou fazer aqui dois em um. Quero te ouvir sobre o Francisco Conceição e depois quero também já as tuas notas. Francisco Conceição que anda há muito tempo emprestado e a sair do clube, apesar de dizer que tem muito amor pelo Futebol Clube do Porto. Como é que olhas para esta fase do jogador do Porto?

Ele tratou de tudo para se ir embora. É bom para ele, que procura outros desafios. Assumiu que queria ir embora e ajudou o Futebol Clube do Porto a arrecadar um determinado tipo de receita que é extremamente importante. Também não sei se, no Futebol Clube do Porto, independentemente do valor do próprio Francisco Conceição, se era o elemento que o clube queria. Acho que foi bom para todos. Quanto à nota, tenho aqui duas notas para dar. Eu vou dar 20 ao Luís Figo hoje, 17 anos desde aquela transferência bomba do Barcelona para o Real Madrid. Sessenta e dois milhões era, na altura, o maior valor pago. Vejam bem, no espaço e no tempo de 25 anos, como as coisas mudaram. Acho que faz bem olhar para isto e fazer uma história do futebol nos últimos 25 anos, que também tem os 25 anos de Florentino Pérez, que ontem completou a presidência do Real Madrid, alterando toda a dinâmica. Tem 66 títulos, mas mais do que os títulos, toda a dinâmica. Quero dar 17 a Carlos Queiroz. Vai para a seleção de Oman à procura de estar em mais um mundial, depois de 2002 com a África do Sul e com o Irão no Brasil, na Rússia, no Qatar. Carlos Queiroz não para. É o homem que esteve na base de toda a reestruturação do futebol português com aquelas duas vitórias nos jovens. E uma palavra de esperança para Luís Freire, já que falamos de jovens do sub-21. Exatamente, deixando um 18 para Rui Jorge, por tudo o que fez. Só lhe faltou, de facto, o título, mas é elegante, bem-educado e competente. E isso é tudo muito importante numa figura só.

Augusto Inácio, vou deixar-te o microfone aberto para abordares a questão do Francisco Conceição e quero também as tuas notas e os campeões do dia.

Foi um negócio possível. Acho que foi contente de todas as partes. Realmente, o Francisco Conceição tinha 20% da transferência, era 6.400.000 € que tinha direito. Abdicou disso para o Futebol Clube do Porto fazer um negócio que queria 30 milhões, mas queria à pronta. A Juventus não tinha dinheiro para pagar à pronto. Depois, claro, o Porto para receber esses 30 milhões tem que fazer o factoring e são mais 2 milhões de juros, são 32. São esses 32 que a Juventus vai pagar. E claramente que o Francisco Conceição, no contrato que vai ter com a Juventus, vai ter ali um aumentozinho para realmente compensar a perda dos 6.400.000 €. E acho que foi melhor para todos. O Francisco Conceição que vai ficar na Juventus onde ele queria, o Porto queria vendê-lo, vendeu, por isso tudo bem entre todos. Em relação à minha nota, também vou dar só uma nota 18 para o Rui Jorge. Atenção, o Rui Jorge esteve 15 anos na Federação, esteve no sub-21. É verdade que não ganhou nenhum título, mas fica realmente aquela imagem que é um homem sério, competente, que se calhar merecia uma vitória num Europeu, mas não deixa de ser realçado que esteve 15 anos e não é qualquer um que fica 15 anos na Seleção Nacional.

Pedro Henriques, vamos a ti.

Torno muito rápido. Francisco Conceição, só para dizer o seguinte: ele tem muito amor ao Futebol Clube do Porto, e é verdade, mas não tem assim tanto amor a algumas pessoas que atualmente estão no Futebol Clube do Porto. E daí que acho que foi o melhor negócio esportivo e financeiro para o Porto e para o próprio Francisco Conceição. A minha nota é 17, face às circunstâncias da alteração do selecionador do sub-21. 17 para o Rui Jorge, 17 para o Luís Freire, mas nós temos que perceber uma coisa muito concreta, que é: as pessoas podem ter a maior competência do mundo e serem pessoas competentes, mas é bom para as próprias pessoas, para as próprias instituições, que os ciclos terminem e que se comecem outros ciclos. É bom para toda a gente. E dentro dessa perspectiva, acho que essa é a melhor medida. Só que uma "chegazinha" e uma pitadazinha. Agora, era importante que o futebol feminino seguisse exatamente as mesmas pisadas, pelos mesmos motivos.

Mariana Fernandes, vamos terminar com as tuas notas e os teus campeões do dia.

Um 18 para o futebol feminino. Eu sempre tive aquela ideia de que no dia em que se passasse 1 milhão de euros por uma transferência, isso ia acabar por significar um desbloqueio mental e abrir a porta a transferências milionárias e, obviamente, a uma sobrevalorização do mercado do futebol feminino. E isso aconteceu. Em janeiro, tivemos a primeira jogadora de 1 milhão. Na altura, a Naomi Girma, uma americana que foi para o Chelsea. E agora temos novamente o record a ser batido por 1,2 milhões de euros. É a jogadora mais cara de sempre, com essa particularidade de ser a Olivia Smith, que jogou no Sporting. Portanto, apenas há um ano o Sporting vendeu por 250.000 € a Olivia Smith para o Liverpool e agora sai, apenas um ano depois, por 1,2 milhões de euros para o Arsenal, atual campeã europeia, ganhou a Liga dos Campeões aqui em Lisboa. Por isso, é um mercado que está claramente em crescimento e sabemos que quando há dinheiro, quando o dinheiro começa a girar, o dinheiro também chega às jogadoras. É um ciclo que eu espero que acabe do lado positivo da força.

Muito obrigado, Mariana Fernandes. Agradecer também ao Gabriel Alves, ao Augusto Inácio e ao Pedro Henriques. Está tudo dito no E o Campeão É. Nós estamos de regresso amanhã.