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Muito boa tarde, seja bem-vindo a mais uma edição do programa "E o Campeão É", que analisa e pontua a atualidade desportiva. Para isso, tenho comigo três campeões: João Pinto, adepto do Benfica, habitual comentador de desporto aqui na Rádio Observador, também o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Eu sou o Nelson Ferreira. Olhamos também para a seleção nacional. De resto, na edição de ontem de "E o Campeão É" já olhamos um pouco para essa convocatória. Já temos também imagens de Paulinho a receber a seleção nacional no México, país onde joga. A seleção está em Cancún, aqui vai estagiar durante os próximos dias num cenário de férias e de praia, mas que será também de trabalho para a seleção portuguesa. Só mais logo fará o primeiro treino, também com conferência de imprensa aos jornalistas. Olhava para esta pausa também no campeonato e começaria aqui pelo João Pinto. João Pinto, às vezes estas pausas para seleções têm efeitos diferentes para as equipas nos seus campeonatos. Quem é que tem mais a ganhar e a perder com esta pausa para depois um arranque de reta final da liga portuguesa?
Olá, boa tarde. Teoricamente, quem tem mais a perder é quem perder jogadores, é quem vir lesionados das seleções nacionais e a reforçar a enfermaria. Eu acho que esse é o grande fantasma de quem manda os seus meninos para as seleções nacionais nesta altura. Este é o maior problema, e por isso é que vemos um bocado por todo lado lesões de última hora, ataques de caspa, coisas do gênero, que fazem com que muitos jogadores fiquem em casa, acabem por não ir, especialmente quando estamos a falar no âmbito deste tipo de jogos amigáveis, em que os titularíssimos, aqueles que não têm dúvidas nenhumas que vão estar no mundial, são chamados, mas de repente têm saudades de casa.
Augusto Inácio, já ontem abordamos aqui um pouco estas escolhas de Roberto Martínez. Ainda assim, parecem saudar as imagens de Paulinho junto da seleção, apesar, como sabemos, das poucas probabilidades que tem de integrar essa convocatória depois para o mundial. De resto, que tipo de preparação é esta que Portugal pode fazer estes dias pelas Américas, tendo em vista que vai jogar o campeonato do mundo precisamente nessas latitudes? É aqui um esforço de adaptação à zona, ao clima, também, que pretende Roberto Martínez?
Boa tarde a todos. É verdade, isto foi feito com um planeamento bem pensado. Portugal vai jogar naquele estádio e naturalmente fazendo jogos particulares antes do mundial, sabendo das infraestruturas, sabendo do clima, sabendo da altitude, sabendo da temperatura que se faz ali também, é natural que se fizesse o jogo ali e acho que isso nesse aspeto foi bem pensado. Agora, claramente que estes dois jogos que Portugal vai ter, eu estou convicto que o Roberto Martínez vai dar oportunidade a todos de poderem jogar e de participarem. Não estou a ver jogador, a não ser talvez um terceiro guarda-redes, digo eu, que vá para estes dois jogos no México e nos Estados Unidos e que não tenha participação, porque ir só por ir também não vale a pena. Agora, isto é como tudo. Às vezes as menos probabilidades ou as poucas probabilidades de alguns deles não serem convocados para o mundial, imagina tu que, de repente, o Pedro Henriques ontem falou nisso também e eu concordo, imagina tu que o Paulinho faz três, quatro gols, faz uma grande exibição, poderá pôr o Martinez a pensar: "Afinal, eu se calhar tenho aqui um jogador que está a passar por um grande momento". Tudo pode acontecer. Os momentos é que determinam muitas vezes aquilo que é uma ideia fixa que se tem e que depois, por isto ou por aquilo, pode ser este ou aquele alterado. Vamos ver. Agora, acho que os jogadores, aqueles, e como o João Pinto disse bem também, aqueles que estão mais seguros na seleção, esses não estão assim tão preocupados. Aqueles que estão menos inseguros, têm que pedalar e têm que demonstrar que realmente o treinador tem conta com eles ou pode contar com eles, mas depende sempre também daquele rendimento, que às vezes é aquele rendimento extra. Eu quando digo extra é supletivo, ultrapassa aquilo que se calhar era o impensável. Eu diria que esses é que têm que dar mesmo itaperna para irem ao mundial, se quiserem lá estar.
Augusto Inácio, esta é uma realidade muito diferente daquela que viveste também com a seleção neste país em 1986. Já li algumas entrevistas tuas em que falas que esse mundial de 86 foi o início de uma mudança. De alguma forma, este atual estado da seleção portuguesa e das condições que tem para treinar, para disputar uma fase final, para estagiar alguns meses antes dessa competição, é um benefício de mudanças que começaram a ocorrer também nesse famoso mundial de 86.
Sabes que às vezes há momentos em que aqueles que parecem os patinhos feios ou aqueles que parecem que são os maus da fita, são aqueles que dão o pontapé de saída para as pessoas refletirem e olharem com mais profundidade e darem um cariz muito mais profissional do que aquilo que se passou. Nós realmente, aquilo foi, eu já disse isso várias vezes, realmente para alguns um ponto de turismo, um ponto de passar férias, não ligando nenhuma àquela que era a condição do jogo, do treino, das instalações, do acompanhamento, enfim, várias coisas. Esse foi o pontapé de saída. Talvez se não houvesse esse pontapé de saída, a seleção talvez não tivesse este olhar mais profissional, com mais intencionalidade naquilo que é a responsabilidade de representar um país. Eu diria que esse foi o pontapé de saída. E quando ouvi falar que Portugal ia jogar no México, lembrei-me realmente desse mundial de 86
As coisas foram todas bem feitas? Não foram, com certeza absoluta, mas foi realmente um pontapé para as pessoas olharem para o nosso futebol com outros olhos e não aqueles que estavam olhando naquela altura.
Pedro Henriques, muito boa tarde. Bem-vindo também ao "E o Campeão É". Queria a tua opinião sobre uma notícia que está também na imprensa desportiva. De resto, há a informação de que o árbitro Luís Godinho vai arbitrar o particular entre a Espanha e a Sérvia, é na próxima sexta-feira, mas participou numa conferência, creio que ontem, onde fez algumas considerações sobre a videoarbitragem.
Foi hoje.
Foi hoje. Que tem obrigatoriamente de ser melhorada. Fez também algumas considerações sobre um sistema que poderia ser mais eficaz e rápido na análise do fora de jogo. Consideras que são dois critérios onde a arbitragem poderia ainda receber algumas melhorias?
Sobre videoarbitragem, convido-vos depois a um dia destes, quando eu vos convidar para irem assistir à minha tese de doutoramento, que fiz exatamente esse trabalho sobre o videoárbitro e com dados e com estudos científicos, mais concretamente com a análise 2017 a 2021 e a mais recente 2024/25, 25/26. Tem lá tempos de espera, tem essas coisinhas todas bem registradas e com dados oficiais, vindos diretamente da própria Federação Portuguesa de Futebol. O Luís Godinho esteve à margem de uma conferência que decorreu hoje de manhã, na zona de Cascais, onde foi convidado para abordar alguns temas, e um deles foi exatamente esta questão da videoarbitragem, mas aquilo que vai ser a grande novidade para o Mundial, e é disso que temos que estar centrados neste momento, não tem muito a ver com o que pode vir a ser a videoarbitragem. Tem a ver é com as alterações das leis de jogo, que isso é que é mais importante sob o ponto de vista do Mundial. Atenção, porque o que ele falou está correto e a videoarbitragem tem coisas a evoluir, mas neste momento o mais relevante é, neste momento que estamos aqui os três, os quatro, aliás, a falar e os nossos ouvintes estão nos ouvindo. Não sei se as pessoas sabem, mas está a decorrer em Malta, aí sim, um momento muito importante que estão lá todos os diretores técnicos nacionais, ou seja, os responsáveis pelas arbitragens dos países, uns mesmo os seus presidentes, outros os seus gestores, como é o caso do árbitro Web que gera a arbitragem, ou o caso do diretor técnico nacional, como é o caso do Artur Gomes, e que estão a receber quentinhas as últimas informações específicas, inclusivamente para aquilo que vai ser o mundial sob o ponto de vista das alterações às leis de jogo. E essas sim, aquelas que forem pra frente, e vamos ver, por isso é que ainda não me vou adiantar em tudo, embora já há uns zunzuns na internet, essas sim, vão ser realmente impactantes caso vão pra frente, nomeadamente aquela questão dos lançamentos laterais, pontapé de baliza. Se forem aplicar já no mundial de seleções, a questão dos timings, isto é, do tempo que os jogadores têm para executar. Isso vai ser muito impactante, vamos aguardar, porque isso vai revolucionar um bocadinho aquilo que é aquela lógica, muitas vezes, que os jogadores têm do pontapé de baliza, lançamento lateral, a demora. Enfim, vamos ver o que vai acontecer. Agora sim, a videoarbitragem tem coisas para evoluir, tem margem para evoluir, pode ser mais eficaz, pode ser mais rápida, mas a questão da videoarbitragem está sempre dependente da pessoa que está no videoárbitro. Isso significa o quê? Significa que mais tecnologia pode ser importante, mas também mais formação, porque enquanto estiver um árbitro, e vai ser sempre assim. Quando eu digo um árbitro, alguém que está a decidir com televisões e com câmeras alguma coisa, naturalmente que a videoarbitragem tem muita margem pra andar. E a minha expectativa também em relação ao mundial é que se confirme aquilo que neste momento parece-me provável, que é o João Pinheiro ser um dos representantes europeus, o nosso representante português, da lista muito curtinha que os europeus vão ter de participação. Ainda não está decidido se são 12 ou 13 europeus, mas se assim for, que é o normal, dentro daquela cota dos árbitros que vêm de todo o mundo, João Pinheiro que já está numa shortlist de 15 árbitros europeus, esperemos que seja também um dos eleitos.
Muito bem. João Pinto, aproveito também a tua presença hoje no programa "E o Campeão É" para buscar o teu comentário acerca de duas notícias da imprensa desportiva. Uma que dá conta do interesse de vários clubes na Alemanha no defesa António Silva e também o River Plate que parece estar a começar a piscar o olho a Nico Otamendi para um possível regresso. São dois jogadores que jogam na mesma posição. O António Silva tem, de alguma forma, tido menos minutos do que nas épocas anteriores ou do que há alguns meses. Estaria na altura de, no final deste ano, vender António Silva, mas pensando também que se poderá perder Nico Otamendi ou não?
São dois temas centrais. Aqui o tema do Otamendi é a vontade do Otamendi ficar. O Benfica já demonstrou a vontade em renovar, mas o Otamendi tem sido uma pessoa muito séria, um profissional muito sério que está muito ciente do seu projeto profissional e ele queria jogar este ano a Europa, queria jogar a Liga dos Campeões pra estar preparado e chegar com ritmo ao mundial. É assim que lá vai chegar. Agora, para o ano, os planos dele pareciam ser outros e o regresso à Argentina, ou pelo menos a saída do Benfica, parece ser algo que é o mais provável. Já em relação ao António, ele que fique a carreira toda. Não vai nada pra Alemanha, no máximo vai até à Avenida de Berlim, mas nem pensar nisso. O António fica, é pra ficar e é pra ficar a carreira toda.
Muito bem, Augusto Inácio, queria também um comentário à morte de José Maria Richards, é uma figura do Sporting já citada aqui também na imprensa com vários dirigentes e ex-dirigentes do clube de Alvalade, demonstrando o pesar pela morte de José Maria Richards e dizendo que foi um grande amigo do Sporting pelo qual fez grandes coisas. Foi também candidato a umas eleições em 2018. É uma figura que, do ponto de vista familiar, está até ligada a José Alvalade e à própria fundação do clube. Tinha 71 anos. O que é que recordamos dos tempos de José Maria Richards mais próximos do Sporting Clube de Portugal?
Para meu lado, lamentar a sua morte e dar os sentimentos à família e aos amigos de uma partida que para mim foi inesperada, porque o homem só tinha 71 anos e nada fazia prever, pelo menos ao meu conhecimento, que houvesse um desfecho desta natureza. É um nome que teve participação ativa em muitos anos na vida do Sporting. Ele foi vogal, foi também vice-presidente do Conselho Fiscal do Sporting. Entrou nas eleições também em 2018, ficou em terceiro lugar, com a vitória do Frederico Varandas e o segundo lugar do João Benedito, o Richarlyson ficou em terceiro, mas foi sempre uma pessoa conotada com o Sporting, colado ao Sporting, preocupado com a vida do Sporting. Enfim, tentou dar o seu melhor para que o Sporting fosse melhor e nessa perspetiva é um nome que não é desconhecido. E para aqueles mais antigos também e que privaram mais de perto com ele e nas suas atividades, estou a falar desportivas, não estou a falar a nível bancário, como era o seu estatuto, eu diria que Richarlyson foi realmente um homem que também desenvolveu ideias e promoveu debates para que realmente as coisas no Sporting fossem melhores, à sua maneira, claro, uns concordando, outros não concordando, mas naturalmente que quando se fala de Richarlyson, fala-se de um nome sempre ligado ao Sporting, com atividades dentro do próprio clube.
Muito bem, caminhamos para o final desta edição de "O Campeão É". Vamos para o Pedro Henriques, já para um comentário também ao seu campeão de hoje. Quem é e que nota te merece, Pedro?
Olha, porque estamos em momento de seleção agora, vou virar um bocadinho as notas de campeão para aquilo que vai sendo o dia a dia da nossa seleção. Se calhar já devem ter visto, obviamente, as imagens do momento do Paulinho a receber a comitiva. Não deixa de ser curioso.
Referência a isso no início.
Exatamente.
Uma imagem que parece que todos gostaram, não é?
Não, e é aquela questão que ele é que está a recebê-los, ou seja, não é o Paulinho a chegar, é a seleção a chegar, o Paulinho que está lá como verdadeiro anfitrião e está a recebê-los. Portanto, há alguém que nós aqui discutíamos que devia estar na seleção, pelo menos para este chamado, e depois aparece por causa das lesões do Rafael Leão e do Moro. Portanto, de repente ele é chamado e de repente ele é que está a receber. Acho isso fantástico, cinco anos depois a regressar à seleção. Indubtavelmente, também todos achamos que se calhar, se não houver lesionados, muito provavelmente ele não estará naquela lista que depois irá ao Mundial, mas vamos ver o que acontece até lá. Faltam 85 dias para o primeiro jogo. Eu relembro que Portugal joga a 17, 23 e 28 de junho, portanto faltam 84 dias para o primeiro jogo, não é para a chamada da seleção, obviamente, para o primeiro jogo que vamos ter. Portanto, a minha nota de campeão vai exatamente para esse momento, que acaba por ser um bocadinho até insólito e fora do contexto, que é quem estava de fora e quem se calhar vai estar fora, é que está a receber a rapaziada toda como um anfitrião. Mas para a nossa seleção, de maneira geral, para aquilo que vai ser agora esta caminhada, embora pelo meio ainda haja muita competição interna e internacional, relevante e importante, onde os jogadores estão focados, mas para este momento importante de seleção, porque nós não nos podemos esquecer que este ano é um ano em que, partindo do princípio que vai haver campeonato do mundo, que isto não está assim tão fácil quanto isso, há muita coisa para resolver por causa das guerras, mas de qualquer maneira, para a nossa seleção, que seja uma estadia bem aproveitada para fazer as respetivas readaptações, olhar para tudo mais e, portanto, uma nota de 17 para a seleção, com muita expectativa daquilo que nós possamos fazer naquilo que vai ser o Mundial, que é isso que nos preocupa.
Muito bem, Pedro. João Pinto, vamos ao teu campeão de hoje e com que nota?
É um 15 para a Talia Gibson, uma tenista com 21 aninhos, que foi a grande surpresa do Sunshine Double, deste torneio de Miami que está a decorrer e que eliminou a Naomi Osaka. Agora, entretanto, já caiu, mas faz um brilharete e, portanto, 16 para mais esta miúda que vai surgindo.
Um 16 para o ténis. Augusto Inácio, fechamos contigo, com o teu campeão desta quarta-feira.
Uma boa notícia para o Sporting, que ao fim de três meses e no mês de abril, que o Sporting vai decidir muito daquilo que é o seu futuro a nível de conquistas ou não, o regresso do Kenda. O Kenda já está ok, vai chegar ao Sporting na próxima semana e poderá iniciar o seu ciclo de fim do Sporting Portugal desta época. Ainda pode vir a tempo de ajudar o Sporting neste mês difícil. Vamos ver se vai ser assim ou não, mas para já, uma boa notícia, nota 17.
Muito bem, nota 17 para Kenda por Augusto Inácio. Ficamos também com as notas do João Pinto e do Pedro Henriques. O programa "E o Campeão É?" regressa amanhã, depois da 01:00 a.m. Um abraço, campeões.