Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olé! Espanha já está na final desse mundial e espera agora adversário. Inglaterra e Argentina decidem mais logo quem se junta à Espanha. 2 x 0 à França, carimba assim a passagem de Nuestros Hermanos. Para análise a esta vitória, tenho hoje comigo Augusto Inácio, Gabriel Alves, João Pinto e Pedro Henriques. Eu sou o Nelson Ferreira. Gabriel Alves, como é que esta Espanha conseguiu anular esta França, que até parecia ter algum favoritismo nesta meia final?

Boa tarde. Acima de tudo, o coletivo. Deu uma lição de coletivo. Coletivo futebol. Futebol coletivo. Depois mostrou que, de facto, aquilo que é a casa das máquinas é fundamental. Isto é, o meio-campo. O meio-campo da Espanha deu uma lição de bem jogar futebol. Mais fisicalidade, nós falamos disso ontem, aquilo que é o meio-campo francês, aqui o índice físico existe, mas além do índice físico, não é por aí que se fica. Obviamente que há todo um trabalho de conexão e é a partir daí que tudo se gera. Mas eu gostaria de dar aqui algumas notas. Começar por Cubarsí. Eu ontem falei de Cubarsí no final do programa e disse para estarem atentos à saída de bola da Espanha. E eu pergunto: repararam que o Laporte é quem saía, mas o Laporte temporizava a saída de bola até o momento de Cubarsí estar no seu devido lugar? Portanto, Laporte nunca largou a bola sem que Cubarsí estivesse lá. É perguntar ao Mbappé, porque o Mbappé não se viu, o que é que isto representou para a Espanha e para a França. Naturalmente, positivo para a Espanha e negativo para a França. Depois a espinha dorsal, ter um guarda-redes frio, de bons pés e também de boas mãos. Seguindo-se, central Laporte, o meio-campo onde está Rodri, que marca o espaço todo e Fabian é o motor. E ter um Olmo, que é o fusível elétrico, liga todas as linhas. E depois na frente o Oyarzabal, que é um jogador ponta de lança, que não é ponta de lança, é um avançado que joga na longitudinal e na latitude. Isto é, ocupa espaço e cria espaço para outros entrar. E depois tens as alas, o jogo exterior, onde tens um Bayena que é um pensador, temporiza muito bem o jogo quando é preciso temporizar, para que o lateral, Cucurella, possa vir e dar a tal verticalidade. E do lado contrário, um jogador que está longe da sua forma, pelas razões que sabemos, lesionou-se, mas que é um jogador que leva consigo atrás toda uma série de problemas à defesa contrária e quem tirou partido disso muito bem foi Porro, que naturalmente fez uma exibição soberba. E Lamine Yamal, mesmo não tendo feito aquela exibição que se esperava, obviamente que ainda construiu um penalti, exatamente, que abriu o jogo e obviamente criou todo este trabalho de conjugação da equipa. Portanto, os setores a funcionar, os jogadores em multiplicidade. E eu queria chamar a atenção, quando o Luís Enrique saiu, quem assumiu foi o Luis de la Fuente. Luis de la Fuente já vinha da escola de jogadores da Federação Espanhola. Uma parte destes jogadores estiveram nos Jogos Olímpicos. Eu lembro aqui algo que me parece que é importante e vou focal. O que é feito de Rui Jorge, que fez um excelente trabalho na Federação Portuguesa de Futebol? O que é feito? Por que que não se ouve mais Luís Freire, que está a fazer um excelente trabalho na Federação Portuguesa de Futebol? Luís Freire, que deu uma excelente, uma enorme entrevista, enorme no sentido de qualidade ao Canal 11, que eu fiz referência. É porque de facto, os jogadores trabalham o coletivo e é assim, o talento ao serviço do coletivo é fundamental.

Augusto Inácio, demos mais luta à Espanha do que esta França de ontem?

Boa tarde a todos. Pois, eu sou daqueles que pensava que a França estava no melhor momento para jogar contra a Espanha. E eu lembro que o Gabriel Alves, antes do jogo, disse: "Cuidado com a Espanha". E é verdade, o Gabriel tem razão. A Espanha apareceu ao seu mais alto nível, de forma concludente, que eu diria que anulou as grandes virtudes que esta França tem e manteve o seu estilo, que é de posse, que é de rutura, que é de atacar com organização, pensar o jogo. E quando perdia a bola, nunca deu a oportunidade da França poder saltar para o ataque, como tanto gosta Dembélé, Olisé e Mbappé. E por isso a Espanha deu uma lição tática à França, que culminou com o resultado de 2 x 0, justo, e que a Espanha merece estar na final. Eu diria que Portugal, com o seu estilo de jogo, também de espera, de não dar espaço entre linhas, de escolher o melhor momento de poder atacar, embora não com muita qualidade, mas em termos defensivos, Portugal realmente criou muitos problemas a esta Espanha que poucas oportunidades teve contra Portugal. Diria estilos diferentes. Estou convicto que a França pensava que era capaz de ganhar o jogo dentro da mesma forma de jogar, só que o jogo pedia outra coisa e a França não estava preparada para isso. Tinha aquele chip, não mudou o chip e a Espanha estudou muito bem como é que esta França joga e anulou completamente. De referir, e o Gabriel Alves explicou muito bem a situação do jogo, mas eu queria destacar aqui, entre tantos destaques que podia aqui dizer, o Cucurella. Eu não sei se ele tem aquela força, porque se cortar o cabelo perde a força ou não, o que é certo é que o homem está em todo o lado.

É sanção de Espanha.

É isso. E ele pôs no bolso o Dembélé, o Olisé, teve tempo pra atacar, teve tempo pra defender

Fogo, eu só o vi correr, estava eu cansado.

Está num grande momento o lateral espanhol. João Pinto, Lamine Yamal continua um bocadinho discreto, tendo em conta as expectativas de exibições para este mundial. Ainda tem mais um jogo para se mostrar, talvez o mais importante. Achas que poderá brilhar ainda Lamine Yamal e terá mais hipóteses de o fazer contra a Inglaterra ou contra a Argentina?

Sim, ele foi só fantástico. Nós estamos à espera sempre de um jogador extraordinário e que decide, e ele foi só fantástico e muito com aquilo que o Gabriel disse, era um talento ao serviço da equipe. Portanto, ele fez aquilo que tinha que fazer taticamente. Quando tinha que esticar, esticou, quando tinha que defender, defendeu. Aproveitou um Dim que realmente estava num dia não. A Espanha teve esse fator sorte, teve contra Portugal, teve depois contra a Bélgica, ontem voltou a ter. Aquele pênalti não cabe na cabeça de ninguém, mas aquilo que a Espanha fez de bem ultrapassa muito este fator sorte e, aliás, é aquilo que a França também fez de mal. Porque nós em comédia temos uma espécie de mantra, que é: temos que atuar pro público que está na nossa frente e não pro público que está na nossa cabeça. E a França jogou contra o adversário que não estava lá. Portanto, era aquilo do chip, aquilo que o Inácio estava a dizer. Os franceses, se calhar, estavam à espera de um adversário mais fechado, mais temente, mais de contra-ataque, e depois não tiveram um plano B. Portanto, o Yamal fez parte desse plano A de Espanha, que correu lindamente e o que vimos foi realmente quase um enxovalho. Só os números não refletiram a superioridade que a Espanha teve.

Pedro Henriques, Didier Deschamps não gostou da arbitragem. Tem razão o técnico francês?

Boa tarde a todos. O Didier Deschamps me faz uma pergunta... inovador. Portanto, Didier Deschamps, a dado momento, diz assim-

Pedro, tivemos aqui um pequeno corte na tua...

É o Didier Deschamps, são os franceses.

Estão a querer fazer blackout.

Eu vou responder ao Didier Deschamps.

Exato. Retomas.

Ele pergunta: "Se disser alguma coisa da arbitragem, pergunto", o senhor é que perguntou, não sou eu, "se o árbitro esteve à altura de apitar uma meia final". Então eu vou dar a resposta, que também é como uma pergunta: será que a França esteve ao nível de uma meia final? Será que o Lucas Digne, com aquele pontapé que é só estúpido no Yamal, esteve à altura da meia final? Se calhar, faz parte do lote daqueles que deveriam olhar mais pra dentro e tentar perceber coisas diferentes, como quem ganhou o jogo foi a Espanha, não foi a França que o perdeu. E a Espanha ganhou com organização, disciplina, e agora vou tirar uma palavra do Gabriel, mas ele não se importa, porque é a palavra certíssima, coletivo e ainda vontade e atitude. Foi a Espanha que ganhou. Surpreendeu tudo e todos, inclusivamente os franceses. Teve aquilo que raramente se vê. Quando eu vejo um jogador que faz um corte, e o Coco Orellana até fez isso, e depois agarra-se ali ao Cimbri e faz aquele corte e parece que marcou um gol, diz tudo. Quantas vezes os franceses fizeram isso dentro do jogo? Zero. E os espanhóis sistematicamente. Por isso, termino dizendo: liberté, égalité, illuminé.

Gabriel Alves, temos que seguir também para essa Inglaterra e Argentina de mais logo. Um comentário breve, porque vou te pedir logo depois o teu campeão de hoje.

Olha, é de facto uma rivalidade que ultrapassa aquilo que eu espero que seja só relvado e, portanto, o resto seja só mesmo rivalidade, colónia, colonizado, colonizador. El De Telegraaf diz, e vou citar: "Os argentinos odeiam mais os ingleses do que nós odiamos a eles". E depois o Mike Owen também não esquece o que Alan Shearer lhe disse numa noite em que a Argentina acabou com o nosso sonho do Campeonato do Mundo. Por aí percebi que esta competição é um campo de batalha. Eis o que a Inglaterra precisa de fazer para chegar à final. Eu acho que vamos ter um bom jogo, duas belas equipes, completamente diversas, completamente distintas. Duas equipes de grande coletivo, atenção, em que uma tem Messi mais 10 e 10 mais Messi. E isto, portanto, faz simbiose, porque esta equipe é coletiva. E depois temos a equipe inglesa, com todo o seu coletivismo, onde destacam para Harry Kane e Jude Bellingham. Eu acho que o Paul McCartney anda felicíssimo, porque a sua canção "Hey Jude" anda refrescada por todo lado, por todo o planeta.

Vamos ao campeão de hoje, Gabriel?

Olha, o meu campeão de hoje eu vou dar à Espanha, naturalmente. Não lhe dou 20, dou-lhe 18, porque vamos ver o que é que é a seguir. Dou ao Coco Orellana 17. Vi-o jogar quando ele saiu do Júniors no Eibar, como ele cresceu. Maravilha. E vou dar, portanto, uma nota aos cânticos que temos ouvido. Nem tudo é mau. Há coisas tão boas, os cânticos que temos ouvido neste Campeonato do Mundo, e lá vou outra vez a "Hey Jude". Esta multiculturalidade que vai ao futebol é fantástica, dali, daqui e de acolá.

Avançamos com o Augusto Inácio. Algum favoritismo para Inglaterra ou para Argentina nesta meia final de mais logo, Augusto, e o teu campeão de hoje?

Olha, eu já não me atrevo a dizer quem é o favorito, porque eu dizia que também que a França ia ganhar à Espanha e não ganhou. Agora, o que eu acho é que a Argentina não está a ser aquela Argentina de há quatro anos. Está com um futebol mais lento, menos envolvente, menos agressivo do que era há quatro anos. Eu diria, se fosse há quatro anos, que a Argentina ganhava, mas vejo uma Inglaterra melhor do que há quatro anos. Mais solidária, mais guerreira. Harry Kane é realmente Bellingham nos pontos de referência ofensivos dos ingleses. É uma equipe mais cínica, que não se expõe tanto. Por isso, não sei, sinceramente, quem vai ganhar. Espero que seja um grande espetáculo, e é a minha nota para logo. Nota 20 para o espetáculo, que seja um grande espetáculo de futebol

E queria dar também as notas que o Gabriel Alves disse da Espanha e do Coco Orelha. É realmente aquilo que eu ia dizer, não vou voltar a repetir, mas para já nota 18 para a Espanha que está na final com toda a justiça.

João Pinto, avançamos com o teu campeão e um comentário breve ao que esperar deste embate entre Inglaterra e Argentina, cheio de história.

Sim, eu estou com o Augusto. Espero um grande jogo. Ambiciono ver um grande jogo, mas realmente espero uma batalha campal. Acho que Inglaterra já teve todos os azares do mundo. Tem sido uma história heroica dos ingleses neste mundial. Espero que não acabe agora, que avance para a final. Os ingleses merecem mais uma final do mundial depois de um campeonato tão arrancado a ferros. Em relação à nota, já foi tudo dito, 18 à Espanha, 18 também a Rodri, que faz um jogo perfeito, um jogador fabuloso, que está outra vez a namorar a Bola de Ouro. E a última nota, um 20 para Harry Kane, que hoje mete a Inglaterra na final.

Pedro Henriques, vamos também à tua nota de campeão. Um comentário breve. Ainda ontem falávamos aqui da questão dos árbitros, dos continentes e das equipas que estão em campo neste Inglaterra-Argentina. Vamos ter um árbitro norte-americano, que também não se livra da polêmica, porque depois arbitra no campeonato onde está Messi. Há sempre alguma coisa a dizer.

Há sempre alguma coisa a dizer. Por isso é que a minha nota, que são duas, é cinco para o Didier Deschamps, porque explicar o amasse e a lição que levou com a arbitragem é só estúpido. Tentarem também para hoje explicar o que quer que seja com o árbitro que arbitra. Quer dizer, neste mundo global, o difícil é as pessoas não se encontrarem e não terem algum ponto em comum, sobretudo quem anda ao mais alto nível. Dou nota 15 àquele que vai ser Argentina e Inglaterra, porque é uma meia-final e espero que seja mais um bom jogo, porque ontem também acabámos por ter um bom jogo, com características diferentes. Também não se espera um jogo muito aberto, porque obviamente está em causa ir à final e as cautelas também são muitas. E, portanto, o meu palpite, e aqui para ajudar o nosso observador Luís Pinto Coelho. Luís Pinto Coelho, se me estiveres a ouvir, aposta na Inglaterra, já sabes que vais ganhar.

Posso fazer uma pergunta ao Pedro e ao João?

Muito rapidamente, Gabriel, por favor.

Vais acompanhar, vocês vão acompanhar o jogo a tomar uma pint.

Uma pint.

Uma pint, desculpe. Vão tomar uma pint. Ninguém bebe uma malvessa.

Eu não sei se o Pedro Henriques pode por causa da questão da dieta, mas eu bebo duas.

Pode sempre pedir alpha pint ou a glass of, que é mais pequenino.

Exatamente, uma daquelas zero açúcar.

Muito bem. Pedro Henriques, João Pinto, Gabriel Alves e Agustinasso na edição de hoje de "O Campeão É". Regressamos amanhã depois do "Jornal da Uma".