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E depois de uma primeira parte de sonho, o Sporting ia tendo outro pesadelo e outra vez por causa dos segundos 45 minutos, os Leões tiveram de sofrer e muito para vencer o Vitória Sport Clube da cidade de Guimarães. Depois do 3x0 ao intervalo, o 3x2 na segunda parte causou calafrios aos adeptos do Sporting e no Estádio José Alvalade reinou a desconfiança com a equipa de Rui Borges. Eu sou o Miguel Gato e hoje tenho comigo o Pedro Henriques, o Luís Pinto Coelho, o João Pinto e também o Augusto Inácio nesta edição de "E o Campeão É". Obrigado aos quatro. Augusto Inácio, começo por si. Pergunto-lhe como é que se explica um Sporting tão diferente da primeira para a segunda parte. Dar só este dado para começarmos esta conversa: o Sporting não fez nenhum remate na segunda parte, nos segundos 45 minutos.

Bom dia a todos. Deixem-me dizer que o Sporting na Amadora também teve os 36 minutos finais, também não tinha feito nenhum remate, sofreu dois gols e ontem depois do terceiro gol do Altamir aos 41 minutos, não fez mais um remate, ou seja, teve 59 minutos sem rematar à baliza e sofreu dois gols também. Diria que é um Sporting de duas caras, uma primeira parte, eu diria razoável. Eu digo razoável porque o Sporting praticamente fez três remates, fez três gols. O Vitória também esteve perto da baliza, mas não conseguiu ser eficaz e não teve a qualidade que os avançados do Sporting tiveram na marcação dos gols. E depois uma segunda parte com uns hiatos alarmantes. Rui Borges disse quando chegou ao Sporting que a equipa pode não jogar bem, mas não pode faltar a atitude. Ora bem, no Sporting, na segunda parte, principalmente, acho que faltou muito a atitude. E quando digo atitude, não é deste nem daquele jogador, é a atitude coletiva. Um Sporting que ficou amedrontado, deixou-se dominar, deixou que o Vitória de Guimarães ganhasse confiança. O Vitória fez um gol, fez logo de seguida o segundo. O Sporting tremeu com várias verdes, como se costuma dizer, mas depois recompôs-se e o Vitória depois não teve a possibilidade de chegar ao terceiro gol. É uma vitória que vale só pelos três pontos e lá são as atirar muitas. Já na Amadora também aconteceu um pouco disso. A tremideira foi coletiva, não foi deste ou daquele jogador. E o que é certo é que o Sporting demora a encontrar a sua estabilidade de jogo, quer defensiva, quer ofensiva. E por isso mesmo o Sporting sofre, porque com dois gols de avançar na Amadora deixou-se empatar e agora com três gols quase que não chegava para ganhar o jogo. É realmente uma equipa que tem falta de confiança coletiva, diria eu, não é só deste e daquele jogador, mas acima de tudo há que rever certos processos, porque o Sporting não pode, de forma alguma, ainda por cima jogando em Alvalade, a ganhar por 3x0, deixar-se dominar como se deixou dominar, ao ponto de haver um escândalo em Alvalade se o Vitória tivesse empatado.

Passo agora a bola para o Luís Pinto Coelho. Rui Borges disse ontem que os jogadores entraram na desconfiança e queria perguntar se achas, Luís Pinto Coelho, que o problema do Sporting neste momento é mais tático, ou seja, responsabilidade maior de Rui Borges, físico ou mental nestas segundas partes em que o Sporting acaba por perder algum fôlego e deixar os adversários criarem oportunidades e também ganharem confiança.

Olá, bom dia. Eu acho que é um bocadinho das três coisas. Eu acho que há uma questão física também. E parece-me que até pode ter sido intencional nesta abordagem à época, o Sporting na pré-época parecia muito leve, muito solto. Só que neste momento o Sporting dura 60 minutos. Pode ter sido uma estratégia e o pico de forma aparecer bastante mais à frente, mas parece-me que também há ali um problema físico. Depois, há a questão tática. Acho que há muitos jogadores novos, há jogadores com características muito diferentes do que o Sporting tinha. Uma coisa é jogar com o Altimir, outra coisa é jogar com o Yuman, uma coisa é a inteligência tática de Morita, outra é as características de Doumbia. São jogadores muito diferentes, e o Zalazar e Trincão também são bastante diferentes. E depois também há a questão anímica e a pressão do Sporting ter terminado a época mal, começa a época mal, e muitas vezes a desconfiança aparece, surge o gol do adversário ou algo do gênero e a desconfiança aparece.

E são jogadores que não estão habituados a jogar num grande, não é? Vieram de contextos muito diferentes esses reforços.

Sim, obviamente que isso também tem o seu peso, demora o seu tempo. E depois há a questão de balneário, que eu acho que continua, parece-me, o Rui Borges achar que é tudo normal. Ontem quando lhe perguntaram novamente do Suárez, ele ficou muito irritado, acha que é tudo uma cabala da comunicação social, mas, por exemplo, podiam lhe ter perguntado por que no final da época passada o jantar de final da época não se realizou. E não foi por causa de terem perdido a taça, se calhar foi por causa de alguns jogadores estarem com o relacionamento muito conturbado. O problema é que ele está a atirar para baixo do tapete coisas que obviamente estão a afetar o grupo, e o Pote e o Daniel Bragança continuam à parte, não se sabe se saem, se ficam. Tudo isso também não ajuda, obviamente, mas principalmente as questões táticas e físicas, neste momento, são as mais importantes e o Sporting não está num bom momento, claramente.

João Pinto, passo agora a bola para ti e pegando aqui um pouco nas palavras do Luís Pinto Coelho, que falou sobre essas declarações do Rui Borges depois deste encontro, a dizer que os adeptos do Sporting não deviam acreditar em tudo o que leem sobre o tema Luís Suárez. Sendo assim, não era mais fácil Rui Borges explicar o que realmente aconteceu, em vez de deixar este secretismo e revelar esta irritação quando o tema é trazido por parte dos jornalistas?

A questão é que o tema não foi trazido por parte dos jornalistas. O jogador e o seu agente fazem questão de estar sempre a tirar coisas cá para fora e sempre a meter mais lenha na fogueira.

E as próprias publicações nas redes sociais do jogador.

Exatamente. Não é como se os jornalistas tivessem aqui o fato da má pessoa. O que parece é isso, é que há ali um problema para resolver. Há um jogador que muito provavelmente quer sair e que o Sporting não quer que saia. Ele deve ter muitas propostas de muito lado, por um ordenado muito maior, mas que depois financeiramente o Sporting não é recompensado pelo investimento que fez, porque o jogador tem a idade que tem. Portanto, há muita procura pelo jogador, sim, há grandes propostas salariais, provavelmente, mas nem o Sporting está disposto a rever o contrato, nem está disposto a vender por valores tão baixos quanto aqueles que se calhar um Barcelona ou outro estão dispostos a dar. Portanto, o Luís Suárez vai ter que meter a viola no saco, vai ter que baixar a crista e jogar à bola. Eu acho que este problema só tem esta resolução. Ou então o Sporting tem que aceitar perder muito dinheiro. Eu acho que o Varandas não é normal aceitar esse tipo de negociações. Acho que a coisa vai acabar por partir para o lado do jogador.

Pedro Henriques, havia realmente dúvidas relativamente a como é que o Luís Suárez iria ser recebido em Alvalade, se com aplausos, se com assobios. A verdade é que foi um pouco um misto dos dois, mas os assobios por parte dos adeptos leoninos foram bem audíveis quando ele entrou na segunda parte. Isto revela alguma ingratidão dos adeptos ou foi Luís Suárez que está a colher os frutos que semeou?

Restante família. Não é uma cabala da comunicação social. Ele vai para as redes sociais, ainda ontem, em dia de jogo, pôr frases bíblicas. Ninguém faz isso. Ainda por cima é só ler as frases bíblicas que ele colocou e não venham dizer que é por uma questão de fé. É o momento que está a atravessar e algum desconforto, vamos dizer uma palavra simpática, que há neste momento naquilo que é o estar do jogador do Sporting, Luís Suárez, em relação ao Sporting. Se quisermos acrescentar depois aquilo que o Amián também já fez nas redes sociais, percebemos claramente que alguma coisa não está bem. Quando depois vem para cá para fora notícias a dizer que há uns meses atrás o agente andou, entre aspas, a oferecer ao Barcelona e que até houve contatos nesse sentido, percebe-se claramente que há o agente a fazer a cabeça ao Luís Suárez e o Luís Suárez porventura com a cabeça noutro local. Quando o Rui Borges diz que não há nenhum caso, quando ele foi muito importante para o Sporting, muito que já deu, mas muito o quê? Peço desculpa, o que é que ele ganhou? O que é que o Sporting ganhou? É coletivo, não é o prémio individual de ser o melhor marcador. Ele ganhou zero no Sporting. Portanto, quando se lembrarem do Luís Suárez, até ao momento em que estamos a falar, ele não ganhou uma Taça de Portugal, um campeonato, uma liga. E os jogadores, de repente, ficam em bicos dos pés porque acham que já são os maiores e ganharam tudo. Não ganham nada, coletivamente. O título individual é importante, o melhor marcador. E depois restam deste jogo, sobretudo, muitas dúvidas. Eu queria relembrar, não querendo criar nenhum caso em relação ao treinador do Sporting, porque não o conheço pessoalmente, apenas analisando os resultados, o Rui Borges no primeiro ano que supostamente ganha alguma coisa, ganha com os pontos do Rúben Amorim e uma Taça de Portugal que em condições normais nunca teria ganho. Todos nós sabemos do que é que estamos a falar. O Rui Borges no ano passado ganhou zero. Inclusivamente, perdeu de forma vergonhosa, no meu ponto de vista, a final da Taça de Portugal e, mais ainda, quantos pontos é que fez contra o Benfica, contra o Porto e contra o Braga? É talvez das coisas mais tristes para os adeptos do Sporting recordarem na relação com os ditos grandes. E portanto, tenho muitas dúvidas. Quando alguém está no banco, e isso é outra coisa que eu não consigo compreender, que é as substituições pareciam feitas no papel. Eu ontem tinha dito que rasgam o papel do Rui Borges para ele não fazer substituições que estavam no papel. E ele voltou a fazer exatamente o mesmo que fez a semana passada. Ele parece que não está a ler o jogo, tem ali aquilo já metido, que ao minuto 60 tem que sair não sei quem, e faz as substituições em função disso. Pois claro, quando foi a lesão do Vajanides, aí teve que fazer uma alteração forçada. E por que um treinador, assim que há um lance, qualquer que ele seja no jogo, em vez de interagir com os jogadores à moda antiga, que é isso que tem que fazer, vai para o monitor, senta-se, desliga os jogadores e vai ver no monitor e depois fica ali a analisar. Não, isso é para fazer depois durante o meio social. Ali é homem com homem, é relação humana, é interagir, é o aplauso, é o grito, é essa relação que eu acho que, e o Sporting não vai muito longe, no meu ponto de vista, com esta insistência de um treinador que eu acho que não vai ser um caso de sucesso no Sporting. Oxalá, para o bem do Sporting, o Sporting diz que esteja enganado, mas eu acho que grande parte do problema está exatamente no treinador. Eu só pergunto o que aconteceu a um dos jogadores que mais se evidenciou na pré-época, o Rafael Nel. O que aconteceu? Por que o treinador assumiu que ele era o terceiro, quando neste momento, em termos de forma, entre ele e o Ivanovic, estavam claramente a serem os dois os melhores jogadores. Ioannis, peço desculpa, o grego do Sporting, estavam a ser os melhores jogadores. Apareceu o Nel. Por que se insiste em meter um jogador que ainda por cima está com relação menos boa? Onde é que está a questão da liderança para mostrar claramente que ele tem que ter juízo? Portanto, é pôr quem está em forma. Onde é que eu já vi isto, senhor Roberto Martins? A pôr sempre os mesmos e a não pôr os que estão em forma. E o Sporting assim vai andar de intermedário em intermedário e os adeptos do Sporting vão andar com o coração na boca.

Antes de irmos à antevisão ao jogo do Floco do Porto esta noite, Augusto Inácio, eu queria só perguntar-te sobre este caso Luís Suárez, como é que se gere. Nós não sabemos bem o que aconteceu. Temos algumas pistas de bocas do empresário, também daquela situação toda com um dirigente do Fenerbahçe, que havia acordo, não havia acordo. Também temos estas declarações de Rui Borges e as próprias publicações do jogador nas redes sociais. Como é que se gere este caso? Tu que foste treinador do Sporting, também dirigente, como é que isto se pode resolver?

Olha, há uns anos atrás, se se lembram, houve um caso parecido com o Luís Suárez, que foi o Slimani, que era um excelente jogador, um bom homem, um bom profissional, mas que por ter convites de outros clubes, fez umas manhas para a gente se chatear com ele para o mandar embora.

E o que aconteceu? O Slimani começou a treinar à parte, precisamente por causa dos comportamentos que-

Chegou a treinar na equipe B, na altura.

Exatamente. Lembras. Ainda bem que te lembras, porque isto é um caso, eu não digo que é parecido com este, mas se o Suárez, que chegou cheio de humildade, com muita vontade de ganhar, muita vontade de mostrar serviço, foi o melhor marcador, ele não pense de um momento pra outro que o mundo gira à volta dele. Não, ele é jogador do Sporting, e o Sporting, é verdade que lhe dá muito e ele também dá muito ao Sporting, aqui dá-se uma ordem. Mas neste caso, o Sporting continua a lhe dar palco e ele já não está a retornar, porque pensa que tendo estas atitudes, que é assim que pode dobrar alguma ideia do presidente do Sporting e da sua administração para o deixar sair. Não, as coisas não são assim. Ele tem que ter um comportamento profissional, como o Sporting tem com ele. O Sporting está a cumprir com as suas obrigações e ele tem que cumprir com as suas, que é treinar bem, tentar ganhar a condição física necessária, quando jogar, tentar jogar bem, tentar marcar gols e depois deixar que as coisas se resolvam. Porque muitas vezes há o lado invisível, e o lado invisível muitas vezes são os empresários que fazem a cabeça ao jogador e que dizem que se eu fizer isto, pode ter possibilidade de sair, porque há aquele clube atrás, que já está a segurá-lo por trás das costas e assim sucessivamente. E às vezes esse não é o melhor aconselhamento. Por isso, Luís Suárez, a manter-se este tipo de atitude, a manter-se esta falta de disciplina no dia a dia, o Sporting não tem outra opção, na minha opinião, colocá-lo à parte e treiná-lo à parte, no sentido de ir pra equipe B treinar e depois quando ele assentar as ideias e se tiver essas oportunidades depois, que o treinador o traga pra equipe A.

A ver vamos como é que se resolve esta novela Luís Suárez e se o avançado colombiano fica ou não no Sporting até o final do mercado. Passamos agora então para o Futebol Clube do Porto, que defronta hoje o Rio Ave em Vila do Conde. Luís Pinto Coelho, Rodrigo Mora foi tema na antevisão esta partida, nomeadamente a eventual saída neste mercado de verão. Francesco Farioli disse que havia muito ruído à volta do jogador, mas nada em concreto, mais nada do que isso. Como é que olhas para as declarações do treinador do Futebol Clube do Porto? Está a ser claro sobre este tema?

Eu acho que ele foi sincero, obviamente. Acho que não é uma situação fácil pro próprio jogador, que é jovem e tem as suas ambições, obviamente. Mas eu vou deixar aqui um dado, porque às vezes as pessoas têm uma percepção que não é bem a realidade. Na época passada, em 40% dos jogos do Futebol Clube do Porto, o Rodrigo Mora foi titular. Significa que ele também teve muitas oportunidades. Houve exibições razoáveis, outras boas, outras menos conseguidas, mas depois também parte do jogador, obviamente, dar uma resposta. E eu percebo que ele não se sinta tão confortável numa posição mais distante da baliza, como o Farioli o coloca naquela posição oito, que é preciso correr muitos metros. Agora, obviamente, que um treinador não vai abdicar da sua ideia de jogo por causa do Rodrigo Mora. Quando muito, abdica quando temos um jogador de nível mundial estratosférico, como o Messi ou algo do gênero. Não vai abdicar por um miúdo, ainda mais quando o treinador foi campeão. Isso é evidente.

Farioli tem mais argumentos do que Rodrigo Mora nesta luta, nesta batalha, digamos assim.

Sim, eu acho que o coletivo é sempre mais importante que o individual, obviamente. E é o que eu digo, ele jogou bastantes minutos e foi muitas vezes titular. Agora, também tem concorrência de peso. O Gabrie Vega também é um grande jogador, por exemplo. E também é jovem, também não é nenhum veterano. Tem 23 ou 24 anos, por isso também é um jogador jovem. Mas deixa só dar aqui uma pequena nota e muito rápido, que é esta nova tendência dos advogados, de treinadores, de jogadores, de agentes, agora serem comentadores nas televisões e depois vão sempre dando os seus pormenores sobre os negócios. Eu acho mal, acho isso bastante mal. Acho que a Ordem dos Advogados até devia ter uma posição. Fazem a declaração de interesse, mas depois deixam sempre apontamentos. E ontem, num canal televisivo, o advogado do Rodrigo Mora veio dizer que, por exemplo, entre outras coisas, que é quase surreal o Porto estar a pedir 50 milhões por um suplente. E ele é advogado do jogador. Acho que os advogados devem pensar um bocadinho antes de ir pras televisões. Quer ser comentador, é comentador. Quer ser advogado, é advogado. Não pode ser as duas coisas.

O João Pinto, aposto que como adepto rival, está mortinho pra que o Rodrigo Mora saia do Futebol Clube do Porto. Ou não, João?

Não. Sinceramente, acho que até mais como português e adepto da seleção, gostava de ver o miúdo a jogar e a crescer. Fala-se muito em empréstimos e toda a gente empresta jogadores e com cláusulas malucas. Este, pra mim, é um caso específico em que o empréstimo talvez fosse a melhor opção. Emprestar o Rodrigo Mora a uma equipe de um campeonato grande, que fosse do meio da tabela, uma Fiorentina, um Valência, uma coisa do gênero, onde o miúdo chegasse e pudesse jogar. Emprestá-lo a uma equipe que tivesse um sistema tático onde ele encaixasse. E depois ter o jogador a crescer. Era melhor pra todos, era melhor pro jogador, era melhor pro clube. E é um cenário que não é completamente impossível. Acho que nenhuma das duas partes está a ser flexível o suficiente. Acho que vão acabar por resolver o problema, mas nem me parece que é justo estar a prender o miúdo, porque ele não tem lugar no sistema tático. Se não tem lugar no sistema tático hoje, também não vai ter daqui a dois, três, cinco meses. E também não é justo pro Rodrigo Mora querer sair por tuta e meia e pra todo lado, porque claro, o Porto tem que defender os seus interesses. Acho que um empréstimo aqui, se calhar sem opção de compra, a um clube de média dimensão, seria o melhor pra todos.

Seria o melhor cenário. Agostinho Nácio, falando do jogo de hoje, a verdade é que na jornada passada o Futebol Clube do Porto venceu, é certo, com dois gols de grande penalidade e com menos remates do que o adversário, o Alverca. Que ilações a tirar desse jogo pra o duelo de hoje frente ao Rio Ave? O Futebol Clube do Porto tem de entrar melhor ou tem de criar mais oportunidades para certificar-se que ganha este jogo?

Deixa-me dizer que tu falaste, e bem, que o Porto ganhou com duas grandes penalidades. O problema aqui não são as grandes penalidades. As grandes penalidades é saber se foram ou se não foram. O Porto até pode ganhar 8 a 0 com oito penais. A questão é saber se são penais ou não são penais.

Era mais pelo número de oportunidades criadas.

Eu sei. Mas, neste caso, o Porto ganhou por 2 a 0, mas, e este mas tem muitos pontos aqui à frente, o Porto muitas vezes pareceu igual ao do ano passado. Muita luta, muito suor, pouca criatividade e um excelente guarda-redes na baliza que salva o Porto nos momentos decisivos. O Diogo Costa fez três ou quatro defesas daquelas que ganham pontos, porque se o Arouca marca um gol no Dragão, provavelmente iria discutir o resultado, até porque o Arouca jogou muito bem. Eu acho que o Porto continua com os mesmos problemas. Não sei como é que vai arranjar forma de o seu jogo ser mais criativo, porque tem lá jogadores aqui ou lá que podem dar essa criatividade. Por exemplo, o Rodrigo Mora é criativo, mas no esquema de jogo do Farioli não entra porque não é um oito. Ainda por cima, o Porto contratou o Hwang ao Feyenoord, ainda mais tira espaço ao Rodrigo Mora. E aí estou de acordo com o João Pinto, o melhor é emprestá-lo, com opção de compra, sem opção de compra, mas para uma equipa que jogue dentro daquilo que o Rodrigo Mora gosta de jogar, que é por trás do avançado e estar perto da baliza. Ora, se for para uma equipa que não tem esse tipo de sistema de jogo, também não vai fazer nada por essa equipa. Por isso, o Porto vai lutar muito, isso ninguém vai ter dúvidas. O Rio Ave, em sua casa, costuma ser uma equipa muito perigosa. O Porto não deu segurança suficiente no jogo com o Arouca para dizer que o Porto vai ganhar, não sabe a quantos, vai ser um jogo dividido e sinceramente, da maneira como o Porto está, como esteve muitas vezes no ano passado, se sofrer primeiro, vai ser muito difícil dar a volta ao resultado.

Vamos às notas. Pedro Henriques, começo por ti. E se quiseres também fazer algum comentário sobre este jogo do foco do Porto, mas tem que ser muito rápido, 30 segundos para cada agora para as notas. Pedro Henriques.

De forma rápida. O Porto ganhou a semana passada com dois penais bem assinalados. Portanto, o VAR esteve muito bem, foram dois penais sobre o André Silva, que não haja dúvidas em relação a isso. A minha nota, obviamente, hoje vai para aquilo que aconteceu ontem na Volta a Portugal, a morte do ciclista, o jovem de 19 anos, o Finley Lutterloh, que independentemente das causas, os motivos, as razões que penso que vão ser averiguadas, não podem acontecer. E sobretudo no ano em que isso é o menos importante, o que importa é a vida da pessoa, obviamente, e toda a tristeza dos seus familiares e amigos, mas isto não pode acontecer. E uma Volta a Portugal que queria projetar-se no futuro para outro patamar, que era esse o objetivo, eu penso que deu 10 passos atrás. Isto não pode acontecer, não há razões, não há justificações, não há motivos. E espero que se houver apuramento de responsabilidades, tem que haver, que haja punição para quem teve realmente culpa. Não vale a pena falar de outra maneira. Se não, vamos continuar a marinar na incompetência de situações como essa. Lamentável o que aconteceu.

João Pinto.

Nota de pesar para o Finley Lutterloh, obviamente. Uma notícia triste, uma situação lamentável. Nota 10 para o Sporting, que ganha, mas deixou de ser um vinil que tinha um excelente lado A e um belíssimo lado B, e passou a ser um CD, em que parece que o lado B toca pouco ou não toca nada. E nota 10 para o Café Central, que neste momento é o único central que eu vejo que está disponível para o Benfica.

Luís Pinto Coelho.

Obviamente, também uma nota de pesar pela tragédia que aconteceu na Volta a Portugal. E queria dar aqui um 18 para os europeus de atletismo, até em jeito de incentivo, porque hoje e amanhã vamos ter portugueses em ação com perspectivas de medalhas. Já tivemos uma, mas acredito que vamos chegar às quatro ou cinco medalhas neste fim de semana.

Agustinho Nascimento, muito rapidamente.

Claramente, também a nota de pesar por tudo aquilo que aconteceu e por tudo aquilo que já foi dito aqui. E o João Pinto deu a nota 10 ao Sporting, eu vou dar nota 3 ao Sporting, porque o Sporting não pode ser tão fraquinho, tão fraquinho como foi aquela segunda parte. Por isso, ou revêm processos, ou então vai ser sofrimento até ao fim.

Obrigado pelas vossas notas. A edição do E o Campeão É de Hoje fica por aqui. Voltamos amanhã com mais notas e também com mais análise ao mundo do desporto em Portugal.