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Começa agora a edição de sexta-feira do programa "E o Vencedor É?", onde avaliamos e pontuamos os protagonistas da atualidade. Hoje está conosco a Filomena Martins, junta-se aqui ao Bruno Vieira Amaral, ao Paulo Ferreira e ao José Manuel Fernandes. A condução deste "E o Vencedor É?" está a cargo do Luís Soares. Bom dia, Luís.

Bom dia mais uma vez. Hoje fazemos contas aos alunos sem aulas, mas também à corrida presidencial. Filomena, continua a crescer a lista de possíveis candidatos, agora com António José Seguro. Como é que olhas para tanta gente a refletir se avança para Belém?

Começo a perder as contas, Luís. Já não sei. Aliás, se não fosse esta cabala toda judicial, midiática e política, sabe-se lá mais qual, se não fossem todas essas conspirações que agora José Sócrates vislumbra, já que ele não tem um pingo de culpa, nunca teve, poderíamos ter provavelmente o candidato perfeito do PS às próximas presidenciais e não estávamos nisso. Assim, os socialistas continuam à procura do candidato perfeito. Isto quando estamos a pouco mais de um ano das eleições. No verão de 2023, nas primeiras sondagens sobre os possíveis candidatos e apontando só ao PS, vocês têm ideia de quais são os nomes que se destacavam? Pois é, Guterres e Costa. Um com pouco mais de 15%, o outro com pouco mais de 14%. Passos era o terceiro preferido, com mais de 13%, e depois aparecia André Ventura com mais de 11%. E agora isto virou bastante e obviamente o Aveiro e Melo está à frente de todas as sondagens e depois aparece Passos. E claramente o PS está à procura de um candidato que entre, porque nem Santos Silva, nem Centeno têm relevância nas últimas sondagens, aparecem com números muito baixos, tal como Marcos Mendes, é preciso dizê-lo. E portanto, ora se dúvidas houvesse, a disponibilidade mostrada ontem por António José Seguro neste seu comeback político 10 anos depois, dissipou qualquer dúvida, Guterres não vai avançar. Seguro disse ter tudo em aberto, estará a ponderar uma candidatura, porque, passe a redundância, sabe seguramente que Guterres não fará, ambos são muito próximos. Foi seu ministro adjunto, falaram, não há dúvidas. Guterres não vai trocar o cargo na ONU, aparte de não ser o mais elogiado dos secretários-gerais e ter cometido muitos erros ultimamente, tem mandato até o final de dezembro do próximo ano e não vai trocar esse cargo por uma corrida a Belém. Costa também tem o futuro próximo assegurado na Europa. Santos Silva, por muito que continue sempre a mostrar-se disponível à procura do apoio da esquerda mais radical, tem estes números irrelevantes nas sondagens. Centeno, o primeiro nome que Pedro Nuno lançou, um candidato mais moderado, também não surge sequer, o nome dele quase discretamente aparece nas últimas sondagens. Daí que Pedro Nuno tenha depois lançado este nome de Seguro. Seguro nunca foi testado nas sondagens, terá decidido voltar agora para restaurar a sua notoriedade. Tem um ano pra isso, tem os comentários na televisão que vão começar na próxima semana. São importantes, sabemos quão importantes têm sido os comentários na televisão, mas pode, entretanto, também dizer que vai estender a reflexão. Este regresso de Seguro mostra, digo eu, que tá-

Estamos aqui com algumas dificuldades no contato com a Filomena Martins, mas enquanto tentamos aqui restabelecer essa ligação, Bruno, também queres falar sobre este tema, até porque António José Seguro quebrou ontem o silêncio de 10 anos. Assinalas mais alguma coisa além dessa disponibilidade para concorrer à presidência?

Assinalo quase só mais outras coisas para além dessa disponibilidade, porque também não foi muito claro. Em relação às presidenciais, o que fez foi pôr o pezinho na água pra ver a temperatura, mas não anunciou nada. Não sabemos se vai ou não ser candidato. Percebemos que está a ponderar, que vai ver como é que o clima político também evolui nos próximos tempos, se lhe é favorável, e então se avança pra candidatura presidencial. Mas foi sobretudo Seguro a ser Seguro, e eu não sei se isso será muito positivo para o próprio, porque há homens que são a reserva moral da nação e António José Seguro nestes 10 anos entrou nesse lote e muitos aí devem continuar na reserva. Seguro esteve 10 anos sem falar, conquistou respeitabilidade, tem uma aura de seriedade.

Também por esse silêncio, não é?

Ora aí está, sobretudo pelo silêncio. Conquistou aqui uma aura de seriedade que conquista toda gente que se afasta da política e que parece que não se deixa sujar por esse meio imundo da política, também pela forma como saiu e ter cumprido a promessa de não andar por aí a atrapalhar a vida a António Costa. Mas bastou esta entrevista para se perceber as razões pelas quais Seguro foi sumariamente afastado por António Costa da liderança do PS. Não tem carisma, não tem opiniões fortes, joga sempre pelo seguro, passe o trocadilho. E ao fim de 10 anos fora da política, sem intervenções ou com pouquíssimas intervenções, uma ou outra, independente, sem dever nada a ninguém, eu esperava que Seguro fosse mais assertivo, que não estivesse com paninhos quentes a falar de Costa, de Sócrates, da Geringonça, deste governo. Por exemplo, sobre a Geringonça, quando lhe perguntaram se teria optado por essa solução, António José Seguro sacudiu uns papéis, começou a dizer quais eram os critérios que tinha para se aliar a este partido ou àquele. Não foi capaz de dizer: "Não, eu não teria optado por essa solução." Não foi uma opção dele, foi uma opção de António Costa. Passaram 10 anos praticamente desde a constituição da geringonça. António José Seguro por que não é claro a dizer: "Não, essa não teria sido a minha opção." Não quis avaliar a governação de António Costa, não quis dizer se será um bom presidente do Conselho Europeu. Disse: "Sim, tem as características." Mas quais características? Não disse. Para o fazer não tinha de demonstrar ressentimento. Ele procurou aqui mostrar que não é homem de rancores, mas fazer uma avaliação dos seus adversários políticos não implica necessariamente a existência de qualquer rancor ou ressentimento. Há aquela blog do Nani Moretti, do "diz qualquer coisa de esquerda." Aqui pedia-se a Seguro que dissesse qualquer coisa, fosse de esquerda, de direita ou do centro. Questionado sobre os casos judiciais com primeiros-ministros do PS, se prejudicam o partido, disse: "Se prejudicam, já prejudicaram." Sobre Costa, o que disse foi: "O que lá vai, lá vai." Isto pra mim foi uma desilusão, porque dá razão àqueles que acusam os centristas de serem amorfos. E António José Seguro ontem na entrevista foi amorfo, aquele centrismo um bocado gelatinoso, sem espinha e que lembrou por que foi afastado da liderança do PS, por que os militantes do PS preferiram António Costa.

Isto também não resultou bem, perderam as eleições a seguir.

Perderam as eleições, mas conseguiram depois chegar ao poder. Mas António José Seguro mostrou uma vez mais que falta ali um bocado de fibra política. Pode ser uma excelente pessoa, é um político sério, uma pessoa séria, não ponho isso em causa, mas falta-lhe um bocadinho de fibra política e ontem isso voltou a ficar patente.

E por isso que nota lhe dás?

Dou-lhe um sete.

Um sete para António José Seguro. Já conseguimos retomar o contato com a Filomena Martins. Filomena, a tua análise era mais sobre a questão da corrida a Belém, a do Bruno foi mais genérica.

É, foi aí que eu fiquei.

Já estavas a passar para a questão de Gouveia e Melo e também para a possibilidade de ele ser candidato também a Belém.

Pois, porque o que eu acho que está aqui é exatamente o problema em relação a Gouveia e Melo. Os partidos têm um problema com esta entrada de Gouveia e Melo fora do sistema. Se ele avançar sozinho, e parece que pode avançar, basta que não se deixe aprisionar, basta que não se deixe deixar ser reconduzido como tanto quer Marcelo, e a própria direita também tem um problema, não é só o PS. Porque Marques Mendes apesar do palco televisivo que tem, não descola das sondagens. Portas nunca deu qualquer sinal de poder entrar nesta corrida e Passos tal igual como Seguro terá de pensar se quererá ir a jogo perante a possibilidade de perder. Está a ficar interessante esta corrida presidencial. Neste momento a aposta do PS em Seguro poderá obrigar o PSD a tentar convencer Passos e ambos podem decidir apenas em função de Gouveia e Melo. E isto deveria de obrigar os políticos a pensar não apenas em gritar mais uma vez a palavra do costume, populismo, em relação a Gouveia e Melo, porque a verdade é que Gouveia e Melo se fez apenas acontecer na questão das vacinas. Não foi nada especial, não lhe deu essa aura de candidato presidencial, ele apenas pôs tudo na ordem. Não houve privilegiados, não houve politiquices e essa coisa tão simples parece que conquistou os portugueses, que são determinantes nestas eleições presidenciais. E portanto, António José Seguro não é o candidato ideal do PS. Não sei se Passos é muito mais ideal para a direita ou não, veremos se avança ou não. Mas aqui a questão determinante pode ser ou não o avanço de Gouveia e Melo, tudo gira em torno dele.

E a quem quer ajudar nota, Filomena?

Neste momento é a expectativa para esta corrida presidencial com tantos candidatos que se vão todos atropelar aqui algures ou então não fica nenhum. Já não sei o que é que vai acontecer. Estou tão expectante que estou nesta expectativa. Vou ser uma pessoa incrível às sextas-feiras que eu nem nunca dou esta nota. Fica um 10.

Pronto, um 10 da Filomena Martins para a expectativa. João Fernandes vais falar de política no Contra Corrente depois das 10h00, traz por isso também aqui um outro tema, o tema dos alunos sem aulas que, diz o Expresso esta manhã, são este ano menos. Consideras que o Ministério da Educação é aqui um vencedor?

Claramente. É que não são menos, são muito menos. Estamos a falar de uma descida de 90%. É um resultado muito positivo que vem confirmar de alguma forma que a equipa que está na educação está a conseguir levar o barco a bom porto. Conseguiu já desarmadilhar muitas das situações complicadas que havia no setor, criou mecanismos que não são óbvios, não são fáceis, não são imediatos pra procurar mitigar um problema que é a falta de professores, que é um problema estrutural. E atenção, há muitos problemas estruturais no Estado português e desse ponto de vista aquilo que ontem percebemos sobre o INEM é que provavelmente devíamos estar mais preocupados em discutir aquilo em que deixamos que o INEM se transformasse na última década, década e meia, em vez de estar a discutir se convocaram ou não serviços mínimos, se o mail foi ao meio-dia e 43 ou se foi às 14h45, coisas desse gênero, que ocuparam muito alguns deputados, enquanto outros felizmente fizeram algumas perguntas mais diretas naquela comissão parlamentar. De facto, a situação dos serviços de emergência Médica. É mesmo necessário uma refundação, é mesmo necessário repensar tudo. No caso concreto da educação, eu creio que pelo menos há uma coisa que está a ser feita: é tornar o sistema mais viável do que ele era. Nós sabemos que as coisas não estão, nem tudo corre maravilhosamente. Esta semana, por exemplo, tivemos uma greve dos auxiliares de educação.

Foi na semana passada, sexta-feira passada.

Sexta-feira da semana passada, tivemos uma greve dos auxiliares de educação. Não está tudo resolvido. Há sindicatos que estão a procurar complicar tudo novamente por agendas que não são propriamente agendas, eu diria, sindicalistas, têm um lado muito mais político, onde é que arranjam problemas a qualquer governo que esteja no poder, é um bocadinho isso. Mas houve muitos passos dados e não podemos deixar de dar uma nota positiva àquilo que a equipa da área da educação tem vindo a fazer, a estes resultados que não é perfeito, porque o resultado devia ser 100%, não devia ser 90%. Mas quando se consegue algo que muita gente ainda aqui há umas semanas ou aqui há uns meses dizia ser absolutamente impossível, é uma prova de que apesar de todas as dificuldades que existem na administração pública portuguesa e que se foram transformando e multiplicando, porque há camadas e camadas de problemas. Neste caso concreto, algumas das areias da engrenagem foram retiradas, algumas condições mais atrativas foram dadas aos profissionais e portanto deu-se um bom passo em frente. Portanto, para a equipa da educação e particularmente para o ministro, isto é sexta-feira, 90% corresponde a um 18 e portanto foi um 18. Isto é mesmo uma nota daquelas de-

Para terminar bem a semana.

Não sei se como professor na Universidade do Minho, o nosso ministro da Educação dá assim muitos 18.

Se ele era tão generoso.

Se ele era tão generoso, mas pronto, hoje estamos-

Estamos em sexta-feira.

Estamos em sexta-feira, tem que ser assim.

Paulo, esta situação mostra que há soluções para os problemas?

É isso. Pode não haver soluções de fundo, porque este governo também está lá e esta equipa está lá há meio ano, pouco mais. E portanto não se resolvem problemas de décadas ou de uma década em seis meses. Mas há medidas e há medidas pontuais, há flexibilidade suficiente, assim sequeira tomar medidas para ir resolvendo aqui e ali. E de facto, quando nós olhamos para isto, o ano passado havia, no final do primeiro período, nós ainda não chegamos lá, estamos a um mês do final do primeiro período. No final do primeiro período do ano passado havia 21 mil alunos que continuavam sem ter pelo menos um professor. Ainda não tinham pelo menos uma disciplina dada, nenhuma aula desde o início do ano. Agora são 2338. 21 mil para 2338. E atenção, um mês antes daquilo que era o objetivo. Porque o objetivo era, de facto, para o fim do primeiro período e ainda falta um mesito. E como é que isto se consegue? Há aqui milagres? Não, não há milagres. Como é que isto foi feito? E está nos press e o próprio Fernando Alexandre explica como é que, de alguma forma, um conjunto de medidas pontuais que conseguiram atrair cerca de 5 mil novos professores ou então pôr alguns a fazer horas extraordinárias, que são pagas, como é evidente. Uma ou duas horas por semana, cerca de 2 mil professores, já é qualquer coisa que se faça. Depois, foi dada a possibilidade às escolas de contratar diretamente professores. Aqui o carma é a autonomia às escolas que tanta gente tem pavor e a municipalização e por aí fora. Percebe-se por quê? Por razões sindicais. Os sindicatos, a última coisa que querem é ter 308 patrões, se quisermos, da educação em Portugal. Querem um concentrado em Lisboa que é para poderem ir lá pra porta fazer barulho. Não vão andar depois de conselho em conselho a protestar aqui e ali. Portanto, é uma questão muito prática logística da atividade sindical ser contra aquilo que toda a gente, em princípio, é a favor em todo lado, que é descentralização, colocar a tomada de decisão mais próxima do terreno. Aqui foi dada a possibilidade às escolas de contratar diretamente professores, já estava prevista na lei, obviamente, foi incentivada e a coisa foi acontecendo. Depois entraram este ano também nas escolas, sobretudo por esta via, 4181 novos docentes, que nunca tinham antes dado aulas, pelo menos no sistema público, e que foram atraídos. E depois também houve docentes que já estavam reformados, não davam aulas, quase 700, não davam aulas há mais de um ano, há pelo menos um ano, e que voltaram a entrar na profissão. Lá está, é preciso dar-lhes condições. E assim se consegue, em vez de se fazer isto uma coisa panfletária, só de: "Vejam só o que está a acontecer, vejam que não há alunos", é olhar para aquilo que é o objetivo. O objetivo, e a educação é fundamental para o desenvolvimento do país, é basicamente garantir educação a todos os alunos e estas medidas têm esse objetivo independentemente de serem mais pra direita, mais pra esquerda, mais pra cima, mais pra baixo.

Acompanhas o 18 do José Manuel Fernandes?

Aliás, parece-me que na maior parte das vezes são medidas de gestão.

De gestão de bom senso. Não há nenhuma reforma estrutural.

Haverá necessidade de tomar medidas mais estruturais.

Claro. Para evitar estas.

Para evitar estas, que há muitas delas de aflição. Mas sejas lá como for, às vezes um bocadinho de melhor gestão resolve muitas coisas, não é?

Sem dúvida. Acompanha. Se acompanho, acompanho o 18 do José Manuel.

E é com dois 18 que termina este "O Vencedor". Esta de regresso amanhã na versão de fim de semana, depois das 10h30.