Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o "You Vençorê" das manhãs 360. Até perto das 9:00 damos notas aos protagonistas da atualidade e para isso, Carla, esta quinta-feira juntam-se a nós o José Manuel Fernandes e o Miguel Pinheiro. Esta manhã vamos dar notas à Iniciativa Liberal e também a Marcelo Rebelo de Sousa, que tem estado nos últimos dias junto das zonas mais afetadas pelo mau tempo. José Manuel, como é que tem estado o presidente da República?
Irregular.
Intermitente.
Irregular, intermitente, quase. E porventura a cometer alguns dos erros de comunicação que ele criticou ao governo, que é porventura falar sem ter a informação toda, dar palpites, sentir-se na obrigação de comentar. Há dias em que atua com cuidado, há dias em que parece mais um comentador sentado no estúdio de uma televisão. Enfim, ele nos primeiros dias não esteve no terreno. Oficialmente é porque foram as recomendações na sequência do desastre de Pedrógão, depois começou a ir. Nós sabemos que entretanto ele também esteve fora do país, esteve em Roma, foi visitar o Papa. Não creio que esteja a ter a melhor intervenção de todas, porque nestas alturas aquilo que se calhar é mais importante é dar conforto às pessoas e não fazer previsões. Por exemplo, nós recordamo-nos que em Pedrógão ele cometeu vários erros, nomeadamente ao dizer que tinha sido feito tudo e que não havia mais nada a fazer. Quando nós depois verificámos que houve vários erros.
Isso logo no primeiro momento.
Logo no primeiro momento. Eu acho que ele está a tentar evitar isso, mas ele tem aquele lado incontinente que não lhe permite ter mais distância, o que acaba por, na minha perspectiva pelo menos, muitas vezes desviar o tema dos debates. Eu acho que no caso de um presidente, as intervenções públicas, nomeadamente durante entrevistas feitas por António José Seguro, são mais presidenciais, digamos assim, que estas intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa. E depois, de facto, Marcelo Rebelo de Sousa, há outra coisa que me faz um bocadinho de impressão, devo dizer, mas isso é a minha maneira de ser, digo já, que diz respeito tanto a Marcelo como também a Luís Montenegro, que é andarem por zonas cheias de lama, cheias de entulhos, cheias de tudo, fato e gravata, sapatinho não sei o quê. Às vezes lá põem um daqueles casacos cor de laranja da Proteção Civil pelas costas. Desta vez nem reparei se alguma vez o fizeram. Mas eu acho que nisto queremos fazer algo que muitas vezes é importante, que é fazer aquilo que Marcelo, por exemplo, nos focos foi muito bom a fazer, que é abraçar as pessoas, dar-lhes um calor próximo, nem que seja só duas ou três, mas transmitir isso a todas. Naquele preparo, talvez seja menos confortável, no mínimo.
Saudades do casaco verde António Costa, o do casaco das tragédias.
O casaco verde cor de laranja, que são aqueles casacos da Proteção Civil, qualquer tipo de coisa, umas botinhas. Não é preciso andar sempre com umas calças de ganga, sei lá, em vez de ser com fato e gravata. Mas isso é talvez a minha informalidade. Não sou especialista em comunicação, nem quero ser. É a minha perceção, é apenas isso. Aquilo mais importante é aquilo que se vai dizendo ou não dizendo. Nós temos hoje uma peça publicada nas últimas horas, uma peça do Observador, que recapitula o que Marcelo foi dizendo, avanços, recuos, alturas em que era mais contido, alturas em que deixava críticas ao governo. Ontem resolveu dar palpites sobre as telecomunicações. As empresas que informaram têm milhares de pessoas no terreno, não acharam graça e provavelmente as empresas têm razão, porque isto não se faz tudo de um dia para o outro. Quando todas as antenas estão embaixo, olha, nós que temos preocupação em chegar às pessoas todas, temos meia antena na zona de Leiria embaixo e portanto a qualidade da rádio na zona de Leiria não está tão boa como nós gostaríamos que estivesse, mas daí até conseguir pôr toda a antena de pé, não sei quanto tempo é que vai levar. Para já garantimos que ela está a transmitir, o que é o mais importante, mas não está tão bem como poderia estar e portanto há telecomunicações que provavelmente estão com intermitências e vêm abaixo. Enfim, acho que o presidente nisso tem que ter cuidado, porque de facto uma coisa é agradar ao ouvinte daquela aldeia que está sem telecomunicações, outra coisa é perceber que há também muitos trabalhadores que estão a trabalhar, às vezes debaixo de chuva, em condições dificílimas, para conseguir repor as infraestruturas que foram muito destruídas. É um equilíbrio difícil, eu sei, mas acho que Marcelo tem andado um bocado errante, pelo menos naquilo que eu tenho percebido. Tem sido um bocado Marcelo. No fundo, aquilo que ele foi.
Marcelo a ser Marcelo.
Marcelo a ser Marcelo e portanto estamos a chegar ao fim do mandato, não devíamos estar surpreendidos por isso. Eu vou ser piedoso, vou dar aquela nota chata que é quase positiva, porque apesar de tudo anda por lá, esforça-se, procura transmitir empatia, portanto vai um nove.
Vai um nove. Uma nota chata, Miguel, para um presidente que tem estado errático, também te parece?
Tem estado errático, mas acho que nestes últimos dois dias tem acertado. Um presidente da República não tem muitos poderes. Falamos sempre sobre isso e temos falado muito sobre isso nesta campanha eleitoral. Não tem muitos poderes, tem o chamado poder da palavra. Toda a gente diz sempre isto: o grande poder do Presidente da República é o poder da palavra. E é Acho que é positivo que o Presidente da República seja uma espécie de grilo falante nestes momentos e que chame a atenção para aquilo que não está a correr bem. Ontem, por exemplo, o Presidente da República criticou, com toda a razão, declarações como a do ministro Castro Almeida, que disse que não havia pressa para fazer chegar a ajuda financeira às pessoas, porque tinham recebido agora o salário de janeiro e portanto tinham uma margem para já. E a verdade é que Castro Almeida ontem foi à RTP e reconheceu que tinha estado mal.
Foi uma má escolha de palavras.
Na maneira como tinha falado. E o Presidente da República tem chamado a atenção para as coisas óbvias. É evidente que há coisas que não estão bem, e a tentação dos governos é sempre fazer de conta que está tudo ótimo, é fazer como no velho oeste, quando se punha as carruagens a fazer um círculo para se protegerem do ataque dos índios. Os governos têm esta mentalidade de cerco. E isso é mau em todas as circunstâncias, pior ainda em circunstâncias de tragédia. E eu acho muito útil termos um elemento do sistema, do poder político, um representante do regime, que não permite que se crie um discurso de fantasia sobre o que se está a passar. Em relação à questão das telecomunicações. Parece-me que Marcelo Rebelo de Sousa falou de uma coisa e as operadoras responderam a outra. Naturalmente, não sou especialista neste assunto, mas acho que Marcelo Rebelo de Sousa levantou uma dúvida para a qual eu gostava de ter resposta. E atenção, se calhar as operadoras têm razão, eu não sei. As operadoras vieram dizer: "Temos milhares de trabalhadores no terreno, em circunstâncias difíceis, a fazerem tudo, horas e horas para restabelecer a normalidade." E com certeza, ninguém contesta isso e toda a gente agradece isso. Mas essa não foi a crítica de Marcelo. Marcelo não disse que as operadoras não tinham ninguém no terreno a trabalhar. O que Marcelo disse foi que, e vou citá-lo: "As infraestruturas de telecomunicações, de comunicações, são do tempo da Maria Cachucha" e que, portanto, ficam especialmente fragilizadas em momentos destes. Ficam mais suscetíveis de ir abaixo e é mais difícil recuperá-las, porque estamos a falar de infraestruturas do tempo da Maria Cachucha.
Miguel, eu ainda não sei se ele não estava a falar dos postos de eletricidade.
Era? Não era das telecomunicações?
O que eu vejo aqui citado nas notícias era uns postos de eletricidade.
Para o caso das telecomunicações móveis, o que é que é tempo da Maria Cachucha?
Não, não.
Diz lá o que é que são. É antenas? As antenas são do tempo da Maria Cachucha, é isso?
Não. Ó Zé.
Tem 15 anos, algumas delas, se calhar menos.
Mas eu comecei por dizer que eu não sei se ele tem razão.
Como é que queres que se passa? Tudo por satélite? De repente, todo o país tem satélites, é isso?
Eu não quero nada, Zé.
É que ele não sabe do que está a falar, acho eu. Simplesmente não sabe do que está a falar.
Zé Manel, eu não quero nada. Eu só estou a dizer que gostava de saber.
Está bem, tu não queres nada, mas não podes dizer que é do tempo da Maria Cachucha.
Mas eu não disse que é do tempo da Maria Cachucha, Zé. Ó Zé, mas estás-me a ouvir ou os cães estão a ladrar de tal forma que não me ouves? Eu não disse nada disso.
As infraestruturas são do tempo da Maria Cachucha.
Não, não disse isso, Zé. Zé Manel, eu não disse nada disso.
Então, o que é que disseste?
Pronto, agora estás a ouvir? Eu disse que o presidente disse.
Há um problema nas comunicações, está provado.
Há um problema, claro.
Eu vi o presidente a falar sobre o fato de serem do tempo da Maria Cachucha. Fiquei aqui com uma dúvida sobre se-
E achas bem que ele diga isso? Achas que isso é verdade?
Isto está muito difícil, Zé. Queres que eu volte ao início? Posso voltar ao início ou então depois tu vais ouvir em podcast.
Depois vais estar em podcast.
Eu não estou a dizer nada disso. Comecei por dizer: eu não percebo deste assunto, temo que estejam a falar de coisas diferentes uns e outros. Eu gostava de perceber um bocadinho melhor o que o presidente está a dizer e se a resposta das operadoras é àquilo que o presidente disse. É só isso que eu disse, Zé. Foi só isso que eu disse. Pronto. Portanto, acho que era útil o presidente esclarecer exatamente quais eram as críticas, para depois percebermos se há um problema ou não. É esse o meu ponto. Em relação ao resto, acho que o Presidente da República deve chamar a atenção. Claro, com certeza que não estamos a falar do Presidente da República repetir acriticamente todas as coisas que houve nas visitas que faz. Naturalmente que ele até tem uma obrigação de pedagogia, de ser pedagógico quando fala com as pessoas afetadas por tragédias como esta e de poder também explicar aquilo que vai sendo feito e explicar também que, infelizmente, não é possível, num passe de magia, resolver os problemas todos. De qualquer maneira, acho útil ter alguém que não-
Certo. O problema é que estamos a falar de um Presidente da República que está há 10 anos no cargo. Eu bem sei que o Presidente da República não tem poder executivo e, portanto, estas questões não lhe competem a ele resolver, mas ele tem se envolvido tanto nos assuntos correntes Da governação, nomeadamente quando há casos destes, e Pedrógão foi talvez o ponto mais alto, que é muito estranho ele agora vir, por exemplo, dizer: "As Forças Armadas têm de coordenar-se melhor com a Proteção Civil." Está bem, lembra-se disso agora, mas não se lembrou disso há cinco anos?
Isso é verdade.
Ele é um bocadinho cúmplice disto tudo.
Isso é verdade, não há dúvida, mas acho também que não podemos cair num ponto em que a dada altura é impossível um responsável político dizer seja o que for, a não ser que tenha nascido ontem.
Sem dúvida.
Então Marcelo Rebelo de Sousa não pode dizer nada, Luís Montenegro também não pode dizer nada, porque já anda na política há não sei quanto tempo. José Luís Carneiro também não pode dizer nada, porque também anda nisto há não sei quanto tempo. Enfim, acho que tem que haver aqui, apesar de tudo, uma margem para ser possível avançar. Agora, com certeza, não há dúvida que Marcelo Rebelo de Sousa teve uma grande ligação às várias catástrofes que foram acontecendo. Ele próprio até disse que só se recandidatou por causa de Pedrógão Grande, senão nem sequer se tinha recandidatado e portanto envolveu-se muito nestas questões. Agora, reconhecendo isso, acho que tem que haver alguém no sistema que vá chamar a atenção para o que correu mal, porque senão é só quem está fora do sistema. Podemos querer isso.
Não, isso sem dúvida. Isso é evidente que fazer a avaliação do que corre bem e do que corre mal, e nestas coisas por regra há mais coisas a correr mal do que a correr bem, é fundamental. O que eu acho é que é um bocadinho acertar no Totoloto à segunda-feira da parte do Marcelo. Tendo ele de alguma forma também muito tempo nos últimos anos para, até em privado, ir falando com os responsáveis governamentais: "Olhe, veja lá essa coordenação agora das Forças Armadas e com as operadoras isto e aquilo." Com as operadoras, de facto, aquilo que eu leio é o termo Maria Cachucha, que ainda por cima eu acho que a expressão em si está completamente fora de tempo.
Mas não foi sobre isso, foi sobre outra coisa.
Acho que foi sobre os postes de eletricidade.
Pronto, Zé Manel. Não foi sobre isso. Aquilo que o presidente disse não foi sobre o tempo da Maria Cachucha. Eu estou esclarecido.
Mas a questão aqui é que ele disse: "Não podemos ter tanto tempo para a reposição da normalidade das telecomunicações. Portaram-se muito mal." Quer dizer, eu não sei que indicações é que ele tem sobre o tempo para erguer torres, pôr aquilo tudo a funcionar, puxar cabos. Enfim, é um trabalho hercúleo. Aqui e na eletricidade.
A ideia com que eu fiquei é que o ponto dele era o de que isto estava a demorar tempo.
Não havia investimento na infraestrutura, basicamente.
Certo, foi a minha interpretação. Se não foi essa, se é uma interpretação errada, José Manuel Fernandes está corrigido em direto.
Pronto, os cães do José Manuel acalmaram, o que significa que isto ficou mais esclarecido.
E o Presidente da República cria aqui indiretamente, e sem querer, um conflito, e ele que devia ser de união entre as pessoas. Temos toda a gente no terreno. No domingo vai haver a segunda volta das eleições e eu acho que há neste momento uma grande dúvida: se tudo isto, e o tudo isto é tudo isto, a forma como os dois candidatos têm estado no terreno a falar disto também, André Ventura a gesticular e a dizer mal de tudo e de todos também, que isto funciona tudo mal. António José Seguro com uma postura já muito institucional, também exigente, mas uma linguagem que nós, por regra, vemos ser utilizada pelos presidentes da República, tudo isto vai ter ou não impacto e em que sentido? Eu acho que há uma grande dúvida neste momento. E há também a dúvida da abstenção, até que ponto é que há uma desmobilização, até por causa do próprio mau tempo que poderá estar no domingo, uma desmobilização a nível das urnas ou de alguma maneira nas zonas afetadas, alguma incapacidade ou até alguma resistência. As pessoas estão zangadas neste momento com o país, e têm boas razões para isso, com o país e com o Estado e com a forma como tudo isto é muito duro e muito difícil. Aliás, há uma presidente de junta, se não me engano, de São Simão, concelho de Pombal, que diz que ela própria vai boicotar o ato eleitoral no domingo. Pode vir a ser presa, mas porque foram simplesmente abandonados pelo Estado e, portanto, no entender dela, populações que são abandonadas pelo Estado devem, neste caso, mostrar dessa forma o seu protesto. Eu acho que isto abre uma grande dúvida para domingo. Não sei se isto são movimentos que as sondagens estejam a apanhar.
Consigam captar.
Mas pode de alguma forma levar a algumas surpresas, não direi no vencedor, mas pelo menos na amplitude da vitória e da derrota. E há mais em jogo do que saber quem é o próximo presidente da República, como sabemos.
A tua nota, Paulo, rapidamente.
Olha, eu dou aqui um 12 ao Zé Manuel e ao Miguel, porque foi um debate esclarecedor sobre o que estávamos a falar.
Muito animado, e com os ouvintes a vibrarem.
Estou a fazer o sinal do coração pra ti, Paulo.
Exato. Uma nota artística.
Para este debate. Miguel, dás nota a quem? Ainda não deste nota.
Só para contrariar o José Manuel Fernandes, já agora, vamos isto até ao fim, eu dou uma nota positiva, dou um 12 a Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo que ele tenha exagerado na questão das operadoras.
Não vai nota para Maria Cachucha.
Não. Acho que nós também não podemos dizer que os presidentes têm sempre discursos redondos, e acho que é mau numa altura destas. Claro que a união é importante, mas também é importante que não seja uma união fictícia. Acho que é importante chamar a atenção para o que não corre bem.
Um 12 para o Presidente da República. Bruno, traz aqui a Iniciativa Liberal também.
Sim, começando pela questão do movimento anunciado por João Cotrim de Figueiredo, a primeira reação depois do anúncio por parte da Iniciativa Liberal foi de desvalorizar o movimento, dizer que não era um novo partido, que não era uma ameaça a ele, nem era uma crítica às lideranças que se seguiram à de Cotrim de Figueiredo. Mariana Leitão veio dizer que é um movimento necessário e agregador. Mas como é óbvio, um movimento lançado por João Cotrim de Figueiredo na ressaca de umas eleições em que ele alcançou 900 mil votos, não pode ser uma coisa inócua, nunca seria uma coisa inócua. Não é o mesmo que ele ter dito que ia pra um think tank ou ia colaborar com o Banco Alimentar contra a Fome. É uma coisa política, um movimento político com relevância. E agora sabe-se que houve uma reunião do Conselho Nacional do partido no fim de semana e houve conselheiros que tinham dúvidas sobre o impacto, a natureza deste movimento e João Cotrim de Figueiredo teve uma intervenção em que tratou, de acordo com a revista Sábado, de tranquilizar os conselheiros que tinham dúvidas. Se sentiu essa necessidade é porque, obviamente, o anúncio do movimento deixou preocupados alguns membros do partido. E a própria Mariana Leitão, nessa reunião, veio falar na necessidade de alterar a forma como a Iniciativa Liberal é percebida pelo eleitorado, para ser mais vista de um centro-direita reformista. Esta questão do alcance da Iniciativa Liberal tem sido discutida nos últimos anos. Aliás, por isso mesmo é que houve mudanças na liderança do partido. Mas o que é óbvio é que este movimento de Cotrim de Figueiredo é uma tentativa clara de reorientação da linha e da estratégia do partido. Mas a partir de fora, não de dentro. Porque há a convicção de que afinal existe mesmo uma margem de crescimento que passa por ocupar o espaço do PSD. A leitura que Cotrim de Figueiredo fez dos resultados da primeira volta é que o partido não tem que se resignar aos 5% nas legislativas. Tem de estar preparado para se lançar a esse eleitorado do PSD quando sentir que não existe uma boa alternativa dentro do espaço do PSD e da AD. E este movimento é isso. Agora, qual é que é o problema pra Iniciativa Liberal? É que Cotrim de Figueiredo não tem perfil para ser uma eminência parda. Um movimento destes corre sempre o risco de eclipsar a liderança do partido, para não dizer já o próprio partido, mas pelo menos a liderança do partido. Portanto, há aqui um problema, por muito que se tente dourar a pílula, a Iniciativa Liberal tem um problema com este movimento de Cotrim de Figueiredo. Uma última nota para a questão do assédio. A Iniciativa Liberal sabia da existência destas duas denúncias. Na altura, disse que ia verificar. Verificar o quê? Havia duas denúncias. Ninguém no partido sabia que existiam duas denúncias de assédio. Não eram 500, não eram zero, portanto, uma coisa que obrigasse a uma investigação. Não, sabiam. E decidiram na altura, em contexto de campanha eleitoral, não o dizer, provavelmente com receio de que isso pudesse afetar ainda mais a candidatura de Cotrim de Figueiredo. Mas fez mal, agora veio reconhecer, mesmo dizendo que não afetou ou não envolvia diretamente João Cotrim de Figueiredo, não eram denúncias que visassem Cotrim de Figueiredo. A verdade é que teve de vir a reconhecer que existiam essas denúncias. E eu vou dar uma nota geral à Iniciativa Liberal e é um seis.
É um seis para a Iniciativa Liberal e o Vensor R regressa mais logo na Tarde Política. Começa a seguir ao jornal das 18h, esta quinta-feira dão notas a Judite França, o Anselmo Crespo e o Nuno Gonçalves Poças.