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Está no ar mais um "YouVence Doré". Já sabe que para além de nos ouvir na rádio, também nos pode ver. É só acompanhar-nos em direto através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Carla, esta manhã, terça-feira, estão conosco o José Manuel Fernandes e também Alexandra Machado.
E esta manhã vamos olhar para a saúde, agora que a gripe se instalou. Vamos procurar jornais no interior, mas vamos começar com pastéis de nata. Foi assim que a The Economist olhou para a economia do ano, 2025, a portuguesa. José Manuel, que valor é que dás a esta distinção?
Bom dia, Carla.
Bom dia.
Dou um valor muito relativo, porque esta distinção, nos últimos anos, basicamente distinguiu penso que duas vezes a Grécia, uma vez a Itália, uma vez a Espanha e agora Portugal.
Exatamente.
E nós olhamos para o mundo, olhamos para a Europa e ficamos um pouquinho de boca aberta para tentar perceber o que está a acontecer, porque de repente temos uma espécie de Tigres do Sul aqui nesta zona.
Dos pigs aos tigers.
Isto tem muito a ver com os critérios usados pela Economist, sendo que um deles é naturalmente o crescimento, e aí Portugal nem sequer está entre os cinco primeiros. Outro é a inflação, e aí Portugal está bem, quer dizer, ter a inflação controlada é importante, mas às vezes também é um sinal de menos entusiasmo no consumo. E o indicador que mais me surpreende, devo dizer com toda a franqueza, é a valorização que tem o indicador da Bolsa portuguesa. A Bolsa portuguesa é uma bolsa quase inexistente, já nem há PSI 20, porque já não há empresas suficientes para fazer as 20. E por isso, de facto, o ano passado teve uma valorização grande, 20%. Eles até no fim quase que recomendam que se invista este ano, porque vai valorizar outra vez 20%. Espero que sim, para todos os investidores, mas não sei se isso tem um valor económico assim tão grande. Boa parte das maiores empresas portuguesas ou das empresas mais valorizadas nem sequer estão cotadas na Bolsa em Portugal. Ou não estão cotadas na Bolsa, ou não estão em Portugal, como é o caso, por exemplo, dos grandes bancos, que hoje em dia já são propriedade de bancos estrangeiros. Acho que é sempre uma boa notícia, não é de ficar mal disposto, pelo contrário, mas eu recomendava que fosse também lido um outro artigo, deixa-me confirmar se foi ontem ou se foi hoje. Não, já tem uns tempos. No Financial Times, já tem até uns meses, mas que andava a ser também partilhado nas redes, sobre o que se está a passar nestes países do Sul. E de facto, o conjunto dos países do Sul tem crescido. E quando falo do conjunto dos países do Sul, estou a falar Portugal, Espanha, Itália e Grécia, tem crescido bastante mais que a média europeia nos últimos anos. Eles tiveram um desempenho péssimo no período de 2008 a 2013, todos nos recordamos. Tiveram quebras acumuladas muito grandes e depois, no período que vai de 2022 a 2025, são campeões da Europa. Agora, há uma coisa que é sublinhada nesse artigo da Economist e que me parece que também tem importância para Portugal, que é a canalização de dinheiro que tem vindo para estes países, vindos do chamado PRR, dos fundos europeus da Bazuca. A quantidade de dinheiro que veio para Portugal, Espanha, Itália e Grécia da Bazuca, veio e continua a vir, é muito desproporcionada relativamente ao que se passa com os outros países. Só para dar uma ideia, estes países representam 28% do PIB, da riqueza da zona euro, e a expectativa, se conseguirem gastar o dinheiro, é que recebam 78% dos fundos deste programa, o chamado Next Generation, Próxima Geração União Europeia. Isto ajuda bastante e, aliás, este artigo não analisa em concreto Portugal, mas analisa Espanha, analisa Itália e analisa a Grécia. E as razões em todo lado são relativamente semelhantes, exceto em Espanha, onde de facto o que se está a passar é mais estrutural, porque tem a ver com investimentos brutais em energias renováveis, que esses sim, são porventura mais estruturais, mas a palavra do ano este ano em Portugal foi apagão, não foi? E teve um bocado a ver com a velocidade do que se está a fazer em Espanha e a forma como isso está a acontecer em Espanha. Portanto, eu acho que são boas notícias. Não nos tornaram ricos de um dia para o outro, porque infelizmente continuamos com um rendimento médio muito abaixo da média europeia, nem sequer chegamos aos níveis que estávamos antes da crise em termos de rendimento médio, mas é sempre bom receber essas notícias, mesmo quando uma parte do que nos está a acontecer tem a ver com, isso também vem muito no artigo do Financial Times, com o turismo, e a outra parte, com os fundos que nos estão a chegar. Mas se ficar cá alguma coisa e se aproveitarmos o balanço, ainda bem. É sempre melhor partir um bocadinho mais à frente quando isso está a acontecer, não é?
É bom marketing sobre tudo.
É bom marketing, claro, também é marketing para o país.
Mas não deixa de ser, Manuel Castro Almeida teve a melhor reação a esta notícia.
Sim, muito ponderada, muito realista.
Exatamente. Não vale a pena embandeirar em arco, disse o à TSF. Eu acho que é muito ponderado da parte do ministro da Economia.
Claro, a tentação de cavalgar isto era grande.
Como fez, aliás, Miranda Sarmento e Luís Montenegro nas redes sociais. Cavalgaram bastante em cima desta
Deste ranking do Economist, que tem algumas debilidades, como o José Manuel estava a dizer, nomeadamente a obessidade à bolsa de valores.
Ó Alexandra, claro que há muitas coisas boas a acontecer em Portugal. Uma boa parte do nosso crescimento deve-se ao turismo.
Mas às vezes parece que andamos a fazer tudo para dar cabo dele, não é? Olha o aeroporto, as chegadas ao aeroporto.
Ainda hoje vou ter que passar pelo aeroporto.
Olha, boa sorte.
Exatamente, boa sorte. Tudo que estás a dizer é verdade. Agora, há coisas que estão um bocado invisíveis, que nós vemos pouco. No norte do país, há coisas boas que estão a acontecer na economia das empresas, na economia industrial. E nós damos menos por isso, em boa parte por causa de um outro tema que vamos falar aqui, que é a informação neste país.
Sim, muito centralizada em Lisboa, já lá iremos. Mas, Paulo, ainda sobre este índice, melhor isto que nada.
Claro, é ótimo marketing. A economia do ano para a Economist, vamos lá ver, a Economist é lida pelas elites de todo o mundo.
E uma ótima publicidade ao pastel de nata.
Escrito com todas as letras, até em inglês.
É preciso é que não seja uma nata azeda.
Exatamente. É um ótimo marketing para o país, como é evidente. Agora, o índice vale pouco ou nada em termos econômicos. São quatro ou cinco indicadores, que muitas vezes nem têm nada a ver uns com os outros. O José Manuel e a Alexandra já falaram disso. O índice de bolsa português, eu até suspeito que na Economist, na redação, não saibam muito bem que já não temos sequer 20 empresas.
O PSI 20 já não se chama PSI 20. Também é só PSI por causa disso.
Que é para não passarmos vergonha, andamos a mudar o nome, 17, 16, 15, 14, todos os anos, à medida que deixamos de ter empresas para fazer o índice.
Não, mas é curioso que as empresas que mais subiram na bolsa o ano passado são precisamente a banca, o BCP, que é a única empresa cotada, e a EDP, energia, também CTT, depois há ali outras variações, mas é curioso porque foram questões sazonais.
Está num período de ótimo aumento de lucros, por causa das taxas de juro.
E a energia, a EDP, é galpo, não teve um desempenho assim tão grande como a EDP.
A EDP tem a maior parte do negócio já fora do país.
Mas este ano também já teve uma queda depois de apresentar o plano estratégico, mas são também empresas com fatores específicos que levaram ao crescimento da bolsa mais de 20% até outubro. Creio que aquilo que o ranking do Economist vai até outubro de 2025, portanto, é um ano em outubro de 25. Há aqui fatores também que ajudam as empresas.
Sobretudo, digamos que há aqui uma conjugação de alguns indicadores de alguma regularidade. Temos a inflação controlada, sim, à volta dos 2%. Temos um crescimento econômico que não é estonteante e está muito abaixo daquilo que Portugal devia ambicionar, sobretudo se olharmos para trás. Devíamos estar a recuperar agora aquilo que não recuperamos desde o início do século. A bolsa lá está, é o outlier ali, não tem grande significado. O mercado de emprego nós sabemos que está bem, embora isso não se reflita nos salários da forma que todos gostariam. O José Manuel recordou, e bem, que nos últimos anos, a economia do ano para a Economist foram duas vezes a Grécia, Itália, Espanha e Portugal. Significa, pelo menos na Europa, os países que eternamente estavam em dificuldade, que pelo menos aprenderam alguma coisa com as crises por que passaram, porque pelo menos há aqui um controle da economia. Não há aqui déficits nestes indicadores, não há as contas públicas, nem a dívida pública, mas de qualquer maneira, pode haver aqui uma aprendizagem, sobretudo a Grécia e Portugal, com as crises de há 15 anos.
Que passaram bastante bem. Bom, vamos então à primeira nota, José Manuel, és tu que a vais dar. Ao índice ou ao pastel de nata?
Olha, posso dar ao pastel de nata.
O pastel de nata é muito bom.
É bom e o índice é sempre bom para nós. Vai um 14 e não vai mais, porque o pastel de nata é uma tentação e nós temos que ter cuidado com as tentações. O Carlos lá sabe.
Nós sabemos que nós gostamos de ser enganados.
Todos os dias de manhã há tentações aí.
É, a propósito da comissão de inquérito e dos pastéis de nata que chegam cá para os nossos inquiridos. Muito bem, um 14 então. Alexandra, falando de saúde, se calhar isto não sabe a pastel de nata. Sim, mas é a saúde também. Já ninguém espera que saiba a pastel de nata, a saúde. Antes de mais, uma palavra positiva para a conferência de imprensa convocada ontem. Não só por ter juntado a ministra da Saúde, diretor-executivo do SNS e diretora-geral da Saúde. Ponto negativo, ter sido a um feriado. Eu sei que isto não é desculpa, mas de facto as redações também não estão a 100% nos dias feriado e, portanto, pode ter havido ali menos especialização nas perguntas, sem desprimor para quem lá esteve. Não é esse o ponto, é porque de facto há muitas coisas que poderiam ter sido questionadas e não foram, porque era importante percebermos. É bom sabermos que está a haver já O acionamento da task force para um período de pico epidémico eventual, oito semanas, pode vir aí tempos mais difíceis para o Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente para os hospitais públicos. Mas ficamos um pouco pela rama no que toca o que é que está mesmo pensado em termos de plano de contingência e que planos de contingência é que estão ativos nos hospitais. Eu imagino que sejam vários e por isso também não poderia ser exaustivo ao ponto de dizer: "No hospital X temos isto". Mas eu ouvi duas vezes já a conferência de imprensa e fiquei sem perceber muito bem que articulação é que está pensada entre as várias estruturas do SNS, que articulação é que está pensada, nomeadamente com os privados, e que planos de contingência é que são esses. A conferência de imprensa acabou por se centrar um pouco na vacinação, que é muito importante. É preciso que as pessoas que estejam nos tais grupos prioritários vão vacinar-se. Também a ministra acaba sempre por usar aqueles termos mais especializados e para quem está a ouvir, a maior parte das pessoas não percebe o que é que está em cima da mesa verdadeiramente. Mas a conferência de imprensa foi importante, nomeadamente a chamada de atenção e os alertas.
Do plano de contingência, Alexandra?
Desculpa. Correndo, obviamente, o risco de haver pessoas que possam ter ficado alarmadas por: "Por que esta conferência de imprensa agora?" e a crise do Covid.
Com a equipa da saúde em peso.
Exato. A crise do Covid ainda nos está muito fresca na memória. Mas agora também não podemos deixar de fazer só porque tivemos uma pandemia há cinco anos.
Mas todas essas expressões como task force quase que fizeram lembrar esses anos.
E o facto de estarem as três pessoas mais importantes da saúde presentes numa conferência de imprensa. Deixe-me só dizer que isto tudo é positivo. Fiquei com algumas dúvidas sobre o que de facto está em cima da mesa.
Cancelamento de cirurgias não urgentes foi o que ficou mais claro de tudo o que a ministra disse.
Precisamente. Foi a única coisa, digamos assim, que sabemos exatamente o que se vai passar. Até porque sabemos que Natal e fim de ano é sempre aquela época das escalas médicas, que há sempre problemas nas escalas dos médicos e nada disso foi referido na conferência de imprensa, o que é pena. E depois temos sempre esta questão, este ponto de interrogação sobre as medidas da saúde e afinal o que é que se pode fazer para responder às necessidades das pessoas e de quem precisa. Obviamente, é sempre bom reforçar que se espirrarmos, não vamos acorrer para as urgências, e isso é um ponto importante nestas conferências, mas falta sempre perceber o fundo da questão e se calhar os dias vão trazer-nos as respostas.
E basta olhar já para os tempos de espera no Amadora-Sintra, outra vez, que estão ali à volta das 15h para os doentes urgentes. A tua nota, Alexandra.
Eu vou dar um dois à condição. Sempre, não é?
Porque é preciso ainda perceber muito mais.
Falta o teste do algodão.
Falta esse teste. Paulo, e também faltam jornais no interior.
E vão faltar cada vez mais. Em termos físicos, estamos a falar da distribuição física de jornais, portanto, aqueles que compramos, ou que ainda compramos, cada vez menos é certo, jornais e revistas nacionais e estrangeiros, nos quiosques, nas papelarias, livrarias e por aí fora. E por quê? Porque a Vaspo, que é a empresa em Portugal, a única neste momento que faz a distribuição de jornais e revistas.
É um monopólio.
É um monopólio, porque as outras foram desaparecendo ou sendo compradas, de alguma maneira.
As outras foram falindo.
Ou falindo, claro.
As outras foram falindo, infelizmente, porque basta andar pelas ruas das cidades. Os quiosques quase desapareceram.
E vendem cada vez mais coisas que não jornais.
Tentam sobreviver sem vender jornais. E a verdade é que os jornais de papel, os jornais que vendiam 50 mil, vendem hoje oito mil, os jornais que vendiam 100 mil, vendem hoje 20 mil. São hoje bastante mais caros também, mas a margem para os quiosques não dá. E a margem é para as distribuidoras igualmente. Há aqui um problema.
É um modelo de negócio que não funciona. Porque é assim, para quem esteve nos jornais, conhece esta realidade. A distribuição é analisada ponto a ponto. No quiosque do senhor Joaquim em Penamacor, vendemos um jornal na terça-feira, mas não vendemos mais durante a semana. E esse jornal tem que ser levado lá, ao quiosque do senhor Joaquim em Penamacor. E tem um custo, como é evidente, que obviamente um jornal que custa € 1,50 ou € 2 não paga tudo distribuído. É preciso pagar a gráfica, a empresa que faz o jornal, já agora a empresa jornalística, a distribuição, mais a porcentagem do próprio quiosque. Obviamente, é um modelo de negócio que não funciona com estas quantidades, que funcionava quando o quiosque do senhor Joaquim não vendia um jornal à terça-feira, mas vendia 10 jornais daqueles e de outros, e revistas, e portanto, tinha um volume de vendas que pagavam isso. E obviamente que a Vaspo ou outra empresa qualquer de logística desta área, tem que fazer contas e chega a um ponto em que percebe que não pode ter uma cobertura tão grande. O que é que está em causa? A Vaspo já disse que está a fazer contas, está a reanalisar o seu plano de cobertura do país e o risco é que proximamente oito distritos do país, Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança, o interior, com menos população, com menos pessoas também que compram jornais e revistas, podem ficar sem distribuição física de jornais e revistas Este é um tema interessante em termos de política pública: até que ponto a distribuição de jornais e revistas é ou não uma função básica a que as populações devem ter acesso, como é a energia ou as telecomunicações, por exemplo. No caso da energia e das telecomunicações, a Alexandra saberá dizer isso melhor do que eu, há operadores que têm a obrigação legal de levar a rede ou a energia onde quer que seja. Isto é, se houver uma casa perdida no Monte do Alentejo, para onde não é rentável levar a eletricidade, a EDP tem a obrigação de o fazer a preços normais.
Tem a obrigação a preços normais, mas com apoios estatais.
Alexandra, tu explicas melhor do que eu, certamente. O que é o incumbent.
Sim, José Manuel, também te estamos a ouvir.
Não, estava só a dizer que acho que isto é um pouco diferente dos outros negócios, porque os outros negócios têm rentabilidades suficientes para suportar a ida até os sítios onde quase não há clientes. Este negócio também foi assim enquanto teve o mínimo de rentabilidade. E há muito tempo que há uma intervenção pública na distribuição dos jornais, há uma coisa chamada porte pago, que existe há décadas, mas que é só para a imprensa regional. Agora, eu acho é que as políticas de promoção de leitura e de apoio a uma indústria que está em crise, que é a indústria de comunicação social, foram prometidas por vários governos já. Este governo, não, o anterior governo de Luís Montenegro tinha uma política que parecia ir no bom sentido no que diz respeito ao apoio à distribuição, neste caso concreto, da imprensa online, portanto, o apoio às assinaturas. Um fiasco absoluto. Montaram um esquema impraticável. Este governo aparentemente já desistiu, portanto, andaram a perturbar a vida das empresas sem fazerem nada. Isto é outra situação em que é quase como uma infraestrutura de estradas. A informação tem que chegar e o cuidado que é preciso ter, e esse é o aspecto mais importante, é que não se pode promover um órgão de informação em desfavor de outros, conforme a cor política do momento. Mas há métodos de fazer isso de forma mais equilibrada, e que não creio que sejam muito difíceis de imaginar, se não houver mecanicismos tão combativos, infelizmente, como houve no anterior programa, que era um programa de apoio às assinaturas das pessoas.
Para os mais jovens.
Para os mais jovens, tinha um método muito simples: permitam que a assinatura seja descontada na íntegra no IRS, tal como nós damos até 1% para uma associação de solidariedade social, como isso é possível, há um X que pode ser descontado pelas assinaturas. Quer dizer que os assinantes, até um determinado valor, assinam o jornal que quiserem, ou o órgão de informação que quiserem, ou a televisão, ou a rádio, e têm sem custo. E o custo disto, eu na altura fiz as contas, era para aí um quinto do que custa pagar a RTP. Acho que não preciso dizer mais, pois não?
Não. Agora, a questão aqui é saber até que ponto o Estado, o governo vai intervir ou não, e de que forma é que vai intervir. Já houve declarações de Leitão Amaro a dizer que qualquer intervenção não é necessariamente a uma empresa concreta. Isto também para evitar quê? Que a Vaspo, com este pré-anúncio de que poderá acabar com a distribuição de jornais em metade do país, esteja de alguma forma a pressionar os poderes públicos para obter obviamente subsídios, ajudas à sua atividade. Agora, é um problema que o governo vai ter que resolver.
Sob pena de haver uma parte da população ficar afastada da civilidade.
Eu acho que é impensável que em metade do país, não direi em todas as cidades ou localidades dessa metade do país, mas em grande parte delas, vilas e lugares mais pequenos, que as pessoas deixem de poder ir ao café ou à papelaria das esquina ou ao quiosque encontrar o jornal desportivo que querem, o diário do dia, ou semanário, ou uma revista qualquer, nacional ou internacional.
Muitos desses locais têm problemas de literacia.
Acentua-se, claro. Isto é um problema que se acentuou.
Até em informática. Portanto, pensar-se que o digital pode resolver.
Ainda não resolve.
Em determinados sítios não resolve.
Ainda não resolve.
E por isso é que é problemático. Castro Almeida, mais uma vez, hoje está em grande. Está em altas. Começou bem a semana. Também disse que não ia haver esse problema. O problema de Castro Almeida, e agora a parte baixa de Castro Almeida, foi não ter dito como é que se resolvia. Mais uma vez, também disse, não é atirar dinheiro para cima da Vaspo que se resolve a questão, mas é importante percebermos de que forma é que chegaremos lá, porque os serviços postais chegam lá com algum atraso.
Sim, o jornal diário no dia seguinte já não faz sentido.
Pois é, não pode ser essa a solução. O que é que o governo tem pensado para esta estratégia?
Isto depois tem o reverso, são zonas sombra já em termos noticiosos, isto é, nas agendas noticiosas cada vez mais centralizadas em Lisboa, há uma parte do país que raramente aparece ou só aparece quando há tragédias. E isto alimenta, de alguma forma, esta tendência, essa escuridão.
Só falta a tua nota.
A minha nota é um sete para o problema, sendo que aqui não há propriamente responsáveis ou culpados. São dinâmicas de mercado ou, neste caso, imperfeições de mercado, mas que o Estado tem que, de alguma forma, acautelar.
Esperemos que soluções poderão sair para resolver este problema, que merece um sete do Paulo e o vencedor regressa mais logo na Tarde Política.
Que hoje começa mais cedo, logo a seguir ao jornal das 17h. Esta terça-feira dão notas a Judite França e o Pedro Goncalves. Logo depois, às 17h45, começa a emissão especial de desporto com o Bayern x Sporting.