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"E o Vencedor É..." hoje com a Judite França, Helena Garrido e o Alexandre Borges. Hoje vamos aos almoços de Isaltino Morais, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, criador de um roteiro gastronómico no Instagram. Isaltino Morais e outros 22 elementos da autarquia são acusados de crimes de peculato por gastar €150 mil em refeições, álcool e tabaco. Mas, Alexandre, se calhar vamos começar por algo ainda mais leve e divertido.
É hoje o subsetor Estado, a dívida.
Exato. O Boletim Económico do Banco de Portugal. Acho que entre um pudim abate de pariscos e o Boletim Económico.
É o que calha bem a esta hora.
Eu acho que a esta hora ia bem um Boletim Económico, que revê as previsões da inflação para 2,8% este ano, 2026. O governo, no Orçamento do Estado, previa 2,1% para este ano. Ora, 2,8 é bem acima disto. Devemos estar preocupados?
Acho que devemos estar preocupados, sim.
É só uma deixa pra tu.
Sim, exato, essa foi fácil. Esta foi só uma deixa.
É um passo em profundidade.
Exatamente. Devemos estar, já devíamos antes, e acho que devemos estar preocupados, sobretudo no longo prazo, porque de facto cada vez que há um problema algures, Portugal ressente sempre muito rapidamente, particularmente nos combustíveis, e nem sempre é fácil de entender tudo isto quando pensaremos em primeira instância, nós não compramos o nosso gás àquela parte do mundo. Muito do nosso petróleo também não, mas somos tão expostos à oscilação dos combustíveis se refletem em toda a cadeia de valor posterior a isso, que nos afeta diretamente, particularmente ao bolso das pessoas. Particularmente ao poder de compra do cidadão comum. Depois falará, com certeza muito melhor do que eu, a Helena, mas se me permitires falar um pouco, permites-me ou queres ir a isso a seguir?
Não, podemos ir a isso. Eu queria também ouvir a Helena sobre esta previsão da inflação para 2,8 este ano.
Esta subida eu não acho especialmente preocupante e o próprio governador desdramatizou isso quando comparou com o surto inflacionista da guerra na Ucrânia. Dizendo designadamente que nós, quando partimos, quando aconteceu a guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, nós já estávamos numa situação de inflação elevada, que resultava da pandemia e do estrangulamento da oferta na sequência da pandemia. Portanto, a crise energética de 22 veio acrescentar a inflação à inflação que já existia. Nós neste momento estamos com uma taxa de inflação relativamente baixa e nós estamos numa semana em que estão existindo negociações, sejamos otimistas, no sentido de fazer o encerramento do conflito. É verdade que o conflito pode ter efeitos que não desaparecem logo a seguir à declaração de fim das hostilidades, mas aparentemente este surto, nesta fase, parece menos grave do que aquele que ocorreu em 2022. O que isso significa para as pessoas? 2,8% significa que as pessoas, se a inflação tiver nesse valor, têm de ter um aumento de pelo menos 2,8% pra não perderem poder de compra. Pelo menos isso.
Resta saber se vão ter.
E resta saber se vão ter, porque depois depende da evolução da economia, porque toda a gente vai dizer que está muito apertado e que não pode, e que os outros custos subiram muito. Este é um ponto. O segundo ponto é: as pessoas que têm crédito de habitação, neste momento já começa a Euribor a subir e, portanto, as pessoas que vão rever o contrato em abril podem já ter um ligeiro aumento da prestação, mas o Banco Central Europeu, tal como o governador, que disse que devemos manter a cabeça fria, está relativamente recuado a este nível. Não quer cometer o erro que cometeu em 2022, que foi um debate, eu lembro-me bem, se isto era do lado da oferta e que não era inflação. Não quer cometer, porque aumentou as taxas de juro tarde demais, mas também não quer avançar cedo demais. Portanto, desse ponto de vista, esta semana pode ser muito importante para nós percebermos o que se vai passar.
Porque a esta hora, quem está no carro a ouvir-nos ia pensar que na segunda-feira, e fazendo aqui umas contas rápidas, a intervenção no Iraque começou faz esta sexta-feira um mês. Num mês, o preço do gasóleo, na próxima segunda-feira, se tudo se mantiver mais ou menos como está, o preço do litro de gasóleo aumenta 50 cêntimos.
Este é o problema que os políticos têm, que é a percepção de inflação é muito maior, porque nós pompamos gasóleo todas as semanas, achamos que a inflação disparou para a diante.
E as pessoas estão escaldadas também do aumento da taxa de juro que teve influência nos empréstimos da casa e todos sabemos como
É difícil pagar os empréstimos da casa, a prestação todos os meses, as pessoas estão assustadas e a fazer contas.
E todos os dias tu vês o cabaz alimentar a subir.
Estamos a bater recordes todas as semanas.
É que nós temos um problema adicional, é que nós tivemos dois choques. Tivemos o choque das tempestades e tivemos este choque.
Que vai ter consequências nessas contas.
O crescimento da economia vai diminuir. Ou seja, o Banco de Portugal tirou cerca de 1500 milhões de euros ao crescimento da economia este ano, que é só 0,5 pontos percentuais do PIB, é mais ou menos isso. Nós, em Portugal, infelizmente, estamos com dois choques, em que o choque das tempestades tem um impacto importante nos produtos alimentares.
E o segundo choque, que é o choque da guerra, é de elevada incerteza, porque ninguém sabe quando termina, nem como termina, nem como continua, ninguém sabe nada. E portanto, eu acho que o risco é acentuado. Aliás, o Banco de Portugal faz essa nota. A incerteza é tão elevada que há riscos muito acentuados nesta projeção.
Exatamente. No sentido da baixa.
No sentido da baixa.
Exato. De ser pior do que aquilo que se previa, para não usar linguagem técnica do subsetor Estado.
Ser pior.
Tira as minhas alegrias todas, Helena.
Agora, as condições meteorológicas extremas que nós tivemos no início do ano também impactam a evolução da atividade, isso é evidente, mas depois nós temos um crescimento que já era curto para 2027 e já tínhamos uma previsão de défice que poderia acontecer, mesmo que fosse baixa, que poderia acontecer. E, portanto, nós vamos ter uma baixa na previsão do crescimento. No médio prazo, a evolução continua condicionada por todos os efeitos que já estava condicionada antes e aos quais se sobrepõem estes problemas. E, portanto, eu acho que o Banco de Portugal fez bem em ser ponderado nestas notas, mas ao mesmo tempo sem deixar de as fazer com alguma assertividade.
É uma das novidades de Álvaro Santos Pereira.
É sim, senhores.
Alexandra, mas tu descobriste mais pontos de interesse no boletim. Há mais alguns, sem dúvida. E um deles, acho que o que se liga mais diretamente à questão de que falamos, tem a ver com a imigração, porque um dos pontos destacados pelo governador, apesar de tudo, das razões para termos esperança na economia portuguesa, tem a ver com o contínuo bom comportamento do mercado laboral, com os baixos números do desemprego, e ligando a um dos problemas dramáticos, ou seja, uma destas grandes razões para a reavaliação dos números, que é a questão das tempestades e que será necessário e precisará agora da reconstrução, precisamos, adivinhe de quem, de imigrantes para fazer essa reconstrução. E confirmando o que já muitos dados estatísticos vinham dizendo, mas que é importante que venha agora do lado do Banco de Portugal e em particular de alguém como Álvaro Santos Pereira, há uma apreciação aqui, não apenas de quais são os números hoje da imigração em Portugal, mas basicamente desde 2010 para cá. E segundo Álvaro Santos Pereira nos disse, mais de 90% dos tempos de permanência de todos estes imigrantes em Portugal de 2010 para cá, foram passados a fazer essa coisa terrível, assustadora, amedrontadora, que foi a trabalhar. Mais de 90%. Estás a brincar. Que topete! Que topete, exatamente. Portanto, Álvaro Santos Pereira, que é insuspeito de ser um perigoso esquerdista, defensor da teoria da substituição.
Mas atenção, é um perigoso imigrante.
É um perigoso imigrante. Exatamente, perigoso imigrante. Ex-imigrante de Canadá, alta aplaudida, é verdade.
Deixa eu me aproveitar para mandar um abraço a todos os ouvintes que nos ouvem fora de Portugal, que temos muitos ouvintes espalhados pelo mundo inteiro, e fica aqui também o abraço para eles.
Muito bem. Referência importante, sem dúvida. Mas enfim, o Banco de Portugal cruzou os dados com os da Segurança Social para apurar estes números agora, muito detalhados. Depois se fores ver, 86% dos imigrantes trabalharam por conta de outrem, depois cerca de 5% por conta própria. Isto no fim dá 91,6% do tempo passado por estas pessoas. Não é das pessoas, é do tempo passado, porque a maior parte deles são jovens, estão em idade laboral, portanto são contribuintes ativos do país e não beneficiários dos seus regimes. O subsídio de desemprego que estas pessoas receberam representou 1,7% do seu tempo em Portugal. E pensões, então, outras prestações 0,9, quer dizer, era uma coisa perfeitamente residual. Isto é muito importante, parece-me, por duas razões, e é importante que se vá discutindo isto e que venha de entidades como o Banco de Portugal. Uma, necessariamente pelas questões sociais. Quer dizer, quando há este debate político, e sabemos que a imigração alimenta o crescimento de determinadas correntes políticas e de instabilidade política no país, e ainda recentemente tivemos na Futural, e não foi o Chega a fazer um pavilhão com esta mensagem explícita, a falar da teoria da grande substituição, esta coisa de que supostamente estaríamos a substituir população portuguesa por estrangeira, haver um plano qualquer para isto e de qual é a dependência destas pessoas ou não. Enfim, isto não existe por várias coisas, por relatórios anteriores do Banco de Portugal, que aqui também já trouxemos. Nos últimos anos, até tem havido mais portugueses licenciados a regressar do que a ir embora, ao contrário do que é um pouco a ideia feita, e a entrarem muitos estrangeiros qualificados, também. Mas o segundo aspecto em que isto é importante é porque é não só o político, mas é verdadeiramente o económico. Portugal precisa realmente destas pessoas e precisa realmente delas em setores onde não tem ninguém a trabalhar. Depois, aqui no relatório apresentado hoje também está detalhado. 18% destas pessoas estão no alojamento e na restauração, 15% na agricultura, 14% na construção São setores em que nós precisamos mesmo de mão de obra.
Helena, ainda queres acrescentar?
Sim, concordando com tudo o que disse o Alexandre, nomeadamente este retrato, este tipo de trabalhos e de estudos são muito importantes para deixar cair algumas percepções. Colocar dados que validem ou não validem as percepções. E há, de facto, alguma percepção no cidadão comum de que os imigrantes recebem muitos subsídios. E isto não é o que as estatísticas dizem, e isto nem é estatísticas, isto são dados administrativos. Portanto, não são inquéritos, nada. São dados administrativos.
São resultados de uma administração, são dados concretos.
Exatamente, dados da Segurança Social, em que o Banco de Portugal vai buscar os dados de 2010 a 2024 e vai analisar uma série de indicadores. Um deles é exatamente esse, a relação que estas pessoas, além de passarem boa parte do tempo que cá estão em Portugal a trabalhar, é também a relação que estas pessoas estabeleceram, em média, durante estes anos, com a Segurança Social. A esmagadora maioria, a relação que estabeleceu foi como trabalhador, por conta própria ou por conta de outrem, e é mínimo o peso do subsídio de desemprego e de outros apoios. Há apoios, os nacionais têm relativamente um peso maior. Dito isto, só quero sublinhar o seguinte: estes números são muito importantes, mas não convencem, não são estes números que convencem as pessoas que estão a ser vizinhas de comunidades de imigrantes que elas compreendem mal. É preciso outro tipo de políticas mais locais em que se aproximem as pessoas, em que as pessoas consigam perceber a outra cultura.
Os factos não chegam pra integração.
Não chega. Estes argumentos da Segurança Social não chegam para as pessoas.
A nota para o Boltinho.
Eu vou dar uma nota ao governador Álvaro Santos Pereira, por uma razão muito simples: desdramatizou, aliviou a tensão que existia cada vez que o governador falava. Não deixou de dizer as coisas, não deixou de ser assertivo.
E a nota, Helena?
Exatamente, nota 16.
Alexandre.
Acompanho a Helena e daria um 14. Há um aspecto do qual, se tivermos tempo, lá pro fim do programa, na segunda parte, ainda gostaria de voltar ao governador do Banco de Portugal sobre o ponto sobre os consultores e as reformas.
Está bem.
Eu vou alinhar com a Helena. Dou um 16 ao governador.
Estará o Ministério Público a atacar um influencer, Judite, que fez mais pela restauração do Conselho de Oeiras do que qualquer guia municipal.
Qualquer guia Michelin.
Ou mesmo uma revista de renome. Isaltino Morais e 22 elementos da Câmara Municipal de Oeiras foram acusados pelo Ministério Público de desviar 150 mil euros para refeições, álcool e tabaco.
Isso é a prova de que não há almoços grátis.
É.
E segundo Isaltino Morais, há almoços de trabalho todos os dias.
É verdade.
Estamos a falar de 150 mil euros para 1400 refeições, que são pagas com dinheiro da autarquia, que é o nosso dinheiro. Isto durante 2017 a 2025. Fazendo as contas, dá cerca de 100 euros por refeição, mas aparentemente, segundo o Ministério Público, essas que tu falavas aí de lavagante, foram muito superiores.
É o problema da média.
E há umas com saquê afrodisíaco também.
Eu também ouvi isso. No esplendor do Pedro Passos Castro, e também havia o famoso Pêra Manca branco.
Branco.
Branco.
Que é o vinho banal, não é?
Que é o que custa 60 euros a garrafa.
É o mais barato.
Eu achei graça ao facto de Isaltino Morais ter dito que a fatura com tabaco foi imediatamente corrigida. Imagino que tabaco seja charuto, que é aquilo que Isaltino Morais fuma.
Ah, devolveu o dinheiro do charuto.
Não, foi pagar, portanto, pagou esse valor e que foi um lapso e que tudo está dentro da legalidade quando um funcionário chega com a fatura, dá a fatura à direção financeira, a direção financeira controla, verifica e só depois faz o pagamento. Eu acho, sinceramente, que Isaltino Morais está a sofrer do síndrome de Tiago Grila, porque de facto vem pro Instagram mostrar os laudos almoços. Tem 150 mil seguidores, que é muita gente.
É bom.
Almoça em todos os restaurantes de Oeiras, tascas, cafés, em todo lado. E depois admira-se que o Ministério Público o acuse. Eu acho que não há, de facto, grande hipótese, acho que isto iria acontecer. Eu também acho que a audiência que tem no Instagram faz muito pela restauração em Oeiras, sem qualquer tom de ironia.
Ele até podia pôr em despesas de marketing do Conselho.
Agora, acho, de facto, que diz que sempre que recebe alguém no seu município oferece o almoço, que qualquer vereador que receba alguma coletividade também paga o almoço. Acho isto, de facto, difícil, sinceramente, acho isto difícil. Podemos concluir que ser convidado pela autarquia de Oeiras é sinal de almoço. Quer dizer, acho isto um pouco estranho e acho que Isaltino Morais às vezes mete-se numas confusões que são desnecessárias.
Helena Garrido, achas que Göran von Bergendahl tinha razão quando, em março de 2017, fui ver, fui confirmar
Teve aquela frase: "Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e logo a seguir pedir ajuda", quando falava dos povos do Sul. É caso para citar Dysselbloem?
Holandês, não é?
Exatamente. Foi presidente do Eurogrupo, era ministro das Finanças e depois foi presidente do Eurogrupo.
Exatamente. Foi horrível o que ele disse.
Já não te lembravas de Dysselbloem.
Não, não me lembrava.
Também houve um pouco a tua pronúncia retíssima do neerlandês, de certo modo.
Não, é do Sul.
Depois tens aquele...
Eu achei que tu estavas a citar um chefe. Estamos a falar de restaurante, um chefe.
Ainda não fui esse, ia dizer a Helena.
Ainda não entramos num fiado ao lombo misto.
Não, ainda não entramos no Abade Priscos. Helena. Já não sei o que te perguntei, mas foi algo muito interessante.
Sim, se é gastar dinheiro em copos e mulheres. Neste caso concreto, as mulheres não se sabe, até politicamente é incorreto falar disto assim. Mas copos, certamente. Eu confesso, a Judite fez umas contas, eu tinha feito aqui outras, não para as 200 refeições.
1400.
Sim, no caso dele é 200. Especificamente no caso do Isaltino.
Estamos a falar de 22 Isaltinos.
Em quanto tempo?
Em 79 meses, porque depois estar a pôr estes números tão grandes.
200 refeições em 79 meses, ok.
Exato. Eu estive a dividir por 62.626 €. Resumindo, isto dá basicamente €792 por mês. É bastante. Se dividimos por 30 dias, dá 20 e tal euros.
O homem é presidente da Câmara.
Ora bem, o que eu diria sobre isto, sendo certo que todos, com certeza, se calhar há alguns abusos aqui.
Sim, tem despesas de representação, não é? Não convém não esquecer.
Esse é que é o ponto.
Mas o problema é que ele podia usar os recursos das despesas de representação, mas eu vou aqui tentar desculpar um bocadinho o Isaltino. Ele simultaneamente fez uma enorme promoção aos restaurantes de Oeiras.
E às rotundas. Agora está na crítica de rotundas.
E crítica também ao passadiço, porque acho que há algum problema com a CP.
Mas o limítrofe com a Amadora.
E com a Amadora, que está a entrar por dentro do conselho.
Vai fazer um muro.
Exatamente. E que vai deitar aquilo abaixo. Ora bem, resumindo, eu diria que claro que isto é um abuso, mas também me parece que o Ministério Público andar a perder tempo com isto, não há mais nada para fazer?
Pois, eu entendo.
E que de facto, podemos dizer assim, corrupção é corrupção. Não sei se isto é corrupção, qual é o perfil deste crime.
Chama-se peculato.
Peculato. Exatamente, é isso mesmo.
É um abuso.
Exato. Peculato é peculato, abuso de poder é abuso de poder, tudo bem. Não interessa a dimensão, até podia ser um tostão, um cêntimo.
Esse é o princípio.
Esse é o princípio, mas diria que quando os recursos são escassos, também não vale a pena estarmos a preocupar com algumas coisas que se Isaltino Morais quiser, pode sempre dizer que está enquadrado nas funções dele de promover o conselho.
Alessandro. Sim, lá está. Feitas as contas hoje às 1400 refeições, não só pelo tempo, mas pelo montante, portanto são os 150 mil, como disse a Judite, dá pouco mais de 100 € por refeição. Parto do pressuposto que ele almoçou com alguém.
Isso é uma sexta-feira em Lisboa. Tem duas bifanas e um Imperial.
Está sim, está. É tal e qual.
Estamos a cair no ridículo do caso da influencer.
Qual é a influencer? Desculpe.
Sabe que nós não temos Instagram.
Não temos, não somos assim uns modernassos. Estás sempre no scroll.
Exato. É o caso influencer da Startcamp. Vocês é que estão nas redes sociais. Desculpem, não fui eu.
É que tu disseste o caso da influencer. Numa jovem a vender séruns. E não no nome da operação.
Não sou sofisticado como o Ricardo, que foi buscar o Dyson.
Fomos um bocado atrás. Mas para dizer que além do preço das refeições, a gente parte do pressuposto que o presidente da Câmara não foi almoçar sozinho, portanto, de facto, em princípio, estará a almoçar com três ou quatro pessoas. E mais do que isto, há aqui mais uma série de arguidos. Os vereadores, todos, pelo que percebo, depois técnicos superiores e outros funcionários que também tinham esta autorização, diz o Ministério Público, informal ou verbal, que também poderiam fazer o mesmo.
Podiam autorizar despesas.
Exatamente. Portanto, não parece de todo um número estratosférico. A história do tabaco, olha que não conhecendo os pormenores, o que me parece mais suspeito é que se isto está nestas mesmas contas, não são lá os charutos que imagino que Isaltino compra na Casa Alfaneza. Onde é que ele vai? Deve ter sido na conta do almoço, passa a publicidade, veio também um maço de cigarros.
Vieram umas cigarrilhas.
Foi?
Não sei. É possível. A probabilidade de ser cigarrilha é alta.
Isto não são realmente números graves, não parece nada por aí além de escandaloso, que possa dar perda de mandato como está aqui envolvido O Ministério Público fala em gizar um plano, que havia um plano gizado pra usar estes recursos da autarquia. A gente fica: "Ok, isto não é correto. Houve aqui uma avantadinha?" Houve, mas essa avantadinha que se vê. Como eu hei de explicar isto? Se isto fosse algo pra esconder, o presidente da Câmara não dizia aos vereadores todos e a uma quantidade de funcionários pra fazerem o mesmo. Estas coisas, em princípio, se alguém está querendo esconder, esconde-as. Não é prática corrente e sabida, porque essa informação vai circular facilmente. O que, por outro lado, não deixa de denunciar o facilitismo com que estas coisas acontecem, de fato. Mas julgo que há em torno de Isaltino Morais, algo no seu comportamento, mas também na forma como a justiça acaba por olhar pra ele, que parece que se tornou um alvo demasiado fácil nestas coisas.
Isso é verdade.
Na verdade, é a única destas pessoas titular de um cargo público em Portugal que cumpriu uma pena de prisão.
E temos alguma nota pra Operação Bitoque?
Operação Bitoque.
Já que não deram nome à operação, obriga-me.
Foste pro Bitoque, foste pro baratinho. Já há aí uma posição. É isso.
Eu, tendo em conta o marketing que é feito pela restauração de Oeiras, vou dar um 13 a Isaltino Morais.
Tu já deste por ti a pensar: "Vou almoçar ou jantar a Oeiras."
Não.
Eu confesso que já pensei nisso.
A pensar em ir? Sim, claro.
Perante aquelas promoções.
Sim, já fui.
Eu estive quase a ir ao talho em que Isaltino Morais foi ao talho de maravilhosas costeletas. Ó Ricardo, sabes que há pessoas que fazem o guia do Isaltino.
Fazem o roteiro do Isaltino.
Fazem o roteiro do Isaltino em Oeiras.
E a tua nota?
Eu pra isso não tenho dinheiro.
E a nota reformada.
Fica a dica.
E a nota reformada. Eu, apesar daquilo que disse, eu dou um 10 a Isaltino, pra ele ser um bocadinho mais cuidadoso.
Alexandre. Concordo, até porque há um pormenor grave nesta história, eu acho que por isso é que ele pode ser acusado. É que também houve restaurantes em Mafra, em Cascais e em Sintra também aqui envolvidos. Isso é que já me parece mal, ir gastar recursos dos oeirenses pra promover a restauração.
Em Mafra.
Exato, e de Cascais, que há aquela rivalidade. Isso já me parece difícil. Mas até pegando no número que a Judite trazia, que eu não sabia, que era uns 150 mil seguidores, é o que ele tem. Isso dá 1 € por seguidor. Ou seja, se ele decidisse ser só influencer e vender isto, ganhava muito mais do que na câmara.
É verdade.
Portanto, vai o 10 também pro senhor presidente, ser mais cuidadoso nisto.
Judite, ainda queres falar sobre o Duarte Cordeiro?
Quero falar sobre o Duarte Cordeiro. Vou falar muito rapidamente, porque esteve ontem no "Na Onda", faz comentário habitual, mas ontem foi pra deixar mais recados do que habitualmente tem feito em comentário, e tendo em conta que está em vésperas de congresso, ao qual aparentemente não vai, percebo que tenha deixado as suas notas pré-congresso, já para influenciar um pouco a reunião magna dos socialistas. Mas deixou um recado muito específico, que discorda da opção de ruptura do Partido Socialista com o governo, nomeadamente com eventual chumbo no orçamento de Estado, por causa da escolha dos juízes pra o Tribunal Constitucional. Isto foi um claro recado a José Luís Carneiro. Ou seja, não perca a cabeça por causa disto, porque ainda é cedo.
Mas achas que é o José Luís Carneiro que está a perder a cabeça ou é a ala Costista?
A ideia que veio cá pra fora da ruptura era da direção de José Luís Carneiro. Ruptura como consequência política do acordo ou não acordo para o Tribunal Constitucional. E Duarte Cordeiro não diz que não deve haver consequências políticas, mas não deve saltar pra um extremo de recusar qualquer tipo de entendimento com o PSD. E eu acho que isso é avisado e sensato nesta fase, e acho que pode ser bom para José Luís Carneiro ouvir estas palavras. Sabemos que é uma voz de oposição interna do Partido Socialista, que isso também não nos deixemos enganar, é evidente. Aliás, sempre foi um nome visto até como podendo chegar à liderança.
Ainda hoje é.
Mas não me parece, sinceramente, que neste caso esteja a fazer política partidária em benefício próprio. E, portanto, dou uma boa nota a Duarte Cordeiro.
Vamos à nota?
Dou um 14 a Duarte Cordeiro.
Um 14 a fechar esta edição vespertina do E o Vencedor É. Obrigado à Judite França, Helena Garrido e o Alexandre Borges. Amanhã há mais vencedor, depois das 08h30. A Ana São Luís junta-se ao José Manuel Fernandes, Paulo Ferreira e Bruno Vieira Amaral.