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Tudo pronto para mais uma edição do "E o Vencedor é". À Carla e à Judite juntam-se agora para a análise aos protagonistas do dia, a Filomena Martins, o Rui Pedro Antunes e o Nuno Vinha. Carla.

Muito bom dia a todos. Bem-vindos. Há autárquicas hoje, há vacinação também, mas começamos com o ponto de situação à Comissão Parlamentar que investiga o caso do Novo Banco. Nuno Vinha, bom dia. Vamos começar pela alta finança. Já consegues fazer um balanço dos trabalhos?

Nem sequer seria eu a fazer o balanço dos trabalhos. Eu hoje trago um balanço dos trabalhos feito pelos próprios deputados. Os grupos parlamentares ontem fizeram uma espécie de sessão de psicanálise. E isto começou com um episódio muito interessante, muito giro, que foi o Duarte Pacheco a levantar o seu telemóvel e a fazer voltar uma voz do passado com Ricardo Salgado a ouvir-se falar através do telemóvel do Duarte Pacheco numa gravação da comissão de 2014. Isto acontece por quê? Porque o PS quer chamar Carlos Moedas à Comissão Parlamentar de Inquérito para explicar uma coisa que já tinha sido explicada em 2014, na altura da primeira Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, que foi uma reunião em que Ricardo Salgado foi pedir a Pedro Passos Coelho e a Carlos Moedas, que também estaria presente nessa reunião, para intervir a favor do BES e para salvar a instituição. Pedro Passos Coelho disse que não, na altura, não quis ajudar o BES e depois aconteceu o que aconteceu. O que acontece é que o PS quer ouvir Carlos Moedas outra vez. E o PSD achou, e fez um número no parlamento sobre isso, a dizer que o PS só quer ouvir o Carlos Moedas porque ele agora é candidato à autárquica de Lisboa. O que acontece? Tudo isto, numa comissão que por acaso nem sequer quer ouvir neste momento Ricardo Salgado, mas quer ouvir Carlos Moedas, fez com que os deputados todos começassem numa sessão de autoflagelação, praticamente, em que começaram a dizer que os trabalhos não estão a produzir nada, não estão a conseguir ir a lado nenhum, não estão a descobrir nada de novo e que, na verdade, estão a repetir a comissão que fizeram em 2014 e 2015 e a chegar exatamente, até o momento, às mesmas conclusões. E eu acho isto muito engraçado, porque, de facto, desde 2008 já aconteceram nove comissões parlamentares de inquérito dedicadas à banca. Nove. Os deputados já ouviram um monte de gente relacionada com o setor. Acho que fazem muito bem em ouvir de novo por causa do Novo Banco, mas não por causa destas questões que estão a ser discutidas desde 2014 e que constam dos relatórios da altura. O que era suposto estarmos aqui a ver eram os novos negócios que alegadamente o Novo Banco não está a fazer bem e que estão a motivar pedidos de injeções ao fundo de resolução, como o último mais recente, que pediram 600 milhões, dos quais 166 estão em dúvida por causa de dúvidas do próprio fundo de resolução sobre a avaliação desses negócios.

Nuno Vinha, podemos dizer então que isto é uma espécie de desviar de atenções?

Eu acho que o primeiro número foi um número do PS ao querer chamar o Carlos Moedas a uma comissão onde ele já prestou esclarecimentos em 2014 e que se chegou à conclusão, e está no relatório, que não havia nada. E o segundo número foi este do Duarte Pacheco. O interessante disto é que Duarte Pacheco ainda vai buscar o Pedro Nuno Santos ao barulho, porque hoje em dia quem quer fazer passar um ponto, vai atiçar o Pedro Nuno Santos para ir dizer: "Os senhores deputados do PS estão a desrespeitar os anteriores deputados da outra comissão que fizeram um relatório e, atenção, na altura o presidente da bancada parlamentar do PS era o Pedro Nuno Santos." Portanto, tenham lá atenção a isto. Hoje em dia, quem quer fazer chegar o seu argumento a bom ponto, vai buscar o Pedro Nuno Santos, que é êxito garantido. Eu podia dar uma negativa aos deputados do PS por este número, mas prefiro dar uma positiva baixinha, um 10, a todos os deputados que reconheceram a sua ineficácia e neste momento, até o momento, a sua inutilidade nesta CPI.

O que não deixa de ser preocupante, haver uma comissão parlamentar de inquérito que chega à conclusão que não estão a conseguir avançar. Bom, mas é a autoanálise, não é?

Ainda vamos no início. Eles ainda têm tempo para endireitar.

E é por isso que dás essa positiva baixinha, para incentivar. Judite de França, é inevitável em ano de autárquicas que as discussões e os inquéritos fiquem contaminados por pré-campanhas?

É inevitável. Falaste há bocado da alta finança e eu só me lembro da baixa política, porque eu acho que esse tipo de mistura não é bom para ninguém, mesmo para o PS. E como fica este anátema a pairar de que isto foi feito exatamente para, de alguma forma, envolver de novo Carlos Moedas neste rolo, também não fica bem ao PS. Vamos lá não perder tempo nas comissões de inquérito, que já sabemos que são demoradas, repetitivas, etc. Chamar as mesmas pessoas? Se há governo que não tem nada a ver com isto é o governo Pedro Passos Coelho, que foi público a dizer: "Não injeto dinheiro num banco, nem vou tapar buracos que estes senhores fizeram." Portanto, não faz muito sentido envolver aqui um nome que nós sabemos à partida que não tem nada a ver. Carlos Moedas já se disponibilizou, aliás, poderia ter pedido para fazê-lo pelo escrito, disse que não, que ia, e esse voluntarismo é bem visto. O que não é bem visto é o Partido Socialista estar a envolver nomes, que ainda por cima são candidatos à Câmara de Lisboa, nesta baralhada, que poderia estar a discutir, como diz o Nuno Vinha, e bem, poderia estar a discutir aquilo que interessa. E o que interessa é perceber como é que o Novo Banco continua a ser uma espécie de ralo que drena tudo, nomeadamente que drena milhões e milhões.

Judite, se calhar não interessa é discutir a venda de 2017.

Pois não.

Essa é que é a questão. E a forma como foi desenhada. Claro.

Até porque essa venda diz respeito exclusivamente ao PS

Exato, que não ia ter nenhum impacto sobre os contribuintes. Aliás, foi em março e eu lembro-me perfeitamente dessas palavras do primeiro-ministro.

É muito fácil apontar o dedo aos governos anteriores, e alguns também foram PS, não nos vamos esquecer dos BPNs, etc. É muito fácil apontar o dedo aos governos anteriores e dizer: "O resgate é o melhor ou a resolução é o melhor, porque senão vem aí o perigo sistémico, mas isso também não vai custar assim aos contribuintes." Quer dizer, foi exatamente aquilo que disseram em 2017 e quatro anos depois, tu sabes esses números de cor, de certeza, melhor do que eu, Nuno, mas já não sei em quanto é que isto vai. Já não sei.

Isto vai, neste momento, chegar aos 3700.

Vamos arredondar para os 4000 milhões, não é?

O limite que foi desenhado na venda de 2017. Agora, aqui a questão é que também houve uma má separação de ativos inicialmente e isso também podia ser avaliado. Mas isso foi avaliado na primeira comissão, senhores. Esta comissão é para discutir os negócios atuais e aqui a forma como o Novo Banco os fez, com perdas nos fundos imobiliários, na GNB Vida e vários outros de centenas de milhões de euros.

O problema é que estamos sempre a discutir a mesma coisa até chegar a um determinado ponto. Se os próprios deputados admitem que não estão a fazer nada, se calhar é porque estão a fazer exatamente o mesmo que fizeram em 2014, sem nenhum resultado.

Deixem-me só meter a minha colherada. Olá meninos, bom dia. Eu depois não percebi, eu confesso aqui a minha ignorância na tanta comissão de inquérito, estou um bocadinho perdida, até nem sei quantas foram ao Novo Banco, mas depois eu não percebi por que que-

Duas.

Foram só duas ao Novo Banco?

Sim, mas não te esqueças das do BES. Pronto, marjamos tudo.

E as da Caixa Geral, que estamos a falar às vezes das mesmas pessoas.

As mesmas coisas, sim, claro.

Eu depois não percebi por que que, de facto, aquilo que me interessava, que era os pormenores da venda falhada do Novo Banco, foi feita com os microfones desligados, que era aquilo que me interessava, de facto. Essa é que me preocupou, porque o ex-presidente do fundo de resolução defendeu que o mecanismo de Estado negociado com a Lone Star foi a melhor solução para o Novo Banco, mas depois disse: "É melhor desligar o microfone outra vez." E a comissão, que é transmitida online, é preciso dizer que esta comissão está a ser transmitida online, nesta parte, que era de facto aquela que interessava, digo eu, e em que foram dados então os pormenores sobre o processo de venda falhada do Novo Banco em 2015. Esses detalhes sobre as tais propostas das chinesas, vou tentar lembrar-me todas, da Anbang, da Fosun e da Apollo, não era? Foram dadas só aos deputados, ninguém mais sabe, tudo transmitido online até ali. Essa parte, com a documentação recebida das várias entidades, pronto, apagou-se, houve ali um apagãozinho e a gente não soube de nada.

Ainda diz que estás desatenta.

Não, não estou desatenta.

À Filomena, segundo os próprios deputados.

É aquela parte da atenção do Sérgio Godinho, que é só com um olho no meio da testa.

Exatamente.

É o nosso Casimir. É o, neste caso, o Casimir, mas não o outro, do Sérgio Godinho.

O cuidado, Casimir, o cuidado.

Não é o Casimir da Groundforce, é o Casimir do Sérgio Godinho. Quando falou o José Berardo Ramalho, também não confundir com Vítor Ramalho. Essa parte foi feita, não à porta fechada, mas ao microfone fechado.

Que é a mesma coisa, não é?

É a mesma coisa.

Filomena, segundo os próprios deputados, nós só temos direito àquilo que não é útil e que não presta. Nós só temos direito àquilo que já sabemos e que podemos ler nos relatórios de 2015. Pronto, é isso.

E que vem nos jornais, não é? Que já está a papinha feita nos jornais.

Já toda a gente fez.

A outra parte era aquela que eu estava interessada, e portanto essa parte, olha, não pode ver.

E essa continuas sem saber. E o que sabemos para já até aqui é que o Nuno vinha dar 10 aos deputados da comissão parlamentar e tu, Judite, a quem é que vais dar?

Eu ia guardar a minha nota para um combate.

Muito bem. Então vamos deixar esse combate. Nós aqui no Ouvi o Store já sabemos, dividimo-nos entre a discussão da alta finança, da baixa política. Rui Pedro Antunes, e tens aí também algo a acrescentar nesta discussão. Bom dia.

Bom dia, Carla. Bom dia a todos.

Bom dia.

Sim, desde logo, se me permitem também falar um pouco sobre esse assunto, diria só uma coisa.

Eu não permiti, mas repete.

O Carlos Moedas foi mesmo encurralado pelo PS, porque neste rol de pessoas que foram chamadas, nomeadamente Cavaco Silva, Durão Barroso e Pedro Passos Coelho e o próprio Carlos Moedas, todos os outros três gozam de uma prerrogativa específica que abrange os primeiros-ministros, ex-primeiros-ministros, presidentes e os ex-presidentes, que lhes permitem responder por escrito, o que é um controle muito maior da resposta. Carlos Moedas não tem a hipótese. Qualquer cidadão português, o inquérito parlamentar tem o mesmo poder que um tribunal e, portanto, não há escapatória.

Mas acho que não lhe davam essa prerrogativa.

Não lhe davam essa prerrogativa, como nunca dão, só dão a ex-presidentes. Por que colocar o Carlos Moedas no primeiro...? Eu julgo que ele já depôs numa comissão de inquérito, agora estou a falar de memória.

Na de 2014.

Ele era secretário de Estado e então tinha a prerrogativa de, como membro do governo, responder por escrito, acho eu, não tenho a certeza disso. Eu acho que desta vez ele não teria qualquer escapatória e por isso é que a jogada do PS acaba por ser um encurralar de Carlos Moedas. O que deixa a suspensão no ar é que se Carlos Moedas não fosse candidato à Câmara de Lisboa, será que o PS o chamaria? É porque já houve outras oportunidades para o chamar.

É uma boa pergunta.

Eu acho que isto encurralou foi os trabalhos da comissão, mas isso também acaba por encurralar os trabalhos da comissão. Mas ó Nuno, tu tens conhecimento total do andamento das várias comissões de inquérito ao Novo Banco. Houve factos novos que levem à chamada de Carlos Moedas que não existiam nos últimos anos?

O que houve, segundo o próprio PS, foi a audição de José Honório, em que José Honório lembrou a reunião de 2014 de Ricardo Salgado e aquela frase: "Ponham o Moedas a trabalhar." Certo, mas isso já tinha existido e consta dos relatórios de 2014, 2015, da comissão inicial.

E como se viu, o Moedas não trabalhou no tema.

Pois, não trabalhou no tema. Ele era secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro.

Como ele próprio disse, não sei se alguém viu no domingo à noite.

Que atende o telefone a toda a gente.

O Ricardo Rocha e Ferreira diz que é muito simpático, recebeu um telefonema do Ricardo Salgado e como toda a gente atendeu o telefone, não se limitou a dizer não.

Mas depois chutou para canto. É a expressão.

Pessoal, eu não acho mal que ele queira ser ouvido e queiram ouvi-lo outra vez. Não acho mal que queiram esclarecer tudo.

Achas que ele quer ser ouvido, Nuno?

Ele pelo menos já mostrou disponibilidade de ser ouvido e acho que vai dizer a mesma coisa que disse na altura. Houve pelo menos um deputado, o da Iniciativa Liberal, o Cotrim Figueiredo, que está contentíssimo com isto, porque não assistiu a nada disto em 2014, 2015, e para ele isto é a nova novela do Netflix. Está a ver tudo, está a adorar e diz assim: "Eu estou a adorar tudo isto."

Essa disponibilidade dele eu não percebo. Então se o tribunal me chamar para depor, eu tenho a disponibilidade de lá ir? Eu não tenho hipótese de não ir. Claro que o Moedas tem de lá ir, como o Fernando Medina gostaria de ir a uma comissão de inquérito, fosse qual fosse, para ser exposto ali perante os deputados. Esta ideia de o chamar surgiu só depois de ele ser o candidato a Lisboa e de facto houve aqui uma ação concertada do PS. No mínimo, levanta-se a suspeição de que Carlos Moedas teve de lá ir e é sujeito a este escrutínio por ter esta exposição pública de ser o candidato do PS.

Eu só acho que uma CPI à banca devia ter outros objetivos e tem outros objetivos fixados, que não estar a fazer combate nas autárquicas de Lisboa, mas percebo a jogada do PS.

Eu admito que pareça injusto, Nuno. Como te digo, eu não domino completamente todos os assuntos e essa audição do José Honório se calhar foi fundamental, mas se for o pôr o Moedas a funcionar, se for essa frase de temos que pôr o Moedas a funcionar, eu já ouço essa frase há cinco ou seis anos, pelo menos. Isso não é uma novidade que justifique ouvir Carlos Moedas de novo. Portanto, pelo menos a suspeição de que a única razão pode não ser chegar à verdade e dar mais complementos, até podem achar que desta vez é mais fácil chamar o Carlos Moedas porque já não é governante ou porque não é comissário, ou porque na altura não ficava bem chamar um comissário. Pode haver outras justificações. No mínimo, fica essa suspeição.

Nuno, já há data para Carlos Moedas ser ouvido?

Não tenho aqui presente, mas esta é a comissão que não chamou Ricardo Salgado.

Fica registado. Deixem-me avançar com outros assuntos. Estava a ser, é verdade. E tivemos aqui bastante tempo a olhar para isto, mas o Rui Pedro Antunes traz outros candidatos às autárquicas, e não só Carlos Moedas.

É verdade.

Estou a esfregar as mãos para te ouvir.

Estivemos aqui demasiado tempo na ponte entre o candidato autárquico Moedas e os outros. Carlos Moedas foi de facto uma escolha elogiada por todos da parte de Rui Rio. Mas eu queria falar sobre umas escolhas mais recentes do próprio PSD e eu aqui queria dar um 10 para as estruturas locais do PSD, porque eu não sei se Rui Rio vai pôr a assinatura dele em todos estes nomes e, portanto, queria lhe dar o benefício da dúvida. E queria dizer também que eu não acho que um candidato autárquico tenha que ter no currículo ter trabalhado na Goldman Sachs ou ter sido secretário de Estado do governo de José Sócrates. Isto só para falar nos dois principais candidatos a Lisboa. Mas eu acho que um candidato a uma grande autarquia, como por exemplo a Amadora, uma autarquia urbana e não só, qualquer autarca deve ter um mínimo de urbanidade. E a candidata que ontem foi falada para a Câmara da Amadora foi Susana Garcia, que assumiu que também foi convidada pelo Chega. E o que acontece? Ela é candidata a uma câmara que em 97, por exemplo, o candidato era Pedro Passos Coelho, só para nós vermos aqui a evolução do nível de candidatos. E a última coisa que se encontra sobre Susana Garcia na internet e nas notícias sobre ela, no Google, é precisamente um despique com Cristina Ferreira, em que ela diz, eu vou passar a citar a ida de Cristina Ferreira para a TVI, que não seja a vitória dos porcos ou das porcas. É neste nível E o que eu achei na altura? Que buçalidade, isto é de um nível de buçalidade imenso. Mas depois percebi que não, na verdade, Ana Garcia deve ser um animal político. Estava se a referir ao Animal Farm, de George Orwell, e por isso é que em português, como sabem, muitas vezes é traduzido como o triunfo dos porcos, e simplesmente ela tem grandes referências políticas e era só isso. Na verdade, enganei-me. Não era buçalidade, era alta política e alta análise política. E eu acho que em vez das autarcas, temos aqui os candidatos das gentes e da gente, agora temos os candidatos da nova gente. Porque de facto, é onde normalmente eles dão aqui as várias notícias. Mas isto não fica por aqui. António Pinto Pereira, que também é da crónica criminal, terá sido hipótese já para mais do que um conselho. Isto não é um modelo novo, atenção.

Não percebo porque é que ficou atrás, devo dizer.

Sim. Isto não é um modelo novo, porque em 2009 o Hernâni Carvalho, por exemplo, ficou a 1200 votos de ganhar a Câmara de Odivelas na altura. O outro candidato, para terem uma ideia, que o PSD exitou na altura, era o Gonçalo Amaral. O Moita Flores noutro patamar, porque já tinha outro passado e não é apenas um comentador da crónica criminal, ganhou a Câmara de Santarém. O Octávio Machado, se bem se recordam, isto indo agora para os comentadores desportivos, porque o PSD também escolheu o António Oliveira. Em 2005 foi candidato do PSD, em 2009 pelo CDS. Qual é o meu ponto aqui? É que o Dr. Rui Rio e o PSD tinham dito que em grandes autarquias eram precisos candidatos mediáticos, mas está a confundir candidatos mediáticos e com peso mediático e notoriedade, com candidatos que têm notoriedade em programas da manhã, em crónicas criminal, etc. Nada contra isso, mas não encaixa muito bem naquilo que normalmente é o perfil do PSD, nem tão pouco o perfil de Rui Rio. Nós brincámos aqui com o Vladimir Feliz, mas de facto, o Vladimir Feliz foi vice-presidente da Câmara do Porto, tem trabalho autárquico. Estas pessoas não. O meu 10 é porque eu não sei se todos estes nomes vão no fim ser aprovados. Mas na verdade, temo aqui pelo futuro político do Dr. Quintino Aires. O Manuel Serrão não sei se também está aqui como hipótese ao PSD.

No PSD não se lembrou do Manuel Serrão.

E confirmem-me, por favor, a idade do Pedro Jorge, o jovem cozinheiro do Pescaíño, também conhecido por dominar a arte de confeção de carne no MasterChef Kids, porque eu acho que ele ainda pode ser a hipótese do PSD para Coruche, se já tiver 18 anos.

Eu acho é que tu estás a pôr a fasquia muito baixa, porque a Cristina Ferreira já disse que queria ser candidata a presidente da República e as próximas presidenciais não estão assim tão longe. Daqui a cinco anos.

A Junta de Malveira está livre. Eu acho que a Câmara de Mafra, o candidato tem que ser o Hélder Sousa Silva, porque é o presidente dos autarcas sociais-democratas e não há grande hipótese, mas acho que a Junta da Malveira se calhar ainda está livre.

É o primeiro passo.

E portanto, com isto tu... Sim, diz lá, Novinha. O Rui Pedro já está a sentir um friozinho na espinha de cada vez que sai uma manchete da Nova Gente. "Epá, já falhámos esta."

Eu agora em vez de ler O Povo Livre, leio a Nova Gente para saber quem é que são os candidatos do PSD.

E por isso, Rui Pedro, dás um 10 às estruturas locais do PSD, é isso?

Sim, se pode ser um 10 para o Rui Rio, porque não é que este método não tenha funcionado num ou outro caso no passado, mas parece-me estar a confundir aparecer na televisão com notoriedade pública.

Deste aqui exemplos que funcionaram, de pessoas que foram eleitas, portanto, é capaz de funcionar. Estamos a falar em elevar fasquia. Judite França, é a tua vez.

Ora bem, para elevar a fasquia, eu vou falar de luta na lama. Não é na lama, é uma coisa chamada MMA, que na minha ignorância de desportos de combate, não sabia o que era.

Artes marciais mistas.

É o vale tudo. Só não vale arrancar olhos. Diz que vale tudo. Boxe, luta livre, vale tudo. Mistura muitas técnicas de várias modalidades e dá-me a ideia que quem está um bocado baralhado é o juiz Rui Fonseca e Castro, que faz aqui uma espécie de desafio, duelo mortal, que me faz sempre lembrar aqueles jogos de arcade, como se dizia, que acabava com um finish him, que é um bocado o mesmo tipo de desafio em que Fonseca e Castro desafia Magina da Silva, o diretor nacional da PSP, para um combate, uma coisa entre homens, é a expressão. Depois também lhe chama menina que foi chorar e fazer queixinhas ao Conselho Supremo de Magistratura, chama-lhe várias coisas. Depois tem um pormenor hilário que é: se ganhar, Magina da Silva tem de ir à televisão admitir que é um fantoche, um idiota, um pau mandado e que só é diretor da PSP porque é maçon. Se perder, Fonseca e Castro sai do Facebook. Reparem como um juiz consegue ser tão equitativo nas sentenças. Portanto, já se percebeu Que também para juiz venha o diabo e escolha. Por que ele está suspenso? Está suspenso porque não acredita na pandemia, mas porque fez uma coisa muito melhor quando era advogado. Tinha uns formulários já todos, digamos-

Pré-preenchidos.

Sim, quase prontinhos para reagir judicialmente em caso de multas por não usar máscara ou desobedecer às regras do confinamento. Mas fez isso enquanto advogado e depois, já juiz, atualizou, porque entretanto houve pessoas a comer gomas que foram multadas e a comer sanduíches em carros e então à conta disso, ele atualizou. Resta dizer: há quanto tempo é que este juiz voltou aos tribunais? Em março. Estamos em 30 de março e já está suspenso. Eu confesso que eu acho que esta história, ainda há pouco falávamos isso em off, que a Semana Santa ia ser um aborrecimento, que não ia acontecer nada. A Semana Santa está a ser recheada de acontecimentos que têm tudo menos de santo, mas que são no mínimo uma comédia. Onde é que já se viu um juiz... quer dizer, eu vou recordar o juiz do laço, que também tinha umas tiradas complicadas, mas era no recato das discotecas, não era propriamente em público, ao vivo e a cores, com desafios no Facebook. Eu não sei o que hei de dizer a isto.

Mas haverá consequências? Haverá consequências disso?

Eu espero que o juiz João Caqueto Castro não volte tão cedo à magistratura e que tenha que fazer, não sei, aquela coisa que quando as pessoas têm road rage na estrada, vão fazer uns cursos de calma e zen. Eu acho que ele precisa de uma coisa destas. E se é lutador de MMA, tem outra carreira aqui pela frente, portanto, não pode reclamar é com a magistratura.

Eu acho que ele não é lutador de MMA, porque se fosse lutador mexicano, tinha que usar máscara. Aqueles lutadores mexicanos.

Aquelas máscaras geniais.

Eu acho que ele podia ser lutador mexicano, mas isso não obrigaria o uso de máscara. Além de negacionista, é também juiz em negação, porque eu acho que, à partida, confio que um diretor nacional da PSP, à partida conseguiria, numa luta, vencer um lutador de MMA.

Não, se ele for lutador de MMA, não sei, porque se calhar o agente da PSP só sabe aquelas gravatas e aquelas coisas, e depois isso não chega para estar na luta a sério.

Mas o juiz tinha, diz no vídeo que tem vários problemas físicos, umas calcificações e tem algumas limitações. Com isto, Nuno Vinha quer acrescentar alguma coisa a este desafio do juiz?

Sim, só uma coisa: cada um tem os juízes que tem. A Itália tinha o juiz Falcone. Espanha tinha o Baltazar Garzón, que perseguia a ETA. O Falcone perseguia a Cosa Nostra. Nós temos juízes, mas no fundo encontram-se elementos da máfia tranquilamente nos hospitais portugueses que estão a beneficiar.

Tu querias dar uma nota ao Serviço Nacional de Saúde, não é?

Não, eu não vou dar nota nenhuma. Eu acho é que cada um tem os juízes que merece.

O juiz Francisco é que vai dar uma nota, não percebi, Cai.

Eu vou dar uma nota ao juiz e dou-lhe um zero rotundo pelo ter juízo.

Um juiz com juízo.

O que é uma coisa que os juízes não têm, claramente.

Filomena Martins, vamos encerrar contigo.

Eu que sou a última hoje, eu costumo ser a primeira.

É, costumas ser a primeira, mas já deste o mar de tua graça a propósito da comissão parlamentar de inquérito.

Não, eu gosto de ser a última, eu gosto de fechar.

Muito bem. E vais fechar com as vacinas.

Vou fechar com a entrevista do vice-almirante Gouveia e Melo ontem ao Miguel Sousa Tavares na TVI. Bem, eu acho que ele esteve, vou dizer isto de forma simpática, vou ser simpática hoje, vou dizer que ele pareceu-me globalmente bem, ou melhor, vamos lá não dourar tanta pílula. Eu acho que ele esteve globalmente bem ao começar a dizer que agora há um maior controle sobre os abusos. É verdade, eu de facto nunca mais ouvi falar de abusos. Também acho que ele esteve humilde ao admitir que todos os processos têm falhas e que é preciso reagir a essas falhas, o que eu acho que ele fez. E eu depois acho que, no entanto, apesar daquela voz militar que disfarça tudo, achei que ele começou a fazer algumas sacudidelas de água do capote. Ele garante que esteve por dentro do processo todo e que não viu pressões para entrar em grupos prioritários e que sempre tem ficado fora nesses processos. Quem teve de escolher foi a DGS. Bem, ora nós sabemos que os grupos prioritários já mudaram mais vezes desde que este processo começou do que as vezes que o Jorge Jesus diz "portantos". Bem, não é bem assim. E não sei se foi por pressões, não sei por o que foi, mas eu acho que toda a gente que veio a público dizer que devia estar no grupo prioritário, entrou no grupo prioritário. Eu cheguei a um ponto em que pensei em dizer que também devia estar no grupo prioritário. E depois, eu vi-o admitir aquilo que todos nós já sabemos, que no primeiro trimestre vieram metade das vacinas que deviam ter vindo, além daquele problema todo com a AstraZeneca, e que no segundo trimestre, afinal, só vêm 9 milhões de doses de vacinas, são menos três das 12 milhões que deviam ter vindo, e que ele continua mesmo assim muito otimista a garantir que vai tudo correr bem, que vamos conseguir ter tantas vacinas como tivemos no primeiro trimestre, o que é muito bom, e que vamos conseguir manter o objetivo de vacinar 100 mil pessoas por dia em abril, e que já demos um grande exemplo este fim de semana quando vacinamos 70 mil ou 60 e tal mil. Mas pareceu-me muito estranho, e está-me a parecer muito estranho, que só nos últimos dias, ou seja, só na última semana e meia, neste processo tão ambicioso de conseguir vacinar estas 100 mil pessoas por dia, nessa vacinação massiva, só agora tenhamos vindo pedir meios. Eu acho que este plano De vacinação massiva com estágios, pavilhões, tudo isso. A primeira coisa que deviam ter alocado neste plano deveriam ter sido os meios.

Os meios humanos, não é?

Os meios humanos. E se vocês viram a entrevista de ontem, ele nunca quantifica os meios. Aliás, só hoje no "Público" é que há uma quantificação com números, que é uma coisa que eu gosto muito, eu que não sei fazer uma conta de cinco mais cinco, gosto muito de números.

Sim, os números estão quantificados, Filomena, mas não sabemos quantos mais profissionais é que vão ser necessários.

Não! Dizem que são 5200, que serão 2500 enfermeiros, mas não sabemos quantos é que têm que ser contratados. E eu acho isto estranho, porque precisava de saber quantos é que são precisos contratar, são quantos para onde, para que sítios, para onde é que eles vão, para fazer o quê, quantos médicos, quantos enfermeiros, quantos outros profissionais. Depois eu já me irritei solenemente este fim de semana quando ouvi a Gadolfe Simões, naquele seu corporativismo com os enfermeiros, dizer que têm de ser os enfermeiros, as farmácias não podem dar vacinas, têm de ser mesmo os enfermeiros. Ela fez uma comparação absolutamente idiota ao dizer que nas farmácias não se podem dar vacinas. Ela, aliás, comparou, disse que uma pessoa que parte uma perna tem de ser operada por um ortopedista. Era a mesma coisa de dizer que uma pessoa que parte uma perna ia ser operada por um ginecologista e não por um ortopedista, como se dar uma vacina numa farmácia e não por um enfermeiro, fosse a mesma coisa que esta comparação parva, que não tem outro nome. E, portanto, não percebo este corporativismo contra as farmácias. E agora nós não sabemos quantas pessoas vão para onde. E depois esta história de que 80% das pessoas com mais de 80 anos já levaram pelo menos uma dose da vacina, ou eu estou muito mal informada, ou estou rodeada realmente, ou estou numa bolha, porque eu, desses 20% das pessoas que não levaram uma vacina com mais de 80 anos, eu conheço pelo menos oito. Portanto, os meus 20% deve ter lá quase todas as pessoas ou então deve ter muitas pessoas lá dentro. Portanto, acho que é aqui alguma coisa que me anda a escapar, alguma coisa que não está a correr tão bem.

E, portanto, Filomena, e agora temos mesmo que acelerar e isso quer dizer que a tua pontuação não vai ser assim.

Eu ainda acredito no senhor vice-almirante, confesso. Mas fica aqui com uma nota muito baixinha, que é o 10 a justar.

Bom, Filomena, para ti nem é mau. Podemos dizer que é uma positiva. O vice-almirante Gouveia e Melo passou no olhar da Filomena Martins. E é assim que terminamos este "Vencedor É". Amanhã temos mais análises e mais notas. Até lá.