Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "E o Vencedor É", das manhãs 360 e hoje, Luís, juntam-se a nós para darem notas a Helena Matos e a Sara Antunes de Oliveira.
E vamos olhar para dados inéditos nas casas abrigo, também para a luz verde das finanças para os hospitais poderem contratar. Mas primeiro, ainda a fechar a semana, a polêmica Luís Neves, que de resto marcou a semana toda, creio que todos os vencedores desta semana de manhã. Mas queres focar-te, Sara, na forma como António José Seguro tem gerido este caso.
Sim, porque há uma semana António José Seguro decidiu não falar sobre a notícia do Sol, que o dava como preocupado e a querer que o caso se resolvesse e concluía que Seguro tinha feito um ultimato ao primeiro-ministro. E faz sentido que Seguro não quisesse falar sobre isso, porque mal feito fora se o presidente da República passasse os dias a confirmar ou a desmentir notícias que o envolvem. Mas depois disso aconteceram muitas coisas. O ultimato tornou-se certo. Começaram a comentar-se até prazos para uma demissão. Apareceram pessoas próximas do presidente da República a apontar para isso mesmo. E mais importante do que tudo isto, o líder da oposição veio com muita habilidade no discurso, dizer que Seguro disse, sem dizer que o presidente disse, ou dizer que o presidente pensa, sem dizer que Seguro pensa. E de repente, António José Seguro tem o líder da oposição a falar por ele. E isso é um problema. Ontem, Seguro disse à SIC, durante as férias que está a passar, que não manda recados por ninguém, mas isso também não confirma nem desmente nada. E a ideia que também referiu aos jornalistas da SIC, que não quer ser um fator de perturbação, já lá vai o tempo. Isto saiu do controle de António José Seguro e a possibilidade que ele também levantou ontem de falar daqui a alguns dias também não ajuda. Já percebemos, até por isto mesmo, que os prazos criam tensão, um prazo vago ainda mais. Então pronto, vamos ficar aqui a ver. Será amanhã? Será daqui a dois dias? Será daqui a três? Não faz muito sentido. Não é uma situação agradável para António José Seguro, mas o presidente da República agora não tem grande alternativa. Tem de a resolver e o que está a fazer já não é suficiente e, portanto, para já tem um 10, mas está ali no limite. Porque quanto mais o tempo passa, mais a posição dele fica fragilizada no meio de tudo isto.
Helena, como é que tens olhado para estes últimos momentos da gestão desta crise por António José Seguro?
Tenho olhado mesmo, e fiquei a olhar para aquela fotografia em que António José Seguro surge com um polo. Reparei que estão três pastas, mais uma, portanto, estão três pastas em cima da mesa, mais uma que é aquela que António José Seguro tem à sua frente. Sim, também há o detalhe da caneta que está fechada, mas as pessoas como eu perdem todas as tampas de caneta, têm muitas vezes a preocupação de não tirarem logo a tampa às canetas, porque já se sabe que a tampa vai parar a parte incerta. Mas eu quero chamar aqui a atenção para o seguinte: este homem, que aparece aqui nesta fotografia, tem atrás de si, para lá de tudo isso e que a Sara aqui referiu, em relação ao que está a acontecer neste momento, nesta crise, e vê-se que neste preciso momento, o foco, a pressão, passou para cima de António José Seguro. É como se estivéssemos a descomprimir em relação a Luís Neves, porque não estou a ver muito mais que Luís Neves possa dizer que ainda supere aquilo que já disse e que já fez e o espetáculo que tem dado. Não há pressão alguma sobre Luís Montenegro, porque Luís Montenegro é assim. Já se sabe. Luís Montenegro diz que tudo isto faz parte da normalidade e, portanto, não há qualquer pressão sobre Luís Montenegro. Não há pressão, como é óbvio, sobre André Ventura, até porque o papel de André Ventura é colocar pressão sobre os outros. Não há pressão alguma sobre José Luís Carneiro, que por acaso até disse que a única coisa que vê aqui pode ser um caso percolativo e mais não sei o quê. Portanto, enfim, também foi à sua vida e sobra para António José Seguro. E para lá de ter sobrado para António José Seguro, porque é claro, ele é presidente da República, foi ele que se candidatou, ninguém o obrigou a ser. E presidente da República numa circunstância muito complicada, porque aqui já com três partidos e com tudo isto que se sabe, há aqui um fantasma atrás deste homem que aparece nesta fotografia com este polo, tudo em cores pastel, como a procurar dar-nos aqui alguma tranquilidade, que é a imagem de Marcelo Rebelo de Sousa. E não estou a pensar apenas na imagem contrastante com esta, que era Marcelo Rebelo de Sousa na praia de férias, em calções, a andar de um lado para o outro, e selfies, e aqui e acolá, e lá ia ele pelo Areal fora. Não, Marcelo Rebelo de Sousa foi o homem que deu posse a Luís Neves como ministro da Administração Interna, que não viu nem entreviu qualquer problema em passar um diretor da PJ para ministro da Administração Interna. Pode ter falado em privado, sendo que se essa expressão se pode aplicar a Marcelo, com Luís Montenegro. Não, eu estive a ver as declarações que ele fez na época, pois a escolha era superlativa, era ótima. Luís Neves, ex-diretor da PJ para ministro da Administração Interna, era uma passagem
Tranquilíssima e belíssima até. Estes superlativos são meus, não foram os termos que ele usou, mas sim, apreciou bastante. E é também o homem que teve a crise com Galamba, quando tentou pressionar António Costa a demitir um ministro e acabou a ver um primeiro-ministro a dizer-lhe: "Quem escolhe os membros do governo sou eu, primeiro-ministro." Portanto, o papel de António José Seguro neste momento é muito difícil, entre a pressão enorme que está sobre ele, quer política, quer também mediática, na verdade, sobre ele, neste momento. E tem ainda atrás de si a necessidade de criar uma imagem contrastante e por diferença em relação a Marcelo Rebelo de Sousa. Logo, eu dou-lhe um 12, que é aquela nota boazinha.
Ainda sempre melhor que a Sara.
Sim, porque eu gostei das cores da fotografia. Acho que há aqui um procurar transmitir tranquilidade entre o pastel do polo, as cores claras da madeira, aquele ramo de flores lá ao fundo.
Há uma estética, sim, senhor.
Sim, senhor.
Mas também podia ser fotografia de catálogo do IKEA, por exemplo.
Mas quem nunca passou num momento assim, em que está muito irritado e olha, já nem há o catálogo da IKEA, e olhava para o catálogo da IKEA e via aquilo como uma espécie de reconforto da vida que eu gostava de ter.
Era muito bem feito.
Não era? Portanto, eu dou um 12.
Esse 12 da Helena. Paulo, falaste deste tema no início da semana. Foi preciso haver uma notícia para que as finanças assinassem um despacho para os hospitais poderem contratar?
Esse é o grande ponto, Luís. A semana começou, em relação a este tema, com uma denúncia, um alerta da Ordem dos Enfermeiros, numa notícia do jornal Público, a Ordem dos Enfermeiros a dizer: há 3 mil novos enfermeiros que estão a chegar ao mercado. A Ordem está neste momento a validar burocraticamente o fim da formação deles para que possam começar a exercer, portanto, estão prontos para ser contratados. Sabemos que o país, sobretudo o SNS, tem falta de enfermeiros e a Ordem dizia que não há forma de esses enfermeiros serem contratados, esses 3 mil, porque simplesmente os hospitais públicos e as unidades locais de saúde não têm aprovados ainda os Planos de Desenvolvimento Organizacionais, os PDOs de 2026, apesar de estarmos já no início de setembro. Formalmente, burocraticamente, sem esses PDOs estarem aprovados, não podem ser contratadas pessoas. Isto foi no início da semana. Ontem, de uma forma também muito direta e frontal, Álvaro Almeida, o diretor executivo do SNS, por perguntado sobre isso, ele diz que da parte da direção executiva do SNS, tudo que havia para tratar estava tratado e disse que a responsabilidade para isto é do Ministério das Finanças, que não aprova estes Planos de Desenvolvimento Organizacionais. E ontem, durante a tarde, veio o Ministério das Finanças dizer que finalmente, finalmente é nosso, é meu, que já aprovou então estes documentos, já meteu a assinatura nestes documentos e que estes enfermeiros podem começar a ser contratados. Ora bem, o que é triste no meio disto tudo? Há várias coisas tristes aqui. Uma delas é que é necessário chegar a um ponto em que é preciso ir para os jornais, para a comunicação social, alertar para estes assuntos. Isto é, neste caso, o governo, o Ministério das Finanças, não aprovou isto porque tinha que aprovar, porque é uma coisa boa. Se há enfermeiros para contratar, acabados de formar, e o SNS precisa deles, têm que ser contratados. Mas basicamente veio a reboque, fez isto a reboque da comunicação social e daquilo que são denúncias públicas. Mas o mais estrutural é como é que nós chegamos a setembro e planos de gestão de uma entidade pública estão por aprovar para esse ano, sabendo nós também que estes planos em relação ao ano passado foram aprovados em dezembro, no último mês. Isto é, de facto, uma carga burocrática absolutamente tonta, que não tem sentido nenhum.
Citando aqui o Expresso com caráter de urgência.
Obviamente, depois agora vai haver caráter de urgência, não sei que agilidade é que o Estado pode ter agora nos concursos abertos para enfermeiros por aí fora. Por quê? Porque quando se chega a setembro, de facto, com o plano de gestão de uma entidade para esse ano sem aprovar, a primeira coisa que se põe em causa é qual é a utilidade verdadeira deste tipo de documentação e por que isso fica preso em tantas secretárias, tantas assinaturas, tantos ministérios, direção executiva, mais as administrações, as ULS dos hospitais. A quantidade de gente que deve ser envolvida a perder horas e horas a fazer mapas, documentos, a formatar aquilo em Word para esta inutilidade, para depois terem documentos que são aprovados já fora de tempo e que no fundo só empatam. Portanto, há que rever tudo isto, mas esta forma de funcionar também, neste caso do Ministério das Finanças, andar a reboque daquilo que são as denúncias na comunicação social, também é de evitar, como é evidente. Já se percebeu que há cabimento orçamental para isto, porque estamos ainda durante o ano de 2026. E que não houvesse, também tinha que ser revisto. Nós, obviamente, devemos ter, preferencialmente, orçamentos equilibrados ou com ligeiro excedente para baixar a dívida, mas não pode ser à custa disto. O Estado tem muitas gorduras, seguramente, por onde cortar. Não precisa, certamente, de cortar nos enfermeiros ou de atrasar a chegada de enfermeiros.
Mas continua também a haver muito aquela questão de tudo tem que passar pelas finanças, nada pode acontecer sem passar pelas finanças.
É, porque o país e o Estado, de facto, funcionam de uma maneira em que há que ter ali um controlador das contas para isto não descambar, porque o passado já se viu que o contrário dessa situação já se viu onde é que nos leva. Agora, se o Ministério das Finanças quer continuar a controlar cada alfinete que se compra em cada ministério, tem que ter uma estrutura e uma agilidade Para que isso seja feito de forma rápida.
O que iria aumentar a despesa, ter uma estrutura.
Não é ter estrutura, às vezes é ter menos estrutura. O Estado é uma máquina burocrática e é como aquela história: quem tem o martelo na mão, tudo lhe parece um prego. Uma máquina que tem uma cultura burocrática, quando recebe mais meios, o que vai fazer é inventar burocracia pra se ocupar. Isto é, agora vamos colocar essas pessoas novas aqui a fazer o quê? A aprovar mais papéis, mais regulamentos, mais regras, mais controles. E a cultura é que tem que mudar. Nós precisamos de meios, mas é enfermeiros, médicos, pessoas que executem e não pessoas que andam com papéis.
Que essa avaliação financeira se faça depois. A autonomia é um bom princípio, por exemplo, para escolas, para hospitais.
Mas têm orçamentos próprios, essas entidades.
E que o controle se faça depois, se faz à partida, com sérias limitações, mas o que há é que existe controle, mas depois não existe eficiência do serviço.
Não existe a responsabilização. Se tu atribuís a uma escola um orçamento de mil e ela depois ultrapassa o orçamento de mil, está atribuído e a escola pode gastá-lo. Das duas, uma: ou há uma boa justificação para isso, está tudo bem, ou então as pessoas responsáveis por ultrapassarem o orçamento têm que ser responsabilizadas. Não há cultura de responsabilização, de controle posterior e por aí fora, portanto, só metendo o ferro no início do cofre. Agora, nós não podemos é pegar em recursos, que são caros, para fazer estes planos de desenvolvimento organizacionais que são aprovados em dezembro de cada ano. Isto é de uma inutilidade absoluta. Isto é pôr pessoas a trabalhar só pra trabalhar, pra se ocupar, basicamente.
E a tua nota vai pra quem então, Paulo?
Vai para o Ministério das Finanças e no fundo que reflete um bocadinho esta desorganização, esta má organização do Estado, este foco burocrático, dou um seis.
Bruno, queres trazer aqui uma notícia d'O Expresso que mostra que há agora mais crianças do que mulheres em casas de abrigo. O que é que estes dados nos mostram exatamente?
Mostram-nos que o crime de violência doméstica, que é o crime mais participado quase todos os anos em Portugal, o ano passado, 2025, houve quase 30 mil ocorrências de violência doméstica registadas pela GNR e pela PSP, mostram que as consequências deste crime vão muito pra além de um único momento e de uma única vítima, mesmo que, por exemplo, seja um caso de agressões entre um homem e uma mulher, normalmente sabemos que são os homens os agressores, quando há um contexto familiar com filhos, são vítimas todas as pessoas que fazem parte do agregado familiar. E isso prolonga-se no tempo. Não estamos a falar, e neste caso, de pessoas que depois estão na Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica e nestas casas de abrigo, não estamos a falar de uma situação que ocorre uma vez, algo que acontece uma única vez, uma agressão. Já estamos a falar de situações que se arrastam no tempo e O Expresso até dá aqui o exemplo, depois há uma parte da reportagem em que O Expresso visitou uma destas casas de abrigo, falou com uma das jovens, destes menores que estão nestas casas de abrigo, a explicar como é que foi o processo. E então a jovem diz que num dia estava a preparar-se para ir a uma visita de estudo e de repente a mãe disse-lhe: "Bem, temos que ir pra aquele sítio que te já tinha falado". Ou seja, é algo que não acontece de um dia pro outro. Pode haver uma ou outra situação de violência mais extremada que obrigue logo a uma atuação, mas geralmente estamos a falar de situações de violência que se arrastam no tempo. E o que estes números nos mostram é que é de facto um crime que tem vítimas que vão muito pra lá da vítima direta de agressões ou de pressão psicológica. As crianças são grandes vítimas da violência doméstica, aliás, têm um estatuto que existe desde 2021. São consideradas vítimas autónomas quando presenciam ou vivem em contextos de violência doméstica, mas é preciso ter uma noção do que isto acarreta para a vida destas mulheres, na maioria mulheres, e destas crianças. Há aqui uma disrupção da vida que se vai prolongar também no tempo. Há um prazo para estas pessoas ficarem nestas casas de abrigo, que é de seis meses, mas na maior parte dos casos ficam mais tempo do que isso, porque são pessoas, muitas delas, que não têm uma estrutura, não têm autonomia, não têm um emprego e é preciso tratar disso tudo. Muitas vezes pessoas já não tinham um emprego antes desta situação. É preciso reformular tudo, readaptarem-se ou adaptarem-se a uma vida completamente diferente e isto obriga a um esforço das autoridades e destes organismos, que é um esforço gigantesco, que não acaba de imediato com a sensação de insegurança. Pode haver ali num primeiro momento, e mesmo a adaptação sendo difícil, pode haver ali num primeiro momento, de facto, uma sensação de segurança, porque se afasta aquelas pessoas de casa e do perigo. E mais uma vez também podemos falar da questão de serem estas pessoas afastadas do seu contexto familiar e não os agressores, o que também levanta aqui uma série de questões, mas estamos a falar de pessoas que num primeiro momento têm essa sensação de segurança, mas por outro, essa sensação de insegurança pode se manter quando regressam à vida normal medo do que possa acontecer, de que o agressor descubra onde é que elas estão. E depois é tudo um trabalho de readaptação a uma nova vida, a um contexto totalmente distinto. Estamos a falar também de muitas pessoas, de imigrantes, que não têm redes de apoio em Portugal. Muitas vezes também têm dificuldades em recorrer às autoridades para lhes dar estas soluções. É uma questão muito complexa, que tem um impacto muito duradouro na vida destas vítimas. E se nós olharmos aqui para os números, no último ano, as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, CPCJ, receberam cerca de 17.450 sinalizações de crianças em contextos de violência doméstica. É um número absurdo, é um número que é, de facto, assustador, porque nós sabemos que não são crimes cometidos num dia. São situações que se arrastam durante anos e que têm um enorme impacto na vida futura, em particular destas crianças, claro, destas mulheres também, mas destas crianças e destas famílias. Eu vou dar uma nota positiva ao esforço que é feito por organizações, pela APAV e pelo Estado para dar uma resposta a estes casos. A violência doméstica tem sido muitas vezes utilizada aqui como uma arma também nas guerras, nas ditas guerras culturais, mas é um crime que tem um enormíssimo impacto social e a longo prazo na vida destas pessoas e todos os esforços que são feitos para minorar esse impacto, eu acho que são de louvar. E, portanto, vou dar um 18.
Um 18, uma nota positiva no Fecho de Texto. E o Vence D'Oré que está de regresso mais logo na Tarde Política.
Começa a seguir ao Jornal das Seis. Esta tarde dão notas a Judite França, o Alexandre Borges e também o António Costa.