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Começa agora uma edição extra do "E o Vencedor É?". Depois de duas horas de frente a frente, damos notas a quem mais se destacou no debate da rádio, que pela primeira vez teve a participação da Rádio Observador. E Carla, para pontuar, além do José Manuel Fernandes, estão conosco a Sara Antunes de Oliveira, a Ana Sanles e o Ricardo Conceição.

Daqui a pouco vamos também acompanhar as reações dos intervenientes que participaram neste debate. Vamos para o local que se justificar, mas antes disso, partimos para os vencedores. Em duas horas em que se falou de Segurança Social, de combate à pobreza, Justiça, Defesa, guerra na Europa, pactos alargados também. José Manuel, quem é que sai daqui vencedor?

A rádio.

Uma palma.

Devia ter pensado nisto. Que boa resposta.

Foi o debate mais claro.

Eu acho que foi um debate mais claro que os outros, mais claro que o da sexta-feira passada nas televisões, com mais temas, com mais explicação, com mais clareza sobre algumas posições dos partidos, sem tantos atropelos como tem sido habitual. Não sei se foi só por ser a rádio, mas foi seguramente na rádio que aconteceu.

Ricardo Conceição, o que é que te parece?

Sim, eu sigo esta linha do José Manuel. Acho que o debate foi esclarecedor, foi vivo, foi civilizado, foi picante em alguns momentos, até teve bom humor. Até ouvimos Paulo Raimundo a fazer uma piada e, no fundo, discutiram-se temas que são essenciais para o nosso presente e para o nosso futuro: Segurança Social, Defesa, telemóvel nas escolas, a parte política, a componente política destas eleições e do futuro político. Portanto, foram vários temas, de forma muito calma. Eu peço desculpa, não me surpreende, sendo eu uma pessoa nascida e criada na rádio. A rádio continua a ser um meio incrível e proporcionou um debate bom.

Um debate bom. Ouviu-se, aliás, no final do debate, alguém dizer: "Viva a rádio". Sara, também se falou da questão da governabilidade e dos cenários, se calhar porque Luís Montenegro chegou atrasado, não foi o primeiro tema ou a rádio permitiu que se partisse logo para questões mais concretas?

Por acaso não sei qual era o guião, não sei exatamente se era suposto ser assim ou não, mas eu acho que deu, de facto, para ir a tudo. Já agora, sobre governabilidade, vinha-me a rir agora quando estava aqui a entrar para o estúdio, porque uma das últimas coisas que eu ouvi foi Rui Tavares que queria que Luís Montenegro fosse tão claro sobre se afinal ia viabilizar uma moção de censura do Chega e que a clareza do Rui Rocha era de pouca dura e que era preciso ser honesto com as pessoas quando lhe perguntam se ele vai ser candidato às europeias ou se pode garantir que não vai ser candidato às europeias, ele diz: "Eu acho que neste momento devíamos estar a falar de 10 de março", o que é uma coisa genial e eu confesso que não esperava de Rui Tavares, que não costuma fugir a estas coisas, mas de facto houve alguns momentos. Sim, falamos de vários temas e muita gente falou de forma clara. Ouvimos muitas propostas, acho que sobretudo não de Pedro Nuno Santos e de Luís Montenegro, que adoraram esta coisa de estar pegados um com o outro e, portanto, são muito chatos, mas dos outros. Agora, também houve muitíssima ambiguidade, muitíssima falta de clareza, quer na Justiça, quer na Defesa, por exemplo.

Sim, mas eu acho que isso é revelador, que nós tivemos ideias, tivemos uma ideia, tivemos nenhuma ideia e tivemos devaneios. E por isso é que eu acho que o debate foi esclarecedor.

Posso só dizer, antes de avançarmos depois para a análise final. Havia de ser hoje, e na rádio, que Paulo Raimundo se tornava o engraçadinho do grupo, a pôr toda a gente a rir e a fazer piadas. Também me ri, de facto. Foi o último, Paulo Raimundo, isto devia ter sido um bocadinho mais cedo para vermos o outro lado. E era um dele, acho eu, aqueles apartes baixinhos que nós ouvíamos, porque não estamos a ver e, portanto, estamos atentos e o ouvimos volta e meia dizer: "Isso é inconstitucional."

Ouvíamos o chiar da cadeira de vez em quando e algumas bocas.

Acho que foi um bom debate.

Sim, parece que voltou aos tempos da Coronel e àqueles vídeos que felizmente foram recuperados da juventude de Paulo Raimundo. E hoje conseguimos ver realmente um bocadinho desse Paulo Raimundo que se foi soltando muito ao longo dos debates. Aqueles debates iniciais foram absolutamente desastrosos. Via-se o líder do PCP quase com, não digo medo, mas com uma clara falta de vontade de estar ali. E hoje, não sei se foi pelo formato da rádio, eu confesso que fiz batota. Foste espreitando as imagens.

Estiveste a ver o vídeo.

Eu acompanhei o debate pelo vídeo, porque a imagem me fazia falta. Até o adjetivo que nós, no fim, damos aqui as notas, o adjetivo que dei à Mariana Mortágua foi com base na expressão dela. Mariana Mortágua tem sempre aquela expressão do emoji. Há um emoji que é aquele sorrisinho de lado, que é o smirk.

Sarcástico.

Que é a cara de Mariana Mortágua. Eu não sei se há uma palavra melhor em português. É um smirk, que é a expressão de Mariana Mortágua. Mas também gostava de começar por dar essa nota muito positiva ao debate das rádios, precisamente por ter ido a tantos temas. Foi muito importante começar pela pobreza e pela Segurança Social.

Estamos numa edição extra do "E o Vencedor É?" depois do debate das rádios e das reações dos intervenientes. Estamos com o José Manuel Fernandes, o Ricardo Conceição, a Sara Antunes de Oliveira e Ana Sanles. Tivemos duas horas de debate e depois quase uma hora, quase 45 minutos de mini entrevistas com todos os intervenientes. No tempo que temos, José Manuel, o que mais se destacou?

Bem, indo para o debate.

Indo para o debate agora.

Indo para o debate. Eu acho que no debate houve algumas figuras que eu diria que se destacaram. Talvez a pessoa que se tenha destacado mais tenha sido Paulo Raimundo, que apareceu bastante diferente nos debates anteriores, mais solto e mais disponível E em vários momentos penso que, apesar de tudo, Rui Tavares está sempre bem, mas houve ali momentos em que ele ficou um pouco atrapalhado quando teve que explicar melhor algumas das suas propostas, que eu costumo chamar de fofinhas, porque parece que toda mundo é capaz de concordar com elas, mas depois a questão é saber se elas de fato são realizáveis. Quem me pareceu que nunca perdeu o foco foi Rui Rocha. Isso deixa para piores lugares na prestação os dois principais partidos, que eu acho que talvez prestarem mais à defesa, não estiveram brilhantes nem um, nem outro. Porventura, até um bocadinho pior Pedro Nuno Santos, que por exemplo, o final, quando ele não é capaz de responder fluentemente a coisas tão simples como foi a última vez que foi ao hospital, fica-se um pouquinho a gaguejar. Reforça aquela percepção de que ele tem três ou quatro slogans, digamos assim, que repete muitas vezes, estão sempre muito presentes e que têm a ver uns com a governabilidade, outros com fazer com que as pessoas olhem não para trás, mas muito para trás e evitar que elas olhem para o passado mais recente. E em relação a Montenegro, eu diria, ele chegou um pouquinho atrasado. Não sei se foi a tentar, porque foi mesmo a chuva, ou se foi a tentar ver se o tema da governabilidade não vinha aí outra vez. Veio, ele mantém a posição e eu acho que ele não vai sair daquela posição até o fim. E do ponto de vista da estratégia dele, é a única coisa que ele pode fazer. Do ponto de vista objetivo, se nós podemos de uma forma genérica definir quatro cenários pós-eleitorais.

Só quatro?

Não, estou a falar quatro. Eu já vou explicar que não são só quatro, é o que eu vou dizer. Os quatro cenários são: PS fica à frente em número de votos e há uma maioria de direita, PS fica atrás em número de votos e há uma maioria de esquerda, PSD fica à frente em número de votos com maioria de direita, PSD fica atrás em maioria de votos com uma maioria de esquerda. Estes quatro cenários parecem simples, não são simples se nós depois começarmos a ver que não é diferente as combinações, por exemplo, AD mais Iniciativa Liberal, por comparação com PS mais o resto da esquerda. Há aqui muitas combinações possíveis e também é muito diferente o equilíbrio final em número de votos e em número de mandatos, que criam dinâmicas do dia seguinte também muito distintas. E portanto, verdadeiramente, começar aqui a obrigar os partidos todos a dizerem o que vão fazer é muito complicado.

Mas há questões de princípios, Emmanuel.

Há questões de princípio relativamente a fazer ou não fazer um acordo de governo com o Chega, não é?

Sim, mas aquela pergunta de viabiliza uma moção de censura do Chega, não devia ser fácil responder a isso? Por que é fácil para Rui Rocha dizer que não, não viabiliza uma moção de censura do Chega e não é para Luís Montenegro?

Eu acho que a questão fundamental que aí está é uma questão que também podia ser perguntada a Pedro Nuno Santos.

Isso é uma resposta a Montenegro, Zé Manuel.

Não, mas é porque é um dos dilemas que se coloca no dia seguinte. Quer dizer, é a mesma pergunta dos Açores, sobre uma moção de censura nos Açores. Aliás, a moção de censura é assim, é o primeiro que apresenta, que conta. Portanto, o Chega tinha que ser o primeiro para poder haver uma moção de censura. Logo aqui há vários problemas, porque não é como os Açores que tem que haver votação do programa do governo. Há aqui uma questão que é a seguinte: quer Pedro Nuno Santos governar com uma maioria, que é a única coisa que parece relativamente tranquila nas sondagens, que é uma maioria de direita na assembleia. Quer governar assim? Acha que consegue governar assim? Ele só pode governar assim se fizer uma espécie de bloco central até o fim da legislatura, porque sem isso não consegue. Porque não é só passar o governo, é aprovar os orçamentos, por aí adiante. Por isso é que eu acho que garantir já que não se aprova nenhuma moção de censura, se o governo for um governo, vamos supor também um absurdo, que é com Mariana Mortágua a Ministra das Finanças. Quer dizer, nessa situação, se quem estiver avançado em primeiro lugar é o Chega, só haverá uma moção de censura, ser a única forma daquele governo não avançar, o PSD fica amarrado a não votar?

Eu acho que vamos ter fila na secretaria.

A Iniciativa Liberal não decide em última análise, portanto, tem facilidade em responder à pergunta.

Sim, claro.

Tem uma facilidade que o PSD não tem. Que o PSD, quer dizer, que Luís Montenegro e que a AD não têm. Portanto, eu acho que nós estamos perante tantas hipóteses diferentes que verdadeiramente isso serve para o jogo político. Mas o que está por trás disso tudo? O que está por trás disso tudo é um esforço por parte do Partido Socialista e da esquerda em geral, mas sobretudo do Partido Socialista, em ver se consegue reviver a campanha de 2022, em que a falta de clareza do Rio, ou melhor, a hipótese do Rio se aliar ao Chega permitiu o boom final da maioria absoluta. E portanto, estão a tentar ver se vão por aí outra vez. E Montenegro está a tentar fazer todo o contrário disso para garantir que não há jogo nessa coisa. É o que está aqui em causa. Um não vai falar e o outro vai insistir até o fim.

E provavelmente também numa tentativa de não comprometer o partido com uma solução e comprometer-se só a ele.

Mas porque a questão, por exemplo, nos Açores o que vai acontecer no próximo governo? Vamos chegar ao dia da votação, aí é preciso votar o programa de governo, e basicamente há três hipóteses. Chegamos lá e o PS O Chega vota juntos contra o programa de governo e o governo cai. Um deles abstém-se. O PS não se vai abster, já disse que não se vai abster. Portanto, só pode o Chega abster-se. O Chega pode abster-se puramente para não fazer cair o governo ou pode abster-se porque conversou com o boleiro. Mas nós, no limite, até podemos não saber se conversaram ou se não conversaram, pode não ser público, porque a aposta de boleiro foi: "Eu vou governar em minoria e fazer acordos para cada um dos orçamentos." Os cenários são tão variados que é difícil nós querermos obrigar os partidos a definirem-se em relação a todos, porque se virmos bem, nenhum deles está verdadeiramente a definir em relação a todos. Eu acho que no fim, no limite, algumas das coisas, por exemplo, que o LIVRE está a sugerir, até como projetos-piloto, vamos estudar, vamos fazer, vamos fazer umas coisas assim, um governo da AD, até por algumas das propostas do Montenegro, poderia aceitar.

Podem entrar numa solução de compromisso.

O LIVRE, em princípio, não chega para nada e nunca vai fazer uma coisa dessas, mas não é por causa das suas propostas concretas, é por causa do resto.

Do resto, e nas duas horas falou-se de alguns dos cenários, dos imensos. Ana, o que destacas? Porque também se falou de muitas outras coisas.

Sim, falou-se de muitas coisas. E eu dizia há pouco que saudava o fato de se ter começado pela Segurança Social e pela sustentabilidade da Segurança Social, que tinha sido um tema um pouco ausente, mas estranhei, sobretudo por parte de Pedro Nuno Santos, que chegou aos debates e a esta campanha com o fardo de defender a governação socialista e tudo aquilo que o PS tem feito nos últimos oito anos, e parece que se esqueceu que está criada uma comissão que está a estudar as fontes de diversificação da Segurança Social já há bastante tempo, que deveria ter apresentado conclusões em junho, que não apresentou, que deveria ter apresentado conclusões em janeiro. Preferiu não apresentar para se guardar para o pós-eleições, mas está a ser feito aqui um grande trabalho, que supostamente trará respostas definitivas. E eu acho que Pedro Nuno Santos teria aqui uma boa arma para dizer: "Não, se nós..."

Eu não sei se ele está confortável com a composição da comissão.

Mas nós até agora não sabemos as pessoas da comissão.

Não sabemos, claro. Mas é uma composição.

Quando Montenegro diz que vai ser preciso estudar, Pedro Nuno poderia atirar com: "Não, nós já estamos a estudar, nós sabemos que há..." Ao contrário de Paulo Raimundo, que acha que não há problema nenhum e que está tudo bem com a Segurança Social.

É inacreditável essa posição.

Exato. E não foi a primeira vez que Paulo Raimundo disse que não há problema nenhum com a sustentabilidade da Segurança Social. É um mundo de unicórnios onde vive o líder do PCP. Voltando atrás um pouquinho em todos os temas que foram sendo falados, não sei se apesar de Paulo Raimundo manter a cassete e todos os problemas do mundo para o PCP serem resolvidos com: "É preciso subir os salários." Eu a certa altura pensei que quando lhe perguntam se concorda com o fim do dia de reflexão, que ele ia dizer que sim, mas para isso é preciso subir os salários. Respondeu com essa resposta a tudo. Não sei se não foi vencido na questão da cassete por Inês de Sousa Real, e aqui já fazendo uma retrospetiva de todos os debates, porque Inês de Sousa Real, os meus parabéns, cumpriu a estratégia até ao fim, conseguiu não dizer neste debate que o PAN foi o partido da oposição que aprovou mais propostas na última legislatura, mas em cada pergunta conseguiu desfiar novamente meia dúzia de propostas do PAN que foram-

Eles usam um fecho em MP3.

Pois, há de ser.

Ela está a lutar para ficar no Parlamento, porque eu acho que ela realmente corre o risco de não ficar.

Ela há de saber que corre o risco de não ficar, ou de, como nós dissemos no nosso especial sobre os cenários, manter só ela já será uma derrota. Portanto, se quisermos olhar por essa via, de ela ter escolhido uma estratégia, tê-la seguido até o fim e de realmente as pessoas terem ficado com alguma ideia daquilo que foram as propostas do PAN e do que o PAN defende, nesse caso, eu aplaudo Inês de Sousa Real. Se foi uma estratégia agradável.

Mas isso pode ser um problema também.

Pois, exatamente.

As pessoas ficarem com uma ideia de quais são as propostas que o PAN defende também pode ser um problema para o PAN, porque estávamos a falar sobre isso aqui com os microfones desligados enquanto ouvíamos Inês de Sousa Real. Quando se pergunta à Inês de Sousa Real sobre a guerra e sobre o tema da defesa, Inês de Sousa Real consegue dizer que quando olha para a Ucrânia é um problema claro, que reconhecem com a morte de civis, com as violações como crime de guerra e com a pegada ecológica. Alguém que consegue pôr o problema da pegada ecológica numa mesma frase que a morte de civis e as violações como arma de guerra, não pode estar bem. Não é possível tentar sempre chamar ao seu eleitorado. Ela teve esse problema, de perceber que algum do seu eleitorado estava a fugir, nomeadamente para o Bloco de Esquerda, que estava a fazer esse charco e olhe para o LIVRE.

E para o LIVRE, a parte verde.

Mas por amor de Deus, não é possível que uma pessoa que esteja preocupada com a pegada ecológica de uma série de coisas, a veja também na Ucrânia ou defina isso como prioridade. Portanto, menos.

Não vamos ter mais tempo para continuar a olhar aqui com detalhe para o que aconteceu nestas duas horas do debate das rádios, mas já ao longo da tarde, naturalmente que aqui na Rádio Observador, vamos olhar com outra fineza para o que se passou por aqui. Muito obrigada, José Manuel Fernandes, Ricardo Conceição, Ana Sales e Sara Antunes de Oliveira. Até amanhã.