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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "Youven Soré" das manhãs 360. Hoje, Carla, com notas atribuídas pelo Paulo, pelo Bruno e também pelo José Manuel Fernandes e pelo Rui Pedro Antunes.

E esta manhã vamos andar de comboio, vamos viajar também pelas redes sociais e esperar pelo debate único entre os dois candidatos presidenciais. Não falta muito, é já na próxima terça-feira. José Manuel, são muitos ou poucos os debates?

Bom dia. Eu preferia que fossem os dois que foram propostos pelas televisões. Na eleição de 86, que é a única referência que nós temos por comparação com esta, houve apenas um debate entre a primeira e a segunda volta. É um debate famoso, que durou uma hora e meia. Eu não consegui saber quanto tempo é que vai durar este debate.

Uma hora e um quarto. 75 minutos.

75 minutos, é um bocadinho menos. Foi um debate marcante da história da democracia portuguesa. Neste caso, nós estamos num tempo um pouco diferente, em que as campanhas eleitorais são incomparáveis. Naquele tempo, os candidatos passavam 12 horas por dia na rua, de evento em evento. Naquele tempo não havia arruadas, eram enormes comícios em cada povoação por onde passavam. Era um tipo de campanha completamente distinta, muito menos dependente dos órgãos de informação. Havia só um canal de televisão, que era a RTP. Desta vez, nós tivemos uma primeira volta marcada, na minha perspectiva, porventura, por um excesso de debates. Talvez ter feito de outra forma tivesse sido mais útil. Os debates acabaram por ter audiências mais baixas, mas curiosamente, talvez por ter sido o primeiro, o debate com maiores audiências foi precisamente aquele entre Seguro e Ventura. Não estou a dizer que isso tenha acontecido porque era entre os dois. Porventura, foi apenas, como eu disse, por ser o primeiro, mas acho que há naturalmente uma expectativa grande relativamente a estes encontros. E para não reduzir a campanha apenas aos eventos cada vez menos interessantes, diria eu, que os candidatos vão inventando pra andarem por aqui e por ali, até para contrariar o predomínio apenas da autoemissão de informação via redes sociais, ter a possibilidade de ter dois debates, na minha perspectiva, era positivo. Parece-me que aquilo que nós percebemos é que quem não quis o segundo debate foi a candidatura de António José Seguro. Eu percebo por quê, ele porventura sentir-se-á menos à vontade, mas eu acho que isso não era inevitável. Houve dois debates quando foram as primárias abertas do Partido Socialista, que Seguro acabou por perder pra António Costa, mas não perdeu por causa dos debates. Até recuperou, sobretudo por causa da forma como esteve no primeiro debate, o que é um sinal de que ele sabe bater, sabe colocar-se frente às câmeras. Perdeu por outros motivos, isso são outras histórias, contas de outro rosário, que não é pra aqui chamado. O tempo é diferente e eu preferia que houvesse dois debates. Não havendo, e sendo a responsabilidade de Seguro, eu fico com pena. Acho que ficamos apenas dependentes desta campanha antiquada de rua que se está a fazer.

E das redes sociais.

E das redes sociais, é um bocadinho curto, na minha perspectiva.

Bruno, quem é que fica mais beneficiado por haver menos debates? Haverá alguém?

Quem sai mais beneficiado de não haver tantos debates é sempre quem está à frente. Aliás, é isso que motiva, no meu entender, a recusa de António José Seguro em haver mais debates é o facto de as sondagens lhe atribuírem uma vantagem significativa em relação a André Ventura. Isto acontece com qualquer político.

Quanto menos exposição, melhor pra quem está à frente.

Se estás à frente, se tens uma vantagem, quanto menos oportunidades para escorregares, melhor da perspectiva dessa candidatura. Aí eu percebo perfeitamente. Agora, vamos olhar para o interesse dos eleitores. Aquilo que o José Manuel estava a dizer acerca das audiências, eu não acho que seja assim tão despiciendo e não atribuiria só ao fato de ter sido o primeiro debate. Estamos a falar dos candidatos que tinham maiores hipóteses de passar à segunda volta, aqueles que estavam mais polarizados, ou seja, dos polos mais opostos. Dos cinco candidatos que acabaram nos cinco primeiros lugares, André Ventura e António José Seguro são aqueles que estão nos polos opostos. Isso criava logo um interesse maior, que agora se reforça para uma segunda volta em que estão apenas os dois. O desinteresse de alguns debates, o fato de terem sido, quanto a mim, muitos deles, francamente aborrecidos, não diminui a importância dos debates. Podemos dizer que foi excessivo o número de debates, mas o problema não é da relevância e da importância dos debates. Não digo tanto até para os eleitores fazerem as suas opções, estarem na dúvida entre um e outro. Acho que quem vai ver o debate entre Seguro e Ventura não estará propriamente a hesitar entre um e outro, mas para haver um esclarecimento sobre certas posições e prever também a dinâmica, a capacidade de resposta dos candidatos. Para isso servem também os debates. Esse debate entre André Ventura e António José Seguro mostrou o António José Seguro em boa forma. Podia haver dúvidas acerca da capacidade de António José Seguro, depois de tanto tempo afastado da política De ao regressar à arena política, conseguir rebater um adversário tão difícil como André Ventura nos debates. E a verdade é que, a avaliar pela opinião publicada na altura, até aqui no Observador, o debate não correu mal a António José Seguro, a vitória foi-lhe atribuída. Eu também, pessoalmente, acho que António José Seguro esteve bastante bem no debate. O debate não correu mal a André Ventura, não foi um desastre para André Ventura, mas se olharmos para as expectativas e a reconhecida capacidade de André Ventura nos debates, acho que isso até reforça a ideia de que António José Seguro esteve bem. Portanto, não haveria um receio de António José Seguro se espalhar num debate agora, ou em mais que um debate com André Ventura. Só que ele tem essa vantagem, está à frente nas sondagens, portanto, não precisa tanto dos debates para se afirmar. André Ventura, por outro lado, apesar de se concentrar muito nas redes sociais, eu acredito que faria debates todos os dias até ao final da campanha com António José Seguro, porque seria sempre uma oportunidade para tentar recuperar ou para tentar pôr essas cascas de banana no caminho de António José Seguro. Um debate, claro, eu acho que é o mínimo. Creio que seria melhor haver mais do que um e haver um debate também nas rádios, mas percebo que a António José Seguro, neste momento, não lhe interesse ter essa exposição para não cometer erros. Os debates às vezes podem trazer surpresas. Nós já conhecemos mais ou menos o perfil dos dois candidatos, mas às vezes acontecem coisas inesperadas e António José Seguro não se quer expor a essas coisas inesperadas.

Então vais dar nota a quem?

Eu vou dar uma nota negativa para quem recusou mais debates, apesar de compreender a razão pela qual o faz, que é António José Seguro, vou dar um nove.

Um nove. E tu, José Manuel?

Eu também vou dar um nove, pelas mesmas razões que o Bruno. Preferia que houvesse um debate. Aliás, recordando a forma como, e acho que inclusivamente podem recorrer ao podcast do Observador sobre a eleição mais louca de sempre, até esta, e recordar como é que foi esse debate da segunda volta, que é um debate do qual ainda hoje eu me lembro e que na altura teve algo que eu acho que este não ia ter, mas enfim, isso sou eu a antecipar, que este não vai ter, quero dizer, teve elevação intelectual, foi travado sem gritaria, com discussão de temas concretos. Teve intervalo até, porque na altura não havia medo do zapping, portanto pode ter intervalo para descansar, ir beber um café, o que fosse necessário.

E outras coisas.

Essas coisas e outras coisas, claro. Portanto, está em pena que não aconteça.

Sim, será diferente desta vez, com certeza. O Bruno dá um nove, tu, José Manuel?

Eu também um nove.

Dás também um nove. E Ricardo Antunes, o primeiro-ministro fez bem em envolver a Justiça numa questão como a conta das redes sociais?

Não, eu acho que esta batalha de informação e muitas vezes batalha política, faz-se normalmente com meios proporcionais e sem envolver a Justiça, até porque a Justiça já tem mais com que se preocupar do que com estas questões. Houve muita gente a criticar, por exemplo, o primeiro-ministro quando processou o rapaz que lhe atirou com tinta verde. Eu aí até compreendo que é uma forma quase pedagógica, que OK, o primeiro-ministro não quer ser arremessado com objetos e, portanto, foi perfeitamente compreensível ter comprado essa guerra e venceu.

Havia uma ameaça de integridade física.

Sim, há um dano objetivo.

Neste caso em concreto, eu lembro-me sempre do Jimmy Kimmel e outras questões noutros sítios em que a imagem, eu não estou a dizer que o governo quer fazer nada parecido com alguma pressão que existe sobre humoristas e outro tipo de informação menos ortodoxa, que quer fazer isso, mas o dano reputacional para o próprio governo fazer isso publicamente é superior aos ganhos que retira ao comprar esta guerra. E depois, não é assunto todo para tribunal.

Não sei se é para tribunal sequer. O governo não foi claro sobre isso, sobre a instância.

Em que ia recorrer.

Em que ia recorrer. Não sei se há grandes alternativas.

Ia apresentar queixa.

Apresentar queixa às entidades competentes, acho que é um pouco isso. As palavras acho que são mais ou menos essas. De qualquer forma, sim, é um recurso.

Muitas dessas queixas morrem.

Desculpa, apresentar queixa nas instâncias adequadas, é a expressão.

Em Portugal é a Polícia Judiciária e o Ministério Público. Não estou a ver que vai apresentar queixa numa esquadra. Também pode.

É uma queixa-crime no Ministério Público. Eu creio que sim, efetivamente. Uma queixa-crime, e também o ministro Leitão Amaro fala nisso, que é o bom nome do primeiro-ministro e, portanto, creio que é por aí. E depois, aquela página em particular, o Volks Vargas, de facto, é uma página que é uma dor de cabeça para a direita em várias lutas. Na Câmara de Lisboa, tomou de conta o Carlos Moedas e aquilo quase diariamente e com conteúdos verdadeiros.

Aquilo é sátira. Apesar de vez em quando ter uma abordagem satírica, que é o caso.

Aquilo é difícil de considerar apenas sátira.

Não é sátira, aquilo é uma página de combate político.

Aquela conta é uma conta que tem dias, como costumo dizer.

Claro, de vez em quando.

Eu não sigo muito, mas às vezes vejo.

O caso concreto é uma abordagem satírica. Aquela publicação é satírica, é evidente. Há ali ironia, aquela coisa toda.

É satírica, claro.

Agora, identificar aquilo como uma conta de sátira...

Até os políticos às vezes fazem piada.

Claro, é isso mesmo.

Fingir coisas contrárias.

Agora a conta em si não é de sátira, parece-me.

Eu com o que conheço da conta, não a definiria como conta de sátira, mas enfim, eu não vou lá todos os dias.

Sim, eu admito que neste caso não é propriamente como insónias em carvão.

Exatamente, sim.

Bíblia muito engraçada e coisas desse gênero, que são páginas com-

Até o jovem conservador de direita

...uma grande difusão, pode não ter esses conteúdos exclusivos. Mesmo assim, aquele conteúdo em particular era claramente um conteúdo satírico, humorístico e visivelmente que era um conteúdo que não era verdadeiro.

Não era crível. Apesar de vermos nas redes sociais muitas pessoas a acreditarem.

Eventualmente.

Aliás, basta ver os comentários ao post original, nacionais e estrangeiros.

Isso acontecerá sempre e também nunca houve uma-

As pessoas acreditam no ala pai, ala mãe.

Uma grande indignação do governo com um dos seus parceiros parlamentares, que o faz de forma sucessiva nas próprias redes do partido. E não estou aqui com um atabautismo de que o governo agora, porque o Chega difunde muitas, até com às vezes com inteligência artificial e o próprio presidente do Chega o faz e coisas do género, não estou a dizer que depois o governo não tem autoridade para se chatear quando existem coisas de grande difusão que são informações falsas. Eu acho é que o governo faz isto tudo ao contrário. Tivemos a discussão sobre a disciplina de cidadania. Foram definidos oito domínios. Há quatro que são obrigatórios e depois em quatro, que tem que ser um em cada ciclo, que é pouquíssimo, então lá se discute os media e dentro dessa discussão pode haver lá o combate às fake news, etc. Não há nas escolas portuguesas, e é por aí que começa a literacia mediática. Portanto, se falou nessa disciplina, na questão da literacia financeira, os alunos saberem o que é uma notícia, o que é uma página humorística, como é que conseguem detetar o que é inteligência artificial. Isso não está a ser feito nas escolas portugueses como devia estar. Uma das questões fundamentais para a educação do país é a literacia mediática, é saber a diferença entre uma notícia, entre uma publicação de uma conta humorística, entre uma publicação de uma conta que tem conotações políticas e que vai alternando entre informação verdadeira e informação falsa. É assim que se combate a desinformação. Aliás, é verdade que agora a Lusa e o-

Ó Rui, acho que estás muito otimista sobre a possibilidade de isso acontecer dessa forma. Ainda ontem, por exemplo, a Irma, estive com algumas pessoas a ver vídeos fake gerados por inteligência artificial e pessoas habituadas a ver vídeos, portanto, profissionais, tinham dificuldade em distinguir. Portanto, é cada vez mais difícil e não creio que seja um professor numa escola com as muitas competências que essa pessoa tem que ter, que consiga fazer isso. Mas enfim, pode-se sempre tentar.

Eu há dias vi, enfim, não vou falar da fotografia.

Eu já tive dificuldade em distinguir vídeos falsos de verdadeiros.

Do Trump, que para mim me chocava imenso com as crianças, etc. E como vi partilhado pelos jornalistas que têm espaço no espaço público e que não são tontos, fui ver. E nós temos ferramentas como a Reverse Image e outras coisas. Há uma série de ferramentas, o Tiny Eye, coisas que dão para ver, mesmo os próprios sites de detecção de inteligência artificial. Hoje existem muitas coisas e nas escolas isso quase nunca é ensinado. Essa parte da disciplina de cidadania. "Ai, porque não sei o quê, fala disto e ideologia de género" e não se discute uma coisa importantíssima. E o grande objetivo do governo era isto. Não é agora o primeiro-ministro ir ter um processo do género Anjos ou uma coisa desse gênero com o Volksvargas ou com quem quer que seja. Acho que isso não dignifica nada. E depois, não é só este governo, porque já o governo anterior, em 2019, criou uma questão: "Ah, vamos combater as fake news", uma coisa. E depois não se faz nada. A Lusa agora já tem uma verificação.

Não se faz nada é o comum no país.

E foi sempre muito mais pelo privado.

Há uma comoção por causa de um tema qualquer, isso dura uma semana e depois esquece-se.

Primeiro o Observador, que foi o primeiro a entrar na International Fact-Checking Network, e depois chegou-se o Polígrafo com grande sucesso, temos que dizer, porque autonomizou uma marca.

Foi agora comprado pelo Media Capital.

Sim, mas creio que assim continuou até com um programa também similar e a Lusa também faz muito mais essa verificação e o Público também foi fazendo sempre. E houve outros jornais que ao longo dos tempos foram tendo projetos com mais ou menos sucesso, mas foi sempre a partir do privado. O Estado foi sempre muito lento a agir relativamente a isso.

No news.

E, portanto, quem fez algum trabalho e mesmo de formação nas escolas acabaram por ser os privados. E essa devia ser a grande preocupação, a lentidão com que o Estado está a-

Dar ferramentas às pessoas para elas se defenderem.

É como o José Manuel diz, não vamos perceber sempre.

Não, vai haver sempre, mas há um básico.

Pelo menos podemos questionar cada vez que temos alguma coisa mais estranha.

Perceber qual é a fonte da informação.

Eu concordei com o primeiro-ministro, por exemplo, quando ele criticava os comentadores, muitas vezes cria confusão. Eu já falei sobre isto aqui, que é uma autocrítica. Escrever sobre um artigo e depois a seguir comentar na mesma área política e estar a comentar um artigo como opinião. E outras vezes estar a escrever os jornais de comentário. Isso cria confusão às pessoas e nós próprios às vezes também temos culpa nisso. Mas nesta questão da desinformação sendo impossível, eu estou a dizer uma outra situação que os planos são confundidos. É perfeitamente possível uma pessoa perceber se está a ler uma página do Público, ou do Expresso ou do Observador, ir à própria página procurar a notícia, ver se ela está lá. E esse tipo de informação, que é tão simples, às vezes bastava duas horas por mês, uma coisa fixa na disciplina de cidadania, por exemplo, tanto se falou, para dar algumas ferramentas aos mais novos. E isso falta muito nas escolas portuguesas, porque esta geração vai ser completamente desinformada. E em permanente atualização. Esses sites geradores de perceber o que é inteligência artificial, por exemplo, não existiam há um ano. Ou há dois anos não existiam tantos.

Menos armas para tentar perceber o que estava a acontecer.

Vão existindo e vão-se modificando. A mesma tecnologia de reverse image, que é quando se coloca uma imagem e se vai à procura de onde ela está, qual é a original, depende das imagens, foi evoluindo ao longo dos tempos. Antes só havia o Google e tinha a AI, agora há 10, 20 sites, está em permanente atualização e isso devia ser dado nas escolas. Essa devia ser a preocupação do governo, muito mais do que processar o Volkswagen. Eu acho que o problema deles nem é com aquela publicação específica, é do facto de haver muito combate político a partir daquela página.

Que são os bastidores desse mundo, como nós sabemos.

Rui, vamos à tua nota, temos mesmo que avançar e entrar com mais um tema.

Vou dar um sete ao governo por comprar esta guerra.

A estratégia utilizada. Paulo, concessão a privados de algumas linhas da CP. O que está aqui em causa?

Finalmente, parece que vão avançar subconcessões de linhas. O governo anunciou ontem que a própria CP está a estudar isso. Já identificou quatro linhas suburbanas onde poderá haver vantagens para todos, incluindo para a CP. Estamos a falar da Linha de Cascais, da Linha Central de Azambuja, Linha do Sado e suburbanos do Porto. E portanto, agora o governo mandatou a CP para fazer o estudo prévio, para fazer a avaliação financeira, de modelo de negócio e por aí fora, para saber onde é mais vantajoso. Estamos a falar de linhas em que a que tem a taxa de ocupação média mais elevada, que é a Linha de Cascais, foi de 50% em 2024. Portanto, baixíssima a taxa de ocupação. Depois as outras linhas vêm por aí abaixo, de alguma maneira. Sabemos as críticas que são feitas pelos utentes ao modo de funcionamento destas linhas, mais umas do que outras. E sabemos também, por comparação, que, por exemplo, a experiência da Fertagus, que é o comboio também operado por privados e é o comboio que faz a travessia da Ponte 25 de Abril, apesar de neste momento estar com problemas de falta de comboios, se quisermos, e de sobrelotação, tem historicamente avaliações dos utentes muito superiores àquilo que são os serviços congéneres da CP. E portanto, eu acho que é um bom caminho este. Obviamente, depois depende da forma como as concessões são negociadas concretamente, porque obviamente o risco não pode estar todo do lado do Estado e os privados-

Paulo, não tem obrigatoriamente de ser só concessões, pode ser concorrência.

Sem dúvida.

É a situação que, aliás, a União Europeia nos obriga.

Isto é para operar, na mesma linha, várias empresas.

Exatamente. No setor das mercadorias já aconteceu.

Isso já existe.

Já existe. Neste momento são operadores privados. A maior parte dos comboios que circulam mercadorias em Portugal são operadores privados e estão a funcionar bem. Estão a funcionar até melhor do que a CP neste domínio.

Absolutamente. E portanto, agora isto tem que ser bem feito, obviamente. Tem que haver regulação, tem que haver avaliação do nível de serviço, essas coisas todas, isso tem que estar garantido, porque há o serviço público. Mas das duas, uma: ou queremos melhorar o transporte ferroviário suburbano, que é fundamental para tirar carros das cidades e para que as pessoas passem a andar mais de transportes coletivos, e não é com o serviço atual, com as queixas dos utentes, que isso avança. Portanto, eu acho que o governo faz muito bem em avançar neste caminho. E queres uma nota, não é?

Quero.

Vou dar um 14 a Miguel Pinto Luz. Agora falta é concretizar e concretizar com rapidez.

Mas para já um 14 ao ministro das Infraestruturas e o vencedor é, regresso mais logo, na tarde política. Numa versão alargada que começa, como sempre, a seguir ao jornal das 18h00. Esta tarde dão notas a Judite França, o António Costa e o Gonçalo Crespo. Logo depois chegam ideias feitas com Alberto Gonçalves. É às 18h50, tudo na tarde política da Rádio Observador.