Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Catarina Martins, algumas das medidas que o Donald Trump está a assinar agora numa cerimónia no Capitólio passam também pelas questões de género e por determinar que só existem dois géneros. Isto é um retrocesso, no seu entender?
Boa noite, antes de mais, a todas as pessoas que aqui estão e as que estão aí nos estúdios e a quem nos está a ouvir. Repare, o discurso de Donald Trump eu acho que deve ser levado a sério. É um mau discurso, é um discurso com algumas partes grotescas, como a referência a Martin Luther King. Nós podemos brincar com a palavra woke o que quisermos, mas woke é algo que sai dos protestos negros contra a brutalidade policial e essa ideia de que estou acordado, estou a perceber o quanto eu estou perseguido e, portanto, vou lutar contra a perseguição. Podemos fazer as caricaturas que quisermos e o discurso de Trump foi realmente um discurso com muito grotesco, com muitos momentos caricaturais. A questão do género é um desses momentos. Serve, sobretudo, para uma certa narrativa da extrema-direita, para alimentar as pessoas com raivas contra coisas que não são problemas, para que não se lembrem dos problemas que têm da vida. Não deixa de fazer, depois, vítimas muito concretas, pessoas que são uma pequeníssima minoria do mundo, mas têm tanto direito a viver com dignidade como todas as outras pessoas. Mas enfim, eu acho é que este discurso deve ser visto como foi e levado a sério. Donald Trump fez questão de ter um discurso que podia ser de um qualquer regime fascista de fundamentalismo religioso. "Eu estou aqui porque Deus me mandou, eu sou portador de um projeto para Deus e vou defender este meu Estado que Deus me deu contra tudo e contra todos." Portanto, isto eu acho que deve ser levado a sério no que é. Depois usou, julgo eu, esta ideia também que a extrema-direita cavalga. Eu julgo que qualquer pessoa que tenha lido "1984" do Orwell percebe, ou seja, esta ideia de usar as palavras para dizer exatamente o oposto, rescrever a língua. Quando Trump começa por dizer, a determinada altura, que está tão preocupado com a segurança das populações que sofreram com os desastres climáticos, para depois dizer que todo o seu programa para os Estados Unidos é mais combustível fóssil, o que ele está a dizer é que proteger da catástrofe é, na verdade, criar mais catástrofe climática. Quando Trump diz que quer a liberdade de expressão, fala da liberdade de expressão, para logo a seguir dizer que basicamente quem não concorda com ele será censurado. É na questão do género como é noutras questões. E nós sabemos, aliás, como a extrema-direita e a direita nos Estados Unidos da América, em vários estados, têm censurado livros, etc., com essa mesma lógica. Portanto, isto é extraordinariamente perigoso. Em terceiro lugar, também tem aquela ideia que é: ele diz que quer acabar com a guerra e quer paz. Mas quando ouvimos o discurso, ele está a declarar guerra a toda a gente das mais diversas formas, seja quando diz que quer ficar com o Canal do Panamá, ou o que for, como quando quer guerras comerciais ou quando quer uma guerra a boa parte da população norte-americana, que é população migrante. Eu percebo que o discurso não tem muitas coisas concretas, embora ele diga que quer acabar com o Green Deal, e isso é concreto, mas eu acho que seria um erro não o levarmos a sério e não percebermos o perigo de todo este discurso e o que ele significa de protofascismo, sim, e acho que podemos discutir o que isso também significa na Europa e o que é esta nova oligarquia da grande tecnologia, que estava lá toda com ele e que hoje não só vive dos nossos dados como controla a informação no mundo.