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A internet das coisas, não é assim, João Miguel Santos? É verdade. Há aqui muitas soluções tecnológicas na Feira Nacional de Agricultura, umas mais convencionais, como tratores, arados e maquinaria agrícola. Depois há outras menos convencionais e há umas que nós nem sequer vemos, mas que são utilizadas diariamente na agricultura. Ora, há aqui uma pergunta que eu vou lançar para a rádio para introduzir esta conversa: como é que uma empresa de telecomunicações pode ajudar a promover a rentabilidade das explorações agrícolas? É o nosso convidado, Mário Peres, o responsável de tecnologia para agricultura da Vodafone. Mário, viva, boa tarde.
Olá, boa tarde. Boa tarde, João.
Antes de lhe perguntar genericamente como, vamos já partir para casos no terreno. O que é isto de ter máquinas a detectar os batimentos das asas dos insetos?
Vamos a isso. Sim, senhor. Primeiro que tudo, cumprimentar o auditório e dar os parabéns também à Rádio Observador pelo décimo aniversário.
Obrigado.
Ora bem, indo direto à pergunta, é o exemplo típico de uma solução de internet das coisas, de uma solução de IoT, que é composta por um sensor, uma transmissão, que é o que a Vodafone proporciona. Portanto, temos essa responsabilidade de sermos a autoestrada para transportar o sinal e para chegar aos servidores e às aplicações dos clientes. E neste caso em particular, a solução que estamos a falar é uma solução que permite identificar a proximidade ou presença de pragas, de insetos invasores, que entrando no local, têm um sensor que deteta a frequência do batimento das asas desse inseto e com isso consegue informar e antecipar, antes que haja danos nas culturas, os agricultores de que efetivamente essa espécie está presente e precisa de ser combatida.
Vou caricaturizar, diga-me se estou muito longe da realidade. Portanto, um agricultor está num casamento e recebe um SMS no seu telemóvel: "Atenção, há 30 moscas dentro da estufa que podem -"
Podem complicar a vida do agricultor.
Podem estragar o casamento.
Sim, ele aí tem duas opções.
Porque isso indicia o aproximar de uma praga. É isso mesmo?
É um facto. É isso mesmo.
Uau!
Ele tem a opção ou estragar o casamento ou esperar mais umas horas para arriscar danificar a cultura. É verdade, mas digamos que esta solução, existem outras soluções tradicionais ao longo do tempo, mas esta solução tem uma vantagem muito grande face às demais.
Sim.
É porque da mesma forma que detetamos durante vinte e quatro vezes sete a presença desses insetos, conseguimos perceber as horas do dia em que esses insetos estão mais ativos.
Uau!
E conseguimos comparar com as alturas em que as espécies polinizadoras, como as abelhas, que fazem falta às culturas, também o estão. E, portanto, cruzando uma curva com outra, conseguimos pensar qual é a melhor altura para aplicar um pesticida sem prejudicar as nossas abelhas, os nossos insetos polinizadores.
Ou até nem aplicar de todo, não é?
Ou nem aplicar.
Portanto, tecnologia ao serviço não só do agricultor e do rendimento agrícola, mas também a tecnologia ao serviço ou ao dispor do meio e do contexto em que se situa essa exploração agrícola.
Há uma preocupação ecológica, efetivamente, uma preocupação em otimizar recursos e neste caso, também de facilitar a vida ao agricultor, que é isso que se pretende no meio disto tudo com o IoT.
Houve um tempo em que os agricultores, os produtores de vacas, esperavam ansiosamente que os seus animais parissem. Isso já não é-
É verdade.
Agora já não é assim, pois não? Já não precisam de esperar. Podem ir livremente para o casamento, porque a tecnologia ajuda. Como?
Exatamente. Essa é uma solução, neste caso, de apoio à produção animal, em que colocando um sensor na cauda de uma vaquinha, nós conseguimos nos aperceber quando é que esta vaca entra em contrações e vai ter o parto. E desta forma, mais uma vez, informar o agricultor à distância, sempre uma função do IoT nestas coisas, informar o agricultor à distância de que está na altura de ir ter com o seu animal, ou chamar o seu veterinário, porque o animal precisará de ajuda, naturalmente, e é muito importante nós termos este apoio nas primeiras horas de vida da recente vaquinha, do bezerro recém-nascido.
Isso é extraordinário.
Isto se pensarmos que resulta ao fim de 283 dias de gestação de um animal e quanto isso é importante para a vida do agricultor. Tudo o que pudermos fazer no sentido de facilitar-lhe a vida e de salvar a vida dos animais é excelente. É mais uma das funcionalidades do IoT, sempre a mesma coisa, um sensor, uma forma de comunicar e depois, ao curso de uma aplicação, um servidor que transmita essa informação e trata a informação para utilização do agricultor.
Sendo que o papel aí da Vodafone é ser o transmissor dessa informação toda.
Nós temos uma equipe de especialistas na área de internet das coisas, muito focada no desenvolvimento de tecnologias como o Narrow Band IoT e outras tecnologias de transmissão, que visam e procuram ajudar os produtores, os developers das soluções, integrando essas soluções também na nossa rede, de uma forma a garantir que a solução funciona, porque como qualquer máquina, os tratores que falávamos há pouco também variam. Portanto, nós temos que tentar antecipar e criar mecanismos de, vamos lá ver, até de manutenção preventiva, de tudo, para garantir que esse impacto não surja na mão do utilizador final. Esse é o nosso papel enquanto especialistas da IoT.
Da IoT. Muito bem. Algumas gerações cresceram a acreditar que o futuro ia trazer-nos carros que voavam ou carros que andavam sozinhos, mas na verdade, o futuro não nos trouxe nada disso. O futuro trouxe-nos tratores que andam sozinhos.
É verdade.
Isso é o presente hoje, não é?
É assim, em laboratório, esses carros que andam sozinhos, nós já estamos a trabalhar com eles.
É verdade.
Também já estamos a trabalhar deles. Neste caso aqui, a agricultura de precisão, é curioso que Muitos agricultores optam por, apesar do trator continuar a ser conduzido pelo tratorista, enquanto o percurso de abertura de válvulas, etc, confiam mais nas funcionalidades da indústria 4.0 para garantir que há efetivamente um tratamento do solo de forma adequada. Isso gera depois uma panóplia de conhecimento, de informação, que vai permitir ao agricultor tratar o solo, especificamente local para local, com os produtos e com os químicos e tudo que vai necessitar.
Era isso que eu queria ouvir, mas temos pouco tempo. Não é só a solução tecnológica que valoriza a exploração agrícola, é o que resulta de produção de dados dessa inovação tecnológica. Portanto, há um adicionar de camadas sobre camadas, ano após ano, campanha após campanha, que dá cada vez mais poder de decisão ao agricultor.
Absolutamente. Seja passagem por drones, seja o tratamento por satélite, sejam os sensores que são colocados no solo e depois a possibilidade de recorrer a muita informação, a bases de dados, através de inteligência artificial, que nos permitem saber o que é que aconteceu no dia 12 de junho do ano passado, há cinco anos, há 10 anos, e comparar com o que está a acontecer hoje. E com isso, antecipar e facilitar muito a vida do agricultor, que é toda cheia de imprevistos, como nós sabemos, e não é uma vida fácil. Portanto, tudo o que nós de tecnologia puder permitir, é excelente, é essa a nossa marca.
Muito bem. Não é ficção científica, acontece, é realidade.
É um facto.
Mário Peres, muito obrigado. Obrigado por ter vindo aqui à emissão da Rádio Observador na Feira Nacional de Agricultura em Santarém. Hugo Silva, vamos continuar por aqui.
Muito obrigado.
Exatamente. E já a seguir com o "Porque sim, não é resposta". Já voltamos à Feira Nacional de Agricultura.