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E ouvimos agora Duarte Marques, diretor de campanha de Luís Marques Mendes. Bem-vindo, obrigada por estar conosco e por ter aceitado o nosso convite. É uma preocupação para a candidatura de Marques Mendes esta proliferação de candidatos do centro-direita?

Boa tarde. Nós temos de saudar, da mesma forma democrática, todos os candidatos. Neste caso concreto, por exemplo, não diríamos que é um candidato do centro-direita, é da extrema-direita. Mas temos de saudar da mesma forma os candidatos que aparecem, seja da extrema-esquerda, seja da extrema-direita, sejam de uma direita moderada ou de uma esquerda mais moderada. Qualquer candidatura tem que ter essa obrigação e esse dever, que é saudar os partidos e as pessoas, neste caso uma eleição presidencial, que se submetem ao escrutínio do povo e que estão dispostos a ser eleitos para serem presidentes da República. Isso é algo que nós devemos sempre reconhecer. Outra coisa é nós avaliarmos se esta candidatura pode ser mais ameaçadora para o candidato que apoiamos ou não. Essa é outra questão que não tem nada a ver com preocupação do ponto de vista político.

E é? É mais ameaçadora?

Não, eu diria que esta é uma candidatura diametralmente oposta a Luís Marques Mendes, ou seja, é uma candidatura de um candidato antissistema. Ora, Luís Marques Mendes é um candidato moderado, que não recusa que fez parte e faz parte do nosso sistema político, que respeita a nossa Constituição, que não a quer mudar, mas quer, sim, aplicá-la de acordo com os valores que ela preconiza. É um candidato moderado. Outra coisa será comparar André Ventura com outros espectros de candidatos que têm uma posição mais antissistema ou mais radical, que querem mudar tudo e, portanto, fazer tudo de uma vez. Nesse caso, será mais ameaçador do ponto de vista da competição eleitoral, diria eu, com o almirante, com o Rui Melo, do que propriamente com o Marques Mendes ou até, por exemplo, com o António José Seguro ou com o João Soto Igreja.

Falava desta proliferação de candidatos. Diz André Ventura que Luís Marques Mendes é um candidato do sistema. Vai ser uma preocupação para Marques Mendes rebater esta ideia?

Não, só se estivesse a mentir. Marques Mendes é uma pessoa que participou ativamente na política portuguesa nos últimos 50 anos, quer dizer, 40 anos. Luís Marques Mendes é alguém que fez parte de vários governos, foi membro de governos, foi conselheiro de Estado, foi vereador de uma Câmara Municipal, quer dizer, é alguém que faz parte do nosso sistema democrático, que nós construímos todos e que ele ajudou a construir. E portanto, não entra no naipe de candidatos que são anti-regime, antissistema. É alguém que vem de dentro do sistema e que tem experiência política suficiente, numa altura que Portugal e a Europa têm parlamentos tão fragmentados. Aquilo que nós temos que perceber é: qual é o presidente que nos faz falta nesta fase? É alguém moderador, é alguém moderado, é alguém com bom senso, é alguém que conhece os partidos, que conhece o sistema, que já negociou com os vários lados da barricada em momentos cruciais da nossa democracia, que sabe ouvir, que é ouvido e que tem experiência suficiente para antecipar problemas. Ora, num Parlamento fragmentado como nós temos, numa sociedade fragmentada como é a atual, o que nós precisamos mais? De mais um agitador, de mais alguém que não tem experiência política e que não conhece como é que funciona sequer a Constituição? Ou queremos alguém que seja mais previsível, alguém que tenha um registo político e democrático à prova de bala, que tenha dado bons exemplos, que tenha tido a ética na política como algo fundamental, que tenha conseguido acordos, despachos de regime entre os diferentes partidos e que seja facilmente ouvido por todos, mesmo por aqueles que não o apoiam, mas que o respeitam e têm consideração pelo seu percurso e pela sua frontalidade? Eu diria que esse é o tipo de candidato que os portugueses da esquerda à direita mais necessitam ou que mais pretendem. E portanto, são campeonatos diferentes