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O Gil Azevedo é o diretor da Fábrica dos Unicórnios. Boa tarde, Gil. Obrigado por estar aqui conosco nos próximos minutos. O que é isto da Unicorn Week?

Antes de mais, muito boa tarde também. Uma pequena correção. Vamos ter, de facto, vários eventos no Beato, onde temos o Beato Innovation District da Fábrica do Unicórnios, mas também em toda a cidade. Nós temos alguns hubs de inovação, hub de inteligência artificial, hub de gaming, hub da sustentabilidade, em que também irão acontecer vários eventos. E que me dá a porta para responder à pergunta: o que é a Unicorn Week? O Unicorn Week acaba por ser uma montra de inovação da cidade de Lisboa, em que ao longo de toda a semana temos eventos para todo tipo de público. Para o público mais habituado às startups, que são os empreendedores, as pessoas com backgrounds tecnológicos.

Portanto, as pessoas do ecossistema.

Exatamente, o chamado ecossistema. E temos muitos eventos que vêm aproximar e criar oportunidades de se ligarem, de terem acesso a conteúdo e a informação de especialistas.

Para fazer o chamado clássico networking, não é?

Networking não só, e mesmo aprofundar conhecimento em várias áreas. Trazemos vários especialistas que fazem sessões ao longo de uma semana. E depois também fazer algumas sessões para aquilo que são os residentes da cidade, também tomarem conhecimento o impacto da inovação no seu dia a dia, como é que a inovação, que é uma coisa que falamos, falamos do ecossistema, falamos de inovação, palavras que as pessoas ouvem, mas que acabam por não ver traduzido, se calar, de uma forma tangível. Portanto, usamos também esta semana, e estes prêmios são um exemplo disso, de conseguir demonstrar às pessoas que inovação não é só postos de trabalho, não é só investimento, mas é também melhoria do dia a dia das pessoas.

Falou em postos de trabalho e em investimento. Quantos postos de trabalho estão associados à Fábrica dos Unicórnios?

São milhares. Aqui, de facto, é incrível a capacidade destas startups, que todas elas começam com uma, duas pessoas, em dois, três anos, começarem a criar equipas de 10, 20, 30 pessoas, e depois multiplicado pelo número de startups que temos em Lisboa, que são mais de 2 mil, acabam por ser milhares e milhares de postos de trabalho. Só para dar um número, se olharmos só para aquelas empresas tecnológicas que estabeleceram operações na cidade de Lisboa nos últimos dois anos e meio, estamos a falar de mais de 14 mil postos de trabalho. Postos de trabalho que estão a ser consecutivamente criados todos os anos, aqui através destas startups, quer nacionais, quer internacionais.

Todas ligadas ao setor da tecnologia.

Aqui estou a falar especificamente do setor da tecnologia, sendo que também noutros setores, esta capacidade de criar novo emprego está sempre associada às novas empresas.

São empresas que surgiram em Lisboa ou que vieram para Lisboa?

Temos ambos os casos. No nosso caso, 50% das nossas startups são internacionais. São startups que os empreendedores vieram para cá, mas temos outros 50% que são empreendedores portugueses e que estão a desenvolver as suas soluções a partir de Lisboa para todo o mundo.

Gil, há quem diga que o tempo dos unicórnios já lá vai. Já acabou. Acabou ou não?

Eu diria o contrário. Se formos ver as notícias e vemos a União Europeia, vemos os Estados Unidos, vemos a China, hoje em dia, o campo político e econômico das grandes geografias é sobre inovação. Portanto, o unicórnio, de facto, é uma palavra que já existe há bastante tempo no léxico e que o atual contexto torna mais difícil uma empresa ser unicórnio.

A empresa unicórnio é uma empresa que-

Que vale mil milhões de dólares, mais ou menos 900 milhões de euros ao câmbio atual, mas representam empresas que têm dimensão global. Ainda há pouco tempo, tivemos uma empresa portuguesa, a Tech Ever, que chegou a esse estatuto. Mas acima de tudo, o que nós queremos é ter esta fábrica em que apoiamos os empreendedores a criarem negócios que tenham escala internacional. Podem não chegar a unicórnio, mas ajuda a ter aquela ambição de querer ser o que o unicórnio representa, que é um negócio de escala mundial.

Portanto, estão de portas abertas para receber todo e qualquer empreendedor que queira criar uma startup, vê-la crescer e quem sabe um dia-

Sem dúvida.

Vê-la por aí.

Exato.

Vê-la por aí em forma de unicórnio, é isso?

É isso. E temos programas, de facto, para todas estas partes, que é os estágios de evolução de uma startup, uma fase mais inicial, uma incubação, depois um programa de aceleração para escalar para outros mercados, e depois estes hubs em que temos comunidades de inteligência artificial, de sustentabilidade, em que permite juntar e agregar empresas, investidores, os empreendedores, as universidades, para desenvolver inovação.

Gil, o esforço que se coloca em torno do ecossistema startup tecnológico compensa?

Se pensarmos que o futuro competitivo dos países está intrinsecamente ligado à inovação, se pensarmos que a inteligência artificial está a mudar todos os setores como os conhecemos, tem que estar, tem que compensar. Hoje em dia, não investir em inovação era como no passado não investir em eletricidade, é essencial. De facto, a inovação está cada vez mais a ser a palavra de concorrência competitiva.

Há quem diga que é uma espécie de culto obscuro. Não, não partilha dessa opinião?

De todo!

Estou a provocá-lo.

Usa ChatGPT?

Raramente, mas sim, tenho a aplicação.

Mas tem a aplicação?

Tenho.

Em dois anos, a nossa forma de procurar coisas na internet, até de pedir opiniões, mudou drasticamente. O Uber Eats, a Glovo, são tudo empresas que de facto nascem de startups. Não é de todo obscura, antes pelo contrário, aquelas que chegam àquela escala internacional estão no nosso dia a dia.

Agradeço, Gil Azevedo. Muito obrigado por ter estado aqui conosco nos últimos minutos. Gil Azevedo, diretor da Fábrica dos Unicórnios, que esta semana organiza a Unicorn Week. Boa sorte para este projeto e muito obrigado.

Muito obrigado.

Até à próxima. Regressamos depois das 16h