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Eu já aqui disse o que eu achava deste plano, um catálogo de dezenas de medidas em que tudo é crucial, fundamental, essencial, fulcral, em que tudo, ou seja, nada é prioritário. E vou passar por cima da propaganda que foi feita a este propósito contra os liberais, como se os bons exemplos de combate à pandemia e de início de recuperação econômica não viessem precisamente de países liberais. Só que o governo, em vez de fazer aquilo que é a essência da política, ou seja, fazer escolhas, afinar prioridades, limitou-se a cruzar os eixos do plano Costa Silva com os pilares de Bruxelas, não prever se as medidas fazem sentido, mas apenas prever se podem financiar. Só que há aqui dois enormes equívocos. O primeiro é não perceber que na origem dos nossos problemas de sempre, a pobreza, as assimetrias, os serviços deficientes, o centralismo, o compadrio, está a falta de desenvolvimento econômico. Sem mais riqueza, bem podemos discutir a qualidade dos serviços públicos ou o exagero da carga fiscal, que mais tarde ou mais cedo não haverá dinheiro para pagar nada. E aqui chocam duas concepções de como o país se pode desenvolver. O PS acha que é através dos ditames dirigistas do Estado, a EL acha que é através da livre iniciativa e do esforço das pessoas e das empresas, às quais, aliás, o plano atribui menos de um terço das verbas. O segundo equívoco é ainda pior. Este plano exige a capacidade de executar projetos que valem o dobro ou o triplo do que foi conseguido nos melhores anos de aplicação de fundos estruturais. Este plano exige uma enorme mobilização de toda a sociedade portuguesa, em especial dos que podem criar a tal riqueza, sem a qual a discussão política fica estéril sem essa criação de riqueza. Perante esta evidência, o governo opta por manter a lógica de gestão dos fundos que já existe, ou seja, espera atingir objetivos muito mais ambiciosos com a mesmíssima estrutura. Para não perdermos esta oportunidade, precisamos de mobilizar e libertar a energia e a criatividade dos portugueses. Isso é que é absolutamente crucial, fundamental, essencial e fulcral.
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