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Um jovem nascido em 1990 completa, neste ano de 2020, 30 anos e terá assistido, na sua vida adulta, a duas crises econômicas de dimensão internacional. Há menos de uma década, muitas das empresas onde poderia ter trabalhado deixaram de contratar, os salários sofreram cortes, não progrediu na carreira que escolheu. Na última crise, os seus pais podem ter ficado desempregados, os seus avós podem ter tido as pensões cortadas. Provavelmente, aos 30 anos, adiou a sua saída de casa e não pôde ainda escolher ter filhos. As crises, mesmo depois de ultrapassadas, persistem na vida daqueles que as viveram. E é por isso que é tão importante responder com rapidez e com eficácia, para que nesta crise os impactos não sejam tão profundos, para evitar recuos de décadas no emprego, nos salários, já se viu que é o que a direita pretende, e nos direitos, como aqueles que aconteceram no passado. O governo tem assumido o compromisso de responder a esta crise de forma diferente e temos trabalhado para criar as condições para que a resposta combata os efeitos da crise provocada pela pandemia, em lugar de os acentuar. O plano de recuperação e resiliência é, a par com a recuperação econômica e do emprego, que é sempre o elemento fundamental de superação de uma crise, deve proteger os mais vulneráveis. Nenhuma crise atinge todos por igual. Atinge sempre mais fortemente os que já estavam mais desprotegidos, acentuando a sua pobreza e as desigualdades que enfrentam, retirando as oportunidades aos que menos tinham. E o que se espera das políticas públicas é que corrijam estas desigualdades. É isso que o plano que agora discutimos contém. Porque para construir um futuro de progresso e bem-estar, temos de reforçar o SNS e a rede social que protege todos, que tem que ser mais sólida e mais próxima. Por isso, o primeiro objetivo deste plano é fortalecer o SNS, em particular concluindo a Rede Nacional de Cuidados Continuados e a Rede Nacional de Cuidados Paliativos e definindo um plano para reforçar a rede de cuidados de saúde primários. Em segundo lugar, numa área em que a pandemia revelou fragilidades nas respostas sociais, o plano responde com uma nova geração de equipamentos e respostas que deve permitir investir na qualidade das respostas desenhadas para os idosos, reforçando as respostas de apoio domiciliar e respondendo melhor às famílias. Também na habitação e na pobreza, em particular das áreas metropolitanas, este plano tem propostas. Temos os recursos e um rumo bem definido, com objetivos fundamentais. Devemos colocar as nossas energias na recuperação da crise, no combate ao desemprego, no combate à pobreza e às desigualdades. E quem, no passado, defendeu respostas diferentes às crises que vivemos, tem o dever acrescido de participar neste caminho. Queremos ganhar as batalhas do futuro, da economia verde e da transição digital, mas vamos fazê-lo hoje com as mulheres e os homens do nosso presente, com as crianças e os jovens do nosso futuro. É com elas e com eles, é pra elas e pra eles, que as políticas públicas têm que trabalhar, trabalhando mais para quem mais precisa, para que a força de todos chegue a cada um.
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