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Vamos ouvir agora o líder parlamentar do Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva. Programa de Governo mostraram mais do mesmo. O Partido Socialista não faz ideia de como pôr Portugal a crescer. E esta incapacidade não é meramente conjuntural. Estamos perante um documento estruturalmente parecido com o programa de 2019. Foi só cortar e colar, é virar o disco e toca o mesmo. Estamos perante um documento que nega os impactos da pandemia e das decisões erradas que o anterior governo tomou. Estamos perante um programa de governo que nega a existência de uma guerra na Europa, com impactos que já se fazem sentir e farão sentir ainda mais no dia a dia dos portugueses. O Partido Socialista junta a sua incompetência, em não saber como pôr o país a crescer, à característica da negação da realidade. O Partido Socialista recusa ver os problemas para imaginar que eles não existem. Estamos a falar do programa de governo de um partido, o PS, que insiste em negar que Portugal está estagnado há mais de 20 anos. Um PS que insiste em negar que Portugal continua a ser ultrapassado por outros nos mais diversos rankings de desenvolvimento, nomeadamente económicos. Um PS que insiste em negar que a elevada carga fiscal é um obstáculo ao crescimento e à competitividade. Um PS que insiste em negar que o esforço fiscal limita a liberdade dos portugueses, impedindo-os de subir na vida. Um PS que insiste em negar que Portugal é o quinto país europeu com maior porcentagem de desemprego jovem, acima dos 20%. Diz a propaganda do governo que esta é a geração mais capaz de sempre. E o que a realidade demonstra é que o PS é um partido incapaz de criar oportunidades para essa geração. O PS é um partido incapaz de reter esse talento em Portugal. É um partido que se resigna a ver partir os mais capazes, os mais qualificados. É um partido que condena os mais jovens à emigração. Este PS insiste em negar que a pobreza tem vindo sempre a aumentar. Nega que há 1,6 milhões de portugueses a viver com rendimento inferior ao limiar de risco de pobreza. Este PS é um partido que fala de um Portugal cor-de-rosa que mais ninguém vê. Nega que o SNS esteja em colapso. Nega que o elevador social, a educação, esteja avariado. Num caso como noutro, não se vê qualquer vontade de reformar. Num caso como noutro, o PS é um partido que não confia nos portugueses, não lhes dando possibilidade de escolha a cada um dos portugueses. Reformar o sistema de saúde, nada fazem, nada muda. Com este PS, a única garantia são as listas de espera. E ainda iremos sentir os impactos de todos os diagnósticos que ficaram por fazer nos últimos anos. Reformar na educação, nada fazem, nada muda. Com este PS, a única garantia é a imposição da escola e de um regime centralizado. As escolas e creches, onde insistem no absurdo da imposição das máscaras. Há crianças que ainda não conheceram o sorriso de colegas, professores e educadoras. Urge mudar, aproveite as férias das escolas, senhor prime ministro. E na Justiça, que é lenta, e onde os mais desfavorecidos são prejudicados perante os mais fortes, onde se inclui o próprio Estado, as reformas são inexistentes. Também na Justiça, nada fazem, nada muda. Combate à corrupção, nada fazem, nada muda. Como se o problema não existisse, como se a corrupção não fosse uma chaga social, como se a corrupção não minasse a democracia. E na Segurança Social, ameaçada a prazo, não há um caminho de reforma que garanta um futuro além de 2050. Uma vez mais, nada fazem, nada muda. O Partido Socialista é o partido do imobilismo. Este PS é incapaz de mudar. Este PS é incapaz de inovar. Este PS é incapaz de dar resposta aos problemas concretos de várias gerações, nomeadamente as gerações mais jovens. Nem uma pandemia, nem uma guerra, nem uma maioria absoluta parlamentar são suficientes para que o PS mude. Por isso, o programa de governo é mais do mesmo. É um programa que só propõe mais Estado, só propõe mais dirigismo, seja nas áreas já mencionadas, como a saúde, a educação, a Segurança Social, mas também na economia real. O país gerido pelo PS é completamente dependente das torneiras financeiras europeias. Perante a maior quantidade de dinheiro vinda da Europa, perde mais uma oportunidade para mudar de vida, para fazer reformas, para aplicar esse dinheiro na economia que gera emprego e faz crescer Portugal. O Partido Socialista junta assim à incompetência, à negação da realidade e ao imobilismo, outra característica: é estadocêntrico. Ao invés de acreditar na capacidade criativa e empreendedora dos portugueses, o governo do PS insiste em engordar o Estado. Ao invés de disponibilizar recursos a pessoas e empresas, o PS soterra os portugueses em impostos e inferniza-os em burocracia. Sempre e cada vez mais burocracia. É um partido que, tendo na sua mão a capacidade de baixar já os custos energéticos, sobretudo combustíveis, baixando os impostos, opta por soluções complicadas, como foi o caso do autovoucher. Complicar é um dos lemas do PS. Veja-se o sistema fiscal que temos entre escalões, isenções, deduções, é só complicações. E ainda querem mais, ainda querem complicar mais. O Partido Socialista, junta à incompetência, à negação da realidade, ao imobilismo e ao estatismo, a incapacidade de simplificar. Perante o programa de governo deste PS, não se pode mesmo esperar algo de novo. Mas era possível. Existem caminhos alternativos. Nos serviços ao dispor dos cidadãos, em especial saúde e educação, a aposta deveria ser mais liberdade de escolha, como defende a iniciativa liberal e como é prática em tantos países europeus, melhorando assim o acesso e a vida dos portugueses. No sistema fiscal, a aposta deveria estar na simplificação, começando por reduzir escalões e taxas no IRS, como defende a iniciativa liberal e é prática na maioria dos países europeus, criando assim condições para melhores salários, mais capacidade de poupança e mais poder de compra dos portugueses. Para as empresas, uma efetiva baixa de impostos, começando no IRC, sem esquecer as muitas taxas que oneram as empresas e aumentam a burocracia. Num país com tecido empresarial assente em pequenas e médias empresas, é indispensável começar por descomplicar a vida a quem quer produzir. Na Segurança Social, é urgente abandonar o sistema com fim previsto, que não garante o futuro a quem agora começa a trabalhar. É preciso que cada um, sem deixar de contribuir para o bem de todos, possa criar o seu próprio plano e garantir a sua reforma. No sistema eleitoral, é inadiável criarmos um modelo que aproxime eleitos e eleitores, os círculos uninominais, garantindo o pluralismo e aumentando a representatividade, um círculo nacional de compensação. Só assim se combate a abstenção, só assim será possível pôr fim ao inaceitável desperdício de votos que nas últimas eleições foram cerca de 700 mil. Na Justiça, há que fazer reformas efetivas e não mera cosmética. É urgente uma justiça célere, onde processos não se prolonguem anos a fio. Uma justiça onde o Estado não tenha prerrogativas que inibem contestações. Uma justiça eficiente, especializada e íntegra é essencial também para combater a corrupção, o que deve ser uma prioridade nacional. Estes são alguns dos exemplos onde e como é possível pensar e fazer diferente. Será preciso contrariar e combater interesses instalados? Certamente. Será preciso combater corporativismos? Sem dúvida. Será preciso contrariar clientelas? Obviamente. Será preciso contrariar hábitos enraizados? Sem hesitação. Mas para isso, é preciso coragem, que é algo que o PS não tem demonstrado. Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro e membros do Governo, senhoras e senhores deputados, os portugueses estão de olhos em todos nós. Não podemos perder mais uma oportunidade de colocar Portugal na rota do progresso e do futuro. Não podemos resignar-nos ao imobilismo enquanto outros países nos ultrapassam. Merecemos muito melhor, não merecemos mais do mesmo. Na Europa, há muitos países desenvolvidos com economias robustas. Vários destes países têm nos ultrapassado em anos recentes, desde que o senhor iniciou funções como chefe de governo. Sr. Primeiro-Ministro, Portugal vai ficando para trás. Sr. Primeiro-Ministro, ainda bem que trouxe ontem o exemplo da Holanda, dos Países Baixos, como sua inspiração em matéria de habitação, mas o sucesso ali registado não acontece por acaso. Esse é um país que aposta sem complexos em políticas liberais, na educação, na saúde e na fiscalidade, tanto para pessoas como para empresas. Se se inspira na habitação, devia também se inspirar nos outros exemplos liberais da Holanda. Ainda vai a tempo de aprender com os bons exemplos. É que são exatamente essas as políticas que Portugal precisa. São as políticas que podem tornar Portugal um país próspero e de oportunidades para todos, e não só para alguns. O liberalismo é a alternativa que nos aproxima da Europa próspera e dinâmica que nos serve de modelo. Terminando, Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, como ontem falou de Coca-Cola, e passe a publicidade, permita-me que cite um grande português que disse sobre essa vida: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Esse mesmo, Fernando Pessoa, um liberal, que do liberalismo diria o mesmo que disse da Coca-Cola: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Se Pessoa hoje estivesse aqui, estou certo que também diria: "O liberalismo funciona e faz falta a Portugal".