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Está concluído o discurso de Rui Rio no hotel no Porto. Muito bem disposto, esteve a responder várias perguntas dos jornalistas. Vamos encerrar esta emissão especial à 01:00 a.m. Temos sensivelmente 12 minutos para fechar esta emissão. Vamos a umas primeiras notas deste discurso com o André Azevedo Alves. André, penso que ainda está em linha?

Sim.

André, vamos então às primeiras notas depois deste discurso e destas respostas de Rui Rio aos jornalistas.

Acho que foi Rui Rio no estilo que o tem caracterizado, igual a si mesmo, realçando a vitória que efetivamente obteve, realçando também a pequena margem a que ficou da maioria absoluta. Efetivamente, o que Rio terá, mesmo no cenário que neste momento é o mais provável de conseguir vencer a segunda volta, ainda que não certo, é que tem um PSD que é um partido partido ao meio, digamos assim. Portanto, o resultado mais provável daqui por uma semana será de Rui Rio ter um resultado acima de 50%, mas muito pouco acima dos 50%. E nesse cenário é, de facto, um caminho, eu diria que mais difícil para Rio do que ganhar a segunda volta, que não está garantida, mas está perto, será depois conseguir unir o partido de uma forma que não conseguiu neste seu primeiro mandato.

Obrigado, André Azevedo Alves. Obrigado pela ajuda que nos deu aqui durante esta noite, nesta emissão especial da Rádio Observador para acompanhar as diretas no PSD. Junta-se também agora Pedro Benevides, o editor de política do Observador. Pedro, logo aqui uma nota: Rui Rio não quer mais debates.

Rui Rio não quer mais debates, não se pode dizer que não seja coerente. O que ele diz foi que o último debate não foi dignificante para o partido, não foi prestigiante. Eu diria que também não lhe correu espetacularmente bem e, portanto, ele não vai querer dar o flanco. Como jornalista, eu gostaria de assistir a esse debate, mas percebo que a estratégia dele não passe por uma sessão frente a frente com Luís Montenegro, que pode prejudicar as suas ambições, sendo que ele está aqui neste limbo porque ele não conseguiu esta maioria absoluta que, do meu ponto de vista, ele precisava nestas eleições. Precisava porque é um líder que não conseguiu, de facto, unir o partido e, portanto, foi sempre muito desgastado pela oposição interna e chega a umas eleições diretas e não consegue vencê-las à primeira volta, ele que é o líder em exercício e entrará para a história como o primeiro líder do PSD que tem de ir a uma segunda volta numas eleições diretas. Dito isto, acho que ele não faz mal. Achei que o discurso dele teve aqui alguns pontos interessantes. Falou ali de uma vitória expressiva, cantou ali uma grande vitória. Tem razão desse ponto de vista, ganhou, mas não ganhou como devia ter ganho.

Faltaram 0,56%.

Faltaram os 0,56%. É verdade que ficou a muito pouco e houve ali momentos em que nós achávamos que isto ia ficar resolvido, mas não ficou. E eu acho que tem aqui um problema, que não é exclusivamente dele, mas falávamos aqui do partido dividido. Eu acho que o partido vai ficar, de facto, dividido, não ficou sarado, nem provavelmente Rui Rio vai ter condições para isso. Vai é ter uma vantagem: o seu principal opositor também, muito provavelmente, vai sair muito fragilizado desta disputa, que é, lembremo-nos, a segunda já há um ano. Ele teve outro frente a frente com Rui Rio noutras circunstâncias. Montenegro também precisava de capitalizar ou, pelo menos, mesmo que não ganhasse, sair destas eleições com uma certeza muito clara de que conseguiria virar o resultado e ele não vai conseguir fazer isso. Vai ser difícil fazê-lo, vai depender muito dos abstencionistas e, portanto, eu acho que o que vamos ter aqui é um PSD com duas figuras cimeiras fragilizadas, Montenegro e Rui Rio.

Deixa-me ir à Rita Diniz para fecharmos do Porto. Rita, vamos às notas finais desse hotel no Porto onde esteve a equipa de Rui Rio e Rui Rio, ouvimo-lo há pouco.

Para ser breve, notas finais. Rui Rio saiu daqui muito confiante, até confiante na matemática. Disse basicamente que bastava os apoiantes de Pinto Luz ficarem em casa para a votação já ser favorável a Rui Rio e Rui Rio ganhar a segunda volta. Estava muito bem-humorado, fez várias piadas, brincou muitas vezes com o número, os 0,56% que lhe faltaram para ganhar.

Acho que ainda vamos ver esse número em t-shirts durante esta semana.

Sim, brincou muitas vezes com esse número. E a plateia apupou, inclusive, a uma pergunta de uma jornalista quando perguntaram a Rui Rio se esta vitória tinha um sabor a derrota. A plateia começou imediatamente a apupar e a fazer buh. Portanto, a ideia aqui é mesmo que isto é uma vitória. O Rui Rio disse que vai somar esta vitória ao seu currículo Ele orgulha-se muito, ao contrário do que dizem ou escrevem, que ele é um candidato perdedor. Ele orgulha-se muito de ter muitas vitórias no currículo e esta é uma delas, que soma a esse leque de vitórias. A das legislativas, ele sublinhou, é uma derrota, é certo, mas esta é uma vitória e espera conseguir no sábado mais uma para este currículo.

E sábado há mais. Obrigado, Rita Dinis. Ela que esteve a acompanhar a noite eleitoral de Rui Rio, no Porto. Voltamos aqui à conversa com o Pedro Benevides, o Alexandre Homem Cristo e o André Abrantes de Amaral. Meus senhores, temos pouco mais de seis minutos. Isto foi uma longa noite, mas a terminar é sempre assim, é sempre a correr. Alexandre, vamos às notas finais.

Bem, a primeira para contestar aqui um bocadinho uma leitura do Pedro sobre o Rui Rio sair fragilizado desta primeira volta. Eu acho que ele não sai fragilizado e acho que aquela ideia que, de facto, é factual, de ele ser o primeiro líder a não ganhar já uma reeleição, tem que ter em conta o fato das regras terem mudado e ele precisar da segunda volta, porque se as regras fossem as mesmas, tinha ganho.

Disse várias vezes.

Exatamente. Ou seja, eu acho que ele quis precisamente evitar que se assinalasse esta derrota, porque pelos padrões comparáveis com situações anteriores, ele teria ganho e o assunto estaria resolvido. Agora, é evidente que há ali uma energia que não há na candidatura de Montenegro. Acho que isso é evidente e não há propriamente uma novidade. O Rui Rio faz, aliás, questão de sempre assinalar isso, que é: "Eu sou o mesmo, eu vou fazer o mesmo. Não vale a pena estar aqui a explicar o que eu vos vou propor, porque eu já vos disse o que eu vos ia propor."

Eu sou genuíno, sou isto.

É isso. E recupera duas ideias que eu acho que são muito dele e que são os pontos frágeis dele. O primeiro, que é esta ideia, e há bocadinho conversamos sobre isto, que é ele ser um bocadinho pouco ortodoxo na abordagem que faz da política no dia a dia da política, quando ele diz que não fez nenhum convite para lugares, recusou fazer desta eleição interna um concurso de cacicagem e de acesso a lugares e que a política tem que ser mais do que isso. Eu tenho as maiores dúvidas que a sua equipa tenha feito convites.

Ele está a falar em nome próprio e pode fazê-lo.

Eu tenho a certeza, ou melhor, não tenho a certeza, mas acho que é muito mais provável todos os candidatos poderem dizer algo do gênero, mas as suas equipas não poderem dizer algo do gênero.

Basta ler o Observador.

Exatamente.

Portanto, eu tenho as maiores dúvidas.

Eu acho que ele estava a tentar atacar aquela frase do Montenegro.

Estava. Das listas.

Quando falava da Propinquus como dando a entender que já tinha ali uns lugares reservados para o Propinquus.

Mas atenção que ele faz isso. Ou seja, ele já tinha feito este discurso muitas vezes, que é: "Eu tenho uma versão pura daquilo que deve ser a política desprendida", como ele fez questão de dizer, que é uma ficção, porque ele pode efetivamente ter essa visão, mas depois a equipa que o rodeia, e nós vimos, a direção do Rui Rio foi caindo aos bocadinhos cada vez que havia um escândalo ético associado a essa direção. Portanto, esta é a primeira ideia que eu acho que ele se espalha em dizer isto, porque nós agora podemos começar a dizer, eu imagino que seja um trabalho interessante para um jornal dizer: "Ok, o Rui Rio diz isto, mas nós sabemos que, por exemplo, em Aveiro, estou a dizer por acaso, mas sabemos que o Salvador Malheiro é alguém muito ativo no aparelho partidário, pode-se dizer, conseguiu colocação para a pessoa A ou para a pessoa B." Portanto, isto é muito fácil de provar. Agora, outra coisa é esta ideia que ele diz en passant, mas que é o problema-chave do PSD dele, a meu ver, que é ele ver o PSD ao centro, não porque o PSD tenha que estar ao centro e possa depois ser o líder de um bloco à direita, independentemente do próprio partido estar ao centro, ele diz porque a governação não se faz com a geringonça.

Não se faz mais à esquerda.

Mas o problema dele é esse. Ou seja, não é o PS governar, é o PS governar com a geringonça.

Alexandre, deixa-me ouvir o André Abrantes Amaral, estamos mesmo a chegar ao fim.

Vou mesmo terminar com breves notas. O grande problema do Rui Rio é que o partido está dividido, mas o partido não está dividido em lideranças como sempre esteve e é perfeitamente normal. O partido está dividido na estratégia que ele apresentou ao partido, que é pô-lo demasiadamente ao centro. Isto é um choque com o que é a sua natureza. E aí é que ele vai ter imensas dificuldades no futuro. Mesmo que tivesse vencido à primeira volta com 60%, mesmo que para a semana ele consiga ser eleito sem grandes dificuldades, a verdade é que esta divisão ele não a consegue ultrapassar porque foi ele próprio que a criou. O outro aspecto é uma certa, e esta é a última nota mesmo para terminar, relativamente a Luís Montenegro, que é: ele não conseguiu empolgar a sua base de apoio. Isso talvez porque ele apenas disse que comigo o PSD vai ser uma oposição cerrada ao PS, mas ele não conseguiu concretizar isto. Ou seja, o seu programa, e já falámos disso, e logicamente não há grandes-

E tem essa base de apoio aí, que não sabemos exatamente se existe, de facto, essa base de apoio do Luís Montenegro.

Nem é uma questão de logicamente. No seu programa, a sua estratégia não entra em choque com a do Rui Rio. Portanto, basicamente, isso é uma postura.

Aliás, as três eram muito parecidas.

Se vamos ou não fazer uma oposição cerrada ao PS. Isto é pouco para alguém ser o líder de um partido.

É muito pouco, porque não basta dizer o nosso adversário é X.

É preciso apresentar uma alternativa.

Claro. Enfim, acho que independentemente de quem ganhar as eleições dentro do PSD-

Vamos continuar aqui a falar e deixar o Ricardo nervoso, que esta é uma emissão especial.

Não sei se estão a ver já os meus sinais.

Os nervosismos. Pronto, acho que podemos concluir, já falámos tanto.

Eu desconfio que nos vamos voltar a ver muito em breve. Tenho aqui uma sensação. Muito obrigado, André Abrantes Amaral, Alexandre Homem Cristo, Pedro Benevides. Também contámos com a ajuda esta noite do André Azevedo Alves, a reportagem da Rita Dinis, o Rui Pedro Antunes, do Gonçalo Correia e do apoio na produção da Sofia Sá. Foi uma emissão especial da Rádio Observador para acompanhar a primeira volta nas diretas do PSD. Estamos a encerrar esta emissão especial da Rádio Observador para acompanhar as diretas. Vamos ter segunda volta já daqui a oito dias.