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E vamos ouvir agora André Ventura, ele que tem mais 10 minutos face à última legislatura pra intervir. São 12 minutos ao todo que o Chega tem. Vamos ouvir.

E, sobretudo, devem ser rejeitados porque não apresentam o elenco de ministros que precisávamos para Portugal. Já sabíamos que entre ministros tínhamos os que destroem a TAP intensamente, os que contribuem com os russos intensivamente e os que preparam o 25 de abril a preço de ouro. Mas este governo não é só sobre os que aqui estão, é também sobre os que saíram. Sim, os que saíram, e que hoje soubemos que saíram com uma reforma de €6.750 por mês. Eu olho para os portugueses que nos estão a ver cara a cara e pergunto se acham normal que uma ministra da Justiça se reforme com €6.750 por mês, quando há bombeiros a receber €300 e €400 todos os meses. Pergunto se acham normal que isto aconteça. Pergunto se acham normal este país de impunidade e este paraíso em que vivemos, em que depois de fazer trapalhada após trapalhada neste governo, alguns saem para uma reforma dourada. Não é a gaiola dourada do cinema, é mesmo a reforma dourada com que alguns insistem em gozar os portugueses. No meio desta reforma e desta gaiola dourada, os polícias continuam com subsídios de risco que envergonham qualquer país da Europa, os bombeiros continuam com instalações a cair de podres e os professores continuam sem autoridade e sem carreiras. Ontem mesmo, um professor disse-me a mim, pessoalmente, que estar a 500 km de casa ou a 1 km de casa neste país é praticamente o mesmo. Eu gostava que esses portugueses soubessem que há uma ministra e vários ministros que enquanto eles não têm nenhum dinheiro no bolso, estão a aglomerar milhares de euros todos os meses para o seu próprio bolso e para a sua própria riqueza e para a sua própria ganância pessoal. Era isto que eu gostava de ver em Portugal. Mas não. O governo de António Costa vem aqui dizer que está tudo bem. Anuncia descidas no ISP que sabe que pode fazer muito mais e muito melhor. Ignora um dado que hoje todos soubemos, a partir das 12:15 da tarde, que a carga fiscal deste ano foi a maior sempre. O primeiro-ministro, que está aqui mesmo simetricamente debaixo de mim, impávido e sereno perante um país que tem a maior carga fiscal de sempre. Em 2021, não pede desculpa aos portugueses. Se eu fosse primeiro-ministro hoje, começava por chegar aqui e dizer: "Portugueses, desculpem, porque de facto, expropriar-vos e continuar a tirar-vos o dinheiro do bolso é algo que nenhum primeiro-ministro devia fazer," e era isso que eu faria aqui desta bancada. Somos esse país muito curioso, em que os partidos políticos não pagam IMI, mas os portugueses estão afundados em IMI. Somos esse país curiosíssimo, em que nós, aqui sentados, não pagamos impostos. Os partidos não pagam impostos, mas os portugueses lá fora pagam um IMI que envergonha qualquer país da Europa.

Os deputados do PS agora com vários apartes sobre o pagamento de impostos por parte dos partidos. António Costa, esse continua, como disse André Ventura, impávido e sereno a assistir a este discurso. Fernando Medina vai também sorrindo enquanto ouve o presidente do Chega, e Augusto Santos Silva faz um ponto de ordem à mesa para que André Ventura possa continuar.

Eu não compreendo como é que quando a sala protesta o tempo do Chega continua a descer, mas fica para a memória futura que isso continua a acontecer. Sim, os partidos que não pagam IMI e aprovam medidas para que os portugueses paguem cada vez mais IMI. Podem gritar à vontade, Sexos Deputados. Quem está lá fora sabe bem do que é que estou a falar. Sim, este é o governo socialista que disse que ia resolver os grandes problemas demográficos do nosso tempo, o problema da natalidade e da descida crônica que temos enfrentado em toda a Europa. E como é que o resolve? Com abrir as portas pra todo tipo de imigração. É assim que este governo quer abrir as portas. E temos uma ministra do Trabalho que vem aqui dizer: "Não, pela primeira vez houve descontos em número muito superior." Claro que houve. Abrimos as portas pra todos. Foi a política do entrem de qualquer maneira. Venham tirar-nos tudo o que têm. E hoje chegamos ao ponto de ter refugiados a ganhar €600 em Portugal e pensionistas a receber €200. É isso que temos hoje em Portugal. Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo, a ministra da Saúde ficou em silêncio durante este debate, agarrada ao seu próprio telemóvel. Eu compreendo. Agora mais vale manter, sra. ministra, já está toda a gente a olhar. Há debates que mais vale, de fato, não dizermos nada. Porque depois de dois anos de Covid, depois de dois anos em que as consultas ficaram para trás e em que milhões de portugueses não tiveram acesso a cuidados de saúde, mais valia estar em silêncio quando se chega aqui ao Parlamento. Penso que era Wittgenstein que dizia: "Daquilo não se sabe, mais vale guardar silêncio." E de fato, sra. ministra, sobre o caos na saúde, mais vale guardar silêncio. Porque uma ministra que vem a um programa de governo liderado pelo mesmo homem que nos liderou o último governo e não dá uma palavra sobre milhões sem consultas, sobre milhares que não tiveram os seus atos cirúrgicos realizados, sobre milhares que morreram por falta de atendimento, sobre ambulâncias à porta de hospitais, enquanto nós em casa assistíamos impávida e serenamente a este país à beira-mar plantado. Três anos. Há portugueses como nós, que não são diferentes de nós, são iguaizinhos a nós, que passam três anos à espera de uma consulta. Três anos. Por isso é que está agarrado ao telemóvel, porque são três anos à espera de uma consulta. Se eu estivesse três anos à espera de uma consulta, se vocês todos estivessem três anos à espera de uma consulta, talvez pensássemos duas vezes e talvez, em vez de estarmos aqui só a dizer segundas voltas, terceiras voltas e quartas voltas, começássemos por resolver um problema que é estrutural em Portugal, que é violar o direito fundamental que os portugueses têm à saúde neste país. Senhor Presidente, senhor Primeiro-Ministro, hoje é o Dia Internacional da Comunidade Cigana. Como hoje foi bem aqui lembrado, é um dia em que devemos não esquecer das minorias e aquela conversa que nos alimenta a todos há 47 anos. Muito bem, e que é porreiro para o chá das 17h e que todos gostamos muito de ouvir. O que nós não compreendemos é que a comunidade cigana sempre esteja tão pronta pra ser aplaudida por este Parlamento. E todos vemos notícias. Primeira cigana licenciou-se, primeira licencianda é médica, primeira cigana é juíza. E nunca vejo notícias que os ciganos agrediram a GNR no Alentejo, ou os bombeiros no Alentejo, ou os bombeiros em Lisboa, ou os bombeiros no Porto, ou os bombeiros em Leixões. Esta capacidade de dizer que sim à comunidade cigana tem que acabar em Portugal, porque sim, as minorias não devem ser confrontadas por nós, mas também não podem ser apaparicadas ao ponto de ignorarem que têm que ter os mesmos deveres que todos os portugueses. E eu sei que muitos que nos estão a ver agora sabem bem, no Alentejo, no Algarve, à volta de Lisboa, à volta do Porto, do que eu estou aqui a falar. Sabem que há um paraíso de impunidade que ainda agora, na morte de um agente da PSP, mais uma vez se fez valer. Sim, senhor primeiro-ministro, eu leio-lhe que há um cigano fugido noutro país depois de ter morto um PSP e que o patriarca da comunidade cigana diz que no seu modo, no seu tempo, o entregará à justiça. E sobre isso este Parlamento não deu nem uma palavra. O meu respeito ao agente da PSP que morreu às mãos deste homem.

Senhor deputado, permita-me que eu interrompa para dizer que não há atribuições coletivas de culpa em Portugal.

Santos Silva, agora aplaudido de pé, não só por deputados do PS, mas também da Iniciativa Liberal, do PSD, do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Rui Rio aplaude também sentado. Paulo Mota Pinto. Aliás, praticamente todas as bancadas aplaudem, uns de pé, num aplauso que ainda se pode ouvir em fundo e com Nuno Carvalho do PSD a gritar da última fila: "Vergonha!" Sobre esta intervenção de André Ventura.

Solicito-lhe que continue livremente a sua intervenção, como é seu direito, respeitando este princípio. Muito obrigado.

Senhor Presidente, vou retomar a minha intervenção dizendo-lhe isto: como deputado, não aceito que nenhum outro deputado ou presidente da assembleia limite a minha intervenção como deputado nesta Casa.

E agora é a vez dos deputados do Chega aplaudirem também de pé.

Afinal, onde está o 25 de abril de 1974, em que podíamos exprimir-nos livremente e que agora nos querem tirar este direito?

Está aqui, apontam os deputados do PS.

Senhor Presidente, eu vou continuar a usar a expressão "ciganos" sempre que tiver que usar, e o senhor presidente, no seu direito, sancionará quando tiver que sancionar, sabendo que eu nunca deixarei de dizer aquilo em que acredito, em que milhões de portugueses acreditam, porque sabem que o vivem todos os dias na sua pele. Senhor Presidente e senhores deputados, falamos de governo e de educação. Sim, num governo que não diz nada sobre corrupção no seu programa e que inclusive tem um secretário de Estado investigado pelo DCIAP. Gostava de prestar aqui a minha homenagem ao Ministério Público e a todos os que têm feito, mesmo nas garras de um governo absoluto, a capacidade de prosseguir com independência os seus esforços. Como é possível que um secretário de Estado, que todos sabemos estar sob investigação, continue a ser secretário de Estado? Hoje conhecemos que há um questionário sobre educação que anda a percorrer todo o nosso espaço público. É possível que ser heterossexual seja por sentir medo--

São 16h, estamos a acompanhar o debate de encerramento do programa do governo e ouvimos André Ventura, do Chega.

Heterossexuais. A maioria dos abusadores sexuais é heterossexual. Acha que é seguro expor menores a heterossexuais? Isto está a ser distribuído ou foi distribuído a crianças com 12 anos. Doze anos. É isto que estamos a dar às nossas crianças. Qualquer dia, ser branco e heterossexual é um crime neste país. Pois eu dirijo-me aos milhões que o são, lá fora, em Portugal, que sejam a maioria de bloqueio a esta minoria de interesses que querem destruir a educação em Portugal. Que querem destruir a educação em Portugal. Dirijo-me ao mundo rural, aos agricultores, àqueles que sabem o que é este país realmente e que veem com os seus olhos os impostos que não param de aumentar, os bens alimentares que não param de aumentar, a incapacidade de terem o mínimo de produção às mãos de uma União Europeia cada vez mais selvagem na agricultura, na produção e no mar. Dirijo-me ao mundo rural e aos pescadores, aos agricultores, ao setor tauromáquico, a todos eles, àqueles que fazem o Portugal que nós conhecemos, aqueles que fazem o Portugal que nós conhecemos e que o Partido Socialista quer destruir em Portugal. Tenham esperança. Nós ainda aqui estamos e ainda aqui estamos pra defender esse Portugal profundo, que não se revê nas elites de meia Lisboa e que quer efetivamente ser representado. Sr. Presidente, Srs. Deputados. Apresentamos hoje uma moção de rejeição a este governo. Este governo é ineficaz e será incapaz de nos levar a bom porto em tempos de crise profunda. Apelo diretamente ao Partido Social-Democrata e à Iniciativa Liberal. A verdade é que é preciso clarificar hoje quem está do lado onde esteve o Bloco de Esquerda e o PCP, e viu-se como terminaram com o partido do táxi e da bicicleta, ou se queremos verdadeiramente ser a oposição em Portugal. É que o caminho que foi seguido por esses dois partidos ficou à vista. Ser a marionete de António Costa e o suporte de António Costa, leva inegavelmente à destruição e ao desaparecimento. O LIVRE, simpaticamente, vai pelo mesmo caminho. O PAN, não me vou referir a ele. Mas é a vocês que me refiro diretamente, e sobretudo a si, Dr. Rui Rio, porque tenho-o como um homem que sabe liderar e que é capaz de liderar. Porque tenho-o como um homem que sabe liderar e que é capaz de liderar. Hoje, quando o PSD votar esta moção de rejeição, sei que está de saída da liderança do partido. Mas não está apenas em causa como é que o PSD se vai posicionar ao longo dos próximos anos. É se vai ser a oposição ao PS ou se vai sustentar este governo do PS. Hoje vai começar esta legislatura. E eu dirijo-me a si, Dr. Rui Rio, para lhe perguntar se vamos conseguir criar uma alternativa à direita ao Partido Socialista ou se é o Chega sozinho que terá que fazer oposição ao Partido Socialista. É essa a pergunta que lhe deixo. É essa a pergunta que lhe deixo. Vou terminar, Sr. Presidente. É essa a pergunta, Dr. Rui Rio, que lhe deixo, e de toda a estima que sabe que tenho por si, que lhe deixo. E de toda a estima que sabe que tenho por si e lhe deixo como questão: que legado quer deixar neste PSD? O legado de colaborar com o PS ou de se juntar a nós na luta ao PS? Disse.

Intervenção de André Ventura. Aqui, Rui Pedro Augusto Santos Silva disse, na tomada de posse, que não ia permitir discursos de ódio e não se coibiu de interromper o deputado do Chega.

É verdade, disse que em Portugal não há atribuições coletivas de culpa e, portanto, era uma referência. Também não disse: "Não pode falar, não pode dizer, senhor deputado, isso." Teve inteligência para isso, para não fazer ali uma limitação, mas obviamente que era um aviso para haver esse cuidado na linguagem, na referência a uma determinada etnia e para não ser exatamente uma referência racista. E, portanto, foi o primeiro incidente entre André Ventura e Augusto Santos Silva, que até agora estava se a aguentar muito bem a não responder ao líder do Chega, mas agora está criado o primeiro incidente parlamentar entre ambos. Era de esperar.