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Estamos de volta ao "Raiz". Estamos em Aveiro e a Rádio Observador está a dedicar uma emissão especial a este Dia Mundial da Floresta. Estamos a conhecer melhor o setor e os seus vários negócios. Tenho agora aqui comigo o Bruno Freitas, é sócio-gerente da Esfera Ultimate. Bruno, muito obrigado por ter vindo à Rádio Observador nesta emissão especial. A Esfera Ultimate é uma empresa de serviços florestais sediada na Figueira da Foz. O que fazem exatamente?

A Esfera Ultimate trabalha em toda a linha da área da floresta, desde a implementação de povoamentos florestais, desde a prevenção, silvicultura preventiva, dando um foco um pouco mais à modernização neste setor também dos prestadores de serviços da área florestal.

Já aqui falaram de silvicultura. O que é isto, silvicultura?

Silvicultura, basicamente, é fazer todas as atividades de gestão dentro da área florestal. Os proprietários têm os seus próprios planos de gestão e nós, como empresa prestadora de serviço, o que fazemos, basicamente, é fazer todas as atividades, que vai desde a plantação das espécies, desde a limpeza de mato. Também estamos habilitados para fazer a questão dos projetos florestais e damos todo um aporte ao proprietário, no sentido de que a linha de cadeia da sua floresta está feita e é executada seguindo as bases e a lei.

Fico com dúvida se são uma espécie de consultora florestal ou se também fazem esse trabalho na prática da limpeza.

Não, fazemos principalmente a prática na floresta da limpeza. Temos alguns clientes que também nos abordam no sentido de uma consultoria para ver que gestão ou que tipo de floresta podem fazer nos seus terrenos.

Então uma pessoa que tenha herdado um terreno numa zona mais rural, vive em Lisboa, não sabe o que há de fazer ao terreno, pode contactar a Esfera.

Sim, pode contactar. Nós damos algumas indicações do que é que poderá ser feito. No entanto, existem também os gabinetes técnico florestais dos municípios, que estão mais habilitados com a gestão que é para cada terreno. No entanto, nós somos várias vezes consultados e damos o nosso parecer técnico e muita das vezes até aconselhamos outras práticas daquilo que o proprietário estará interessado inicialmente em fazer.

Vocês conseguem identificar, então, numa determinada região, num determinado terreno, se ele é melhor para pôr eucaliptos ou morangos?

Sim, exatamente. Com as características do próprio terreno, das espécies já lá implantadas, nós conseguimos dar algum aconselhamento.

Esse trabalho é interessante, porque tenho ideia se a floresta em Portugal é bem ou mal gerida. Há muita floresta ainda que carece de um olhar e de uma especialização que a poderia tornar mais rentável?

Felizmente para nós, como prestadores de serviço, todos os proprietários que vêm ao nosso encontro, vêm no sentido de uma floresta gerida. Como empresa, que somos, o proprietário normalmente quando quer investir, quer investir com a certeza ou da sua rentabilidade, ou inclusive, tivemos também alguns casos, que são mais pelo sentimento, porque é uma herança que veio do avô, e muitas das vezes não está muito interessado em tirar dali proveito financeiro, mas está interessado em manter aquilo de forma que, para além de cumprir com as normas, por outro lado, também esteja prevenida para pragas e para outros fatores.

Corrija-me se eu estou em engano, mas eu tenho a ideia de que a legislação em Portugal terá sofrido algumas alterações nos últimos anos que permite fazer com os terrenos uma série de coisas que dantes não permitiria, ou até ceder aquele terreno para questões de ecologia de outra empresa que fica com a gestão carbônica daquela zona. Isso existe e é rentável e pode ser uma solução para quem tem um terreno e não sabe o que há de fazer com ele?

No nosso caso, nós não temos muita experiência com isso, porque, na verdade, como disse anteriormente, as pessoas quando vêm ter conosco é numa perspectiva mais-

Já estão a gerir de alguma forma a sua floresta.

Exatamente. No entanto, sei de alguns programas que existem que permitem essa aglomeração de algumas áreas, de forma a tirar maior proveito do que lá está e não trabalhar tão de forma individual, mas acabam por fazer alguma parceria para tirar e para, certa forma, também limpar um pouco aquilo que é a floresta não gerida e acabar um pouco com esse flagelo, que efetivamente existe em Portugal.

É um flagelo por quê? Por causa dos incêndios ou porque poderia também estar a ter uma rentabilidade econômica que não está a ter?

Não está a ter essa rentabilidade econômica. A questão dos incêndios é uma sequência disso mesmo. Mas não só, existem outras pragas que se vão propagando, porque não existe esse cuidado e essa gestão que deve ser feita nos povoamentos florestais.

Mas é caro fazê-lo?

É caro. Temos que ter a noção também daquilo que é a atividade florestal, porque muitas das vezes temos a ideia que a floresta é uma atividade secundária. E tudo o que envolve a floresta é caro. Estamos a falar desde equipamentos, que são muito elevados, EPIs, formação dos nossos colaboradores. E hoje em dia, as empresas como a Esfera, que existem muitas no mercado, que olham para a floresta no sentido de uma De uma agregação de pessoas que consigam fazer carreira dentro das próprias empresas florestais. E não estamos a falar nos grandes grupos da fileira florestal, estamos a falar de pequenas e médias empresas. No caso da Sfera, nós temos elementos que já estão conosco há 10 anos. Para nós, é um motivo de orgulho manter estas pessoas e fazerem carreira conosco. Para isso, é preciso continuar a motivá-las a estarem conosco. Sabemos que é um trabalho duro, a floresta, mas mesmo assim conseguimos motivá-las a estar conosco, a trabalharem conosco, a formarem-se. Tudo isso tem um custo e muita das vezes as pessoas pensam, quando nós vamos ver alguns trabalhos e damos orçamento, não percebem o que está por trás de uma empresa que trabalha nesta área.

Bruno, falava também da gestão legal que prestam aos vossos clientes. Há um quadro legal complexo para este setor, poderia ser mais simplificado ou não?

No nosso caso, como somos quase que o executante dos projetos, nós não temos tanto contato com aquilo que é os impactos ou as regras que existem quando fazem os projetos florestais. Algumas coisas que nós vimos cada vez mais no terreno, e eu acho que isso faz sentido, é que cada vez mais no povoamento florestal, se está a deixar áreas para outras espécies, cumprir mais a legislação naquilo que diz respeito às linhas d'água, e isso, hoje em dia, é um impacto, aquilo que nós sentimos no terreno. Sim, existe algum cuidado que se nota nos últimos anos.

Muito bem. Bruno Freitas é sócio-gerente da Sfera Ultimate, presta serviços florestais, é uma empresa que está sediada na Figueira da Foz. Eu tenho um pequeno canteiro na minha varanda, por isso acho que a Sfera não me poderia muito ajudar, mas pode ajudar muitos proprietários que tenham um terreno e não saibam muito bem como o hão de rentabilizar. A Sfera pode ser uma boa hipótese. Bruno, muito obrigado pelas suas considerações.

Muito obrigado.

E bom Dia Mundial da Floresta.

Continuação boa tarde para vocês. Obrigado