As forças britânicas e dos aliados europeus de Kiev, que possam ser eventualmente destacadas para a manutenção da paz para a Ucrânia durante um cessar-fogo ou fim da guerra, poderão retaliar possíveis ataques russos, avançam fontes ocidentais ao The Guardian.

“Claramente, iremos proteger as nossas forças contra qualquer agressão”, afirmou um funcionário familiarizado com o assunto. No entanto, garante que as forças europeias de manutenção da paz que poderão vir a ser destacadas serão “defensivas por natureza”.

As forças europeias de manutenção da paz, também chamadas de Força Multinacional-Ucrânia, fazem parte da Coligação das Vontades e são compostas por 11 países — Alemanha, Bélgica, Estónia, Espanha, França, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Reino Unido, Suécia e Turquia — sob a liderança do Reino Unido e da França.

Vão realizar um exercício militar na Polónia — o Exercício Koalicja —, entre 9 e 22 de novembro, para “ensaiar” o destacamento rápido de forças para a Ucrânia após o final da guerra, mais concretamente “avançar, proteger e fornecer uma força que ajudaria a reconstruir as Forças Armadas da Ucrânia assim que os combates terminassem”. O exercício vai contar com 2.800 soldados, fuzileiros e pilotos, refere o Governo britânico, em comunicado.

“Este exercício mostrará que a Força Multinacional-Ucrânia é uma força real, capaz e prontamente implantável que representa um compromisso sério da Coligação das Vontades para com a estabilidade e segurança de longo prazo da Ucrânia”, sublinha Tom Bateman, comandante das forças europeias de estabilização.

Além do exercício na Polónia, as forças turcas vão realizar em Istambul testes de desminagem no Mar Negro para permitir a segurança do transporte comercial marítimo de cereais.

Estas forças não fazem parte da NATO e “esperam ter pouco ou nenhum apoio dos Estados Unidos se destacadas para a Ucrânia”, já que Donald Trump não se comprometeu com o envio de tropas norte-americanas para a manutenção da paz, refere o The Guardian.

Os planos da Força Multinacional-Ucrânia para o fim do conflito envolvem patrulhas aéreas para ajudar a Ucrânia a reabrir aeroportos comerciais e operações de desminagem lideradas pela Turquia.

Apesar de o destacamento ser hipotético, o envolvimento de forças militares estrangeiras é um “lembrete” para possíveis violações de cessar-fogos por parte da Rússia, como aconteceu várias vezes entre 2014 e 2022, refere o jornal britânico, que alerta para “como Moscovo irá responder a quaisquer incidentes armados”.

Além disso, as fontes ouvidas pelo The Guardian afirmam que as forças europeias de estabilização não iriam depender da tecnologia norte-americana, como o Starlink ou Starshield, para operar no terreno, mas sim de tecnologia “quase exclusivamente europeia”.

Durante o mês de outubro, Elon Musk ordenou a suspensão do uso do Starlink por parte das forças ucranianas por alegada violação dos termos de utilização, ao ser utilizado para ataques com drones contra a Rússia.