Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Nós receamos estar perante uma oportunidade perdida e isto não pode voltar a acontecer, sobretudo numa altura em que o país e o mundo se confrontam com uma grave crise de saúde pública e com impactos ainda incalculáveis, tanto do ponto de vista económico, como do ponto de vista social. Uma crise, aliás, que tem na sua origem os desequilíbrios que se criaram na relação do homem com a natureza e que veio confirmar as grandes debilidades dos países e dos povos que estão subordinados a um modelo de crescimento globalizado, sustentado no saque da natureza e nas desigualdades sociais e territoriais. Portanto, mais do que nunca, é preciso garantir respostas às necessidades do presente, até porque são muitos os que dependem dessas respostas. Mas é necessário também pensar o futuro, delineando caminhos de sustentabilidade, nos quais a economia e a produção têm de caminhar lado a lado com a defesa da natureza e também com a justiça social. Sucede que das sugestões apresentadas pelo professor Costa Silva para o plano de recuperação da economia, traduzida de certa forma em propostas de financiamento no plano de resiliência, da recuperação e resiliência que foi apresentado pelo governo, a soberania alimentar e a conservação da natureza, que são dois pilares estratégicos da resiliência de um país e de um povo perante catástrofes de toda a ordem, são praticamente ignoradas. De facto, a visão e o financiamento apresentado para o reforço do potencial produtivo, a coberto do manto da investigação e da inovação, está todo ele virado para a agricultura intensiva e agroindustrial, que provoca, como sabemos, graves impactos ambientais, deixando completamente de fora a agricultura familiar, que continua a desempenhar um papel social e ambiental fundamental, nomeadamente no que diz respeito ao combate à desertificação. A agricultura familiar é, sem dúvida, a que mais vocacionada se encontra para garantir a soberania alimentar, para procurarmos essa soberania alimentar de uma forma equilibrada, diversificada e numa relação de proximidade com os consumidores, questões fundamentais quando estamos confrontados com pandemias como aquela que estamos a viver, mas também com a ameaça das alterações climáticas. Portanto, senhor primeiro-ministro, nós não vemos nestas propostas nenhum financiamento que venha beneficiar a agricultura familiar, nem nenhum instrumento que possa privilegiar a produção alimentar virada para o consumo interno e para assegurar a nossa soberania alimentar. O que pergunto, senhor primeiro-ministro, é se nós estaremos enganados, se somos nós que estamos a ver mal o filme. Muito obrigado.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto