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Euro Milhões todas as tardes na Rádio Observador com Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador, também com o Bruno Vieira Amaral. Roseiro, bem-vindos. Boa sexta.

Olá, boa tarde.

Tema do dia, o Futebol Clube do Porto. Vamos falar aqui do presidente que tem 63 títulos, mas que tem também a possibilidade de fazer já neste mercado de inverno 90 milhões de euros. Estamos lançados para esse número? Pode mesmo acontecer ou isso era o melhor dos cenários e também ainda um bocadinho improvável?

Sim, poder acontecer, pode. E nesta semana onde deixamos todos um bocadinho de parte a Netflix, a HBO e a Amazon, para começarmos a olhar novamente para os canais tradicionais, seja com os debates, seja com o tal do Big Brother, que parece que anda a mexer com muita coisa. Isto faz-me lembrar muito a amiga Olga. Isto tem muito a ver com ou a chave ou o dinheiro. E o próprio Sérgio Conceição hoje, quando nós vemos a conferência de imprensa de antevisão com o jogo do Estoril, ele próprio também já começa a colocar esse ônus no próprio Pinto da Costa, quando diz: "Eu confio muito num presidente que ganhou 63 títulos no Futebol Clube do Porto", que no fundo é como quem diz: "Eu sei que o presidente sabe o que eu vou precisar para ser campeão". Ou seja, sabe o impacto que uma saída de Luís Dias poderia ter no plantel do Futebol Clube do Porto.

E um presidente que põe à frente o sucesso desportivo em relação ao equilíbrio financeiro, ou pelo menos agora à necessidade de vender de Pinto da Costa com estes 63 títulos, o que demonstra é que mais importante do que a saúde financeira, está o sucesso desportivo, ou que uma coisa depois levará à outra.

Sim, o sucesso desportivo, e há aqui uma questão que é mal comparada, isto é quase confirmantes as informações, e hoje a imprensa inglesa já diz que o Liverpool praticamente desistiu de Rafinha, que está até para assinar um novo contrato com o Leeds, e que se pode virar para Luís Dias. Mal comparado, mas é quase como o Paris Saint-Germain receber no último dia de mercado uma proposta de 200 milhões de euros do Real Madrid por Mbappé, saber que ele seis meses depois iria acabar contrato, ou seja, corria o risco dele sair a custo zero, e ter de optar pela questão desportiva ou pela questão financeira. Isto é mal comparado, porque o Paris Saint-Germain não é propriamente um clube que olhe para as contas, até porque no final-

Não precisa de vender.

Sim, há sempre ali um patrocínio qualquer que aumenta e depois essa coisa do fair play é novamente fintado. Têm mais categoria a fintar contas do que o Messi, o Mbappé e o Neymar têm a fintar adversários. Portanto, têm sempre essa vantagem. Agora, isto coloca aqui também a questão do percurso do Sérgio Conceição no próprio Futebol Clube do Porto, porque foi um percurso que no primeiro ano não teve dinheiro, pura e simplesmente, para contratações. Portanto, o Sérgio Conceição consegue ser campeão com 88 pontos, apenas e só com os jogadores que estavam emprestados e que regressaram à equipe e que se tornaram mais-valias, com o Marega e com o Otávio, exemplos paradigmáticos disso mesmo. Um segundo ano que, de acordo com o Futebol Clube do Porto e com o próprio Sérgio Conceição, faltou a verdade desportiva e, portanto, daí que o Futebol Clube do Porto não tenha ganho o campeonato. Um terceiro ano onde, a seguir à derrota na Taça da Liga, dá um murro em cima da mesa, fala na falta de união que existe dentro do clube e consegue ainda recuperar e ganhar o campeonato. E um quarto ano marcado pela pandemia. Este quinto ano acabava por ser quase um plantel mais à imagem de Sérgio Conceição, porque se nós virmos, das unidades principais, saiu Marega a custo zero e saiu Diogo Costa e Romário Baró por opção do próprio clube, e chegou PP já numa perspectiva também de começar a adaptar um jogador sul-americano, que tem sempre também o seu período de adaptação, para uma eventual venda do Luís Dias. O Wendell, portanto, um lateral esquerdo, que era tudo aquilo que o Sérgio Conceição, inclusivamente no início desta época, fez quase birra para poder ter. Grujić ficou a título definitivo. Vitinha voltou do empréstimo do Wolverhampton, o Bruno Costa foi contratado ao Paços de Ferreira no regresso também ao Futebol Clube do Porto e chegou também Fábio Cardoso, que era mais uma opção para a zona central da defesa. Portanto, dentro deste plantel, Sérgio Conceição não se poderá queixar, tendo em conta que quando esteve para sair no verão, uma das condições que queria era um plantel mais competitivo. A questão é que impacto é que poderão ter estas saídas no mercado de janeiro. E se em relação ao Sérgio Oliveira, se conseguimos olhar para um plantel que se percebe que Sérgio Conceição quer cada vez mais começar a jogar num 442 ou num 424, a atacar, seja o que for, mas só com dois médios, e esses dois médios nesta altura chamam-se Uribe e chama-se Vitinha, havendo também ainda o Grujić e o Bruno Costa como soluções mais naturais de posição ou mesmo adaptações do Otávio ao Fábio Vieira a essa posição. Saindo o Luís Dias, sai aquele que é o grande desequilibrador, e este é o grande problema de Sérgio Conceição. Ou seja, PP é uma alternativa natural, mesmo sendo um downgrade em relação a gols e assistências e até ao próprio entrosamento na equipe. Mas o grande problema é, a partir do momento em que Sérgio Conceição percebe que a melhor forma de tirar rendimento do Futebol Clube do Porto é jogar com dois avançados, e esses dois avançados não estão a aparecer com tantos gols como era esperado, nomeadamente o Taremi e também o Evanilson e o próprio Toni Martinez, que começou bem a época, o Luís Dias aqui neste contexto faz muita diferença. E, portanto, voltamos à questão inicial. Pinto da Costa aqui vai ter de olhar para um de dois caminhos, caso apareça a proposta do Liverpool. Ou quer apostar no campeonato Ou quer fazer o seu Euromilhões, ganhar 90 milhões, estar completamente à vontade no verão, porque não tem provavelmente a necessidade de vender, mas ainda assim pode condicionar e muito as ambições desportivas dos últimos seis meses da época.

Está lançado o tema do dia, Bruno, vamos ao futuro, essa nova moda do custo zero, das saídas a custo zero, que pode vir a ter um impacto no aumento dos ordenados dos atletas, não é?

Sim, muito. Eu hoje estava a ver a lista completa, até para ver o que é que dali poderia sobrar para o mercado português, e não vamos lá. Já percebi que pelo menos dos 50 melhores não vamos lá. Há 10 jogadores com valor de mercado acima de 30 milhões pelo Transfermarkt que vão acabar contrato, e há 23 jogadores de 20 milhões ou mais de valor de mercado que vão acabar contrato. Isto começa a ser quase uma nova regra. É uma nova moda, digamos assim. O Paris Saint-Germain só no último verão contratou Messi, Donnarumma, Sergio Ramos e Wijnaldum a custo zero, com tudo aquilo que o custo zero tem a nível de assinatura de contrato, prémio de assinatura para o jogador e para o empresário.

Sim, porque o dinheiro continua a circular.

Sim, o dinheiro continua a circular, mas o que se começa a perceber aqui? Ontem eu trouxe o exemplo do Vlaović, o que se começa a perceber aqui? Por um lado, os jogadores quando estão a dois anos do final de contrato já começam a recusar renovar, porque sabem que no final, e se ainda a custo zero, têm uma mais-valia em termos salariais e prémio de assinatura muito maior do que poderiam ter, provavelmente, com uma renovação. E os próprios clubes começam, também eles, à espera de perceber que oportunidades é que surgem no mercado. E basta ver que o Real Madrid, confirmando-se as informações que vão saindo em Espanha, esta época contratou o Alaba ao Bayern a custo zero e na próxima época pode reforçar o plantel com Rüdiger, com Pogba e com Mbappé, todos a custo zero. Estamos a falar de internacionais alemães e franceses. No caso do Mbappé, uma espécie de joia da coroa para trazer uma versão 2.0 dos Galácticos e tudo a custo zero com jogadores que acabam contrato.

Mas esse custo zero para clubes como o Bayern de Munique, que veem sair os jogadores a custo zero, não é muito problemático, porque não dependem da transferência e venda dos jogadores para equilibrar as contas. Mas se a moda pega e chega aqui a Portugal, por exemplo, isso é dramático, como já vimos também em alguns casos, sobretudo no Porto. Isso é dramático para os clubes portugueses, se a moda pega, do custo zero. Não para os jogadores e para os seus agentes, que não devem perder muito com isso, com os prémios de assinatura e os salários, mas para os clubes formadores, muitas vezes, ou que compram mais barato para tentar depois vender mais caro, isso pode ser dramático.

Sim, é essa a questão. Isto vai promover obrigatoriamente um aumento na aposta da formação e os contratos de longa duração que se fazem na formação daqueles cinco anos, que pelo menos garante que quem suba à equipa principal vai ter uma ligação de médio e longo prazo. Parece-me que isto não é propriamente uma altura para estar a aumentar tanto os salários dos jogadores, não só os que ganham mais, mas também em média, porque estamos a falar dos jogadores de maior nível, mas a médio nível, isto é algo que também se está a passar. E tenho muitas dúvidas se o futebol no futuro vai aguentar este engordar de questões. Por quê? Porque ainda hoje eu acho que o mercado é muito condicionado por aquilo que aconteceu em 2017 com o Neymar e com a transferência para o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros. E tanto que é condicionado, que nesta altura, cada vez mais, e a Roma, por exemplo, para contratar Sérgio Oliveira ao Porto vai ser assim, estamos a entrar na moda dos empréstimos com opção de compra, que é, mais não seja, o empurrar com a barriga. Que é quase como se fosse uma tradição portuguesa a generalizar-se pela Europa. E isso tem muito a ver com a inflação que se gerou no mercado depois de Neymar e que me parece que pode haver com um dos poucos jogadores que tem contrato e que provavelmente também vai mexer neste verão, mas que vai mexer com muito dinheiro também à sua volta, que se chama Erling Haaland.

Do Borussia Dortmund.

Do Borussia Dortmund.

Esse gigante. Temos de fechar o Euromilhões, não sem antes ir a uma viagem ao passado. Temos aqui dois minutos, Bruno, para falar de Brian Clough. Já vi um documentário da Netflix que se chama "I Believe in Miracles".

E foi um milagre, realmente. Irrefutável.

E foi um milagre. Que história é esta, para quem ainda não conhece?

E há um outro documentário, que se calhar até é um pouquinho mais conhecido do que esse, que é o "Damn United".

"Damn United".

Que fala curiosamente na passagem menos conseguida que ele teve na carreira de treinador. Foi quando, no período entre Derby County e Nottingham Forest, ele está 44 dias no Leeds, e é um documentário também fantástico, sobretudo porque mostra o único sítio onde ele não vingou e mostra também a personalidade que o fez vingar nos outros sítios por onde passou. Ele foi um jogador internacional inglês. Começou no Middlesbrough, que foi onde nasceu, depois passou para o Sunderland. Acabou a carreira relativamente cedo devido a uma lesão grave no joelho. Tem o primeiro milagre com o seu adjunto, Peter Taylor.

Que foi fundamental. O adjunto tem aqui um papel fundamental no sucesso.

Um papel fundamental Exatamente. Tem esse papel fundamental, porque quando o Peter Taylor não vai para o Leeds, é uma das razões para ele 44 dias depois ter saído. Mas não deixa de ser curioso. Ele consegue agarrar um Derby County na Segunda Divisão, ser campeão, chegar à Primeira, ser campeão também na Primeira e depois acabar por sair, tudo de seguida. Passa pelo Leeds e cerca de quatro meses depois chega ao Nottingham Forest. Nottingham Forest, que é rival do Derby County. Aliás, é engraçado porque a estrada que une Derby a Nottingham chama-se Brian Clough Way. Ainda hoje tem essa ligação. E o curioso é ele próprio, quando chega a Nottingham, assume que chegou a um mundo de ratos. E por quê? Porque quando ele estava no Derby County, sabia bem o que acontecia e os adeptos do Nottingham Forest tinham um pouco, nem o podiam ver à frente. Não foi propriamente sucesso instantâneo. Os dois primeiros anos na Segunda Liga não correram assim tão bem, mas ele conseguiu fazer uma coisa, uma versão do Derby County 2.0 ainda melhor, porque leva o Nottingham Forest à Primeira, é campeão da Primeira Divisão Inglesa e depois é bicampeão europeu numa história fantástica. E há aqui também um outro pormenor, que em 82, quando Bobby Robson chega à seleção inglesa, ele estava no Ipswich, era também um treinador a aparecer nessa altura, e o próprio Bobby Robson falou com os responsáveis da federação inglesa e perguntou a eles: "Mas por que eu? Vocês têm um treinador muito melhor. Apostem nele, porque das duas, uma: ou vocês vão ver que ele é o melhor treinador do mundo ou ele vai mostrar que não é o melhor treinador do mundo". Mas mesmo assim, a federação inglesa preferiu Bobby Robson e ainda hoje ele é um pouco descrito como um dos melhores treinadores de sempre ingleses, que nunca passou pela seleção inglesa.

Brian Clough aqui também recordado o dia em que chegou a Nottingham Forest no Euromilhões das tardes do Observador, sempre com o Bruno Roseiro e o Bruno Vieira Amaral. Roseiro, bom fim de semana. Até segunda.

Obrigado, igualmente.

Seja bem-vindo aos últimos instantes do até agora melhor jogo deste Campeonato da Europa.

Minuto 90. Em cima do apito final, o resumo dos jogos deste Europeu. Os gols, os casos e os melhores e piores em campo.

Finalmente voltamos a ouvir gritos de gol na bancada.

Minuto 90. No final de cada jogo, aconteça o que acontecer, na Rádio Observador.