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Está no ar mais uma edição do "Euro Milhões". Pode acompanhá-la também em vídeo, realização do Tiago Couto, disponível no Facebook, YouTube e também no site do Observador. "Euro Milhões" hoje com o Miguel Cordeiro. Bem-vindo, Miguel, boa tarde.

Alô, boa tarde.

Estamos ligados no Mundial do Qatar e para esta tarde temos no menu o tema do dia, esse primeiro prolongamento do mundial que se tornou também na primeira sessão de pênaltis.

Foi o primeiro prolongamento, os primeiros pênaltis. O primeiro jogo que foi para lá dos 90 minutos. Antes de mais, peço desculpa, eu não recebi o e-mail, não sabia que era pra vir de gola alta hoje. Peço desculpa.

Nem tinha reparado.

Estão os dois muito bem.

É um memorando que não foi enviado para toda a gente, se calhar, mas aqui está.

Estão os dois muito bem. É o prolongamento das vestimentas da tarde da Rádio Observador. Vamos ao futebol. Sim, primeiro prolongamento do mundial, Croácia e Japão empatam um gol, seguiram para mais 30 minutos de futebol e depois para grandes penalidades. Ainda não tínhamos visto isto nesta edição do mundial. Sabemos que a partir de agora é possível acontecer em todos os jogos, sempre que houver empate aos 90 minutos, e aconteceu hoje nesse Japão-Croácia. O Japão até marcou primeiro, foi pro intervalo a vencer, mas depois a Croácia conseguiu empatar e levar esse resultado até às grandes penalidades. Depois, a Croácia foi mais feliz do que o Japão ou foi mais eficaz?

Foi mais eficaz, segundo o Bruno Vieira Amaral. Como é que era, Bruno? Os pênaltis não são uma lotaria.

Não são. Aliás, primeira coisa é que nós devíamos estar à espera que houvesse prolongamento, porque em 2018 os três jogos da Croácia, na fase a eliminar, foram a prolongamento, dois foram a pênaltis. A Croácia chegou à final, portanto ganhou os dois desempates por grandes penalidades. Nós por vezes fazemos aquela crítica à seleção portuguesa que no Euro.

Só empatava.

Só empatava e depois não ganhava nos 90 minutos. Ora a Croácia chegou à final, não ganhou nenhum jogo na fase a eliminar nos 90 minutos, depois na meia-final ganhou à Inglaterra no prolongamento, e agora vai a prolongamento, vai a pênaltis e ganha. O Japão, que tinha sido eliminado, eu estava aqui a confirmar, em 2002, a primeira vez que passou aos oitavos de final, foi eliminado pela Turquia, mas não foi nos pênaltis, mas em 2010 foi eliminado nos pênaltis pelo Paraguai. E é curioso que o Japão chegou quatro vezes aos oitavos de final, a Croácia só chegou três, mas o Japão foi sempre eliminado nos oitavos de final, enquanto a Croácia passou sempre dos oitavos de final.

Sim, mas a verdade é que se formos olhar pra o que aconteceu nos pênaltis, de facto, o Japão parece que esqueceu-se de treinar aquela parte do jogo.

Entregou um bocado.

É sempre aquela questão que se põe sobre os pênaltis. Vale a pena treinar ou não? Porque, na verdade, não se consegue reproduzir a tensão própria daquele momento. Podes treinar muito pênaltis, podes estudar os adversários, pra onde é que eles batem, no caso dos guarda-redes, mas a verdade é que ninguém consegue reproduzir em treino o ambiente, a tensão, a pressão que existe num evento destes. E aí eles podem ter treinado muito bem e depois cederam à pressão no momento de marcar, porque a verdade, seja dita, é que os pênaltis foram muito mal batidos.

Muito mal batidos. Ou seja, não é que tenham ido pra fora da baliza, não estamos a falar desse tipo de situação.

Mas muito devagar.

Muito devagar.

Muito denunciados.

Muito denunciados. Até o que entrou foi denunciado.

E estragou-se o prognóstico do Bruno Vieira Amaral, que tinha apostado num 2 x 1.

Num 2 x 1 pro Japão.

É verdade.

Mas aí o problema talvez tenha sido o facto do Japão marcar primeiro, porque nos dois jogos em que sofreu primeiro, com a Alemanha e com a Espanha, deu a volta. Hoje marcou primeiro.

Bruno, não queremos ouvir desculpas, mas também a tua derrota nesta situação.

É uma teoria tão boa como outra qualquer.

Não vai tirar o sono a ninguém.

Vamos lá. Vamos ao futuro no Euro Milhões falar do futuro de Cristiano Ronaldo. Que contrato é este com o Al-Nassr? E parece cada vez mais certo.

É um bom contrato que é absurdo a nível de valores. Mas nós estamos vindo a falar disso nas últimas semanas, desde que estalou essa polêmica com o United, desde que foi feito então o divórcio, se assinaram os papéis do divórcio, vamos dizer assim. Se apontou o Al-Nassr como uma grande hipótese, um clube da Arábia Saudita, onde está, por exemplo, o Talisca.

É verdade.

E apontou-se como um dos possíveis clubes para Cristiano Ronaldo. Hoje o jornal Marca veio dizer que está tudo assinado. O acordo está feito. A partir de um de janeiro, Ronaldo é jogador do Al-Nassr. Podemos discutir aqui se é ou não é uma boa decisão para Cristiano Ronaldo, a nível desportivo. Agora a nível de carteira, se se confirmam os valores que estão a ser apontados, isto é uma barbaridade. Estamos a falar de 200 milhões por época.

Passa a ser o jogador mais bem pago do mundo?

No futebol, sim.

Sim, e à larga distância.

Sim, à larga distância. Mbappé tem na casa dos 110, 120 por época, que também já é uma barbaridade. A seguir está Messi com 60 e tal, 70 e tal por época. Milhões, estamos a falar de cinco milhões. E Ronaldo agora chega aos 200 milhões por época. Isto são mais de 16 milhões por mês, são mais de 545 mil por dia. São 22 mil por hora. Isto é uma barbaridade, os valores que estamos aqui a falar. E é óbvio que pra carteira, isto é um contrato incrível. Desportivamente, não sei. O que te parece, Bruno? Desportivamente é uma pré-reforma. Não há outra maneira de o dizer, é pré-reforma. É Ronaldo a dizer que acabou a carreira ao mais alto nível. Não há dúvida, o futebol da Arábia Saudita é só para ir ganhar dinheiro. Quanto a mim, não há a mínima dúvida. Mas eu percebo a opção de Cristiano Ronaldo, por quê? Se não encontra na Europa um projeto desportivo que o mantenha ao mais alto nível e com um vencimento ao nível do que merece um jogador com o impacto e a importância do Cristiano Ronaldo, então vai procurar um projeto econômico. E a verdade é que estamos a falar de um jogador e de uma personalidade que tem 500 milhões de seguidores no Instagram. Portanto, o Ronaldo é uma marca. Eu percebo também que um clube na Europa-

Isso quer dizer que para o Al-Nassr pode ser um bom investimento 250 milhões por época? São difíceis de rentabilizar.

Isto depende sempre do que tens para gastar.

Claro.

Não acredito que eles estejam a contar os trocos para ir contratar o Ronaldo. O que é que pode ganhar com isso? É óbvio que são questões de imagem. Estamos a falar aqui de imagem da Arábia Saudita, que também está a tentar organizar competições desportivas. Há sempre esta questão do sports washing, de limpar a imagem, de melhorar a imagem através do desporto. E claro que a contratação do Ronaldo contribuiria enormemente para isso. Desse ponto de vista, tudo isto faz sentido e eu percebo que o Ronaldo também, pensando, por exemplo, na possibilidade que alguns poderiam pôr em cima da mesa, voltar para o Sporting, voltar a casa nesta fase da carreira, aí é a questão da marca. O Ronaldo continua a ser, do ponto de vista do impacto, uma das marcas mais poderosas do desporto mundial. Por que ele iria desperdiçar isso vindo para o campeonato português nesta altura? Para isso vai aproveitar. É um dos seres humanos mais conhecidos do planeta, vai rentabilizar isso na Arábia Saudita, mas do ponto de vista desportivo, eu creio que é a antecâmara do final da carreira de Cristiano Ronaldo.

Muito bem, vamos lá à memória de hoje. Miguel, trazes aqui um penalti de Cruyff que foi histórico, aconteceu há 40 anos, mas de alguma forma não teve grandes seguidores este penalti. De que é que estás a falar?

Estamos a falar de uma grande penalidade de 1982. Já tinha sido testada antes e Cruyff acaba com Olsen, na altura no Ajax. Acabam por efetuar esta grande penalidade da melhor maneira, com uma maestria incrível, em que Cruyff está com a bola nas mãos, está a colocá-la na marca da grande penalidade, e assim que coloca a bola na marca da grande penalidade, faz um passe para a frente, ligeiramente para o lado esquerdo. E nisto vem Olsen, que recebe a bola e passa novamente para Cruyff, ele fica com a baliza escancarada para rematar. Atenção, a regra é: uma grande penalidade tem sempre que ser batida para a frente. Esta é a única regra que há. E que não pode haver qualquer jogador dentro da grande área, sem ser quem bate e o guarda-redes. Ora, isto na altura, em 82, não havia YouTube, havia poucos lances estudados em vídeo, só mesmo as equipas altamente profissionais é que conseguiam recorrer a isso. E Cruyff testou isto num treino, depois conta a história com o Olsen, e decidiram arriscar num jogo que acabaram por vencer 5 x 0, era uma equipa mais fraca. Este foi um dos gols de Cruyff, marcou dois nesse encontro. E ele testa isso com o colega de equipa, com o Olsen. Eles devem ter combinado antes de bater o penalti: "Olha, vamos fazer isto agora". E de facto, ele está ali com a bola nas mãos, prepara-se para bater, coloca a bola na marca, dá um passo atrás e quando dá o passo atrás, ele não dá o passo completamente, coloca a bola para a esquerda.

Ligeiramente para a frente.

É ligeiramente para a frente, ali na diagonal, muito devagar. O guarda-redes fica parado a tentar perceber o que se passa. Quando vê um jogador chegar à bola, o guarda-redes sai da baliza e ele passa para dentro, e Cruyff.

Eu soube isso aí, o Barcelona fez com o Messi.

Sim, Messi e Suárez. E também uma tentativa do Arsenal muito mal feita, que acabou por falhar.

Pois, mas este nunca pegou, nunca foi como o Panenka. O Panenka de vez em quando reaparece.

Eu não conhecia este penalti, aconteceu há 40 anos, foi marcado por Cruyff e Olsen, como o Miguel Cordeiro aqui nos explicou. Ele que trouxe hoje à tarde em direto este Euromilhões. Bom resto de dia. Um abraço.

Um abraço.