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Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
A produção de telenovelas está parada e deverá retomar em breve. Esta pandemia trocou-nos as voltas e a ficção televisiva vai ter de acomodar estes novos tempos. Hoje falamos com Inês Gomes, argumentista, coordenadora na SP Televisão, que produz telenovelas como "Nazaré" ou "Terra Brava" para a SIC. Como se adaptam os enredos e as relações entre personagens em tempos de pandemia e o que vai acontecer ao par romântico e aos beijos apaixonados?
Já não há beijos tórridos ao pôr do sol. Há cenas emocionantes com alguma distância.
Inês Gomes, coordenadora dos argumentistas na novela "Terra Brava" da SIC. Uma conversa para ouvir mais à frente. A fechar, dados animadores, mas ainda preliminares, sobre o número de anticorpos produzidos por quem já esteve doente. Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência. A prioridade absoluta para a nossa nação será a nossa saúde.
A vitória depende de cada um de nós.
Teste, teste, teste.
Se estiver doente ou não se sentir bem, fique em casa.
A uma semana da reabertura das creches e depois das críticas às recomendações da Direção-Geral da Saúde, Graça Freitas veio esta segunda-feira tentar deitar água na fervura.
Não é impedir o mundo dos meninos, mas é dar a esse mundo dos meninos a maior segurança possível. E isso está na mão dos adultos, separando crianças, separando salas, dedicando material tanto quanto possível a uma criança, arranjando circuitos próprios. E por isso é que é tão importante que depois as creches se organizem em função do seu espaço, em função da sua realidade, do seu número de alunos, para obviamente criarem estes circuitos. Agora, não vamos impedir nem o normal desenvolvimento dos meninos, nem as suas brincadeiras, nem os seus convívios, porque isso é impossível.
Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde, entre as recomendações para a reabertura das creches, estão propostas como estas: espaçamento de dois metros entre crianças, material didático que não deve ser partilhado entre as crianças, divisão de turmas, tornando-as mais pequenas, o uso de máscaras cirúrgicas pelos profissionais, são apenas alguns exemplos entre dezenas de recomendações. E esta semana, na quinta-feira, tem lugar a reunião entre o poder político e os peritos para avaliar se há ou não condições para a reabertura prevista de mais setores, como os restaurantes, já de hoje a uma semana. O governo diz que ainda não se podem fazer balanços nesta altura.
Esta não é, como sabemos, uma corrida curta e rápida. É uma maratona longa e por vezes com obstáculos, que procuramos vencer sempre com decisões sustentadas na melhor evidência científica disponível em cada momento.
O secretário de Estado da Saúde, António Sales. Entretanto, em Espanha… Tengo dos nietitos que no los puedo ver. Tengo ganas de abrazarlos.
Pasamos a la fase uno y claro, vamos a estar muy contentos.
Media España celebra entrar el próximo lunes en la fase uno de la desescalada.
Poco a poco, tampoco todo de golpe.
Al fin podrán ver a los seres queridos.
La familia es lo que más me apetece.
O a los amigos.
Reunirme con los amigos. Em Espanha, fora de Madrid e de Barcelona, um vídeo do El País mostra-nos as reações da desescalada. As esplanadas podem reabrir, pode voltar o convívio, desde que se respeite a distância social. São já muitas as regiões na fase um de quatro. As restantes, como por exemplo Madrid ou Barcelona, permanecem na fase zero. No Reino Unido, uma mensagem pouco focada do primeiro-ministro está a originar confusão.
But the advice is quite clear. Please, only use public transport if you really have to, and if you do, avoid the rush hour.
Este é Sadiq Khan, o maior de Londres, o presidente da Câmara Municipal de Londres. Na Sky News esta manhã, reforçava o apelo do primeiro-ministro: "Usem apenas os transportes públicos se não tiverem alternativa e evitem as horas de ponta". Esta manhã, imagens recolhidas no metro de Londres mostravam carruagens cheias e a impossibilidade de manter a distância social. Boris Johnson pediu este domingo, ao início da noite, que se possível, os britânicos devam continuar em casa e não usar os transportes públicos. Ainda é cedo para a reabertura, ao mesmo tempo que incentivava a um regresso ao trabalho. A Rússia ultrapassou o Reino Unido e a Itália em número total de casos. A Rússia anunciou hoje o registo de mais 11656 novos casos de contaminação por este coronavírus, mais de metade dos quais em Moscovo. Chegam relatos de novos focos de Covid-19 na China, numa cidade perto da fronteira com a Rússia, mas há também registo de novos casos em Wuhan. São poucos, mas é o suficiente para fazer soar o alarme perante o receio de uma segunda onda. E já a seguir vamos falar com Inês Gomes como o coronavírus está a afetar as telenovelas. Inês Gomes é argumentista e coordenadora de guião na SP Televisão, autora de telenovelas premiadas como "Mar Salgado" e "Amor Maior". A Beatriz é mesmo filha do teu pai E um sentimento reprimido. Tu és muito especial, Beatriz. Diogo sofre com a mentira de Carlos. Disseste-me que éramos irmãos, não foi? É curioso, porque a Beatriz fez um teste de ADN que diz que ela é filha do Jorge. Hoje à noite, na SIC, "Terra Brava". Olá, Inês.
Olá, Ricardo.
Bem-vinda, Inês Gomes. Há seis meses, se alguém da sua equipe ou mesmo a Inês pusesse em cima da mesa naquelas reuniões de argumentistas esta ideia: vamos contar a história de como o planeta inteiro se tranca em casa perante um vírus especialmente severo para os mais velhos, para os doentes crônicos, e este vírus transmite-se com tanta facilidade que acabam abraços e beijos, mesmo entre os familiares. Se há seis meses lhe apresentassem uma ideia destas, de um enredo para uma telenovela, o que a Inês responderia?
Que não era uma história de novela.
É a história de um filme.
Podia funcionar pra um filme, pra uma série, pra uma novela achava muito difícil.
E nesta altura, a indústria da novela está parada desde quando?
Desde o final de março.
Desde o final de março.
Sim, meio de mar-- não sei a data exata.
Em meados de março.
Meados de março, sim.
Por acaso estive a ver o plano de contingência da SP que está disponível no site e é extremamente pormenorizado. Testes mensais para os atores, caminhos separados para os atores e técnicos, instruções, por exemplo, sobre a roupa e os adereços dos atores, como tratar dessa roupa. É que se alguém ficar doente durante a gravação de uma novela, isso pode ser um problema muito sério, não é?
É. Isso não é exclusivo do Covid-19. Sempre que um ator adoece durante a gravação, se for uma coisa prolongada, temos que ajustar a história. Aqui é mais grave pelo risco de contágio.
Claro, por toda a equipe.
Se alguém ficar doente, vão todos pra quarentena.
E até que ponto é que no regresso, e todos esperamos que esse regresso seja pra breve, já vamos falar nisso, até que ponto é que vai ser necessário mudar as histórias pra enquadrar estes tempos de pandemia?
No caso da "Terra Brava", como nós não gravamos sequencialmente, ou seja, já tínhamos cenas avulsas gravadas em episódios que ainda não estão totalmente gravados, fechados, não dá pra inserir o coronavírus na história, porque numas cenas iriam estar conscientes do coronavírus, noutras não. Então tivemos que alterar pra, no fundo, proteger os nossos atores. Tivemos que fazer muitas alterações.
Mas a história vai mudar ou vão manter a história numa era pré-coronavírus?
Vamos manter a história numa era pré-coronavírus.
As telenovelas têm, muitas vezes, algumas cenas mais pedagógicas sobre temas da atualidade, e é uma forma de levar a muitas pessoas essa mesma pedagogia. Por acaso, foi pedido pelas autoridades de saúde à SP que introduzissem cenas mais pedagógicas relativas a este coronavírus? Sei lá, uso das máscaras, lavagem das mãos.
Não sei, porque isso pode entrar em projetos novos ou em projetos que não começaram a gravar. Como a "Terra Brava" já está a rodar e tem este problema de termos cenas pra frente já gravadas, a mim não me chegou nada, não sei.
Como é que vai ser? Já disse que a história vai manter-se, por exemplo, na "Terra Brava". A SP também produz a telenovela "Nazaré", não é?
Exato.
Vai manter-se numa era pré-pandemia. Como é que vai ser agora a relação dos atores no ecrã? Porque os atores conhecem-se fora do ecrã, mas não têm relações. Os protagonistas. Como é que vai ser? Beijos, abraços, como é que vai ser resolvido?
Com alguma imaginação da nossa parte, da parte da realização também. E vai haver muito menos. Vamos ter muito menos cenas de contato entre eles. Tivemos que ser criativos pra arranjar soluções. Sei lá, em vez de se beijarem, podem começar a despir-se. Há coisas que conseguimos resolver, há outras mais complicadas. Depois a realização também terá de dar o seu contributo, fazer simulações. Na verdade, não há beijos, porque eles não podem ter contato físico uns com os outros pra não arriscarmos nada, mas vamos tentar disfarçar ao máximo.
Não havendo beijos, o que é que vai acontecer ao par romântico da novela, Inês? Já não há beijos tórridos ao pôr do sol.
Já não há beijos tórridos ao pôr do sol. Há cenas emocionantes com alguma distância.
Na criação da cena, tudo isso agora tem que ser pensado. Isso pode ser limitador da criatividade, não é?
E é limitador escrever, ainda por cima porque uma novela é emoção, é beijos, é abraços, é contato físico, faz parte. Se calhar mais do que na vida normal das pessoas. E aqui nós estamos a tirar isso tudo, mas a saúde das pessoas está em primeiro lugar.
E vontade de adaptar.
Vamos, adaptar muita coisa.
A indústria artística é uma das grandes afetadas por esta pandemia. A produção para televisão também foi, porque está parada, como a Inês Gomes nos explicava. Acha que isto vai ter consequências ao nível das produções no futuro? Haverá menos dinheiro, menos espetáculo nas novelas e nas séries?
Sim, é provável. Isto afetou toda a economia.
Claro. Toda.
Portanto, acho que as produções se calhar não vão ser exceção. Eu espero que não, mas acho que nos pode acontecer, sim.
A transmissão dos episódios, por exemplo, da "Terra Brava", vai parar ou há material suficiente para continuar? Uma vez conversámos, Inês Gomes, e explicava que tem mais ou menos 80 episódios de avanço.
Em termos de escrita. De gravação e fecho de edição, não temos tantos, mas até agora está garantido que conseguimos, se entretanto começarmos a gravar, manter a edição e não suspender.
E quando é que está previsto retomar o trabalho?
Não sei, espero que seja brevemente, mas não tenho ainda a data certa.
E os atores têm falado consigo ou não, a pedir: "Por favor, Inês, não me ponhas aos abraços com aquela pessoa."
Não, eles têm tido ensaios e têm trabalhado com a direção de atores e a coordenação de projetos, estão a ensaiar as cenas. Nós já alterámos as cenas, eles já as têm na nova versão e estão a ensaiar à distância como é que irão fazer quando recomeçarem.
Mas estão a fazer ensaios, por exemplo, por videoconferência?
Sim.
Por Zoom?
Por Zoom.
E Inês tem assistido a algum desses ensaios ou não?
Não, eu tenho trabalhado nos episódios.
Continuam a trabalhar, já estão a trabalhar nessa altura, na parte da escrita?
Nós nunca parámos na escrita.
Isto é a prova de que a realidade às vezes é mais dura e mais surpreendente que a ficção, Inês Gomes, argumentista.
Completamente. A realidade supera sempre a ficção e desta vez foi em grande.
Inês, muito obrigado.
Obrigada eu.
Inês Gomes, argumentista e coordenadora de guião na SP Televisão, autora de telenovelas premiadas como "Mar Salgado" e "Amor Maior". Já a seguir vamos ao fact-check. Quase poderia ser argumento de novela, mas não é. A mentira de hoje tem requintes de malvadez. Um post de 25 de abril no Facebook afirma: "OMS alerta sobre máscaras infectadas que chegam ao Brasil". E é apresentado um vídeo com o líder da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, em que a voz é dobrada e o conteúdo é alterado. A dublagem diz: "As máscaras vindas da Índia e da China estão apresentando um alto grau de contaminação por coronavírus." O vídeo tem cerca de um minuto e é partilhado com o selo urgente da Globo News, canal brasileiro de notícias, e começa com uma reportagem precisamente da Globo, mas a voz que se ouve na reportagem não é do canal. Trata-se de uma manipulação daquela reportagem. O vídeo original está disponível e é fácil perceber esta aldrabice. Vem então o carimbo de falso. E fechamos com mais uma nota de esperança. Um novo estudo feito em Nova Iorque e que envolveu 1343 doentes, conclui que quase todos, mesmo os que tiveram sintomas leves, desenvolveram anticorpos contra o SARS-CoV-2 num nível que pode, e sublinho, pode servir de barreira contra nova infecção. Havia dados que indicavam que nem todos os doentes conseguiam desenvolver um número significativo de anticorpos, mas este estudo revela que se estes testes forem feitos três semanas depois do desaparecimento dos sintomas, aí os resultados são mais animadores. Mas atenção, nesta altura ainda não sabemos com elevado grau de certeza se os anticorpos conferem imunidade e se sim, para quanto tempo. Mas agora ficamos a saber que uma larga maioria dos doentes consegue desenvolver esses anticorpos e isso pode ser uma excelente notícia. A sonorização é da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição.
Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
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