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Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa.
Dois casos já confirmados em França.
O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa.
A mensagem que eu queria passar ao senhor Presidente da República era que ele não me deixasse esquecido aqui no hospital.
Este é o novo podcast da Rádio Observador, um explicador diário de segunda a sexta sobre o Covid-19, o vírus que está a deixar em estado de alerta o mundo inteiro. Nesta primeira edição, vamos falar com a jornalista do Observador, Rita Porto, que acompanha os assuntos relacionados com a saúde. Vamos ainda desfazer um mito: é verdade que a cocaína mata o coronavírus? E a fechar, a história de uma empresária portuguesa que ficou trancada numa casa de banho no Centro de Saúde de Cantanhede depois de ter vindo de Milão.
Mais tarde ou mais cedo, algum caso positivo será verificado. Estamos preparados para que um cenário semelhante àquele que está a acontecer em Itália possa acontecer também no nosso país.
Agir com alguma atenção. Todos nós estamos sensíveis. Portugal tem, nesta altura, 60 casos suspeitos, mas até este momento, nenhum caso confirmado de infecção. Esta é a informação oficial mais recente da Direção-Geral da Saúde, com Graça Freitas a insistir na necessidade de se evitar o alarmismo, mas, por outro lado, a diretora-geral da saúde também nos diz que é preciso ter cuidados especiais. Por exemplo, lavar as mãos com muita frequência e evitar contactos mais próximos.
E é este bom senso que nós estamos a pedir às pessoas. E também não é preciso todos nos beijarmos todos os dias, a toda hora. Pelo menos as pessoas que vieram de Itália, durante 14 dias, conter este afeto tão português.
Na conferência de imprensa desta tarde, Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde, lembrou também que não há nenhum medicamento específico para combater o coronavírus e, por isso, todos têm a obrigação de apostar na prevenção, porque o risco de uma epidemia a nível nacional é real, esse risco existe e o de pandemia também.
Situação de epidemia. Portanto, ninguém pode dizer que desconhece. No último mês, tem sido a notícia dominante das nossas vidas e toda a gente percebeu que podíamos entrar, de facto, numa epidemia nacional, podíamos vir a ter uma pandemia, que ainda não estamos.
Ainda por cá, o Ministério da Educação emitiu uma recomendação a pensar nos alunos que estiveram em zonas de maior risco. Diz o ministério que as escolas devem promover o distanciamento social, nomeadamente não deixando os alunos permanecerem em locais muito frequentados e fechados sem absoluta necessidade, exceto actividades letivas e profissionais. Ora, quer isto dizer que os alunos devem ir às aulas, devem poder estar nas salas de aula, mas devem evitar o contacto com outros alunos por precaução. Isto é uma recomendação do Ministério da Educação para as escolas públicas e privadas. Em Espanha, são já mais de 30 os infetados. A Itália continua a ser o país europeu que maior risco representa. No Irão, as orações desta sexta-feira foram canceladas nas zonas mais afetadas pelo coronavírus. E nos Estados Unidos, Donald Trump disse, segundo a CNN, que o coronavírus, e citamos: "Vai desaparecer um dia. Por milagre, vai desaparecer", disse Trump. No mundo dos negócios, não se acredita em milagres. A preocupação está a subir e os índices bolsistas estão a descer. Rita Porto, bem-vinda.
Olá.
És jornalista do Observador, tens estado focada no coronavírus, no Covid-19. Rita Porto, nesta altura, a nível europeu, a Itália é o país que representa maior risco?
A Itália é o país europeu com o maior número de casos neste momento. Aliás, é o único país europeu que está entre as áreas afetadas destacadas pela Direção-Geral de Saúde, mais concretamente as regiões da Lombardia, do Vêneto, do Piemonte e da Emília-Romanha. Além de outros países como a China, a Coreia do Sul, o Japão, Singapura e o Irão. Mas não é o único país na Europa que tem casos confirmados. Temos também a Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, enfim, há uma série de outros países, mas sem dúvida que Itália é o maior foco de atenção, pelo menos a nível europeu.
Em Portugal, são todos suspeitos os casos.
Suspeitos. Não há casos confirmados, pelo menos até ao momento.
Já percebemos que todos temos de lavar as mãos, tapar a boca e o nariz quando tossimos ou quando espirramos, evitar locais muito frequentados, se isso for possível. Muito se tem falado na questão das máscaras.
É verdade.
Devemos usar máscaras, por exemplo, quando andamos de comboio, de autocarro, no metro, já vemos algumas pessoas de máscara no metro. Devemos usar máscaras, Rita Porto?
A DGS não está a aconselhar o uso de máscaras à população em geral. Aliás, foi uma coisa que a doutora Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde, reforçou esta sexta-feira, mas também destacou que há dois grupos que são aconselhados a usar máscaras. São as pessoas que estão doentes, essas devem usar as máscaras cirúrgicas, que são aquelas retangulares, planas. Mas é importante sublinhar que uma pessoa quando usa a máscara, está a fazê-lo para proteger os outros, ou seja, como disse a doutora Graça Freitas, para constituir uma barreira entre a boca e o nariz do doente e as suas gotículas em relação a terceiros.
Quem é que tem a indicação para usar uma máscara cirúrgica? Como disse a vossa colega, aquelas mais planas, que se chamam máscaras cirúrgicas. A máscara deve ser usada pelo doente para constituir uma barreira entre a boca e o nariz do doente e as suas gotículas em relação a terceiros.
Ou seja, quem está doente é que deve usar a máscara.
É que deve usar a máscara. Sim.
Não as pessoas que estão sãs.
Não é a partida, são mesmo as pessoas que estão doentes que o devem fazer. E os profissionais de saúde. E acho que a maioria das pessoas consegue perceber por quê. Porque estas pessoas devem usar uma máscara, que não é a mesma que eu falei ainda agora para os doentes, é uma máscara com qualidade de respirador. Aliás, foi o termo usado pela doutora Graça Freitas, que explicou que os profissionais de saúde devem usá-la.
Essa é aquela mais parecida com um bico de pato.
Exatamente. Porque muitas vezes têm que ter um contacto próximo com o doente. Por exemplo, quando estão a fazer exames aos doentes, as tais zaragatoas. O doente, nessa altura, não pode estar de máscara. Portanto, o próprio profissional, para se proteger, tem de usar essa máscara.
Outra das dúvidas e outra das perguntas que muita gente faz é: quem esteve, por exemplo, no norte de Itália, o que deve fazer Chegada a casa, chegada a Portugal.
Lá está, mais uma coisa que também foi falada pela doutora Graça Freitas é que Portugal está a ter o reflexo da situação em Itália. E ela fez a distinção entre as pessoas que chegam com sintomas e sem sintomas. A maioria chega a Portugal sem sintomas, portanto, o que é que tem de fazer? Tem que vigiar os sintomas, que já são os mais comuns.
E isso traduz-se em quê?
Tem que estar atento se tem febre, se tem tosse seca, se nota algum cansaço, se tem alguma dificuldade respiratória. São assim os sintomas mais comuns e tem que vigiar estes sintomas até 14 dias da chegada. Em particular, a doutora Graça Freitas referiu uma coisa que é importante, que é medir a febre diariamente e de preferência duas vezes por dia.
Pedimos a essas pessoas que meçam a sua temperatura e que a registem diariamente e de preferência, duas vezes por dia.
E tomar nota.
E registar essas temperaturas, exatamente. E se eventualmente surgirem os sintomas mais comuns deste novo coronavírus, é ligar para a linha Saúde 24. Não ir a uma unidade de saúde, é ligar para a linha SNS 24. Isso é que é muito importante. Aliás, é a recomendação também dada à DGS para as pessoas que cheguem, que sintam sintomas durante ou após a viagem. Isto independentemente de virem de Itália ou de virem de outras áreas afetadas, como eu já referi, de outros países como a China, Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Irão.
Ou seja, ligar para a linha Saúde 24, que é o número?
808 24 24 24.
No caso de sintomas. E depois é a partir daí que tudo o resto se desenrola.
Exatamente. É a primeira linha de triagem. Portanto, nessa altura as pessoas dão conta da sua condição de saúde e da história de viagem e depois são-lhes dadas orientações que elas devem seguir.
808 24 24 24. Esta é a linha Saúde 24. Rita Porto, a primeira coisa a fazer em caso de dúvidas é mesmo ligar para aqui.
É sim senhor, é ligar para a linha Saúde 24.
Obrigado, Rita. Rita Porto, jornalista do Observador. Já a seguir vamos desfazer mitos. E a pergunta de hoje é: a cocaína mata o COVID-19? A ideia circula no Facebook. Há publicações feitas em várias línguas, incluindo o português. Há uma imagem da Sky News, a televisão inglesa, uma imagem adulterada em que se pode ler que a cocaína mata o coronavírus. Nalguns casos, esta imagem vem acompanhada por uma legenda, também ela fraudulenta: "Os cientistas estão chocados ao descobrir que esta droga pode combater o vírus", pode ler-se nessa publicação. Ora, o Observador perguntou ao médico Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, se pode existir aqui algum fundo de verdade. A resposta deste médico é clarinha como água: é um disparate tão grande, tão ridículo, que ninguém devia acreditar nele. É falso que a cocaína mate o COVID-19. Este e outros mitos são desfeitos todos os dias pelo Observador. Basta procurar pelos nossos fact-check. Vem de lá então o carimbo de falso. O coronavírus está no topo das preocupações de governos, das autoridades de saúde, obviamente das populações e também dos jornalistas. E os últimos dias têm sido férteis em várias histórias. E a história de hoje chega-nos de Cantanhede. Uma mulher de 47 anos, empresária, ficou horas trancada numa casa de banho no centro de saúde local. Ora, segundo o Diário das Beiras, que avançou a notícia, trata-se de um caso de suspeita de coronavírus. Esta empresária conta àquele jornal que viajou do norte de Itália, onde esteve cerca de seis dias. Já cá em Portugal sentiu alguma febre, contactou a linha Saúde 24 e foi encaminhada para o Centro de Saúde de Cantanhede, onde viria a ficar fechada na tal casa de banho entre as 9:30 da manhã e as 16h. A esta senhora, que pede o anonimato, foram dados um iogurte e umas bolachas para comer durante este período em que esteve fechada numa casa de banho. A meio da tarde, foi notificada que poderia regressar a casa, isto sem que tenha sido submetida a qualquer análise. O Diário das Beiras escreve que não houve autorização da Direção-Geral de Saúde para fazer análises. O caso foi considerado não suspeito. Graça Freitas disse hoje que por vezes as atitudes, mesmo das autoridades de saúde, não são as melhores, mas numa altura destas, diz a Diretora-Geral da Saúde, todos temos de dar um certo desconto. No Observador temos um live blog sempre em atualização e a Direção-Geral da Saúde também tem um site dedicado a informações atualizadas sobre o COVID-19. O meu nome é Ricardo Conceição e a sonorização é do Diogo Casinha. Não se esqueça de lavar as mãos com sabão várias vezes por dia. Regressamos na segunda-feira.
Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa.
Dois casos já confirmados em França.
O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa. A mensagem que eu queria passar ao senhor Presidente da República era que ele não me deixasse esquecido aqui no hospital.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto