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Foram ontem conhecidas as 45 medidas com as quais o governo vai combater o impacto dos incêndios nas populações. Luís Montenegro apareceu ao país de gravata negra, rosto fechado e papéis preparados na mão para fazer um mea-culpa ou um meio pedido de desculpas sobre a gestão dos incêndios.
Logo a seguir, anunciou medidas, uma delas teve de ser corrigida: a isenção de taxas moderadoras. Além disso, o governo vai comparticipar na totalidade a reconstrução de casas até aos €250 mil.
Também apoios às famílias, como a isenção de IVA de alimentos para os animais. Os agricultores podem receber um apoio excepcional até €10 mil, mesmo quando não existam despesas totalmente documentadas.
O governo quer até um pacto de regime para organizar e valorizar as florestas com o plano Floresta 2050, que já tinha sido apresentado em março. É um investimento que vai custar €6.500 milhões. Haverá condições para esse pacto de regime? A oposição respondeu acusando o governo de agir tarde e a más horas com paliativos e sem visão a longo prazo. São nossos convidados neste explicador os deputados António Rodrigues, do PSD, Pedro do Carmo, do PS, e Bruno Nunes, do CHEGA. Boa tarde aos três, bem-vindos à Rádio Observador. António Rodrigues, começo por si. A oposição reagiu hoje em peso no Parlamento às medidas que foram conhecidas ontem, anunciadas ontem em Conselho de Ministros. Ainda assim, o governo quer um pacto de regime. Do que ouviu da oposição, mantém essa esperança? É possível um pacto de regime para gerir as florestas em Portugal?
Boa tarde. Boa tarde ao auditório, boa tarde aos meus colegas de painel e, em primeiro lugar, também aqui em público, prestar solidariedade a todas as populações atingidas e principalmente uma palavra a todos os bombeiros pela abnegação e diligência com que têm tratado esta matéria. No que diz respeito à pergunta que me colocou, eu julgo que não só é possível, como é necessário. Esta é uma questão estrutural, vem de há décadas. Todos nós reconhecemos a situação e a estrutura florestal do país. Sabemos bem as dificuldades que há em conseguir conciliar vontades pessoais com intervenções estratégicas e necessariamente que é preciso a um longo prazo, e para que isso seja alcançado é necessário, obviamente, contar com todos os partidos, pelo menos com aqueles que tenham condições para poder colaborar com isto. Não é uma questão partidária, não é uma questão governamental, é uma questão de estrutura de país e isso exige que haja aqui um entendimento relativamente a estas matérias. Entendimento que passa não só por aquilo que o governo apresentou, mas com todos os contributos que os outros partidos queiram dar.
Não é uma tradição muito portuguesa, sempre que alguma coisa corre mal ou que há críticas à gestão de um governo, pedir-se um pacto de regime, responsabilizar a oposição também pelo que está a acontecer?
Não necessariamente, ninguém está a responsabilizar ninguém, em primeiro lugar. Eu acho que esta é matéria demasiado séria para estar a imputar passado relativamente a esta matéria ou outros governos que tiveram intervenção. Todos são responsáveis e todos devem participar nesta solução, porque como eu dizia há pouco, é uma questão do país. Sabemos bem que não só ardeu o ano passado, como ardeu nos últimos 10 anos, como tivemos no século XXI enormes incêndios que sucessivamente não podem ser tratados, a não ser que haja uma alteração estrutural da organização do país. Sabemos bem que as próprias situações climáticas colaboram para que esta situação se agudize e se repita. Não é possível ter um bombeiro atrás de cada árvore, não é possível ter uma solução debaixo de cada uma das rochas. É preciso é que todos nós saibamos, no momento, parar e dizer: vamos tentar minimizar, porque o que quer que se faça, quer hoje, quer nos próximos meses, quer nos próximos anos, não impedirá que haja incêndios. Podemos é tentar prevenir que eles ocorram com a violência com que ocorrem e principalmente de parar com demagogias, com intervenções que pretendem apenas responsabilizar individualmente alguém que está no poder agora, quando é necessário é que se resolva o problema do país em termos futuros e que se pare com esse tipo de demagogia que o país não precisa. O país precisa é de soluções e precisa que não esteja a arder como tem infelizmente ardido nas últimas semanas.
E o CHEGA hoje mostrou disponibilidade para negociar com o governo, por isso chamo o Bruno Nunes aqui à conversa. Bruno Nunes, muito boa tarde. É possível negociar com o governo, com este governo, este pacto de regime? Há o compromisso do CHEGA de sentar com o executivo à mesa para negociar?
Antes mais boa tarde, cumprimentar os meus colegas de painel e cumprimentar quem nos escuta. Claro que é possível e nós desde o início, desde a gênese do partido, que estamos dispostos a isso. Sabe o que é interessante? É que lamentavelmente, ao final de quatro, cinco anos, tudo aquilo que nós alertámos tantas vezes no passado, hoje confirmamos e entretanto dizemos: não podemos ter um bombeiro atrás de cada árvore, teremos sempre fogos e vemos isto como um dado adquirido, como se nós fôssemos o único país no mundo que tem dia e hora para começar com os fogos. Aliás, o senhor presidente da República até sabia o dia que isto tudo ia começar. Agora, para fazermos este pacto de regime, é importante sermos sérios e é importante sabermos exatamente o que estamos a falar. O PSD não tem sido responsável. Está a tempo de ser responsável, mas não tem sido responsável. E ontem, com as medidas que apresenta, eu não me vou referir apenas em relação às taxas moderadoras, que já assisti hoje, inclusive, alguns deputados do PSD nas redes sociais a dizer que é falso, porque não é verdade esta questão das taxas moderadoras. E é verdade a questão das taxas moderadoras, porque a forma como é apresentado é que sejam as taxas moderadoras isentas para doentes não referenciados. A pergunta que eu deixo ao governo e aos deputados do PSD que têm propagado notícias falsas na internet, é se quem entra num hospital com queimaduras ou com problemas de inalação referentes ou em consequência de um incêndio, teriam que ser referenciados. Portanto, estamos a falar da mesma coisa e temos que ser responsáveis da maneira como passamos a informação e não passar fake news nesta altura, inclusive por deputados
Do Partido Social Democrata, porque não vem ajudar absolutamente nada o Governo, já na confusão que o Governo está colocado a nível de comunicação. Mas deixe-me dizer mais, ontem, nas medidas do Governo, o Governo diz inclusive, tem uma medida que diz: "Remoção dos limites às horas extraordinárias das equipas de sapadores florestais." E nós não estamos em desacordo. A questão aqui que se coloca é: então e os sapadores bombeiros? Então e as forças especiais de bombeiros? Então e as UEPs da GNR que estão no local? Então e todos aqueles que estão no local, que são da administração pública, alguns deles da administração pública local. O Governo esqueceu-se, vai dar a mão para corrigir aquilo que colocou ontem na resolução do Conselho de Ministros ou qual foi o erro que aqui aconteceu? É porque depois ainda temos a situação de estarem a colocar aqui pelo meio questões que nem o próprio Governo tem competência para legislar e que terá que passar obrigatoriamente pela Assembleia da República, porque mexe na lei das finanças das autarquias locais. E nós temos tanta burocracia e tanta lei a estrangular tudo, que o próprio Governo, neste momento, que tem tanto em mente a reforma do Estado, é bom que comece a pensar no que é que quer fazer com isto. Porque temos aqui funcionários, nomeadamente os sapadores bombeiros, que são da administração pública, mas local. Portanto, com a autonomia do poder local, a lei determina que isto obriga a pareceres da Assembleia da República e da Associação Nacional de Municípios, que já poderemos falar também da posição da senhora presidente Luísa Salgueiro hoje, que eu acho lamentável, e podemos falar sobre ela, sobre a responsabilidade autárquica que tem e com a responsabilidade que teve no anterior mandato, que estava mais preocupada em defender o governo de António Costa junto dos municípios, propriamente os municípios junto do governo. Mas nós não podemos chegar a esta altura e dizer que não há responsabilidade e que não podemos apontar o dedo. Temos que apontar o dedo. O combustível está lá, os terrenos não foram limpos, os voluntários não têm carreira, os sapadores não tiveram direito a subsídio de risco, não há meios. A senhora ministra comunicou mal, foi apanhada desprevenida pelo primeiro-ministro, que coloca a senhora ministra a falar sobre os meios de uma forma despropositada. Portanto, existe, acima de tudo, uma falta de liderança. Obviamente não será o Luís Montenegro que vai apagar os fogos, mas é preciso liderança neste momento, uma imagem de confiança a todos os homens que estão no território. E neste momento nós tivemos um problema grave. E mesmo para concluir, inclusive os homens que estão no terreno, sejam sapadores, sejam voluntários, sejam da GNR, seja quem for que lá estão, todos eles têm grande dificuldade em muitos teatros de operações onde inclusive alguns autarcas, e eu não vou generalizar a dizer que são todos, não têm cumprido com a sua tarefa, que está descrita no sistema integrado de combates a fogos rurais, que não só não cumpriram a limpeza dos terrenos, como não se responsabilizam pela entrega da alimentação a estes profissionais e alguns deles a fazer alimentações só às três da manhã. Tenham vergonha, porque há muita coisa para corrigir. Estamos disponíveis respondendo à sua pergunta, mas com seriedade e para tratarmos as coisas como elas estão e que têm que ser tratadas. Não há uma medida para coesão territorial e ordenamento do território nas 45 medidas apresentadas.
E com algumas linhas vermelhas. Deixe-me também chamar à conversa, até porque já lá iremos às taxas moderadoras, mas Pedro do Carmo do PS, boa tarde, bem-vindo à Rádio Observador. A mesma pergunta, antes de irmos medida a medida, o Partido Socialista está disponível para negociar este pacto de regime com o governo de Luís Montenegro?
Antes de mais, boa tarde. Boa tarde aos colegas de painel, boa tarde ao auditório da Rádio Observador. Não posso deixar este momento sem dar uma palavra de ânimo, de solidariedade, de compreensão para com os bombeiros que têm lutado, para todas as equipas de proteção civil, para toda a proteção civil, essencialmente para as vítimas do interior, porque o que está a acontecer é uma catástrofe para o interior. Uma catástrofe no interior a todos os níveis, que efetivamente ele já está tão debilitado e com estes incêndios morre tudo um pouco. Morre o turismo, morrem as questões ambientais, morrem as populações, ficamos mais longe dos centros urbanos. O PS foi claro quando disse que está disponível, o PS está sempre disponível e é parte da solução. Mas também temos que dizer que nos parece inusitado que esta situação ocorra ainda quando estamos a apagar fogos. Nós estamos no meio da catástrofe ainda, nós estamos no meio da tragédia. O governo é que acordou muito tarde. O governo desvalorizou esta situação. O governo não esteve preparado para as responsabilidades que tinham. A própria Ministra da Administração Interna continua sem aparecer e ontem quis fazer mea-culpa. O governo ontem quis vir justificar-se dos erros todos que tinha cometido e da falta de coordenação. A falta de coordenação tem sido assumida por todos, por autarcas, pela Liga de Bombeiros. Eu tenho conhecimento de equipas que se deslocam de sul para norte. Quando lá chegam, afinal já não eram necessárias, voltam para sul. Quando voltam ao sul, têm equipa norte outra vez. Há aqui uma impreparação de amadores e isso é impensável que ocorra no nosso país em pleno século XXI. E isso o governo tem culpa, porque estava descoordenado e não estava capacitado e tinha aqui uma grande impreparação. As medidas que apresentou ontem são o culminar desta impreparação, porque veio anunciar um conjunto de medidas que, afinal, como já foram aqui afloradas, parece não fazerem nenhum sentido ou já estarem em vigor, mostra que não houve estudo sobre a matéria. Por quê? Porque veio à pressa, quis apresentar uma mão cheia de coisas para apresentar aqui como soluções à pressa. Foi uma solução à pressa. O PS está à vontade, porque o PS tem um conjunto de propostas, nem todas elas conseguiram ser aplicadas, mas o PS hoje colocou essa questão. O que foi de nós o diploma que foi da reforma da propriedade rústica que o PS já apresentou? O que é que o atual governo fez sobre isso? A questão dos condomínios de aldeia, que é dito por todos que é essencial continuar a ter pessoas no interior, haver ocupação do solo e essas questões mais relevantes. Zero. Ou seja, as áreas integradas de gestão de paisagem, o governo não as implementou. Ficou garantido o financiamento de até 200 milhões. O governo não ligou a estas questões. O governo ficou preocupado só com demagogia e com o show off de que era integrar as florestas na agricultura e aí teria todas as soluções. Afinal, integrou as florestas no Ministério da Agricultura, mas isso não trouxe solução nenhuma, nem benefício nenhum para as pessoas, porque a questão essencial e de competência da Assembleia da República, como foi o Banco de Terras, continua sem ser aplicado, este fundo de mobilização continua sem ser aplicado e estas são questões de fundo e questões estruturais que o governo desvalorizou. O governo não estava preparado para esta crise. Eu imagino o que seria se um governo como este tivesse tido a situação que o governo PS teve na altura do Covid, que aí sim, foi uma situação nova para todos e que teve que tomar decisões. Ora, se este fosse um governo liderado por Luís Montenegro, com esta impreparação de todos os seus ministros, tinha sido uma situação mais catastrófica ainda. Eu compreendo, e há bocado o senhor deputado Bruno Nunes dizia que não é o primeiro-ministro que tem que ir apagar os fogos. Pois, não é o primeiro-ministro que tem que ir apagar os fogos, nem os líderes de partidos da oposição também não têm que ir apagar fogos. Aquilo que se pretende é muito mais do que isso. É evitar a demagogia, é evitar o populismo e de uma forma serena, concreta, apresentar propostas e um líder que é aquilo que o PS fez. Isso não é diferença. Isso é demagogia, populismo, que não fica bem a ninguém. Um pedido de desculpa até que ficava bem a estes comportamentos que só ofendem quem está no terreno a sofrer e só ofendem quem está no terreno a sofrer perante este flagelo.
Ó Pedro, quero falar do António Costa metido em vestido militar, mas já que estamos a falar, sabe qual é a diferença? É que o João Luís Carneiro tem uma responsabilidade clara no ordenamento...
Respeitada pelos bombeiros. Todos os setores da Proteção Civil respeitam muito o João Luís Carneiro.
Respeitam ao ponto que não houve uma criação de uma carreira para os bombeiros voluntários, respeitam ao ponto que os meios nunca foram acionados da maneira como deveriam ser acionados, nem temos meios de combate a incêndio e temos isto nas associações humanitárias de joelho no chão. Nem temos presidentes da câmara.
O que não temos é meios neste momento. Por exemplo, eu dou-lhe o exemplo, no Alentejo, Moura, Moura, Moura, fazer uma ponte. Não há meio aéreo.
Os dois ao mesmo tempo é que não pode ser que os nossos ouvintes não vão perceber nada do que estão a dizer. Vamos tentar fazer aqui ainda uma segunda ronda.
Deixa só dizer uma coisa em relação aos meios para que isto não passe, porque pareça. O Partido Socialista não tem responsabilidade nenhuma nisto. O Partido Socialista nunca conseguiu fazer sequer o cadastro territorial e nós não sabemos a data de hoje. Ao final de 10 anos, Partido Socialista, a quem pertence o território. Partido Socialista nunca se conseguiu responsabilizar com todos os ministros que hoje vêm falar e dizer quanto do território ardido pertence claramente ao Estado, porque não há cadastro. Não há cadastro territorial e nunca conseguiu o governo de António Costa com maiorias absolutas, sem maiorias absolutas, com geringonças, sem geringonças, nunca resolveram absolutamente nada em relação a esta matéria. Depois temos os autarcas do Partido Socialista com uma postura de vir agora atacar quando gastaram, alguns deles, mais dinheiro em festas e festourolas este ano do que aquilo que foi a limpeza dos terrenos. Portanto, o Partido Socialista tem muita responsabilidade ao ponto que chegamos à data de hoje. E quando digo que obviamente não deve ser o líder, no entanto, o líder do governo deve estar no terreno, como esteve André Ventura. Eu sei que vos dói.
Deixe-me voltar aqui a António Rodrigues, porque precisamente há instantes, e é incontornável, Marcelo Rebelo de Sousa reagiu às medidas apresentadas pelo governo. Disse que a Ministra da Administração Interna precisa de tempo para se ambientar ao ministério. Disse também que já tinha avisado Luís Montenegro de que o dia 15 de agosto ia ser muito difícil. Coincidiu com a festa do Pontal. António Rodrigues, pergunto-lhe, para já, como é que reage, naturalmente, a estes comentários do presidente da República e se considera que esta ministra, apesar do currículo reconhecido que tem na sociedade portuguesa, se o facto de ter pouca experiência no âmbito da proteção civil fez com que não fosse o nome mais indicado para anunciar para um ministério como o da Administração Interna há poucos meses do início dos incêndios.
Por amor de Deus, sejamos claros, um membro do governo, e já tivemos experiências disso no passado, que não pode estar a intervir no terreno quando os acidentes acontecem ou quando os incidentes ocorrem. Portanto, encontrar aqui alguma responsabilidade por parte da senhora Ministra da Administração Interna é não querer discutir o fundo das questões, é não querer estar a resolver o problema. Nós começamos este mesmo explicador a tentar encontrar aqui uma plataforma comum para o futuro relativamente a esta matéria. Foi esse o ponto de partida. Um pacto para o futuro, foi essa a questão. E nós dedicamos todo o espaço que temos tido até agora a falar de coisas que não interessam às pessoas, que não interessam aos portugueses, que é estar a discutir se isto tem que ir ao Parlamento, se aquilo tem que ir para o lado, se o ministro da Administração Interna é responsável ou se o senhor presidente da República tinha ou não tinha razão. Quero dizer o seguinte, o senhor presidente da República, de facto, disse que era expectável, de acordo com as informações que todos nós tínhamos, que o dia 15 era um dia perigoso, devido às questões climatéricas que estavam previstas, em função até de uma reunião que teve com o senhor primeiro-ministro dois dias antes. Portanto, obviamente que os dados que tinha o senhor presidente da República, todos nós tínhamos, e o alerta estava feito, mas ninguém consegue impedir, porque ninguém sabe onde é que o fogo vai aparecer, nem vai saber como é que o vai poder controlar, porque não tem a dimensão de onde é que vem o vento, não se pode fechar uma porta para que o vento pare, não se pode deitar abaixo uma árvore para saber que dali acaba o fogo. A questão não é essa. A questão de fundo aqui é saber, e de uma vez por todas, quando nós fomos discutir essa matéria
Contributos por parte dos partidos, de uma forma positiva e não derrotista, e não tentar agredir todos os outros relativamente à construção de uma plataforma comum, que pensais que iria ser o contributo que os meus colegas de painel iam dar. Mas não, o que aqui se encontrou foi uma tentativa de remeter para o passado, que nós não fazemos. Não é possível estar a dizer que eles podem combinar é ou não é.
António, desculpa.
Deixe-me acabar. Vocês é que não tiveram a mesma maneira de interromper. Eu não interrompi ninguém e, portanto, também não admito que me interrompam.
Não preciso de interromper.
Eu não posso aceitar que me interrompam quando eu estou a tentar falar e que vá mais tarde. A questão é esta: os responsáveis políticos assumem as suas responsabilidades nos momentos em que as têm que assumir. Não foram para o terreno porque iriam estragar ainda mais a situação. O primeiro-ministro esteve sempre presente, como se ouviu, nas sucessivas intervenções que fez. No dia 13, esteve no Palácio do Belém com o Presidente da República, no dia 14, no Pontal, falou sobre os incêndios e sobre aquilo que estava a acontecer às pessoas. No dia 15, teve uma intervenção em que foi à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Esteve sempre presente nestes momentos que eram expectavelmente difíceis. E foi isso que foi feito. Não se pode esperar que alguém pegue numa mangueira e vá apagar um fogo quando é membro do governo. Nem a senhora ministra da Administração Interna teve qualquer tipo de responsabilidade ou qualquer tipo de intervenção na falta de qualquer tipo de falta de coordenação, seja ali, como sempre houve em todos os processos, porque os próprios incêndios têm uma realidade infelizmente dinâmica e que nós desconhecemos. Portanto, não venham agora trazer para aqui responsabilidades políticas onde não as há. A questão de fundo é saber se estão os outros partidos disponíveis para encontrar soluções para que esta não seja uma chaga que nos anos vindouros, e o governo pôs a fasquia nos 25 anos. Não sei se é esses 25 anos que devem ser, se tem que ser uma intervenção mais curta, mas já em março o governo tinha apresentado esse plano a dizer que era necessário um pacto para o país. Estão os outros partidos que não se pronunciaram sobre isso sequer na altura e hoje vêm dizer: "É tarde, talvez não devesse ser assim."
Queria dar três notas.
Temos pouco tempo. Deixem-me fazer o repique. Em apenas um minuto. E deixe-me começar por Pedro do Carmo, do Partido Socialista, para responder ao António Rodrigues, mas também para falarmos um pouco sobre as primeiras declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também as taxas moderadoras. É um anúncio de nada que o governo fez ontem no Conselho de Ministros?
Antes de mais, é um anúncio impreparado, com falta de cuidado, com falta de estudo e a querer apenas apresentar medidas para tapar ou para esconder a sua incompetência. Dizer o seguinte, três questões. Isso é que nunca foi dado, porque é isso mesmo, é preciso dar confiança. E se a senhora ministra da Administração Interna tivesse liderado o processo, dava confiança e segurança às pessoas. E para isso tem que aparecer. E não tem que aparecer no local do incêndio. Tinha que dar conferências de imprensa, tinha que dar esclarecimentos às pessoas e aos senhores jornalistas para dar segurança às pessoas. E foi isso que nunca fez. Quando nós dizemos que efetivamente a senhora ministra está desaparecida, que não liderou e não coordenou o processo, é isso mesmo, não é que há controvérnio. É que é fazer o que falam que nunca fez. E só dando aquela outra nota, dando outra nota. Onde estava a dizer. Nós não nos metemos a falar do passado, porque se fôssemos falar do passado, eu tinha que lembrar do que disse Luís Montenegro enquanto líder da oposição e o que fez agora enquanto primeiro-ministro. Não é isso que nós não fazemos. O ataque que são essencial que está a colocar... Não, é que o PS é um partido responsável. E o PS quando diz que considera inusitada esta questão do pacto de regime agora, pelo seguinte é que o PS colocou sete perguntas ao governo, onde paulatinamente esclarece os pontos de medidas que foram tomadas por governos do PS e que neste momento ficaram com desinvestimento. Não foi feito nada nesse sentido. E posso citar mais uma vez que a reforma da propriedade rústica, que os condomínios da aldeia, que as áreas integradas de gestão da paisagem, que as faixas de interrupção de combustível, que o MA Floresta, que era uma proposta nossa, que era um apoio à limpeza dos terrenos, que é a questão do banco de terras. Isto é fazer oposição credível, consciente e mostrando disponibilidade para participar na solução.
Deixe-me chamar também Bruno Nunes à conversa. Pedro do Carmo, só temos mais uns segundos. Bruno Nunes, mesmo para concluir. Conclua que não concordo com a avaliação que António Rodrigues faz do trabalho da ministra da Administração Interna.
Primeiro deixe-me dizer uma coisa, fico prejudicado no tempo e é uma coisa que os socialistas têm que entender: o Partido Socialista já não é o número dois a nível nacional, é o Chega, e portanto eu seguiria o do governo, se calhar deviam de ser nós a falar e não darem a premência ao Partido Socialista.
Demos mais do que tempo suficiente ao Bruno Nunes para apresentar as suas notas.
Não vamos então perder o tempo, até porque depois temos António Rodrigues a dizer que não interrompe ninguém, não deixa ninguém falar e nem sequer conseguiu perceber a intervenção do Pedro do Carmo.
Um minuto, Bruno, por favor.
Deixe-me dizer o seguinte: o sistema de gestão integrada dos fogos rurais, é claro, existem responsabilidades que são claras. Medidas de coesão territorial, não foi apresentada nenhuma. Os líderes têm que estar no terreno para dar apoio, dar confiança, dar esperança e demonstrar às pessoas que existe um espírito de liderança. Vir com esta conversa, que está desgastada e que já toda a gente percebeu, eu nem vou perder tempo com a justificação do Pontal. Para mim é deixem o Luís de férias. Ele de férias estava melhor e evitávamos aqui uma série de circunstâncias. Eu vou lhe dar um exemplo. O Pedro do Carmo deu aqui uma referência de quem estava a ser deslocado norte para sul. Eu vou lhe dizer, investiguem e perguntem às corporações de bombeiros. É verdade ou é mentira que na última semana mandaram bombeiros portugueses para combater fogos em Espanha com as calamidades que estavam a acontecer em Portugal? O que nós precisávamos era de liderança nesta altura. Estamos disponíveis, mas de uma forma séria. As propostas que foram apresentadas nem todas são más. As 45, obviamente, existem propostas que devem ser apoiadas e trabalhadas. Mas mesmo para concluir, ou são sérios e sabem o que estão a fazer e deixam as agências de comunicação de parte e tomam posições políticas concretas, ou então não vale a pena, porque isto é brincadeira.
Bruno Nunes do Chega, Pedro Carmo do Partido Socialista, António Rodrigues do PSD. Muito obrigado por terem estado no Explicador da Rádio Observador.
Obrigado, boa tarde.