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Estudou em Harvard, foi o presidente da agência responsável pelo apoio à internacionalização da economia portuguesa e agora quer revolucionar a economia nacional.

Podia ser a introdução para apresentar Pedro Reis, o ministro da Economia, que teve a semana mais atarefada dos 11 meses de governação.

Com uma guerra de tarifas mundial, Reis abriu os cordões à bolsa para ajudar as empresas nacionais e é por isso que é a figura da semana.

Garantia que não há défice, ninguém lhe pode dar. Garantia que tudo fazemos, e aqui está um belíssimo exemplo, para que não aconteça défice, é o que nós podemos acrescentar.

Depois de ter dito isto, conseguiu no espaço de segundos, dizer também isto:

Não vai haver défice em Portugal. Isto é claríssimo. Portugal, isto é claro, não está em causa o défice, está em causa o quanto precisamos e conseguimos mitigar para crescer mais ou um pouco menos. É só este o desafio. Obrigado.

De uma certeza, passou à garantia, igualmente assertiva, mas contraditória. Afinal, é claríssimo que não haverá défice. O que mudou? Uns sinais mudos dados pelo primeiro-ministro, que a meio do discurso o corrigiu e a reação à projeção do Conselho de Finanças Públicas, que prevê que no próximo ano se registe um défice de 1%, foi a versão final do ministro Pedro Reis.

Tracito a experiência de Pedro Reis e habilitações acadêmicas a pôr água na fervura, na certeza. Afinal, a economia não é uma ciência exata e o mundo está demasiado incerto. Mas a política implica frases certeiras e a mensagem do governo é só uma: não haverá défice no próximo ano.

Mas este foi o primeiro percalço, ou gafe, em que Pedro Reis se viu envolvido, conhecido como sendo uma pessoa de relacionamento fácil com o meio empresarial. A governação não tem sido marcada por momentos propriamente difíceis.

Talvez a presidência da AICEP, a agência responsável pelo apoio à internacionalização da economia portuguesa nos anos da Troika, tenha levado a um conhecimento profundo do tecido empresarial, no momento, particularmente complicado. Foi um dos quatro coordenadores responsáveis pelo plano económico que a Aliança Democrática levou às últimas eleições e o escolhido por Luís Montenegro para assegurar a ambiciosa promessa eleitoral de colocar a economia portuguesa a crescer 3,5% até 2028, meta que parece agora uma miragem. E no dia em que a AD apresenta o seu programa eleitoral, recordemos o programa que o economista defendia há um ano. Sobretudo, eram necessárias mudanças estruturais na economia para atingir o tal crescimento até 2028. Dizia à época que era um cenário realista e exigente.

Nesse programa, o economista defende que são necessárias algumas mudanças estruturais na economia para atingir um crescimento de 3,5% até 2028.

Mas voltemos às tarifas, que são, sem dúvida, a prova de fogo do ministro Pedro Reis. Ao programa de José Gomes Ferreira, Negócios de Semana, na Sic Notícias, o ministro respondia às críticas da oposição de que o governo está a responder aos Estados Unidos com atraso.

Não digo nada, porque não tenho tempo a perder com estes temas. Sinceramente.

Não quer entrar na campanha?

Não por isso. É porque acho que os portugueses e as empresas portuguesas não entenderiam que, como ministro da Economia, eu pudesse um minuto a explicar por que é que estas coisas não é um contrarrelógio. Estas coisas não é um circo de vaidades para vir ao terreno, mostrar o que é que fomos mais rápidos que outros.

É preciso, portanto, gelo nos pulsos, planeamento e, sobretudo, não tomar decisões intempestivas. E é também importante estarem coordenadas com a União Europeia. E é com esta linha que Pedro Reis executa e Luís Montenegro concorda, ou não fosse o agora ministro da Economia, o coordenador do movimento Acreditar, desde 2022, que foi o esteio fundamental para pensar o país e o Partido Social Democrata. Foi o agora primeiro-ministro que o convidou para coordenar esta plataforma de discussão política entre o PSD e a sociedade civil, com vista a preparar o programa de governo. E foi dessa plataforma que viriam a sair algumas das principais promessas eleitorais da candidatura de Luís Montenegro.

Exatamente. Pedro Reis sempre defendeu a redução de impostos em Portugal, por um lado, e por outro, atacar a burocracia para colocar a economia portuguesa a crescer. Numa entrevista ao Público, disse que o choque fiscal é um nó górdio da libertação de potencial de crescimento e de justiça social. E agora é a altura de olhar para de onde veio Pedro Reis.

E de onde veio, então? Estudou no Lar Educativo João de Deus, que ficava em frente à Casa da Moeda, mas ainda na primária, foi para o Brasil, como muitas famílias da alta burguesia de Lisboa, que decidiram abandonar o país no período pós-revolucionário.

O pai era sócio de Homem de Melo. Ambos tiveram a Altamira, uma empresa de móveis de escritório que ainda hoje opera. Não por acaso, Pedro Reis chegou a ser consultor de empresas na área do mobiliário.

Pedro Reis tinha como avô materno António Trigo de Morais, um engenheiro e político português que cedo partiu para Moçambique para estudar o rio Buzi e Limpopo. Em 1925, apresentou na Sociedade de Geografia de Lisboa uma conferência sobre a hidrografia de Moçambique, onde introduziu uma proposta para o aproveitamento agrícola do tal rio Limpopo. Foi responsável, aliás, pela construção do regadio que servia a agricultura na região

Mas voltemos a Pedro Reis, que já em Portugal tirou a licenciatura em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa e depois continuou o seu percurso académico nos Estados Unidos da América, na Harvard Business School, com um curso em Strategic Finance.

Durante mais de 20 anos foi gestor e consultor de várias empresas de diferentes setores e indústria, como o mobiliário, a engenharia, a publicidade, comunicação e a banca, com uma passagem pelo maior banco privado português, o Banco Milênio BCP.

Durante vários anos foi colaborador regular de diversos órgãos de comunicação, quer como colunista, quer como comentador residente, entre os quais a revista Fortuna, o jornal Independente e a TVI 24. Em março de 2011, Pedro Reis publicou o livro "Voltar a Crescer", obra elaborada a convite do que viria a ser o primeiro-ministro uns meses mais tarde, Pedro Passos Coelho. E nesse livro, traça um diagnóstico da economia portuguesa com base num estudo feito junto de 55 empresários e gestores portugueses.

Em 1996, foi-lhe atribuído o prêmio Gestores do Amanhã e em 2013 recebeu o prêmio Best Leader Awards, de melhor líder na gestão de empresa pública, bem como a distinção de personalidade do ano atribuída pela Interfranchising, em colaboração com a Associação Nacional de Franchising. Em janeiro de 2014, recebeu o galardão Integração e Acolhimento, atribuído pela Liga dos Chineses em Portugal.

De dezembro de 2011 a abril de 2014, foi presidente à AICEP, a agência responsável pelo apoio à internacionalização da economia portuguesa. Quem o conhece, descreve-o como uma pessoa simpática e agradável, capaz de criar diálogo com as empresas portuguesas.

E com este currículo cheio, em abril de 2014, como não poderia deixar de ser, Pedro Reis foi condecorado pelo presidente da República, Cavaco Silva, com a insígnia de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelos serviços prestados ao país na internacionalização da sua economia.

Nesse mesmo ano, tornou-se assessor sênior da Comissão Executiva do BCP e, em 2015, administrador executivo da BCP Capital. Dois anos depois, em 2017, assumiu a direção do marketing estratégico.

E este som dá-nos indicação de, como sempre, na figura da semana, ouvimos um testemunho de um amigo. Desta vez, a Raquel Abecasis, que tem sempre esta árdua tarefa, escolheu um amigo que é também irmão de Pedro Reis. Estamos a falar de Gonçalo Reis, antigo presidente da RTP, também ele gestor e apontado como provável número dois de Carlos Moedas nas próximas eleições autárquicas. Assume, já a seguir, o papel de amigo do irmão Pedro Reis.

Olá, Gonçalo. Ninguém melhor do que um irmão para nos contar um episódio que seja definidor do Pedro Reis.

Se me pedem uma história para caracterizar o meu irmão Pedro, lembro-me de um episódio que creio que demonstra a sua capacidade, a sua atitude, sua força de vontade e até a sua postura de futuro. É uma história que acontece há uns 30 anos, no meio dos anos 90. O Pedro era um jovem gestor e ganha exatamente um prêmio que se chamava o Prêmio Gestores do Amanhã, atribuído pela revista Fortunas e Negócios, imagine-se que obviamente já encerrou, e por uma consultora, creio que era a Egonsenda. E o Pedro, de facto, agarra no prêmio e investe num curso de formação no INSEAD. E isso é bastante interessante. O que está aqui? Está aqui, obviamente, o tema do mérito, da capacidade, do desempenho e do reconhecimento dos pares, por isso ganha, de facto, o prêmio. Mas está aqui mais. Está aqui o tema da iniciativa, de uma visão de futuro, da aposta no conhecimento, na valoração profissional e até numa perspectiva internacional. E eu acho que esses são os elementos que, de facto, caracterizam o Pedro. Uma capacidade para ter bom desempenho no presente e para atingir os objetivos, e uma capacidade para perspetivar o futuro, para acreditar nas novas fases e no que tem de fazer a seguir. Eu acho que é assim que vejo o meu irmão e vejo o Pedro.

E como é que olha para o futuro do Pedro Reis?

Se me pedem também um desejo ou um propósito para o Pedro, diria simplesmente continuar. Continuar a fazer o que gosta e o que manifestamente sabe fazer e que é muito relevante e tem muito impacto. O Pedro sabe mobilizar, sabe pensar a economia e as empresas, tem muita informação e conhecimento no terreno, experiência concreta junto das empresas e do tecido produtivo. E, portanto, o que eu desejo é que continue a trabalhar no sentido de fazermos as boas apostas económicas, de modernização e de vitalização da nossa economia, de foco na internacionalização e na atração do investimento. E sempre com a sua postura muito própria, que é construtiva, que é positiva e a tentar resolver os problemas, de perceber as situações e de tentar melhorar as coisas com ponderação, com equilíbrio, com entusiasmo e com empenho.

Um desejo que é como quem diz que continue a ser ministro da Economia depois das eleições de 18 de maio.

E agora que há novas eleições, para onde irá?

Desde logo, essa dúvida: será que Pedro Reis vai continuar ministro, caso a AD vença as eleições?

Ou será que mesmo que a AD vença, Pedro Reis preferirá estar noutra função? Volta à iniciativa privada, por exemplo, ou estará a gostar de ser ministro?

E caso a AD perca, voltará então para a iniciativa privada, para uma empresa, ou será que está com vontade de regressar à banca?

São muitas as possibilidades, muitas as perguntas. Pedro Reis, o ministro da Economia, é a figura da semana escolhida pelo painel da tarde política para a semana. Na próxima sexta-feira, há mais.