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Ora seja mais uma vez muito bem-vinda ao "Fio Condutor". Eu sou o Vicente Figueira e como todas as semanas vou tentar ser o fio que o conduz por este confuso mundo em que vivemos, olhando para o que nos diz a internet. Para isso, são três as linhas das quais se faz este fio. Começamos, como sempre, por ir até à minha aldeia, que esta semana não está longe. Ficamos mesmo por Portugal e eu conto-lhe já daqui a pouco, mas também porque a internet não é internet sem os conflitos do costume. Temos a contenda, que esta semana vai colocar frente a frente um humorista e um historiador. Fique para ouvir. E para terminar, e porque na internet nem tudo é conflito, trago até si o momento unânime, onde vamos olhar para a notícia mais consensual que circulou pela internet esta semana e que, salvo raras exceções, os cibernautas acolheram com carinho. É também incontornável que a semana na internet e também fora dela, está a ser marcada pela greve dos motoristas de matérias perigosas. E porque falamos de greve, vamos ouvir agora a Carvalhesa, o hino do Partido Comunista. Estou a brincar consigo. Não. Se a greve que está nas bocas do mundo tem a ver com os motoristas, resta-nos desejar que tudo se resolva e por isso ficamos com uma música, que é uma mensagem. Fica com Willie Nelson, "On the Road Again". O "Fio Condutor" volta já a seguir. Willie Nelson, "On the Road Again". E quem também está de volta é o "Fio Condutor". E é tempo de irmos até à minha aldeia. Antes disso, deixe-me só fazer-lhe uma pequena pergunta: quantas vezes na sua vida rezou para que não tivesse de esperar mais na fila dos correios? No Fundão, mais concretamente na Aldeia Nova do Cabo, com ou sem fila, o posto dos correios é também local dado a rezas. É isso mesmo que ouviu. Há uma capela nesta aldeia que é, ao mesmo tempo, um serviço de atendimento dos CTT. Desde 2014 que uma capela nesta aldeia alberga os correios e também os serviços da Junta de Freguesia. Ora, se assim é, desde 2014, podemos afirmar que a internet às vezes demora a desencantar certas histórias. Posto isto, digo-lhe que a capela na Aldeia Nova do Cabo, onde funciona o posto de correios, alberga também uma grande imagem de Nossa Senhora de Fátima, em cujo altar se podem encontrar nada mais, nada menos do que dossiês. E batelada é uma imagem peculiar, até algo insólita, mas que em nada faz confusão a utentes e funcionários deste posto dos correios. Por exemplo, Ricardo Fernandes, um dos funcionários dos CTT que funcionam na capela, diz que para além de nunca se ter questionado quanto à imagem de Nossa Senhora de Fátima, se sente de alguma forma protegido e guardado pela estatueta. Uma utente, Maria da Conceição, de 70 anos, parece concordar e diz que os serviços estão muitíssimo bem instalados. Afirma que vem do Fundão até à Aldeia Nova do Cabo para medir a tensão, os diabetes, para ir buscar a reforma e que assim se sente abençoada em todo o lado. Em declarações ao Jornal do Fundão, Manuel Malícia Trindade, o presidente da junta desta aldeia, diz que os cidadãos agradeceram muito a mudança e explica que o edifício onde se encontra a capela é todo da Junta de Freguesia. A razão pela qual o atendimento dos CTT passou para a capela foi por uma questão de acessibilidade, visto que os serviços de correio funcionavam no primeiro andar e que agora passaram para o rés-do-chão, embora estejam cada vez mais perto ou próximos do céu. Certo é que, mesmo sendo mais prático, não deixa de ser algo disruptivo ver um serviço dos CTT a funcionar numa capela. E porque é de correios que falamos, seguimos o fio condutor com os Rio Grande, que caso queiram enviar esta carta cantada da música que se segue, já sabem onde podem ir. Os Rio Grande, agora no Observador com "Postal dos Correios". Eu volto já já a seguir com o "Fio Condutor". Mas falemos de coisas bem melhores. A Laurinda faz vestidos por medida. O rapaz estuda nos computadores. Dizem que é um emprego com saída. Cá chegou direitinha a encomenda. Pelo expresso que parou na Piedade. Pão de trigo e linguiça pra merenda. Sempre dá para enganar a saudade. Espero que não demorem a mandar. Novidades na volta do correio. A ribeira corre bem ou vai secar? Como estão as oliveiras de Candeio? Já não tenho mais assunto pra escrever. Cumprimentos ao nosso pessoal. Um abraço deste que tanto vos quer. Sou capaz de ir aí pelo Natal. Um abraço deste que tanto vos quer. Sou capaz de ir aí pelo Natal. Um abraço deste que tanto vos quer. Sou capaz de ir aí pelo Natal. Os Rio Grande com Postal de Correio e agora está na hora do confronto. É tempo no fio condutor para a contenda da semana. De um lado, como mestre do Twitter, guionista e comentador de assuntos em geral, temos João Quadros. De outro lado, como historiador, colunista e fundador do Partido Livre, está Rui Tavares. E eu bem tento fugir ao Twitter para procurar a contenda, mas o que se passa nesta rede é sempre tão apelativo quanto conflitual. A contenda desta semana começa com uma série de tweets em que Rui Tavares está a responder a uma utilizadora que disse não gostar de coentros. Para justificar a importância dos coentros no nosso panorama gastronómico e até poético, veja-se bem, Rui Tavares explicava que Al-Mutamid foi um dos poetas muçulmanos nascidos em solo que viria um dia a ser o território português e também dos maiores poetas de sempre em língua árabe. Tudo isto para chegar a uma obra em específico, onde Al-Mutamid falava de agricultura e onde algures se destacava o cultivo do coentro. Até aqui tudo parecia bastante pedagógico, mas João Quadros aproveitou esta aula de Rui Tavares para atacar. Disse o humorista, em resposta a esta série de tweets, que Rui Tavares às vezes é muito chato e tratou de apresentar aquilo a que se referiu como sendo uma teoria, que estabelece que sem Rui Tavares, o Partido Livre já teria eleito 30 deputados. Rui Tavares não tardou em responder ao humorista, sugerindo-lhe que se não gosta, que faça como a pessoa pela qual se iniciou esta conversa e ponha o coentro, neste caso personificado por Rui Tavares, na borda do prato. As coisas podiam ter ficado por aqui, não fosse o João Quadros deixar mais uma alfinetada quando escreveu que só afirmou o que afirmou para bem do Partido Livre e deixou no ar que o bloco de esquerda ficou significativamente melhor quando colocou Rui Tavares na borda do prato. Ora, Rui Tavares não deixou as coisas ficarem por aqui e disse que João Quadros devia saber que uma segunda tentativa de piada nunca resulta. Falamos, portanto, de uma piada quanto à situação política de um político, respondida com uma avaliação ao humor de um humorista, é esta a contenda da semana. E porque esta açorda começou por causa de coentros e sem eles não se faz uma boa açorda, vamos ouvir os Magano com o tema "Açorda de Alho". O fio condutor volta logo depois. Alhos, coentros e sal. Também se faz com poejo. Este prato que afinal nasceu no nosso Alentejo. Depois dos alhos pisados e com a água a ferver. Corta-se o pão aos bocados. Está pronto, vamos comer. É fácil fazer, dá pouco trabalho. É água a ferver, coentros e alho. Coentros e alho e água a ferver. Dá pouco trabalho, é fácil fazer. Com o panito bem duro e rábano a acompanhar. O azeite bom e puro, não há melhor paladar. Açorda de bacalhau com azeitonas pisadas. Também não é nada mau com umas sardinhas assadas. É fácil fazer, dá pouco trabalho. É água a ferver, coentros e alho. Coentros e alho e água a ferver. Dá pouco trabalho, é fácil fazer. Recordo quando era moça E está a chegar ao fim o "Fio Condutor", mas não sem antes irmos ao momento unânime, um espaço para consensos. Se na vida muitas pessoas não estão de acordo quanto à maioria das coisas, há sempre coisas que, tirando um ou dois patetas, chamemos-lhes assim, são absolutamente unânimes. Se na semana passada a internet acarinhou uma história de amor de um pai para um filho, esta semana voltou a fazê-lo de um pai para uma filha. Vou contar-lhe a história de Valentina e Túlio. Valentina pouco passava de um ano de idade quando teve de amputar uma boa parte da perna direita por causa de uma má formação genética. Hoje, já com cinco anos e com a ajuda de uma prótese, Valentina não tem nenhuma limitação a andar, graças a Deus, mas recentemente a prótese da Valentina foi decorada com um desenho e o pai, Túlio, apercebeu-se de que o padrão em muito se assemelhava a uma tatuagem. Ora, o pai afirma com rigor que quer ser como a filha. Para isso, Túlio reproduziu com uma tatuagem na perna, um padrão semelhante ao da prótese da filha. É esta a forma encontrada por Túlio para apoiar a sua filha e demonstrar-lhe que os dois são iguais. Júlio fez a tatuagem ao longo de várias sessões e mal acabou a primeira, a Valentina pediu-lhe que fosse à escola mostrar o resultado aos colegas, algo que Túlio descreve como uma grande festa. As fotografias do pai Túlio com a filha Valentina estão a fazer furor nas redes sociais e não conheço quem não se delicie ao vê-las. O Fio Condutor fica por aqui, para a semana está de volta para desvendar o que se anda a passar pela internet. E porque acabamos de ouvir a história de um pai e de uma filha, fica com John Mayer e o tema "Daughters". Está com o Observador, deixe-se ficar.