Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Gabinete de Guerra, um podcast da Rádio Observador em que olhamos para as mais recentes notícias da guerra na Ucrânia.
Major-General Isidro Morais Pereira, queria olhar consigo também a Ucrânia. Deixamos o Médio Oriente para esta guerra na Europa. Há um novo pacote militar de 225 milhões de euros dos Estados Unidos para Kiev, munições, armas e outros equipamentos. É um valor considerável e que poderá ser uma ajuda para continuar a aguentar a Ucrânia, principalmente até ao final do inverno?
Toda e qualquer ajuda neste momento é preciosa, principalmente quando ela apresenta material militar e, sobretudo, munições, quer munições de artilharia, quer munições para as antiaéreas. Como nós sabemos, a Rússia tem vindo a incrementar, e muito, os ataques através de drones e mísseis para atingir infraestruturas logísticas e, naturalmente, também aquilo que fez no ano passado, centros de produção e transformação de energia elétrica. E de facto, a Ucrânia já tem alguma capacidade em termos de defesa antiaérea, mas as antiaéreas não funcionam sem munições e é preciso fornecer-lhes. E o fornecimento que os Estados Unidos fez e também alguns países europeus têm limites. As munições gastam-se. Os Estados Unidos há bem pouco tempo tinham aprovado um pacote, esse sim mais substantivo, de cerca de 1000 milhões de euros. Como nós sabemos, isto foi há três ou quatro semanas, ou duas ou três semanas atrás, e agora estes 250 milhões de dólares é exatamente o último dinheiro que ainda restava do orçamento do ano fiscal anterior, que já tinha começado a ser utilizado em outubro e segundo a lei norte-americana, é permitido utilizar estes leftovers, aquilo que sobra, até eles se esgotarem. Agora, vamos lá ver. É, de facto, precioso e toda a ajuda é importante. Esta ajuda é somada a outras ajudas que têm vindo também da Dinamarca, da Suécia, da Noruega, da Alemanha. Tudo isto são ajudas preciosas para que a Ucrânia pelo menos consiga aguentar até fevereiro, porque temos declarações de ontem da própria União Europeia. Estão a ser encontrados mecanismos para na reunião do próximo dia 1 de fevereiro, se poder desbloquear uma soma considerável de ajuda ao funcionamento da economia ucraniana. Fala-se em cerca de 20 mil milhões de euros, mas poderá ser mais. Mesmo que a Hungria decida bloquear a ajuda da União Europeia como um todo, há uma solução que está a ser trabalhada, que é os países darem garantias bancárias e a própria União Europeia ir contrair junto dos mercados financeiros internacionais um montante adequado para fornecer à Ucrânia. Por outro lado, nós sabemos que as reuniões no Congresso norte-americano, na Câmara Baixa e também no Senado, na Câmara Alta, ainda antes do Natal, foram reuniões duras, foram reuniões intensas e aquilo que resultou foi que há uma promessa de que esta situação se resolveria algures em janeiro. E aqui estamos a falar de uma ajuda substantiva, estamos a falar de mais de 60 mil milhões de dólares e esta sim é uma ajuda que permite à Ucrânia respirar de alívio, se ela vier a ser aprovada. E nós esperamos que sim e haja bom senso, porque deixar a Ucrânia sem apoio é uma não opção para o Ocidente, principalmente depois de tudo aquilo que os líderes ocidentais afirmaram.
Major-General, ainda assim, pedia-lhe num minuto um comentário às palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, tem algumas queixas da Europa. Diz que passou demasiado tempo a decidir sobre como e quando aumentar a produção de armas e ajuda a Kiev.
Sem dúvida alguma.
Tem razão?
Tem toda a razão. Eu só lhe vou dar um exemplo e acho que é ilustrativo daquilo que o Kuleba tem dito. Aquela promessa da União Europeia de produzir em conjunto, num bolo conjunto, para que saísse mais barato, cerca de 1 milhão de munições. Até hoje foram produzidas cerca de 300 milhões. De 1000 milhões de munições, neste momento foram produzidos 300 milhões, o que é manifestamente insuficiente e aqui a Europa mostra alguma inoperância. E nós sabemos que é provocada também por a Europa ser aquilo que é. A Europa não é uma federação, a Europa não é um país, a Europa é um conjunto de países e onde tudo tem que ser aceitado, onde a maioria das decisões são tomadas por consenso.
O Kuleba diz que a Europa não sabe combater guerras.
A Europa já combateu muitas guerras. A Europa neste momento tem algumas dificuldades em combater guerras porque viveu um pouco à sombra do chapéu protetor dos Estados Unidos, como nós sabemos. Era muito fácil aos governos europeus aplicarem partes substantivas dos seus orçamentos em apoios sociais às populações, menos prezando aquilo que é fundamental. Não há progresso e bem-estar sem haver segurança. E a Europa desmilitarizou-se, não investiu suficientemente na defesa e quando não se investe na defesa, naturalmente que os complexos militares industriais, os grandes produtores de armas e de munições Se não tiverem encomendas, acabam por fechar as linhas de produção. E foi isso que aconteceu na Europa, no pós-Guerra Fria.
E Kiev está a sofrer com isso também, com a falta de ajuda da Europa.
Kiev está a sofrer e a Europa está a acordar de forma lenta. A Alemanha, vou lhe dar um exemplo, aumentou em 40%, neste ano fiscal de 2023, a venda de armas e munições. A grande empresa responsável por este aumento de 40%, o que é notável, é a Rheinmetall e a Krauss-Maffei, mas fundamentalmente a Rheinmetall, que está a abrir, inclusive, centros de produção em Kiev. Portanto, a Europa, aos poucos, vem acertando o passo e naturalmente, se nos fixarmos nas declarações dos principais responsáveis, quer do chanceler Scholz, quer do ministro da Defesa Boris Pistorius, as últimas são declarações que a Europa deve levar a sério, que é a própria Alemanha que diz que a Rússia não pode sair, de forma nenhuma, vencedora deste conflito.
A ver vamos o que nos reservam as próximas semanas.
Para terminar, o próprio ministro Boris Pistorius foi perentório. A Europa tem cinco a oito anos para se preparar para enfrentar um inimigo e para poder ter que combater eventualmente. Isso significa incrementar a capacidade militar industrial e significa, por exemplo, a Alemanha regressar ao serviço militar obrigatório, como nós sabemos.
Desafios que se aproximam.
Kuleba tem toda a razão quando se queixa de que a Europa não estava preparada para este tipo de guerras de alta intensidade. Não estava mesmo, esta é a grande realidade.
O "Gabinete de Guerra" é um podcast da Rádio Observador. Vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30 da manhã e tem uma nova edição depois da síntese das 16h30 da tarde e está sempre disponível em podcast.