Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o Gabinete de Guerra da Rádio Observador. Eu sou o Luís Soares e connosco temos hoje o Major-General João Vieira Borges. Bem-vindo, senhor Major-General. O primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, foi hoje nomeado o próximo secretário-geral da NATO. Sucede ao norueguês Jens Stoltenberg. Que desafios é que Rutte vai ter pela frente, tendo em conta não só estes principais conflitos que estamos a viver, mas também, por exemplo, as eleições norte-americanas que estão aqui tão próximas?

São certamente desafios enormes, em continuidade com os desafios que já teve Stoltenberg. Ele foi hoje eleito efetivamente no Conselho do Atlântico Norte, faz parte da estrutura da NATO, é a vertente civil. Depois temos a vertente militar com o comitê militar, o tal comando aliado para as operações e o comando aliado para a transformação. Isto é importante, é uma organização político-militar, uma organização defensiva e é nesse sentido que se tem empenhado no apoio à Ucrânia nesta guerra da Rússia na Ucrânia. E portanto, o desafio é obviamente muito para além da própria guerra. Tem a ver também com aquilo que é a alteração do sistema político internacional e o reposicionamento geopolítico da NATO e dos vários 32 países que fazem parte da NATO. É o momento de transição, como nós chamamos, eu e o professor António Telmo, no nosso livro recente. É o momento de mudança, mudança geopolítica, mudança inclusivamente económico-financeira. É uma mudança de valores, é uma mudança a vários níveis e portanto ele vai ter que enfrentar com a sua capacidade de liderança, também com a sua capacidade de consenso. Pelo menos são as duas grandes características que os seus pares têm elogiado. Estamos num período bastante difícil e certamente com a sua experiência e com estas características ou qualidades, vai desempenhar bem as suas funções.

Naturalmente que os principais líderes já felicitaram Mark Rutte. Já quanto ao Kremlin, diz que a nomeação do primeiro-ministro neerlandês não deverá conduzir a qualquer alteração da linha geral da Aliança Atlântica, que a Rússia considera hostil. Esta reação por parte de Moscovo não constitui propriamente uma novidade, não é?

Não, de maneira alguma. Aliás, foi uma reação, se fôssemos nós a escrever, nós comentadores, certamente escreveríamos da mesma maneira, se nos puséssemos do lado da Rússia. Efetivamente, por enquanto, é esta a política do Kremlin. Depois, em função das várias situações, reagirá relativamente à pessoa de Mark Rutte ou à própria organização. E isso certamente que já veremos em breve, designadamente quando chegar a altura da Cimeira da Aliança Atlântica entre 9 e 11 de julho em Washington. A partir daí, porque ele na prática só vai tomar posse a partir de 1 de outubro.

A 1 de outubro, exatamente.

Exatamente.

Senhor Major-General, olhando também um pouco para o que se passa no terreno na Ucrânia. Hoje houve uma visita de Volodymyr Zelensky, que visitou tropas na região de Donetsk e apresentou este novo general na linha da frente. Estas mudanças que temos verificado e que se têm sentido a nível militar na Ucrânia, que significado também é que podem ter?

Estas alterações, em primeiro lugar, do serviço da Guarda do Estado, na sequência da detenção daqueles dois coronéis, e portanto há outra, o serviço da Guarda do Estado, que é normal para grandes dirigentes em tempo de guerra. Isso passava-se tanto com os aliados como com o próprio Hitler, do outro lado, ou com a própria Rússia, que em parte esteve ao lado do Hitler durante muitos anos, é bom não esquecer. E portanto, isso com dirigentes é normal, mas esta, do comandante das Forças Conjuntas, das Forças Armadas, para por um homem mais jovem, inclusivamente um major-general, o Andrii Annaok, já não é tão normal. Portanto, aqui houve outras situações que foram justificadas, designadamente do seu antecessor, de que teria sacrificado muita tropa, e obviamente é um bem precioso para a Ucrânia, ao contrário da Rússia, que os usa como carne para canhão, como temos visto ao longo destes dois anos. E portanto, já com mais de 530 mil baixas, entre mortos e feridos da parte da Rússia. E portanto, esta é uma mudança que foi justificada publicamente nos órgãos de comunicação social ucranianos e por isso também era importante ir ao terreno. Ir a um dos terrenos mais difíceis, que é exatamente a zona do Donetsk e a zona de Lugansk, são os dois eixos principais da Rússia, porque aquele eixo de Kharkiv, neste momento, a Ucrânia tem tido grandes sucessos, designadamente através do combate em profundidade, tal como também na Crimeia. São as duas zonas de maior sucesso da Ucrânia. Estas duas, porque Putin quer fechar completamente o Lugansk e Donetsk, no fundo o Donbass, obviamente tem feito um esforço enorme. São, na prática, os dois eixos principais, na minha perspetiva, com grande número de baixas

Sr. Major-General, vamos olhar agora também um pouco para o conflito no Médio Oriente, com uma tensão que continua e tem vindo a aumentar até na fronteira entre Israel e o Líbano. O presidente da Turquia já avisou que Israel olhar para o Líbano depois de Gaza também seria uma grande catástrofe. Como é que podemos também olhar para esta forma como Israel tem vindo a abrir os vários flancos deste conflito do Médio Oriente?

Já agora sobre o presidente da Turquia, o Erdogan, teve resposta imediata do Israel Katz, se não me engano, dizendo que era um criminoso de guerra e que não tinha qualquer autoridade ou qualquer legitimidade. Qualquer coisa assim que vinha agora nas notícias no Times de Israel. Já agora, mas isso nós percebemos, a linha de Erdogan relativamente a este conflito, não há dúvidas nenhumas de apoio ao Hamas e de apoio aos grupos terroristas. Agora, relativamente a Israel, tendo em conta que estamos mais uma vez em bem-memoria num processo de paz, pressionado pelos Estados Unidos, mas que já vieram dizer que não conseguem controlar obviamente Israel, até porque há questões internas que favorecem exatamente aquilo que acabou de dizer. Ou seja, para Netanyahu, a continuidade da guerra num outro flanco é a continuidade deste governo. E simultaneamente é fazer com que haja uma segunda frente, quando a primeira frente já está quase cumprindo o seu objectivo de destruição, que é difícil, do Hamas, vai ser ou impossível, como diziam os próprios militares. Mas de qualquer maneira, ele tem batido sistematicamente e agora mais cirurgicamente, como foi hoje, com efeitos colaterais, como é evidente, com 11 mortos, se não me engano, hoje numa escola, mas eles depois vêm dizer que o bombardeamento foi sobre tropas do Hamas ou sobre militares do Hamas. Portanto, há sempre esse jogo da tomada de decisão, de maneira a que haja menos efeitos colaterais e nós vemos isso sobretudo no relatório das Forças de Defesa de Israel. Mas, por outro lado, como dizia, a questão do Líbano é uma questão que preocupa a comunidade internacional, não é só os países da região. E preocupa no sentido em que é o escalar do conflito, que obviamente, após as eleições no Irão, certamente haverá um empenhamento maior da parte do Irão também ali naquela região, em apoio do Hezbollah. E portanto, para ele, internamente, é importante, com esta pressão toda porque há as eleições, mas para a comunidade internacional e para a paz no mundo, obviamente, que é algo que vai haver um esforço enorme, certamente, para que não haja essa escalada.

Sr. Major-General, a situação de insegurança alimentar em Gaza também continua muito preocupante. Os dados mais recentes mostram que mais de 495 mil pessoas estão em nível catastrófico de insegurança alimentar. Para lá do conflito propriamente dito, a questão humanitária também deveria suscitar mais atenção por parte da comunidade internacional?

Tem suscitado. Efetivamente, se nós formos ver a situação humanitária noutros países, na própria agência, na IPC, a agência da ONU, onde vêm as tais fases quatro e cinco, constatamos que efetivamente pelo mundo afora, designadamente em África, há níveis semelhantes a este, infelizmente pro mundo. E tem havido um esforço enorme das Nações Unidas, apesar de serem criticadas, e não é só por Israel, serem criticadas exatamente pelo seu apoio não implícito àqueles que sofrem, mas é essa a missão das Nações Unidas. As Nações Unidas hoje, inclusivamente, chamaram a atenção de que deviam ser adotadas medidas urgentes para proteger os trabalhadores humanitários. E depois vêm com um novo relatório que acusa Israel de comportamentos desumanizantes dos palestinianos. Nós sabemos que acontecem, os próprios israelitas, alguns órgãos de comunicação social mais duros relativamente a este momento, também acusam. Portanto, não é novidade. Esse é o papel das Nações Unidas, esse é o papel de salvaguardar as populações nestas situações catastróficas. E tem havido apoio, felizmente, também dos Estados Unidos. Em termos alimentares, tem sido até dos países que mais apoiam. Parece que há algo de estranho, não é? Um país que simultaneamente apoia Israel e apoia humanitariamente todo o povo palestiniano.

Certo.

Mas é a realidade. A teoria das relações internacionais é muito bonita, mas depois o realismo é isto que vemos ao longo dos anos, é isto que vemos ali em outras guerras e que vemos até noutros países que não estão em guerra, designadamente em África, cujos governos são apoiados pelo outro bloco, designadamente pela Rússia, mas que depois a população é alimentada pelos Estados Unidos da América ou pelos aliados. Portanto, isto é algo que infelizmente nos vamos ter que confrontar, apesar de, já agora, porque usou os dados, cerca de 22% da população, as estimativas iniciais eram muito piores, mais de 1 milhão de pessoas, e neste momento temos 495. Não é uma boa notícia, são más notícias, mas apesar de tudo, tem havido um esforço muito grande da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos, para atenuar estes valores.

Muito obrigado, Major-General João Vieira Borges. Eu sou o Luís Soares e este foi mais um Gabinete de Guerra da Rádio Observador.